Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"


Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.

Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.

QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.

Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.

Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.

Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.

Obrigado, desculpe o transtorno!

NADA A COMEMORAR

NADA A COMEMORAR
NADA A COMEMORAR dN@dILM@!

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

SEGUNDA-FEIRA 10:00hS
EAT Luis Carlos Ripper - Rua Visconde de Niterói, 1364 - Bairro Mangueira.
Caro Companheiro (a), Venha participar, com sua presença, dia 18 de fevereiro, às 10hrs da manhã de um "abraço" ao prédio da nossa querida EAT - Escola das Artes Técnicas Luis Carlos Ripper que, junto com a EAT Paulo Falcão ( Nova Iguaçu) foi fechada por uma arbitraria decisão governamental. Participe deste ato de desagravo ao fechamento de duas escolas públicas, reconhecidas e premiadas internacionalmente que, há dez anos, levam educação de excelência ao povo. ... Compartilhe este convite com todos aqueles que, como você esta comprometidos com a educação verdadeiramente de qualidade. >> Assine a petição para não deixar o governo do estado acabar com duas escolas de excelência!! << http://www.avaaz.org/po/petition/Pelo_manutencao_das_EATS_e_de_sua_Metodologia/?cqMRZdb Saiba mais: http://sujeitopolitico.blogspot.com.br/

ESTE BLOG ESTA COMEMORANDO!!!

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3 anos de existência com vocês...

Ativismo Contra Aids/TB

Mostrando postagens com marcador casas de apoio. Mostrar todas as postagens
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

“Sofremos uma homofobia institucional”, afirma Sandro Ka

Repassando.


Marcos Moreira

 

 

“Sofremos uma homofobia institucional”, afirma Sandro Ka

Sandro Ka acredita que este é o momento certo para debater a manutenção das organizações
Por Deivison Ávila para o Jornal do Comércio (RS)
Dica de Augusto Martins (Equipe Homorrealidade)

Desde dezembro de 2001, o Grupo Somos - Comunicação, Saúde e Sexualidade vem atuando junto às comunidades vulneráveis de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais (GLBTs). Na segunda-feira, a organização anunciou que estava fechando as portas. A ONG gaúcha participou efetivamente das lutas pelos direitos humanos e pela construção de políticas públicas voltadas para a população GLBT, além de auxiliar pessoas que vivem com o vírus HIV. O coordenador do grupo, Sandro Ka, diz que o desmanche do Somos está sendo vivido por diversas organizações. Quanto às dezenas de tentativas para manter os projetos em parceria com empresas, o ativista revela que as ONGs que trabalham com o tema sofrem uma “homofobia institucional”. “Ninguém quer ter o nome da sua instituição vinculado às causas homossexuais.”
Jornal do Comércio - Por que o Somos fechou as portas após mais de dez anos de trabalho?
Sandro Ka - Não só o Somos, mas um grande número de organizações está fechando as portas porque o Estado, em todas as instâncias, não oferece apoio nem se compromete com um diálogo a fim de manter as atividades dessas ONGs. Os convênios que nós possuímos são feitos de forma complicada e os repasses não são lineares, o que compromete a continuidade das ações e dos programas.
JC - Vocês contavam com algum financiamento direto para os programas?
Ka - Em algumas ações específicas, como assessoria jurídica para pessoas vítimas de discriminação e violência, distribuição de preservativos e manutenção da biblioteca com livros temáticos e de ajuda a outros grupos, não possuíamos nenhum tipo de financiamento direto. Durante muito tempo isso foi um ônus. Atendíamos pelo menos 15 pessoas por dia. Agora, infelizmente, nós não temos mais fôlego para sustentar esses programas.
JC - Houve algum diálogo com o governo para a manutenção dos trabalhos oferecidos pelo Somos?
Ka - O acesso a recursos e convênios é feito de forma legal, através de editais. Por exemplo, nós temos convênios com o Ministério da Cultura para duas ações chamadas Pontos de Cultura. O repasse dessas ações é feito de forma descontinuada, o que atrapalha bastante o prolongamento e a manutenção das atividades relacionadas aos projetos. Outros prêmios e convênios foram suspensos ou não foram pagos por mais de um ano. Não existe nenhuma manifestação oficial ou comprometimento por parte do ministério de manter os serviços funcionando. Esse problema se arrasta desde o início das nossas atividades.
JC - Há a possibilidade de retomada desses serviços?
Ka - Sim. Nós acreditamos que, a partir das denúncias sobre como o sistema está sendo falho na manutenção das organizações, possa ser revertido o quadro de atuação de várias ONGs. A preocupação não é apenas salvar a nossa instituição, mas sim alertar para uma situação que está acometendo outras entidades. Afinal, as demandas que estão sendo deixadas de lado não são absorvidas pelo Estado. Apesar de termos suspendido totalmente o atendimento imediato ao público, continuaremos participando de conselhos e atuando em trabalhos de incidência política e controle social, que é o verdadeiro papel das organizações.
JC - Qual o sentimento que fica com o fim das atividades da ONG?
Ka - O mais importante neste momento é que a sociedade se aproprie das questões sociais e reconheça mais a importância do trabalho das ONGs. Muitas organizações desenvolvem trabalhos sérios e, por trabalharem com comunidades mais vulneráveis e historicamente marginalizadas, têm uma importância muito grande neste contexto social. O que mais interessa neste momento é a reflexão sobre essas ações, para que esse quadro de desmanche não se propague.
Postado
 
 
 
 Nota Pessoal: Tenho visto esse processo já faz um caminho de dez anos para cá. Infelizmente esse caso piorou depois do governo Dilma. E logo no governo dela, que temos notícias de ministros com suspeita de desvios ou mail feito( como é atualmente dito).
Nós enquanto sociedade civil não podemos nos calar vendo fatos como esse se repetirem a exaustão!!!
Se não dermos um basta isso vai piorar!! Isso tem que acabar!!
Enquanto isso ONGS de Fachada e com "apadrinhamento" político seguem com fundos vindo dos Paraísos!!
 Basta!!! Vamos dar um chega pra lá nessa vergonha pessoal.
  Por outro lado temos que  atentar para as ONGS que cumprem com todas as exigências legais de edital, mas não são privilegiada com verba em detrimento de outra ONG não tão séria.

 P.S. E as ONGS que recebiam ajuda da europa?
Agora com essa crise na zona do EURO elas vão ficar sem apoio.
E o Brasil dando dinheiro para o FMI e CUBA!!!
NILO Geronimo Borgna. 

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

apoio as casas de apoio = conasems


[Anexos de antonio ernandes marques da costa incluídos abaixo]
Parceiros no proximo dia 05/08 o CONASEMS vai discutir a questa da portaria 1824/04, que trata das casas de apoio. seria importante que todos os FORUNS, ONGS, redes, pudessem enviar email ao consasems@conasems.org.br, pedindo agilidade no processo.  A regiao Nordeste durante o ERONG tirou um documento que ja foi enviado ao CONASEMES, quem enviar carta ao consasems deve enviar uma copia ao departamento de DST/Aids par ao Gil
 
 
Anexo, um modelo que estamos distribuindo na regiao norte, que pode ser usada, adaptada
ANTONIO ERNANDES MARQUES DA COSTA
Coordenador da ONG/GRUPAJUS
Coord. Adjunto do Comite Metropolitano de Combate a TB/PA - FUNDO GLOBAL
Representante Norte na CNAIDS - MS/DEPARTAMENTO -DST/AIDS/HEPATITES VIRAIS
Representate Norte no MCP - Mecanismo de Coordenação de País
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Anexo(s) de antonio ernandes marques da costa
1 de 1 arquivo(s)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Secretaria de Saúde de Goiás vai fechar casa de apoio a portadores do HIV

Secretaria de Saúde de Goiás vai fechar casa de apoio a portadores do HIV e terceirizar o serviço em ONG.

 
 

Beneficiários do Condomínio Solidariedade protestam contra a desativação da unidade
Márcia Abreu
Goiás possui quatro casas de apoio a portadores do vírus HIV/aids e de DST’s (doenças sexualmente transmissíveis), fora grupos e organizações que prestam assistência jurídica e psicológica. Das casas de abrigo, duas delas localizam-se na grande Goiânia: o Condomínio Solidariedade, fundado há quase 30 anos, e o Centro de Apoio ao Doente de Aids (Cada), que tem 18 anos.

O Condomínio Solidariedade foi criado em meados da década de 1980 quando surgiram os primeiros casos de aids em Goiás. À época, as principais formas de transmissão da doença eram por relação homossexual, transfusão de sangue e uso de drogas injetáveis. Ao longo da década de 1990, o número de portadores do vírus foi crescendo, porém em relacionamentos heterossexuais e com a mulher passando a ter participação expressiva no índice. A demanda diminuiu no final da década.

Hoje, a história da aids vem sendo alterada pela terapia anti-retroviral, que retarda a evolução da infecção, aumentando o tempo e a qualidade de vida do portador. Aliado à ciência, governos têm instigado o uso do preservativo em propagandas na televisão e distribuindo-o em postos de saúde.

De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, 9.248 casos de aids foram notificados em Goiás desde 1984 (primeiro acontecimento) até o ano de 2009, sendo que o índice tem diminuído. Dados da Secretaria Estadual de Saúde revelam que o Condomínio Solidariedade atende cerca de 10 pessoas por mês, vindas do interior em intervalos regulares para fazer consultas e exames no Hospital de Doenças Tropicais (HDT), em Goiânia. A estrutura do condomínio conta com 72 profissionais, entre psicólogos e nutricionistas.

O Cada, por sua vez, apesar de possuir 17 leitos, atende aproximadamente 30 pacientes por mês com quatro profissionais, número suficiente, segundo a direção da casa, para receber demanda maior de portadores.

Diante da ociosidade dos órgãos (e respaldado pelo Ministério da Saúde que entende que não é papel do Estado manter abrigos para portadores de HIV), a secretaria estuda desativar o Condomínio Solidariedade, levando os pacientes de lá para o Cada. A casa de apoio ganharia mais cinco leitos e três funcionários pagos pelo Estado.


O secretário de Saúde, Antônio Faleiros, afirma que a decisão não foi tomada, mas que acredita que ela é a melhor opção. Ele alega que o Cada é bem localizado (fica perto do HDT) e tem estrutura física melhor que a do condomínio. “A Casa de Apoio é melhor, fica a menos de cinco minutos do HDT. Imagina se eu, indo a São Paulo fazer tratamento, vou querer ficar longe do hospital, ter problema com transporte. Outro fator é que o Cada é ocioso, tem condição de atender mais pacientes.”

De acordo com Faleiros, o Estado não imporá aos portadores a saída. Os doentes serão convidados pela secretaria para uma conversa, em que prevalecerá a decisão da maioria. Se a maior parte aceitar, serão todos transferidos para o Cada e o condomínio desativado. Do contrário, o Estado procurará uma organização não governamental (ONG) que tenha o interesse em assumir a casa de abrigo.

O secretário desmente que é intenção do governo criar o Centro de Recuperação de Dependentes Químicos (Credeq), promessa de campanha do governador Marconi Perillo (PSDB), no espaço onde hoje é Condomínio Solidariedade. “Nunca se pensou nisso.”

A possível mudança gerou polêmica entre os portadores de aids. Alguns fizeram manifestações na porta do Condomínio Solidariedade e na Assembleia Legislativa. Para Faleiros, é a questão sentimental que faz com que eles reajam assim. O secretário cita os portadores de hanseníase que não quiseram deixar a Colônia Santa Marta quando foi transformada no Hospital de Dermatologia Sanitária. “Mesmo esvaziada abriga gente.”
Cada
A Casa de Apoio ao Doente de Aids (Cada) já chegou a receber cerca de 80 portadores de HIV por mês na época em que o vírus acometia maior número de goianos. Hoje, depois de os casos terem diminuídos consideravelmente, a casa recebe de 30 a 35 pacientes mensalmente. Pesa o fato de as consultas serem marcadas com maior espaço de tempo. Os médicos costumam passar receitas de dois em dois meses. Por conta disso, o Cada afirma que tem condição de receber os pacientes atendidos pelo condomínio.

Segundo o coordenador-geral da Casa de Apoio, Brasílio Rezende, conhecido como Tocha, há condição e estrutura. “Estamos preparados. Nossa estrutura física é grande, temos 17 leitos e ganharemos mais 5. Faremos aqui com 5 profissionais o que eles fazem lá com 50”, garante. A casa, que é mantida com verba de R$ 3,4 mil do governo federal mais R$ 1,2 mil de trabalho com material reciclável, venda de camisas bordadas e doações de alimentos feitas pela população, tem os mesmos especialistas que o Condomínio Solidariedade.

Portadores do vírus HIV não querem deixar condomínio
Sob o sol quente do meio-dia de quinta-feira, 2, portadores do vírus HIV protestavam contra a desativação do Condomínio Solidariedade na entrada do abrigo. Exaltados, diziam que o Estado não tinha o direito de tirá-los dali. Questionados sobre o por que da reação, a resposta foi unânime: “O Cada não cabe, é uma casa simples e pequena.”


Regina Célia, 59 anos, portadora do vírus há 15, sugere que o Cada vá para o condomínio. Segundo ela, há estrutura para receber os pacientes da Casa de Apoio. Outro portador, que não quis se identificar, disse que já morou quatro anos lá e que não gostaria de perder os cursos, o trabalho manual e o acesso a psicólogos e nutricionistas. “Não queremos ficar sem esses benefícios.”

Maria de Lourdes Souza, 48, portadora do vírus há 20 anos, diz que está proibida de entrar no condomínio. “Estão barrando a gente desde que começaram a falar nessa mudança. Sou cadeirante e venho de ônibus. Tenho medo de perder as cestas que recebo.”

Núbia Clemente Flores tem 34 anos; contraiu o vírus aos 24. Segundo ela, a Secretaria de Saúde se reuniu com a direção do abrigo na segunda-feira, 30, a portas fechadas e nada os informou. “Ele [Antônio Faleiros] diz que vai conversar conosco, mas esse dia nunca chega.” Ainda segundo Núbia, o Condomínio Solidariedade cortou o combustível das ambulâncias e a alimentação. Ela também reclama que organizações não governamentais (ONGs) querem fechar o abrigo há anos.


Fonte:http://www.jornalopcao.com.br/posts/reportagens/estado-quer-desativar-condominio-solidariedade

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Despreparados para a vida (Isto É)

Isto É (Comportamento)  Edição:  2154 |  18.Fev.2011

Despreparados para a vida

Cada vez mais brasileiros que nasceram com o vírus da Aids chegam à idade adulta. Mas, ao deixar os abrigos onde passaram a infância e a adolescência, eles sofrem para se adaptar à realidade do lado de fora
Solange Azevedo
Conheça a história de Natasha: 
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Conheça a história de Micaela:
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SUPERAÇÃO
Natasha foi adotada e está feliz. Mas casos como o dela são exceção
Natasha descobriu que tinha o vírus HIV aos 9 anos. Na escola. “Não cheguem perto. Ela é aidética”, gritou uma aluna histérica, durante o recreio. Apesar de não fazer ideia do que aquilo queria dizer, Natasha desconfiou logo que não era boa coisa porque seus amigos passaram a manter distância. No abrigo onde morava desde pequenina, na região metropolitana de São Paulo, ela havia aprendido apenas que tomava remédios constantemente para combater um “bichinho” que invadira seu corpo. Os remédios eram “do bem” e os “bichinhos” eram “do mal”. Natasha cresceu ouvindo que fora viver naquela casa diferente e cheia de gente porque não tinha família. “Eu me sentia estranha”, lembra. “Uma pessoa sem família não tem história. Não tem identidade.”
O cotidiano atípico incomodava Natasha. Ela compartilhava o quarto e as roupas com uma porção de meninas. Era obrigada a seguir uma agenda rígida e coletiva. Mesmo se não estivesse com fome, tinha de comer nos horários predeterminados. Mesmo se não estivesse com sono, tinha de se deitar junto com as colegas. As “tias” e os “tios” do abrigo, embora carinhosos e prestativos, saíam ao final do expediente ou desapareciam, caso arrumassem outro emprego. Apegar-se àqueles adultos que iam e vinham, às vezes, doía. “Alguém sempre fazia tudo por nós. Arrumava a cama. Dava remédio. Lavava e passava. Colocava comida no prato”, afirma Natasha. “Tudo era muito dado porque ninguém imaginava que pudéssemos sobreviver. Fomos cuidadas para morrer em paz.”
Quando Natasha nasceu, em 1992, o número de abrigos para soropositivos estava em expansão no Brasil. Era uma resposta, urgente e necessária, de grupos religiosos e da sociedade civil. “Ninguém queria ficar com essas crianças por causa do medo de contágio e porque não se sabia por quanto tempo viveriam”, diz a infectologista Marinella Della Negra, do Hospital Emílio Ribas. “Muitas ficaram órfãs, outras foram abandonadas em hospitais e acabaram na Febem.” De 1980 até junho de 2010, foram notificados ao Ministério da Saúde 19.203 casos de Aids em crianças de até 12 anos. Assim como Natasha, nove de cada dez foram infectadas pela mãe durante a gestação, o parto ou a amamentação – na chamada transmissão vertical.
As estatísticas não detalham quantas crianças resistiram à enfermidade. Mas cerca de 60% dos brasileiros – de todas as idades – diagnosticados no mesmo período estão vivos. “Nosso país se tornou referência mundial no tratamento da Aids, a transmissão vertical vem caindo e a sobrevida está aumentando nos últimos anos”, afirma Dirceu Greco, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Entre 1983 e 2007, a probabilidade de uma criança estar viva cinco anos depois de descoberta com a doença saltou de 24% para 86%. “Hoje, não dá para estimar o tempo de vida que um paciente terá”, diz a médica Marinella.
Muitos abrigos realizaram um trabalho notável e ainda cumprem um papel social importante. “O problema é que abrimos casas de apoio, mas fomos frágeis na construção de outras possibilidades, como no processo de saída das crianças e dos adolescentes dessas instituições, no suporte familiar e na preparação dos jovens para o mercado de trabalho”, afirma a psicóloga Elizabete Franco Cruz, pesquisadora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. “Existe uma certa perversidade social porque damos um tipo de assistência que, muitas vezes, mantém essas crianças e adolescentes na posição de alguém que sempre precisará ser cuidado. Devemos lhes oferecer perspectivas de vida, de futuro e condições para que tenham autonomia.”
Elizabete relata que centenas de crianças terminaram abrigadas porque vigora no País a ideia de “família Doriana” e “nuclear”. “Onde estão os avós? Os tios? As famílias estendidas? Muitas vezes, os parentes e até o pai ou a mãe são vistos como incompetentes para assumir essas crianças. Temos de tomar cuidado para não idealizar a família nem o abrigo”, alerta a psicóloga. Pela lei brasileira, soropositivos ou não só podem ficar nessas instituições até os 18 anos. “Com 18 anos e um dia, o adolescente se vê sozinho”, diz Kleber Mendes, um dos coordenadores da Rede de Jovens Vivendo com HIV e Aids. “Então, ele percebe que não foi preparado para a vida real. Que não haverá ninguém para lembrá-lo de tomar remédio, que terá de trabalhar, ficar na fila do SUS. Como foi muito tutelado, em geral, não consegue tomar decisões básicas do dia a dia.” Kleber afirma que os jovens demonstram ter dificuldade de lidar com a liberdade total e repentina.
“Tenho vários amigos que sofreram ao sair do abrigo porque, lá dentro, vivíamos num mundo à parte”, conta Natasha. “No ano passado, dois se perderam totalmente, se envolveram com drogas e foram internados numa clínica de reabilitação. Outros, que saíram antes, morreram.” Natasha teve sorte porque foi adotada por uma funcionária do abrigo – com quem mantinha fortes laços afetivos – e se adaptou à família. Está feliz. Além de pai e mãe, ganhou dois irmãos. “Parece que eu nasci da barriga dela”, alegra-se Natasha. “Foi importante ter sido adotada com 16 anos. Meus pais tiveram de assumir certas responsabilidades, como me levar ao médico e assinar documentos da escola, porque eu era menor. Acho que se viesse agora, com 18, não me sentiria filha deles. Seria como vir só porque não tinha onde morar.”
A rotina de Natasha foi entrando nos eixos devagar. Atualmente, além de estudar artes cênicas e dar aula de teatro numa ONG, ela está correndo atrás da papelada para botar os pais adotivos na certidão de nascimento e mudar de sobrenome. Em breve, excluirá Ferreira Braz e se chamará Natasha Rebeca Gimenes Nascimento. “Rebeca é um nome bíblico e foi escolhido pela minha mãe”, conta. Natasha só soube aos 7 anos que tinha uma numerosa família de sangue, quando a avó materna foi visitá-la pela primeira vez. A partir dali, passou a ter contato com os parentes três vezes por ano. Da mãe biológica, morta em 2007, ela guarda a imagem de uma mulher doente. “Eu os amo”, diz Natasha. “Mas, como não convivemos, não temos vínculos suficientes para morar juntos.”
O carioca Wallace Alcântara chegou à Sociedade Viva Cazuza aos 5 anos, depois de ficar órfão de pai e mãe. Quando completou 14, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que ele fosse morar com parentes. “Fui um dos primeiros a sair do abrigo. Fiquei mal, foi uma ruptura muito forte. Aquela era a minha família, era tudo o que eu tinha”, recorda o rapaz. “Recomecei do zero. Foi como se tivesse nascido de novo.” Duas tias o visitavam semanalmente na instituição, durante duas horas. Contato havia. O que não havia era convivência e laços afetivos sólidos. Wallace tem 21 anos e, desde que deixou o abrigo, migra entre as casas dessas tias. Quando a relação se torna difícil com uma, recorre à outra – e vai seguindo adiante. O jovem admite ter um temperamento complicado. “Sou cabeça-dura, nervoso e meio marrento”, afirma.
A relutância de Wallace, no entanto, não deve ser interpretada como má-vontade ou simples rebeldia juvenil. Ao deixar a Viva Cazuza, ele não mudou apenas de endereço. Teve de se ajustar, de repente, a uma rotina desconhecida e a pessoas com quem não tinha intimidade. Ele perdeu a proteção e os amigos que tinha desde a infância e foi forçado a construir novas relações num mundo que lhe era estranho e, muitas vezes, preconceituoso. Tudo de uma vez só. No abrigo, ele estudava em colégio particular, praticava esportes. Tinha um monte de colegas que viviam como ele e compreendiam como era sofrido ter de tomar dezoito comprimidos por dia, encarar os efeitos colaterais e ainda ter disposição para enfrentar um amanhã que eles não sabiam se chegaria.
Quando Wallace foi morar no abrigo, os antirretrovirais – medicação para quem tem o vírus da Aids – ainda não eram distribuídos de graça pelo governo. Estar numa instituição como essa, àquela altura, era uma maneira de conseguir tratamento. “A única coisa ruim é que eu não sabia fazer nada. Não tinha liberdade para sair, apanhar ônibus, arrumar minhas roupas. Havia uma superproteção”, afirma Wallace. “Fora de lá, talvez eu não tivesse sobrevivido. Mas, por causa do afeto, acho que o melhor para uma criança é ficar com a família.” Agora, Wallace se debate com o desemprego e diz que está “tomando coragem” para prestar vestibular. O único trabalho que conseguiu, de assistente administrativo, durou pouco mais de seis meses. “Eu não dava conta do serviço”, revela. “Às vezes, deixava tarefas pendentes porque ficava muito tempo conversando pela internet.”
“Essas crianças não nasceram para ter futuro. Foram criadas para o presente. Quanto mais tempo ficam abrigadas, mais difícil se torna reinseri-las nas famílias e na sociedade”, afirma José Araújo, da ONG Espaço de Prevenção e Assistência Humanizada. “A situação no País é gravíssima. Os bebês que chegaram com Aids às casas de apoio hoje são jovens e estão tendo que sair.” Estima-se que 10% das crianças e adolescentes que têm HIV vivem em abrigos específicos para soropositivos. Os outros 90% estão em instituições mistas, com familiares ou conhecidos. A ONG que Araújo coordena, na zona sul de São Paulo, já funcionou como orfanato. Mas, quando ele assumiu a entidade, decidiu trabalhar para que as cerca de 15 crianças soropositivas voltassem para suas famílias ou fossem adotadas.
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“É criminoso deixarmos crianças crescer em abrigos.
O Brasil precisa ter coragem de enfrentar esse problema”

José Araújo, da ONG Espaço de Prevenção e Assistência Humanizada 
Embora não tenha sido fácil, deu certo. Ao mapear o passado de cada uma delas, Araújo descobriu que a maioria tinha avós, tios, irmãos. “É claro que as famílias precisaram de amparo. Mas ficou provado que essas crianças cabiam em algum lugar”, afirma Araújo. “Cinco foram adotadas, as demais foram viver as virtudes e os defeitos de suas famílias biológicas. O erro é a sociedade e o Judiciário acharem que elas deveriam levar uma vida de Barbie.”
O trabalho de Araújo foi inspirado no do Grupo Viva Rachid, do Recife. A diferença é que a ONG pernambucana, criada há 18 anos, chega antes de a criança ir para o abrigo. “Acompanhamos as famílias e, quando a mãe está debilitada pela Aids, pedimos que ela indique com quem gostaria de deixar os filhos”, explica Alaíde Elias da Silva. “Sempre há uma irmã, uma cunhada ou uma comadre que vai assumindo as responsabilidades aos poucos, como resolver questões escolares e levar a criança ao médico. Assim, quando a mãe morre, seus filhos permanecem no seio familiar.”
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SOLIDARIEDADE
Alaíde trabalha para que órfãos da Aids e crianças
que têm HIV não sejam mandadas para abrigos.
 
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Wallace perdeu pai e mãe. Ele morou na Sociedade
Viva Cazuza, no Rio. Gostava de lá, mas sentia falta de afeto
Alaíde fundou a ONG depois de perder um filho, de 8 anos, infectado pelo HIV durante uma transfusão de sangue. Ela calcula que em 80% dos casos em que atuou as crianças não precisaram ir para orfanatos. “Por mais que haja amor, no abrigo sempre falta um olhar individual”, diz a paulistana Micaela Cyrino, representante da Rede de Jovens Vivendo com HIV e Aids. A universitária, de 22 anos, dá aula de arte no abrigo onde ficou dos 6 aos 18 e mora atualmente com uma tia. Ela conhece uma porção de rapazes e moças que penaram do lado de fora. Um deles passou uns tempos com a avó, mas não deu certo. Quando deixou a casa dela, não suportou a solidão. Às vezes, como não tinha para onde correr, ele ia dormir no hospital. Nessas muitas idas e vindas, se envolveu com drogas e morreu.
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“Dá para contar nos dedos o número de amigos que saíram do abrigo e se deram bem”
Amanda Cristina de Andrade, estudante
“Dá para contar nos dedos o número de amigos que saíram do abrigo e se deram bem”, relata Amanda Cristina de Andrade, 19 anos. “Conheço muita gente que está se prostituindo, traficando ou foi para a cadeia.” Quando morava numa instituição para crianças soropositivas, na capital catarinense, e se aborrecia com a gritaria dos colegas, Amanda escalava as grades das janelas e se refugiava no telhado. “Tinha cerca elétrica nos muros e, sempre que os meus colegas da escola apareciam no portão, a gente tinha de ficar conversando na grade porque eles não podiam entrar lá”, lembra a jovem. “As tiazinhas e os tiozinhos do abrigo me aceitaram. Eu era bem novinha, minha mãe tinha morrido e eles me deram um monte de vestidos. Mas eu me sentia numa prisão.”

 Nota Pessoal: Ana Obrigado por compartilhar essa história!!
 recente mente falei com Bontempo sobre uns contactos que tive a
respeito do lançamento do Projeto OS 2 RIOS apoia do pela
Fase.org.ICCO e Fundação Luterana DIAcONIZA, que desenvolveu projetos
com DEZ grupos de jovens no Rio de Janeiro e em Rio Grande do Sul,
estimulando o protagonismo juvenil.
 Vou tentar falar com Villard do GPV para ver se posso divulgar essa
iniciativa, pois pertendo tambem trabalhar com As PVHAS que no momento
não podem ou não contribuiram para o INSS e assim estão sem
sobrevivencia. Tudo eh projeto mas, essa reportagem vem de encontro
com isso!!!
Obrigado por sua atenção:
Nilo Borgna:
Principio de igualdade:
Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de
qualquer direito ou isento de qualquer
dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de
origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução,
situação econômica, condição social ou orientação sexual.
Artigo 13* da constituição da República Portuguesa
NGB
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Casas Abrigos e Homofobia #lgbtt #albrgue #hiv

De: Leo Mendes <liorcino@yahoo.com.br> 


AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS |
LGBT
13/02/2011
13/02/2011
- Relação entre abrigos e organizações religiosas aumenta preconceito ao
público LGBT, defende Marcos Roberto Garcia em artigo para a Folha de S.Paulo
Para o autor, funcionários
precisam receber capacitação. Confira a seguir o texto na íntegra.
Rua é ainda mais inóspita para esse público
Além da violência nas calçadas, acolhida é dificultada por
limites de caráter religioso da maioria dos albergues
O crescimento do número de pessoas LGBT em situação de
rua nas grandes cidades brasileiras é claramente percebido por quem trabalha
com este segmento.
E não é um fenômeno exclusivamente nacional, pois pesquisas com
jovens em situação de rua em grandes cidades americanas mostram que cerca de
20% deles se identificam como LGBT e outras, feitas no Reino Unido e
na Austrália, apontam o mesmo crescimento.
As explicações "estrangeiras" para este crescimento
são compatíveis com as observadas recentemente em pesquisa com este segmento.
Uma das principais refere-se à homofobia no contexto familiar e
comunitário, especialmente aquela direcionada aos jovens efeminados e às
jovens masculinizadas, que faz com que estes sejam expulsos de casa ou se
separem cedo da família ou cidade de origem, em busca de maior liberdade.
Neste processo, o apoio familiar em situações de crise
financeira também é interrompido, levando muitos à situação de rua.
A homofobia no contexto escolar, levando ocasionalmente à evasão
da escola, e no ambiente de trabalho, dificultando a empregabilidade, também
contribuem para o processo de pauperização para jovens LGBT.
Soma-se a estas dificuldades o fato de alguns destes jovens, no
processo de rompimento com as barreiras familiares, acabarem por mergulhar em
drogas ilícitas.
Se a busca por maior liberdade frente à expressão da sexualidade
deve ser vista como positiva, o aumento da vulnerabilidade ao abuso de drogas
que por vezes a acompanha deve ser visto cuidadosamente pelas políticas
voltadas a este segmento.
A dificuldade das instituições voltadas à população de rua em
lidar com jovens LGBT sem-teto deve-se ao fato da maior parte destas
instituições serem ligadas a organizações religiosas, onde a homossexualidade
é muitas vezes fortemente criticada.
Outro fator relaciona-se à dificuldade por parte de gestores e
funcionários de albergues em lidar com um segmento (felizmente) bastante
sexualizado. Se a cama é para dormir e o banheiro para tomar banho, seu uso
para outros fins é visto frequentemente como um desrespeito à finalidade do
albergue.
Por este motivo, é imprescindível um investimento em formação
junto aos funcionários destas instituições para um acolhimento da população LGBT
de rua que respeite suas especificidades. Iniciativas como as de instituições
específicas voltadas para este segmento também são muito bem-vindas, assim
como o processo de reconhecimento crescente dos diversos estilos de
homossexualidades populares por parte do movimento LGBT.
Em que pese o receio de que isto leve à formação de espaços
segregados que acabem por contribuir para aumentar o processo de
discriminação sofrida por esta população, experiências exitosas como a do
Centro de Referência da Diversidade, na capital paulista, mostram que estas
podem ser iniciativas importantes no processo de conquista da cidadania plena
por parte destas pessoas.
Marcos Roberto Vieira Garcia é doutor em psicologia social pela
USP, professor da UFSCar e coordenou pesquisa científica sobre moradores de
rua gays
Fonte: Folha de S.Paulo


  Nota pessoal:



 Obrigado Léo!!! essa news eh de suma importância, e por incrível que pareça faz voz com o meu sentimento!!!
 Mesmo sem eu ter prática de ir às ruas, sentia necessidade de atender esse segmento atravéz de algum trabalho nesse sentido, que não só resgate a Auto estima,como os ajude a criar formas de auto sustentação e geração de renda para eles, criando vinculo com os governos pois pretendo com que eles voltem a contribuir ou inicie as contribuições, para no caso de precisão ter o amparo da Seguridade Social, assim desoneraremos o Tão Utilizado LOAS.
 Esse projeto compartilho com vocês é meu sonho!!!
Principio de igualdade:
Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer
dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Artigo 13* da constituição da República Portuguesa
NGB
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