Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"


Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.

Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.

QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.

Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.

Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.

Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.

Obrigado, desculpe o transtorno!

NADA A COMEMORAR

NADA A COMEMORAR
NADA A COMEMORAR dN@dILM@!

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

SEGUNDA-FEIRA 10:00hS
EAT Luis Carlos Ripper - Rua Visconde de Niterói, 1364 - Bairro Mangueira.
Caro Companheiro (a), Venha participar, com sua presença, dia 18 de fevereiro, às 10hrs da manhã de um "abraço" ao prédio da nossa querida EAT - Escola das Artes Técnicas Luis Carlos Ripper que, junto com a EAT Paulo Falcão ( Nova Iguaçu) foi fechada por uma arbitraria decisão governamental. Participe deste ato de desagravo ao fechamento de duas escolas públicas, reconhecidas e premiadas internacionalmente que, há dez anos, levam educação de excelência ao povo. ... Compartilhe este convite com todos aqueles que, como você esta comprometidos com a educação verdadeiramente de qualidade. >> Assine a petição para não deixar o governo do estado acabar com duas escolas de excelência!! << http://www.avaaz.org/po/petition/Pelo_manutencao_das_EATS_e_de_sua_Metodologia/?cqMRZdb Saiba mais: http://sujeitopolitico.blogspot.com.br/

ESTE BLOG ESTA COMEMORANDO!!!

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3 anos de existência com vocês...

Ativismo Contra Aids/TB

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quinta-feira, 2 de junho de 2016

“Medicamento não é bala mágica” por Clarissa Pains – O Globo

“Medicamento não é bala mágica”, critica especialista em HIV/Aids
por Clarissa Pains – O Globo

Estudiosos dizem que, embora tratamento esteja avançando, prevenção é o grande gargalo no combate à epidemia

RIO — Embora o número de mortes relacionadas à Aids tenha caído 26,7% nos últimos cinco anos, como mostra o relatório divulgado na terça-feira pelas Nações Unidas, a taxa de novas infecções no mundo permanece quase a mesma. Em 2010, ocorreram 2,2 milhões infecções, e em 2015, foram 2,1 milhões. Para especialistas, isso evidencia que o grande gargalo no combate à epidemia de Aids é a prevenção.

A queda na mortalidade se deve, segundo a ONU, a um aumento expressivo no número de pessoas tratadas com terapias antirretrovirais. Se em 2010 apenas 7,5 milhões de pessoas com HIV recebiam medicamentos — o equivalente a 22,5% da população infectada na época —, em 2015 a cobertura chegou a 17 milhões, isto é, 46% dos infectados. A marca ultrapassou em dois milhões a meta da ONU para o ano.

No entanto, a queda no índice de mortes poderia ser bem maior caso novas infecções tivessem sido evitadas nos últimos cinco anos. O coordenador de projetos da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Veriano Terto Jr., critica o fato de o relatório do Unaids, Programa das Nações Unidas para a Luta contra a Aids, incentivar que parte expressiva dos investimentos globais seja no tratamento, e não na prevenção do vírus.

— Se as políticas públicas enfatizarem apenas o tratamento, deixando os programas de prevenção como secundários, não será possível controlar a epidemia de Aids em 2030, como a ONU estipula — afirma ele. — Não se pode achar que o medicamento é uma bala mágica, que resolverá todos os problemas. É preciso educação sobre DSTs (doenças sexualmente transmissíveis).

Ele faz uma analogia com a situação da sífilis no Brasil. Os casos da doença não param de crescer, apesar de já existir medicamento poara tratá-la desde 1927.

— Não é a existência do medicamento, pura e simplesmente, que fará as pessoas não contraírem a doença e não sofrerem com ela. É preciso fortes políticas públicas de prevenção para combater doenças como a sífilis e a Aids — avalia Terto Jr.

DESIGUALDADE DE GÊNERO - Segundo o relatório, o grupo de maior risco para o HIV é o de jovens e adolescentes, sobretudo entre a população feminina. Mulheres de 15 a 24 anos representaram 20% das novas infecções em 2015, apesar de serem apenas 11% da população contaminada. De acordo com o Unaids, desigualdade de gênero, pobreza, violência e obstáculos para educação das mulheres e para o acesso a serviços de saúde reprodutiva estão na raiz dessa vulnerabilidade maior.

O objetivo da ONU é alcançar, até 2020, o modelo conhecido como “90-90-90”: diagnosticar 90% dos infectados pelo HIV, oferecer terapias antirretrovirais para 90% dessas pessoas, e alcançar supressão viral em 90% dos pacientes que recebem o tratamento.

BRASIL: 12 MIL MORTES em 2014 - Um mecanismo de prevenção que deve ser aprovado ainda este ano para uso no Brasil é a profilaxia pré-exposição (PrEP), uma pílula que reúne dois antirretrovirais — o tenofovir e a emtricitabina — e que pode ser tomada diariamente ou antes de uma relação sexual para evitar a contaminação pelo vírus. A ideia é que ela seja indicada para pessoas que se relacionam com quem tem HIV e para homens que fazem sexo com homens, grupo que reúne a maior parte dos infectados no país. Essa pílula já é aprovada nos EUA e na Europa.

— Há estudos indicando que a PrEP chega a ser mais eficaz do que a camisinha, mas quem for tomá-la precisa de acompanhamento médico, porque pode provocar efeitos colaterais — diz Paulo Abrão, professor de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O Brasil registrou 40 mil novos casos e 12 mil mortes em 2014, último ano com dados divulgados. Ambos índices se mantêm estáveis em comparação com 2010. Para José Valdez Madruga, coordenador do Comitê Científico de HIV/Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o estigma ainda é uma das principais barreiras no país.

— Existe muito preconceito com a testagem, o que acaba atrasando o diagnóstico e, assim, o início do tratamento.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ate onde vai ? Os Mal feitos do PT

Eu estou navegando em [PT faz homenagem a condenados no mensalão]. Dê uma olhada! http://m.oglobo.globo.com/brasil/pt-faz-homenagem-condenados-no-mensalao-11031643

terça-feira, 16 de setembro de 2014

#Jabour #oglobo A Mentira virou verdade


ve às terças-feiras
A mentira virou verdade
Nunca antes se roubou em nome de um projeto político alastrante em todos os escaninhos do Estado

O COLUNISTA
16/09/14 - 06h12 | Atualizado: 16/09/14 - 07h20
Aproxima-se a hora da verdade política do país. Hora da verdade ou hora da mentira?

Mentira virou verdade? Nossas “verdades” institucionais foram construídas por 500 anos de mentiras. Portanto, virou uma razão de Estado para o governo do PT a proteção à mentira brasileira inventada pela secular escrotidão portuguesa. Se a verdade aparecesse em sua plenitude, nossas instituições cairiam ao chão. Por isso, o Governo acha que é necessário proteger as mentiras para que a falsa “verdade” do país permaneça. E não é só a mentira que indigna. É a arrogância com que mentem. E a mentira vai se acumulando como estrume durante um ano e acaba convencendo muitos ingênuos de que “sempre foi assim” ou de que “erraram com boa intenção”.

Não só roubaram cerca de R$ 2 bilhões desviados de aparelhos do Estado, de chantagem com empresários, de fundos de pensão, de contratos falsos, mas roubaram também nossos mais generosos sentimentos. A verdadeira esquerda se modificou, avançou, autocriticou-se enquanto eles não arredaram os pés dos velhos dogmas da era stalinista e renegaram todo trabalho de uma esquerda mais social-democrata, como aliás fazem desde que não votaram nos “tucanos” da época e o Hitler subiu ao poder.

“Nunca antes”, nunca antes um partido tomou o poder no Brasil e montou um esquema secreto de “desapropriação” do Estado, para fundar um “outro Estado”. Nunca antes se roubou em nome de um projeto político alastrante em todos os escaninhos do Estado, aparelhado por mais de 30 mil militantes.

O ladrão tradicional sabia-se ladrão. O ladrão tradicional roubou sempre em causa própria e se escondia pelos cantos para não ser flagrado.

Os ladrões desse governo roubam de testa erguida, como se estivessem fazendo uma “ação revolucionária”, se orgulham de fingir de democratas para apodrecer a democracia por dentro.

A verdade está sempre no avesso do que dizem.

São hábeis em criar um labirinto de “falsas verdades”, formando uma rede de desmentidos, protelações e enigmas que vão desqualificando as investigações de coisas como a CPI da Petrobras e todos os crimes de seus aliados. Regozijam-se porque seus eleitores são ignorantes e pobres e não sabem nem o que é “dossiê” — pensam que é um tipo de doce. A verdade do Brasil é coloquial, feita de pequenos ladrões, sujos arreglos políticos, emperramentos técnicos. Hoje, sabemos que somos parte da estupidez secular do país. Assumir nossa doença talvez seja o início da sabedoria.

A verdade é que os petistas nunca acreditaram na “democracia burguesa”; como disse um intelectual emérito da USP — “democracia é papo para enrolar o povo”.

O PT que se agarra ao poder degrada a linguagem. Falam de um lugar que é o auge de um baixo voluntarismo aventureiro, de uma ideia de socialismo decaída em populismo. A esquerda petista não tem memória. Dá frio na espinha vê-la tender para os mesmos erros de 64 e 68.

Na cabeça dessa gente ignorante e dogmática nada é real; só a ideologia existe.

Todos os erros eram previsíveis por comentaristas e foram cumpridos à risca pelos governos petistas.

Milhares de petistas ocupam o Estado aparelhado e querem que a Dilma ganhe para permanecerem nas “boquinhas”.

As agências reguladoras estão sendo assassinadas.

Dilma berra que o Banco Central não tem de ter autonomia.

A era Meirelles-Palocci foi queimada, velho desejo dos camaradas.

Qualquer privatização essencial foi esquecida. A reforma da Previdência “não é necessária” — dizem eles — não havendo nenhum “rombo” no orçamento (!). Os gastos públicos aumentaram pois, como afirmam, “as despesas de custeio não diminuirão para não prejudicar o funcionamento da máquina pública”.

Se reeleita, voltará a obsessão do “Controle” sobre a mídia e a cultura. E, como não poderá se reeleger, o bolivarianismo vai florir e o passarinho do Chávez vai cantar em seus ouvidos. Nossa maior doença — o Estado canceroso — foi e será ignorada. Tudo que construíram, com sua militância, foi um novo “patrimonialismo de Estado”, com a desculpa de que “em vez de burgueses mamando na viúva, nós, do povo, nela mamaremos”.

O perigo que corremos é sua reeleição, porque o país de analfabetos é boçal, espera um salvador da pátria. No fundo, brasileiros preferem uma boa promessa de voluntarismo e populismo, na base do “pau no burro” ou “bota para quebrar”. Estamos prontos para ditadores e demagogos; para administradores e reformadores racionais, não.

Enquanto o óbvio se exibe, a covardia de muitos intelectuais é grande. Há o medo de serem chamados de reacionários ou caretas. Continuam ativos os três tipos exemplares de “radicais”: os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os burros e os loucos. Uns bebem e falam em revolução; outros alucinam; e os terceiros zurram.

A “presidenta” vive a missão impossível de ser “socialista e dirigir um país... ah... capitalista. A conclusão é que Dilma perdeu o controle da zona geral que Lula sabia “desorganizar” com esmero e competência. Dilma não é competente nem para desorganizar. Não é apenas o fim de dois maus governos; é o despertar de um caos institucional que será mais grave do que pensávamos. Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com os dois tumores gêmeos de nossa doença: a direita do atraso e a esquerda do atraso. É uma herança que vai amaldiçoar o futuro. Como escreveu Bobbio, se há uma coisa que une esquerda e direita é o ódio à democracia.

O Brasil evolui pelo que perde e não pelo que ganha. Sempre houve no país foi uma desmontagem contínua de ilusões históricas. Com a História em marcha a ré, estranhamente, andamos para a frente. Como?

O Brasil se descobre por subtração, não por soma. Chegaremos a uma vida social mais civilizada quando as ilusões chegarem ao ponto zero
http://m.oglobo.globo.com/cultura/a-mentira-virou-verdade-13944296#top

domingo, 4 de maio de 2014

Quem fala em nome dos estudos de gênero e educação no mundo?


Cientistas criam espermatozoides a partir da pele de homens inférteis - O Globo


http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/cientistas-criam-espermatozoides-partir-da-pele-de-homens-inferteis-12364657


  • Por meio desses tecidos, estudo obteve células-tronco que foram introduzidas em testículos de ratos e geraram material germinativo
Publicado: 2/05/14 - 15h02
Atualizado: 2/05/14 - 15h09
O experimento usou amostras de três homens inférteis
Foto: AP Photo/PA, Journal of Science, HO
O experimento usou amostras de três homens inférteis AP Photo/PA, Journal of Science, HO
EUA - A pele humana de homens inférteis pode ser usada para criar espermatozoides. Esta foi a conclusão de um recente estudo científico realizado em conjunto por diversas universidades americanas que pode oferecer esperança para aqueles que não podem ter filhos.
O trabalho avaliou que a partir desses tecidos podem ser obtidas células-tronco pluripotentes ou iPS. No experimento, as células iPS foram injetadas em testículos de ratos, dando origem a células germinativas - os precursores de esperma.
Com a novidade, a ciência dá um novo passo para explicar causas genéticas da infertilidade masculina e ajudar a entender a biologia básica do esperma.
- Nossos resultados são os primeiros a oferecer um modelo experimental para estudar o desenvolvimento do esperma. Além disso, existe a possibilidade de aplicação desta terapia celular em clínicas de reprodução para, por exemplo, gerar espermas maiores e melhores em laboratórios - disse ao jornal espanhol “El Mundo” a professora da Universidade Estadual de Montana, nos Estados Unidos, Renee Reijo Pera. A cientista, no entanto, garante que estudos futuros são necessários para examinar a eficiência deste procedimento em Humanos.
Experimento
Os cientistas tomaram amostras de pele de três homens para transformá-las em células-tronco. Elas tinham uma mutação genética no cromossomo Y que os impedia de produzir espermatozoides. As células foram transplantadas para os testículos de ratos. O que se provou é que, uma vez injetadas, elas foram transformados em células-tronco de esperma, ou seja, os precursores de esperma.

Grupos de ódio encontram apoio na televisão - Revista Fórum

http://www.revistaforum.com.br/digital/133/grupos-de-odio-encontram-apoio-na-televisao/

Grupos de ódio encontram apoio na televisão
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Ataques homofóbicos e racistas são frutos de ideologias pregadas por páginas como Orgulho de ser Hétero e Carecas do ABC
Por Isadora Otoni
“É, entrei para as estatísticas”, foi como o biólogo Juliano Zequini anunciou aos seus amigos que foi espancado na Rua Augusta, em São Paulo. O jovem homossexual estava sozinho nas proximidades da Avenida Paulista, voltando de um bar às 22h30, quando foi atacado sem saber o motivo. “Ele estava escorado na parede e me deu uma rasteira proposital. Eu questionei o porquê daquilo e ele começou a me ameaçar. Eu virei e segui andando, quando ele me atacou pelas costas”, descreve o jovem.
juliano “Você acha que os cuidados que toma são suficientes?”, perguntou o jovem que foi agredido (foto: Reprodução/Facebook)
Juliano foi socorrido por duas pessoas que passavam pela Rua Augusta, mas não encontrou policiais nas proximidades. O biólogo seguiu para o 14º Distrito Policial, onde fez um Boletim de Ocorrência e exame de corpo de delito. “Você sempre considera a possibilidade de ataque homofóbico, ainda mais se você não vive no armário. Mas ao mesmo tempo se nega que isso vai de fato acontecer. Você acha que os cuidados que toma são suficientes”, desabafou ele.
Em 2014, o caso de Juliano não foi o único nem mesmo o pior. Ataques com motivações de ódio resultaram na morte do jovem gay Bruno Borges de Oliveira em São Paulo, na ameaça de espancamento do ativista LGBT Eliseu Neto no Rio de Janeiro e no linchamento de um morador de rua negro, também no Rio.
Os assassinos de Bruno Borges foram presos e confessaram o crime. O grupo era formado por seis skatistas, quatro maiores de idade e dois menores, que roubavam homossexuais por os considerarem “alvos fáceis”. Bruno, que estava acompanhado de dois amigos no centro paulistano, não conseguiu fugir e acabou sendo espancado até a morte pelo grupo.
O psicólogo e ativista LGBT Eliseu Neto relatou no Facebook que foi ameaçado de espancamento enquanto se exercitava no Aterro do Flamengo. Segundo ele, em torno de 25 adolescentes se aproximaram armados com pedaços de pau, mas Eliseu conseguiu escapar. No dia 4 de fevereiro, um grupo de 14 jovens de classe média foi levado ao 9º DP carioca. O grupo, formado por 13 maiores e um menor, foi acusado de agredir homossexuais que frequentavam o Flamengo.
A polícia investiga se os jovens detidos estão envolvidos no linchamento de um morador de rua negro, que aconteceu no dia 31 de janeiro. O adolescente de 15 anos foi acorrentado nu pelo pescoço a um poste, na mesma região dos ataques homossexuais, por um grupo que pretendia fazer “justiça” com as próprias mãos. Ele foi encontrado com ferimentos pelo corpo, a maioria na cabeça, e não conseguia se comunicar. O rapaz já foi acusado de furto três vezes, e desapareceu após ser atendido em um hospital.
Os crimes de ódio são incentivados por discursos neonazistas e nacionalistas. Apesar dos casos extremos serem registrados nas ruas e em lugares de grande visibilidade, a prática desses grupos encontra bases no Facebook, em páginas da internet e até na televisão. Após o linchamento do adolescente negro, a jornalista Rachel Sheherazade divulgou no Jornal do SBT uma mensagem de apoio à violência praticada. “O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva”, declarou ela.
Intolerância em memes
Um estudo feito por Adriana Dias, pesquisadora da Unicamp, apontou as regiões mais neonazistas do Brasil entre 2002 e 2009. Através de monitoramento da internet, a antropóloga verificou que o interesse pelo assunto cresceu 170% e os comentários de ódio em fóruns aumentaram 42.585% durante o período estudado. Segundo Adriana, os grupos eram predominantes do Sul do país, mas têm crescido no Distrito Federal, em Minas Gerais e em São Paulo.
Apesar dos casos televisionados ganharem mais destaque, a internet é o grande palco da intolerância. A página Orgulho de ser Hétero, por exemplo, possui mais de um milhão de seguidores no Facebook e compartilha conteúdo machista e homofóbico através de memes. Já um site denominado Homens de Bem foi excluído após diversas denúncias sobre seu conteúdo criminoso. Entretanto, grupos como Carecas do ABC e a banda Confronto 72 ainda conseguem passar mensagens de intolerância nas redes sociais sob a justificativa de argumentos nacionalistas, a favor da família e da moral.
Margarette Barreto, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, realizou um mapeamento dos grupos de ódio que atuam na cidade. “Podemos destacar dentro das tribos urbanas atuais os neonazistas, punks, skinheads, entre outros que perseguem algumas minorias”, relatou a delegada. Segundo Margarette, os alvos dos ataques são negros, homossexuais, judeus e grupos rivais. Ela ainda descreveu a estrutura desse tipo de grupo: “Geralmente são organizados e possuem hierarquia, havendo também rituais para entrada, chamados de ‘batismo’, no qual o iniciante é agredido pelo grupo e posteriormente deve mostrar sua coragem e posicionamento ideológico agredindo um alvo do grupo intolerante”.
Publicação da página Carecas do ABC Página Carecas do ABC prega o “anticomunismo”
A delegada explicou que o crime de ódio é caracterizado por ter um alvo definido, pertencente a um grupo excluído. Nesse caso, a vítima pode ser desde moradores de ruas e profissionais do sexo até integrantes de agremiações futebolísticas. Além disso, esse ataque deve passar uma mensagem de intolerância ao grupo da vítima. “Não podemos dizer que todo ato criminoso praticado contra homossexual é homofobia. O crime deve ser praticado em razão à aversão a este grupo de pessoas”, detalhou.
Julian Rodrigues, coordenador de Políticas para LGBT da Prefeitura de São Paulo, acredita que o cenário atual é desfavorável no combate aos crimes de ódio. “Você tem nas televisões uma pregação supostamente religiosa, mas que é feita atacando gays, homossexuais, lésbicas e travestis o tempo todo. É um contexto não muito favorável, com crescimento da bancada evangélica fundamentalista nas câmaras. Há um discurso de ódio, há uma banalização das piadas homofóbicas”, analisa. Para ele, o preconceito destilado na internet é um sinal da falta de conscientização de jovens: “Tem muito machismo e homofobia principalmente nos setores da juventude. Também temos que fazer uma luta cultural”.


A violência aumentou
Julian acredita que o cenário atual resultou no aumento da violência contra homossexuais, por exemplo. “Aparentemente, temos um clímax de ataques homofóbicos por conta do crescente fundamentalismo religioso e de uma onda conservadora”, opina. Já Gustavo Bernardes, coordenador geral de Promoção dos Direitos LGBT da Presidência da República, acredita que o preconceito é uma reação à visibilidade de causas sociais. “O discurso de ódio vem de diversos setores da sociedade que têm medo de, com o reconhecimento de direitos de minorias, perderem privilégios que mantiveram durante 500 anos de história do Brasil. Acredito que o discurso de ódio é uma reação ao avanço dos direitos de LGBT, negros, mulheres, indígenas, setores que sempre foram alijados do processo de crescimento do Brasil”, disse.
A delegada Margarette, no entanto, não confirma se esse tipo de crime aumentou. “Anteriormente não tínhamos como quantificar os crimes de intolerância, pois eles sofriam de uma subnotificação muito grande. Mas hoje podemos dizer que, com a criação da delegacia e outras políticas públicas no sentido de proteger os direitos civis das minorias, existem mais notificações e denúncias”, justificou.
“O último relatório de violência homofóbica no Brasil produzido e divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) mostrou um aumento de 166% no número de denúncias de violência homofóbica no Brasil no período compreendido entre 2011 e 2012. Isso se deve em parte ao aumento da violência, mas também ao maior conhecimento e reconhecimento dos canais de denúncia do governo federal”, ressaltou Gustavo. Já o número de homicídios aumentou de 278 para 310 no mesmo intervalo. O Disque 100 registra denúncias de todos os crimes de violação de direitos humanos. Em 2012, os registros aumentaram 77%, passando de 87.764 em 2011 para 155.336.
mapa neonazismo brasil Estudo feito por Adriana Dias revela o crescimento de sites neonazistas
Gustavo também revelou quais os estados que mais registram casos de violência motivada por intolerância. “Proporcionalmente, a população da Região Nordeste é mais violenta, em especial os Estados de Alagoas e Paraíba. Ambos os Estados estão recebendo investimentos do governo federal para o enfrentamento da violência e para a promoção dos direitos de LGBT.”
Para Julian, o trabalho de combate ao preconceito deve ser feito pelo governo federal, estadual e municipal, mas conta que a Prefeitura de São Paulo já desenvolve uma campanha contra a homofobia. “Vamos trabalhar nas escolas com os professores, em capacitação em questões de gênero, de homofobia”. Porém, para evitar a agressão física nas ruas, o governo estadual deve estar alerta. “A parte de segurança pública, de prevenção, é do governo do Estado. Já pedimos um reforço do policiamento e um trabalho de investigação preventiva, que é trabalho da Polícia Civil”, relata o coordenador de São Paulo.
Gustavo concorda que os ataques são de responsabilidade dos Estados, por isso a SDH firmou uma parceria. “Em 2011, a SDH e o Ministério da Justiça e as secretarias de Segurança Pública dos Estados construíram um Termo de Cooperação Técnica para o enfrentamento das homofobias. Esse termo prevê entre outras coisas a capacitação das forças de segurança para o enfrentamento dos crimes de ódio, inclusive com a criação de unidades de polícia especializadas. Hoje já temos 17 Estados com esse termo em vigor e muitos já implementando as ações previstas”, divulgou.
O coordenador da Presidência defendeu a aprovação de uma lei que criminalize a violência homofóbica. “Outra medida que entendo fundamental é a aprovação de uma lei, pelo Congresso Nacional, que explicitamente criminalize a prática de ódio e discriminação contra a população LGBT. O Congresso Nacional não pode se eximir desse debate fundamental para a democracia brasileira. Não há democracia sem respeito às minorias.” Ademais, ele contou que o Sistema de Promoção e Defesa dos Direitos de LGBT possui espaços de acolhimento das vítimas, amigos e familiares que oferecem assistência jurídica e psicossocial, e já existem quatro desses centros instalados.
A delegada Margarette descreveu as ações da Polícia Civil do Estado de São Paulo. “Inicialmente propagaram a existência da Unidade Especializada para que a população soubesse que há locais para o registro de crimes deste tipo. Posteriormente, fizeram um levantamento dos principais grupos que atacam em São Paulo e procuraram identificar seus membros e liderança, colocando no banco dos réus os autores de crimes de ódio. Também foi feito o mapeamento da cidade dos locais de maior incidência criminal e compartilharam tais informações com a Polícia Militar para que realizasse o patrulhamento preventivo de forma profícua, com vista a evitar que os crimes ocorressem”.

Quem fala em nome dos estudos de gênero e educação no mundo?

http://ensaiosdegenero.wordpress.com/2014/04/10/quem-fala-em-nome-dos-estudos-de-genero-e-educacao-no-mundo/

Quem pesquisa gênero e educação sabe que, no Brasil, os artigos produzidos dentro desse campo circulam entre variados periódicos, pois não existe uma única revista científica em português que os congregue. Em língua estrangeira, a diversidade também é alta, mas existe o periódico Gender and Education (G&E), de destaque, que reúne artigos sobre relações de gênero na educação advindos do mundo todo. Quer dizer, o G&E não é tão global quanto pretende e é exatamente esse viés que discutiremos neste texto.
Em artigo recentemente publicado, Marília Carvalho (2014) discute essa problemática a partir de uma perspectiva do Sul global ou, para ser mais específico, latino-americana. Tomando as publicações dos últimos três anos da G&E, a autora denuncia que a produção dos EUA e do Reino Unido está super-representada no periódico, englobando respectivamente 20% e 30% do que se publicou na revista. Entre 2011 e 2013, a quantidade total de artigos publicados nesse periódico foi de 141, sendo que apenas quatro vieram da América Latina – e nenhum deles do Brasil.
Marília Carvalho, professora da Faculdade de Educação da USP, denuncia o quanto o periódico Gender and Education sofre certos vieses da produção euro-americana. Marília Carvalho, professora da Faculdade de Educação da USP, denuncia o quanto o periódico Gender and Education sofre certos vieses da produção euro-americana.
Isto quer dizer que em mais de 20 anos de pesquisas sobre gênero e educação no Brasil, pouquíssimos pesquisadores/as do nosso país emplacaram artigos na Gender and Education (e, nos últimos três anos, nenhum). É como se o mundo, fora do eixo lusófono, não tivesse a mais remota ideia do que o Brasil pensa, produz e diz a respeito – configura-se, assim, um blecaute científico. Mais do que uma implicação numérica, essa constatação levanta uma profunda reflexão sobre a divisão internacional do trabalho intelectual, ou seja, quem produz o conhecimento no mundo e garante que este circule e seja lido e citado? Afinal, quem fala em nome dos estudos de gênero e educação no mundo?
Para responder essa pergunta, devemos atentar para alguns vieses da produção acadêmica em âmbito global. Carvalho (2014), ao ler os títulos e resumos de todos os 141 artigos publicados, constatou que praticamente todas as produções originárias do Sul global deixavam bem claro de onde eles estavam falando. Exemplos: “Teaching Christine de Pizan in Turkey” e “Boys’ educational ‘underachievement’ in the Caribbean”. Nota-se que o local de origem de tais estudos consta em seus próprios títulos. Ao baixarmos o artigo, sabemos de que se trata da Turquia ou do Caribe.
Já com artigos produzidos dentro do eixo euro-americano, não ocorre tal simetria. Aliás, em países como Suécia, Grécia ou Canadá – que, apesar de se localizarem na Europa ou na América do Norte, são menos centrais tanto no meio científico quanto na geopolítica – a menção ao país pode não acontecer no título, mas muito provavelmente estará no resumo (o tal do abstract). De forma ousada, Carvalho (2014) sugere que esses países ocupam uma posição “sulista” dentro do Norte, não se encontrando no mesmo patamar de privilégios das duas principais metrópoles de língua inglesa.
Capa do periódico internacional Gender and Education, referência no assunto. Infelizmente, a revista não representa fielmente a produção científica que é realizada por todo o mundo. Capa do periódico internacional Gender and Education, referência no assunto. Infelizmente, a revista não representa fielmente a produção científica que é realizada por todo o mundo.
Agora, se esbarramos em um artigo na G&E que não explicita suas origens nem no título e nem no resumo, muito provavelmente essa publicação é dos EUA ou do Reino Unido. Nesses casos, vemos pesquisas que parecem não terem sido realizadas em nenhum local em particular: suas descrições são genéricas e não remetem a uma cidade, país ou sequer a uma região. É evidente que tais dados serão fornecidos na seção de metodologia, quando deveriam estar presentes já em seu cartão de visitas (o título e/ou resumo), para que saibamos de onde eles/as estão falando. Trocando em miúdos, isto significa exigir que pesquisadores estadunidenses e britânicos tenham a cautela que nós, do Sul, temos quando publicamos internacionalmente.
Ainda, Carvalho (2014) avança sua discussão para outro aspecto: os artigos produzidos pelo eixo euro-americano raramente explicam seu próprio contexto. Eles pressupõem que nós, que não conhecemos de perto suas realidades, saibamos o significado de expressões como “inner-city schools”, “preservice teachers”, “A level students”, “Social purity movement” e “Westminter governments”. Em vez disso, esperam que nós tenhamos que pesquisar tais conceitos para entender o artigo.
Por outro lado, para que nossos manuscritos sejam aceitos em tal periódico, precisamos fornecer um contexto geográfico e socioeconômico, informações sobre o sistema educacional e político, raízes históricas etc. Somos obrigados a nos situar, pois se escrevermos um texto dizendo que fizemos uma pesquisa com crianças do ensino fundamental de uma escola da periferia de Recife, os editores vão nos questionar: o que é ensino fundamental? O que é a periferia? O que é Recife?
Ao submeter suas pesquisas para publicação em revistas internacionais, os/as autores/as devem estar para explicar (ou mesmo "traduzir", no sentido amplo) seus contextos. Ao submeter suas pesquisas para publicação em revistas internacionais, os/as autores/as devem estar para explicar (ou mesmo “traduzir”, no sentido amplo) seus contextos.
A partir dessas constatações, fica aquela velha impressão de que a ciência tende a privilegiar determinados contextos, origens e locais. Afinal, se é preciso que um brasileiro dê nome e endereço para justificar sua pesquisa, ao passo que um estadunidense discorre naturalmente sobre seus resultados, tem-se um sinal de que certas desigualdades estão sendo naturalizadas na dinâmica das ciências humanas. Nesse sentido, cabe a nós repensar qual é o papel do Brasil, da América Latina, do Sul global, em participar, disputar e se apropriar desses espaços de produção e circulação do conhecimento.
É primordial, assim, que periódicos de caráter internacional tal como a Gender and Education atentem para que uma real internacionalização se efetive dentro daquilo que lhes compete. Aos autores e autoras, não basta se situar geograficamente. É preciso, nos termos de Carvalho (2014) em diálogo com a literatura, traduzir suas realidades. E quando nos referimos à tradução, estamos pensando além de seu sentido literal, do ato de transferir de um idioma a outro. Pensamos, pois, em tradução no sentido amplo: tomar o cuidado para que outros leitores e leitoras possam compreender de que lugar se fala. Em uma curta frase: esclarecer seus contextos.
A divisão entre Norte e Sul global, esboçada no mapa acima, reflete-se não só pelo desenvolvimento das nações, como também nos diferentes papeis desempenhados pelos países na divisão internacional do trabalho intelectual. A divisão entre Norte e Sul global, esboçada no mapa acima, reflete-se não só pelo desenvolvimento das nações, como também nos diferentes papeis desempenhados pelos países na divisão internacional do trabalho intelectual.
Por fim, Carvalho (2014) ressalta que as ideias geradas pelos estudos de gênero e educação circulam internacionalmente por meio de textos. Os textos, por sua vez, precisam de uma espécie de “visto” para trafegarem por aí. É fato que alguns textos, como aqueles produzidos nos EUA e Reino Unido, circulam com mais facilidade. Além de termos de enfrentar as barreiras linguísticas, carregamos o fardo de ter que se virar perante uma produção internacional que tende a relegar ao Sul global o papel de menor importância, menor impacto, menor alcance, enfim, o papel de uma ciência secundária (leia aqui).
Cabe ressaltar que os/as editores/as do periódico Gender and Education têm feito valorosos esforços para reverter essa situação, dando abertura para que a produção fora do eixo euro-americano também apareça. Recentemente, por exemplo, foi lançado um número apenas com artigos da África do Sul. Além disso, a primeira conferência da G&E no Sul global acontecerá na Austrália neste ano. Esforços para que o Sul ocupe uma posição menos colonizada e mais protagonista, tanto na produção de conhecimento, quanto na geopolítica, é uma bandeira que tem se tornado cada vez mais presente e deve dar o tom das próximas décadas. Na G&E esse embate tem acontecido, mas não só lá. Em suma, o processo de mudança é amplo e queremos fazer parte dele.
Justiça exclui aids da certidão de óbito de homem, informa portal Terra - Agência de Notícias da Aids

http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=22219
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02/05/2014 - 12h40

O juiz Frederico dos Santos Messias, da 4ª Vara Cível da Comarca de Santos, de São Paulo, determinou a exclusão da aids como causa da morte na certidão de óbito de um homem. A justificativa teve como base no sigilo da relação médico-paciente e a estigmatização da doença. O pedido partiu da mãe do paciente. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

O magistrado utilizou-se da legislação brasileira e normas estrangeiras, entre eles a Declaração de Genebra (1948) e o Código Internacional de Ética Médica (1949). A argumentação do juiz foi de que o segredo médico permanece após a morte do paciente, em especial quando trata de doenças hereditárias ou cuja revelação possa causar constrangimento ou prejuízo.

“Os dados clínicos, por representarem a intimidade da pessoa falecida, somente podem ser revelados judicialmente, mediante justificável ponderação dos valores constitucionais em jogo, ou a pedido da família”, argumentou o juiz. Ele também levou em consideração o fato de a aids ser uma doença "estigmatizada" na sociedade. O magistrado justificou ainda que a aids não foi a causa direta da morte, que neste caso foi a falência múltipla dos órgãos. Mesmo com a retirada do termo na certidão de óbito, a informação deverá ser anotada no livro registrário, que também só pode ser acessado com prévia decisão judicial. Ainda é possível recorrer da decisão.

sexta-feira, 28 de março de 2014

CLIPPING Saúde, Sexualidade & Afins 28/Mar./2014

CLIPPING Saúde, Sexualidade & Afins
28/Mar./2014


A Sagrada Família (WALCYR CARRASCO)

Família virou desculpa para tudo. Tráfico de drogas, golpe, tortura, morte. Com que direito?

Nas últimas semanas, tenho me dedicado a assistir à série Breaking bad, em DVD. Vejo uma temporada após outra, hipnotizado pela história de Walter White (Bryan Cranston), um modesto professor de química que, ao descobrir um câncer, resolve produzir metanfetamina, uma droga sintética. Tudo o que quer é proteger a família. Deixar uma boa herança para pagar a hipoteca da casa, a faculdade do filho e, dali a uns 18 anos, da filha recém-nascida. Em nome da família, ele se envolve com o tráfico, mata gente. A cada temporada se afunda mais na criminalidade. Jamais perde seu discurso: tudo o que faz é pela família. Considero a série didática. Até que ponto alguém pode ir para proteger a família?

Quando se fala dessa maneira, parece uma coisa linda. Proteger a família é algo que toca nossos corações. O professor traficante é o herói da série. E a gente torce por ele, até nos momentos de maior crueldade. Depois, passada a emoção de cada episódio, reflito e vejo o que há realmente por trás da ficção. Em nome da família, é lícito produzir droga, entrar no tráfico etc.? Família virou desculpa para tudo. A última é essa bobagem de tentar ressuscitar a “Marcha da Família com Deus Pela Liberdade”, que ocorreu pouco antes do golpe militar de 1964. Na época, significou apoio ao golpe que se aproximava. Por meio do lema de “defender a liberdade”, pedia um golpe para destituir um estado de direito. Movimentos semelhantes ocorreram noutros países, que também sofreram intervenções militares. Antes da queda de Allende, no Chile, eram comuns os “panelaços”, em que donas da casa faziam estardalhaço para reclamar do governo, dizendo que faltava comida nas mesas. Depois, tanto aqui como no Chile e na Argentina, que também teve seu panelaço, vieram governos militares que deixaram mães sem filhos, mortos sem sepultura. E que falavam em... proteger a família, ai meu Deus! E torturavam e matavam. Quando eu era criança, em pleno golpe militar, garantiam que os comunistas destruiriam a família. E até que devoravam criancinhas!

No passado, se uma garota ficava grávida sem casamento, era expulsa da casa pelo pai e lançada, em geral, à prostituição. O argumento: “Defender a honra da família”. Houve, sim, uma evolução no comportamento. Ninguém expulsa uma filha de casa porque está grávida – e, se acontece, é em rincões do Nordeste. Frequentemente, é o contrário. Pais e mães atuais, novamente em nome da felicidade de seus filhos, tentam empurrá-los para bons casamentos. A família idealizada, com pais e mães bonitos, crianças saudáveis e sorridentes, é ótima para comerciais. Existe uma expressão, a “família margarina”, dos comerciais, em que se demonstra uma felicidade sem arranhões, e passar margarina no pão é a máxima expressão de afeto. Consumir é amar? É a “família margarina” que os partidários desse tipo de manifestação defendem? Uma família idealizada, que não corresponde nem às deles mesmos, com suas contradições.

Tenho motivos para gostar de Breaking bad. É comum alguém que comete um crime horrível, pessoal ou público, dizer que só quis defender a família. A série expõe essa chaga. Durante minha última novela, Amor à vida, recebi frequentes ataques pela internet, me acusando de querer destruir a família brasileira. Em última análise, a novela mostrava, sim, os vários tipos de família, da evangélica à gay. Defendia a convivência entre elas, o direito de ser, existir, e o respeito ao próximo. Essas são ideias, hoje em dia, autenticamente católicas, pois o papa Francisco demonstra um desejo sólido de tornar a Igreja mais receptiva. Mesmo que o papa diga o contrário, sempre existirão políticos dispostos a “defender a família” como argumento para qualquer retrocesso.

Nélson Rodrigues, ícone do teatro nacional, expôs as chagas das famílias. Também é intenso o livro de Zuenir Ventura, Sagrada Família, de quem roubei o título deste texto. Defender a família tornou-se desculpa para qualquer crime, frequentemente contra a liberdade e o direito. Já disse que ressuscitar essa marcha é uma grande bobagem. Ou será que estou enganado? Se já começaram a falar no tema, talvez não seja uma simples besteira. Mas um bom motivo de preocupação. Diante do que dizem, penso nos meus familiares e nas famílias de meus amigos. E pergunto: pedi alguma coisa? Com que direito alguém fala em nome de mim e de nossas famílias?

Para maioria da população, mulher tem culpa em estupros
Agência Brasil

Brasileiro rejeita violência contra mulheres, mas diz que comportamento e roupas delas têm influência no número de estupros. Apenas 10% desses crimes são notificados.

Mesmo com a ampliação dos debates sobre violência contra mulheres e iniciativas como a Lei Maria da Penha, de 2006, a sociedade brasileira ainda mantém opiniões machistas e acha que o comportamento da mulher tem influência no número de estupros, segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Os pesquisadores pediram que os entrevistados dissessem se concordavam ou não com frases como "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas" e "se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros". Para a primeira, 65% dos entrevistados disseram concordar total ou parcialmente. Para a segunda, o percentual é de 58,5%.

Os dados sobre a percepção acerca da violência contra a mulher são do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), do Ipea, divulgado nesta quinta-feira (27/03) em Brasília.

"Esse é um resultado extremamente preocupante, que remete mais uma vez à mentalidade patriarcal que ela leva a esse tipo de percepção", comentou o diretor de estudos e políticas sociais do Ipea, Rafael Osório. "É extremamente desanimador constatar que, depois de tanto progresso, ainda encontramos essa percepção amplamente disseminada."

Apesar do cenário predominantemente machista, o estudo também mostrou que 90% da população concorda que homens que agridem mulheres devem ser punidos com a prisão.

Subnotificação dos estupros - Um segundo documento inédito apresentado nesta quinta-feira pelo Ipea revela que todos os anos no Brasil acontecem ao menos 527 mil casos de estupro, mas apenas 10% são registrados na polícia.

Para o diretor de estudos e políticas do Estado, das instituições e da democracia do Ipea, Daniel Cerqueira, a falta de estatísticas em âmbito nacional dificulta o processo de elaboração de políticas públicas eficientes. "As bases de dados são segmentadas, não existe um banco de dados nacional nem sincronia dessas informações", disse.

O estudo também mostrou que, em 70% dos casos notificados, as vítimas são crianças e adolescentes e os agressores, na maior parte dos casos, são ou pais/padrastos (24,1%) ou conhecidos (32,2%) das vítimas. "Esse é um quadro de sintoma de uma doença coletiva, e é uma situação muito complexa de ser resolvida", opinou Cerqueira.

Brigas privadas e intervenção do Estado - De acordo com a pesquisa sobre a percepção da violência contra a mulher no Brasil, 64% das pessoas concordam que a família deve ser chefiada pelo homem e 82% acham que não se deve interferir em brigas entre marido e mulher. Os dados reforçam a presença ainda forte do chamado ordenamento patriarcal, em que o homem detém o mando sobre o espaço doméstico.

A pesquisa também mostrou que o percentual de pessoas que acredita que brigas entre marido e mulher devem ser resolvidas no âmbito particular é similar (87%) ao percentual de pessoas que defendem prisão para os agressores (90%). Segundo o Ipea, os dados mostram que, quando os conflitos passam para a violência física, os entrevistados disseram concordar com intervenções externas, por exemplo do Estado.

Segundo os pesquisadores, "embora o homem ainda seja percebido como o chefe da família, seus direitos sobre a mulher não são irrestritos e excluem as formas mais abertas e extremas de violência".

"Vemos que as pessoas estão fazendo distinção entre formas de violência que deveriam levar à intervenção do Estado na vida provada. As pessoas tendem a encarar a violência física como intolerável, mas há outros tipos de brigas que as pessoas acham que devem ser resolvidas na esfera privada", detalha Osório.

Relações homossexuais - Perguntados se concordam com a possibilidade de casais de pessoas do mesmo sexo terem os mesmos direitos dos outros casais, 50% dos entrevistados disseram que sim. Para o Ipea, essa aceitação deve-se ao fato de se tratar de um conceito e não necessariamente uma situação prática.

Evidência disso é o percentual de 52% de pessoas que concordam com a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo e o percentual de 59% que dizem se sentir incomodadas ao ver demonstrações públicas de afeto entre duas mulheres ou dois homens.

A pesquisa também cruzou os dados com a orientação religiosa e os resultados mostram que os evangélicos são o grupo mais intolerante à homossexualidade.

Para 65%, mulher que mostra corpo 'merece ser atacada' 
O Globo

Autor de estudo sobre estupros: 'Estamos em estágio pré-civilizatório'

Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que 527 mil mulheres, adolescentes e crianças são estupradas por ano no país, mas só 10% dos casos chegam ao conhecimento da polícia. Os dados, considerados assustadores, não param por aí. Em outra pesquisa, o instituto descobriu que mais da metade da população tem a tendência de culpar as mulheres pelos estupros dos quais elas são vítimas. Um contingente ainda maior, 65% dos entrevistados, entende que mulheres que "mostram o corpo merecem ser atacadas"

- Trabalho com violência há 15 anos e, para mim, estes dados são estarrecedores. Não se trata de uma doença isolada. Se trata de uma doença coletiva. Podemos dizer que estamos num estágio pré-civilizatório - afirmou o diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Ipea, Daniel Cerqueira, autor do estudo sobre a frequência de estupros .

Segundo ele, o número de estupros é extremamente elevado e exige uma resposta consistente do governo e da sociedade. Pelo estudo, 88,5% das vítimas da violência sexual são mulheres, 70% são ainda crianças ou adolescentes, e 51% delas são negras ou pardas. O estudo mostra ainda que 46% das vítimas têm ensino fundamental incompleto. Cerqueira chegou a estas conclusões com base em dados do Sistema de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, onde estão registrados atendimentos médicos de violência sexual.

- Estes números são elevados, mas se fosse feito um cruzamento entre os dados da Saúde e da Segurança Pública esse número (de estupros) seria maior ainda - afirma a secretária de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, Aparecida Gonçalves.

A violência não se limita ao ataque físico à mulher. Numa outra pesquisa sobre percepção da sociedade, 58% dos entrevistados disseram que "se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros" No mesmo estudo, 63% dos entrevistados disseram concordar "que casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre entre os membros da família" Ou seja, teriam que ser resolvidos sem a interferência da polícia.

A cultura do estupro está muito presente na sociedade. Ainda estamos numa sociedade patriarcal afirma Natália Fontoura, uma das responsáveis pela pesquisa.

A mesma pesquisa informa também que para 91% da população "homem que bate em mulher tem que ir para a cadeia" Para os pesquisadores, este seria um sinal de que, apesar dos preconceitos, a sociedade estaria mudando. O estudo mostra que a tendência de responsabilizar a mulher pelo estupro é mais comum entre pessoas que professam algum tipo de religião, especialmente evangélicos. É mais comum também entre pessoas de baixa escolaridade, sobretudo das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O Ipea ouviu 3.810 pessoas entre maio e junho do ano passado em todo o país. Os pesquisadores apresentaram 25 frases populares relacionadas à violência contra a mulher para que os entrevistados respondessem se concordavam ou não.

O resultado foi uma coleção de preconceitos. Pelo sondagem, 54,9% dos entrevistados concordaram com a frase "tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama" Para Rafael Osório, diretor de Estudos e Políticas Sociais, para uma parcela significativa de homens, mulheres sexualmente livres não são boas companheiras. "O sexismo e as representações da mulher como subordinada à autoridade masculina na jurisdição do lar frequentemente se materializam em violências que atingem milhares de brasileiras" diz o estudo.

As declarações de machismo não param por aí. Aproximadamente 60% dos entrevistados concordaram total ou parcialmente com a assertiva: "uma mulher só se sente realizada quando tem filhos" Outros 78,7% endossaram a idéia de que "toda mulher sonha em se casar" Um contingente de 63,8% apoiaram a tese de que "os homens devem ser a cabeça do lar".

EBC firma parceria com o governo no combate à violência contra a mulher
Agência Brasil

Onze empresas públicas e privadas – entre elas, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – assinaram (27), com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, um termo de adesão à campanha "Compromisso e atitude pela Lei Maria da Penha – A lei é mais forte".

Em discurso, o presidente da EBC, Nelson Breve, lembrou o caso da radialista Lana Micol, coordenadora da Rádio Nacional do Alto Solimões, assassinada em maio do ano passado no município de Tabatinga (AM). O principal suspeito do crime é o ex-marido de Lana, Edimar Nogueira Ribeiro.

“Muitas vezes, nossa mente custa a acreditar que existem desigualdades gritantes. Só quando acontece algo com a nossa família ou com alguém ao nosso redor é que a gente percebe que elas existem e nos mobilizamos”, disse Breve. “Trata-se de uma violência contra a mulher muito flagrante, que tirou a vida de alguém que tinha muito a dar à sua comunidade e que, infelizmente, nos deixou”, completou.

Ainda segundo o presidente da EBC, a empresa foi orientada pela própria Maria da Penha a se engajar na campanha e no combate à violência contra a mulher. Entre as ações previstas está a criação de um centro de referência, em Tabatinga, para mulheres que vivem em região de fronteira e com altos índices de violência.

“Com essa atitude, assumimos um compromisso forte para que a Lei Maria da Penha se torne ainda mais forte. É o compromisso que temos agora”, ressaltou Breve.

Lançada em 2012, a campanha tinha como proposta inicial a mobilização da sociedade e dos sistemas de Justiça para fortalecer os instrumentos de responsabilização de agressores. Atualmente, a estratégia adotada é que empresas e instituições desenvolvam ações sobre a Lei Maria da Penha e divulguem o canal de denúncia (Ligue 180) para o público interno e externo.

De acordo com o governo federal, o envolvimento de empresas e instituições no enfrentamento à violência contra a mulher pode reduzir a perda de recursos públicos e privados e também de produtividade causadas pelas ausências de vítimas ao trabalho.

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, cobrou mudanças nas atitudes adotadas dentro das empresas, sobretudo no combate ao assédio moral, ao assédio sexual e à discriminação de gênero na ascensão aos cargos.

“Essas empresas, públicas e privadas, não estão aderindo só à campanha, mas ao Programa Mulher, Viver sem Violência, à tolerância zero. Ao aderirem, estão acolhendo, abraçando e protegendo, no sentido de garantia de direitos a todas as mulheres brasileiras”, disse a ministra.

Um levantamento do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento aponta que a violência contra a mulher é responsável por 20% das faltas ao trabalho em todo o mundo – uma em cada cinco ausências, portanto, é motivada por agressões ocorridas no ambiente doméstico.

Em nota, ministra condena atos de violência contra mulher
Portal Brasil

Eleonora Menicucci - Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

Leia nota da ministra, a seguir:

 "A covardia dos ataques a mulheres no transporte público, verificada principalmente em São Paulo, escancara a face invisível da brutal violência sexual vivida a cada dia pelas mulheres. Por meio de ações planejadas em redes sociais, agressores transformam-nas em reféns: elas muitas vezes não têm como abandonar imediatamente o canto do veículo onde estejam. Essas agressões precisam ser enfrentadas por toda a sociedade, na sua baixeza de atentados aos direitos humanos das mulheres.

A melhor maneira de combater esse comportamento ignóbil é denunciá-lo, numa iniciativa tanto da própria passageira, quanto de quem o testemunhe. Afinal, este pode ser enquadrado na Lei Maria da Penha. A Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República vem planejando ações, em parceria com as responsáveis pelas políticas de mulheres do município e Estado de São Paulo, para coibir esta violência."

Jovens em risco
Correio Braziliense

É lugar-comum afirmar que o jovem representa o futuro do país. O chavão, porém, não torna a afirmação falsa. Ao contrário. Ela só virou clichê por ter sido insistentemente repetida. Pais, professores e governantes não têm dúvida do papel que aguarda crianças e adolescentes anos mais tarde. Eles não só trilharão caminhos abertos pelos antecessores, mas também encontrarão novas vias aptas a enriquecer o patrimônio nacional.

Se o fato é de domínio dos adultos, não o é dos menores. A pesquisa Comportamento de Risco entre Jovens Brasileiros revela dados preocupantes. Apesar da abundância de informação de que a garotada dispõe, os alertas parecem não dar o resultado esperado. Rapazes e moças negligenciam cuidados básicos e se entregam a consumo de substâncias prejudiciais ao corpo e à mente.

Pior: a conduta perigosa começa muito cedo. Não raro estimulada pela própria família. O estudo cita casos de crianças que experimentaram bebida alcoólica aos 12 anos. Os pais oferecem uma bicada, uma provinha aparentemente inocente de vinho, cerveja, uísque. Insistem para que o filho beba e aprecie a iguaria. A brincadeirinha funciona como convite a consumo crescente e estímulo à imoderação.

Segundo o levantamento, a média de idade em que os jovens começam a beber é 15 anos. O percentual dos que abusam do álcool causa apreensão. Na faixa entre 14 e 17 anos, o índice atinge 43%; entre 18 e 21 anos, 55%; entre 22 e 25 anos, 61%. De acordo com especialistas, a precocidade não só abre as portas para outros vícios. Começar cedo, sobretudo, é garantia de dependência futura.

O comportamento de risco não se restringe ao álcool. Cresce o número dos consumidores de drogas lícitas e ilícitas. Na média, garotos e garotas entram no universo dos fumantes antes de completar 15 anos. Maconha, cocaína e solventes também frequentam as rodas de adolescentes e jovens. Em escolas, clubes, parques, shoppings, cinemas há oferta e procura. A repressão parece incapaz de impedir a circulação dos produtos.

No sexo, também se observa o risco: 29,6% dos homens e 34,4% das mulheres negligenciam a camisinha. Nada menos de 88% nunca fizeram teste de HIV nem doaram sangue, oportunidade em que o vírus poderia ser detectado. Além do perigo de contaminação, o pouco caso com métodos preventivos responde por gestações precoces e abortos.

A pesquisa acende a luz vermelha. Impõem-se não só campanhas inteligentes e esclarecedoras sobre o preço do comportamento irresponsável. As instituições de ensino desempenham papel importante no esclarecimento e guinada dos estudantes em direção à saúde. Pais também precisam de atenção e toques de alerta. O freio de mão precisa ser puxado. Com urgência.

No RS, ministério recolhe lote de 89 mil vacinas anti-HPV 
O Globo

Medida foi adotada depois que seis meninas tiveram reações graves após dose

A secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul recolheu preventivamente ontem um lote de 89 mil vacinas anti-HPV, depois que seis adolescentes - cinco em Porto Alegre e uma em Veranópolis, na Serra gaúcha - apresentaram reações atípicas depois da primeira dose. Uma delas teve convulsões.

Os cinco casos de Porto Alegre foram registrados na segunda-feira. O de Veranópolis, no último dia 20. Os nomes das adolescentes foram mantidos em sigilo, mas as reações apresentadas foram consideradas graves pelo Ministério da Saúde.

Em nota conjunta, a pasta e a secretaria estadual atestam que a vacina é segura e utilizada em 51 países desde 2006 "sem registros de eventos que pudessem pôr em dúvida sua segurança" O texto ressalta ainda que o Centro Estadual de Vigilância em Saúde foi notificado e já investiga os casos.

As cinco adolescentes de Porto Alegre têm 13 anos e sofreram de mal estar, dor de cabeça e náuseas. Três precisaram de atendimento de emergência, mas já foram liberadas. A menina de Veranópolis, de 11 anos, teve uma crise convulsiva e segue sob acompanhamento neurológico.

Segundo a nota conjunta, a ocorrência de convulsões não foi confirmada por estudos internacionais, e isso levou ao recolhimento do lote de onde vieram todas as doses dadas às seis meninas.

Segundo a coordenadora do Programa de Vacinação do RS, Tani Ranieri, as adolescentes continuam sendo acompanhadas, e nenhuma tinha histórico de epilepsia, causa comum de convulsões.

- É necessário ter cuidado nesses casos porque o medicamento pode levar a culpa no lugar de problemas anteriores, que não eram conhecidos e foram desencadeados pelo produto - diz ela

Além desses casos, foram registradas no estado outras 30 ocorrências de reações adversas leves, como tontura e desmaios. A aplicação da vacina tem como meta proteger adolescentes de 11 a 13 anos contra a infecção pelo HPV. Até ontem, 116 mil doses haviam sido aplicadas. A meta é vacinar 206 mil meninas.

A vacina, oferecida na rede privada por R$ 400, é fabricada pelo laboratório americano Merck Sharp & Dohme. Segundo a campanha, a segunda dose deverá ser aplicada em setembro, e um reforço final, daqui a cinco anos.

- Em campanhas massivas, o surgimento de reações adversas raras sempre aparece. O recomendável é que a segunda dose não seja aplicada - diz Juarez Cunha, do Comitê de Infectologia e Cuidados Primários da Sociedade Gaúcha Pediátrica.

O epidemiologista Eno Filho acha, por sua vez, que a campanha é "inadequada"

- Os casos de reações graves reforçam a sensação de que a vacina foi introduzida precoce e inadequadamente. Até 2011, o ministério divulgara parecer não recomendando incluir anti-HPV no calendário vacinai. De lá para cá, não se produziram evidências científicas que justificassem a mudança.

A vacinação continua em todo o estado conforme calendário pré-definido.

Governador do Piauí causa revolta ao vetar lei que proíbe teste de HIV em concurso público
Ag. Aids

 A notícia de que o governo do Piauí vetou parcialmente o projeto de lei que proibia a exigência de teste de HIV para o ingresso no serviço público estadual, em alguns cargos, causou revolta em ativistas daquele estado. Jovanna Baby, conselheira nacional de combate à  discriminação e integrante do Fórum LGBT do Piauí disse que as ONGs estão se articulando para preparar um documento contra este veto. "Vamos recorrer  em todas as instâncias", disse Jovanna. "Esse veto é carregado de preconceito, o governador presta, com ele,  um desserviço à aids. Ele é médico e deveria saber que pessoas vivendo com HIV não são incapazes de trabalhar." Jovanna também contou que a imprensa do Piauí está dando apoio ao divulgar o caso.  Leia, a seguir matéria publicada pelo site G1.

Governador veta lei que proíbe teste de HIV em concurso público no Piauí

 O governo do Piauí vetou parcialmente o projeto de lei que proibia a exigência de teste de HIV para o ingresso no serviço público estadual em alguns cargos. A lei, de autoria do deputado Fábio Novo (PT), foi proposta após o Ministério Público Estadual contestar a obrigatoriedade, tachada como discriminatória, do teste prevista no edital do concurso da Polícia Militar do Piauí.

 Para justificar a razão do veto, o documento enviado à Assembleia Legislativa afirma que “o desempenho das atribuições de certos cargos na Administração Publica Estadual para pessoas acometidas de certas doenças tanto provoca risco de agravamento do estado de saúde da pessoa infectada com o vírus HIV como também pode submeter a risco de prejuízo à saúde o particular”.

A diretora de assuntos institucionais do Grupo Matizes,  Marinalva Santana, comentou que o veto foi recebido com tristeza e indignação. A entidade irá recorrer aos deputados estaduais na tentativa de derrubar o veto do governador do Estado, Wilson Martins.

“Mais uma vez, o governador se afastou dos princípios democráticos e optou por ficar do lado daqueles que discriminam, que desrespeitam os direitos humanos. É o Piauí na contramão da história. Vamos tentar convencer os deputados a derrubarem o veto, mas, de antemão, sabemos que não vai ser fácil”, afirmou Marinalva.

 Ela explicou que o projeto foi adaptado de leis já existentes em outros estados brasileiros. “Nós só adaptamos o texto das leis já existentes em estados como Espirito Santos, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais. O argumento de veto é cínico, em total descompasso com a realidade. É eivado de preconceito sim porque repassa a ideia de que a pessoa vivendo com HIV é um perigo ambulante”, declarou Marinalva Santana, acrescentando que o veto do governador é lamentável em todos os sentidos.

 O veto incidiu sobre a redação proposta nos incisos I e IV do art. 2°. O primeiro determinava a não exigência da sorologia para HIV para os inscritos em concurso ou selecionados para o ingresso no serviço público estadual. Já o quarto relatava que a sorologia positiva não deveria impedir o ingresso ou permanecia no candidato no serviço público.

 Utilizando-se dessa justificativa, “a Administração Pública pode exigir a sorologia para HIV tanto como requisito para ingresso ou permanência no serviço público estadual”. O projeto de lei foi criado diante da exigência do teste de sorologia para a inscrição no concurso público da Polícia Militar do Piauí, com edital publicado em 2013. Na época, a quantidade de dentes e a ausência de tatuagens também foram exigidas no edital.