Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"


Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.

Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.

QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.

Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.

Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.

Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.

Obrigado, desculpe o transtorno!

NADA A COMEMORAR

NADA A COMEMORAR
NADA A COMEMORAR dN@dILM@!

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

SEGUNDA-FEIRA 10:00hS
EAT Luis Carlos Ripper - Rua Visconde de Niterói, 1364 - Bairro Mangueira.
Caro Companheiro (a), Venha participar, com sua presença, dia 18 de fevereiro, às 10hrs da manhã de um "abraço" ao prédio da nossa querida EAT - Escola das Artes Técnicas Luis Carlos Ripper que, junto com a EAT Paulo Falcão ( Nova Iguaçu) foi fechada por uma arbitraria decisão governamental. Participe deste ato de desagravo ao fechamento de duas escolas públicas, reconhecidas e premiadas internacionalmente que, há dez anos, levam educação de excelência ao povo. ... Compartilhe este convite com todos aqueles que, como você esta comprometidos com a educação verdadeiramente de qualidade. >> Assine a petição para não deixar o governo do estado acabar com duas escolas de excelência!! << http://www.avaaz.org/po/petition/Pelo_manutencao_das_EATS_e_de_sua_Metodologia/?cqMRZdb Saiba mais: http://sujeitopolitico.blogspot.com.br/

ESTE BLOG ESTA COMEMORANDO!!!

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3 anos de existência com vocês...

Ativismo Contra Aids/TB

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

SAIU NA IMPRENSA 09/DEZ. Ana da Gloria

SAIU NA IMPRENSA
09/DEZ./2015

Por que o sucesso destas mulheres negras incomoda tanto?
Brasil Post

Taís Araújo, Maju Coutinho, Cris Vianna e, agora, Sheron Menezzes.

O que elas têm comum? São mulheres. São negras.

E estão na mídia. Sob os holofotes. São estrelas, referências, exemplos.

Em que outro momento a televisão brasileira teve tantas mulheres negras como protagonistas na dramaturgia ou no jornalismo?

A participação delas não é mais de figuração, configurando o que seria “o lugar do negro”, como bem diagnosticaram nos anos 80 os pensadores Lélia Gonzalez e Carlos Alfredo Hasenbalg.

Não é coincidência que quando se ampliam o espaço e a visibilidade de mulheres negras tão talentosas uma sequência de ataques ofensivos e discriminatórios tome conta das redes sociais.

Assim como agressões verbais a negras nas universidades acompanham o início da adoção de ações afirmativas, a inclusão e a ascensão delas na TV também geram reações negativas.

Por que o sucesso das mulheres negras incomoda tanto?

Porque elas estão cada vez mais representadas.  Porque existe uma consciência cada vez maior do racismo cordial no Brasil.
Porque falamos cada vez mais sobre isso, cobrando a desconstrução dos papéis raciais que durante anos aceitamos goela abaixo sem questionar.

Porque elas são lindas e orgulhosas. De sua cor.  De seus traços.  De seus cabelos. Negros.

O que durante séculos recebia o carimbo de negativo por ser “de preto” agora é assimilado por boa parte da população como motivo de orgulho.

Claro que, em um País onde 53% das pessoas são pretas e pardas, precisamos ainda de mais exemplos. Médicos, advogados, ministros do Supremo negros.

Porém, já vemos frutos da luta histórica do Movimento Negro Unificado, da implementação de cotas com orientação racial nas universidades públicas, da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e do debate sobre representatividade dos negros na sociedade brasileira.

Mas, à medida que mais mulheres negras deixarem a posição de “minha empregada”, infelizmente veremos mais reações como as sofridas por estrelas negras.

São “racistas escondidos sob o pretenso anonimato da internet”, como bem assinalou Cris Vianna.

As polícias civis do Rio de Janeiro e de São Paulo já estão atrás deles. E não importa se são meramente haters, que querem apenas chamar atenção.

Conforme ressaltou Sheron, a discriminação racial “atinge milhões de pessoas no Brasil todos os dias”.

Por isso, punir essas demonstrações de racismo nas redes sociais tem caráter pedagógico.O racista precisa aprender que sua conduta é crime, independentemente da pessoa a quem endereça as ofensas.

E precisa entender que o presente não admite desrespeito nem ódio a nenhuma mulher negra. Seu recalque e seu racismo só vão alimentar o brilho de Sheron, Maju, Cris, Taís.

Zika vírus: a biopolítica dos úteros
Debora Diniz* CCR

O controle das populações ganha nomes originais a depender da época. Já foi eugenia, agora é prevenção. Cada tempo teria sua biopolítica e seus inimigos do bem-estar, permitam-me lembrar Michel Foucault. O infeliz da vez é o zika vírus; e, com pouca originalidade, a população são os úteros das mulheres. O aumento na notificação de recém-nascidos com microcefalia em áreas endêmicas de dengue acendeu a hipótese de que haveria causalidade entre o zika e a má-formação. O Instituto Evandro Chagas encontrou o vírus em tecidos e sangue de um único bebê, e o alarde foi internacional: “Ministério da Saúde confirma relação entre zika vírus e microcefalia”.

Quanta ambiguidade e terror nesse anúncio. Em ciência, “relação” pode ser tudo e nada ao mesmo tempo. Há uma diferença entre causa e relação — o que precisamos saber é se o zika vírus causa a microcefalia no feto. Por que essa diferença importa? Porque relação pode ser erro científico — “o risco de sarampo é maior entre os consumidores de tomates” diz o quê? Que entre as pessoas que gostam de tomate, muitas tiveram sarampo, mas nada sobre a causa do sarampo. Não quero aqui contestar que uma nova descoberta científica possa estar em curso, apenas estranhar como uma hipótese, um único caso de relação comprovada, pode ter sido suficiente para um alerta de saúde pública com consequências importantes para as mulheres. E não quaisquer mulheres, mas as pobres e nordestinas.

 Há tempos convivemos com a dengue. O mosquito Aedes aegypti é daqueles cujo nome científico é conhecido sem decoreba de escola. A dengue é doença da vida comum, todas nós conhecemos alguém que já sentiu as dores cortantes do vírus da dengue. A microcefalia no feto é outra ordem de inquietação sanitária — a má-formação não tem cura e, mesmo o diagnóstico sendo feito intraútero, não há direito ao aborto no Brasil. Os dados epidemiológicos anunciam um crescimento de dez vezes nos casos notificados — de pouco mais de cem nos últimos cinco anos, agora identificamos mais de mil recém-nascidos com microcefalia. E os casos são complexos: em alguns bebês, há múltiplas más-formações; em outros, apenas a microcefalia.

 Se essa é uma “situação inédita para a pesquisa científica mundial”, segundo o Ministério da Saúde, para a história do controle dos corpos das mulheres, é repetição do já-vivido. A biopolítica tem nas mulheres alvo preferido — não se esperam certezas científicas para anunciar que a melhor prevenção da microcefalia é não engravidar; que para conter o crescimento populacional é preciso restringir número de filhos; que, para que não haja crianças na rua, esterilizar mulheres pobres seria a saída. Esse não é um bom anúncio. A única prevenção ao zika vírus é o controle do mosquito. O resto é política de saúde para amadores.

Debora Diniz é antropóloga, professora da Universidade de Brasília, pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética e autora do livro “Cadeia: relatos sobre mulheres” (Civilização Brasileira).

Zika vírus e HIV: Infectologistas dizem que não há recomendação específica para soropositivos e cuidados são iguais para todos
Agência Aids

Identificado pela primeira vez no país em abril, o zika vírus tem mobilizado as autoridades sanitárias, especialmente depois de o Ministério da Saúde (MS) sustentar a hipótese de que o aumento no número de bebês  nascidos com microcefalia (má formação do cérebro)  está relacionado a ele. Assim como os vírus da dengue e do chikungunya, o zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Por enquanto, a preocupação é com as grávidas, mas, com tantas dúvidas no ar, a Agência Aids ouviu alguns infectologistas para saber se pessoas com HIV precisam de  algum cuidado específico.  “Não temos notificações de portadores do HIV infectados pelo zika. Então, não podemos falar sobre recomendações para eles”, diz o microbiologista Paolo Marinho de Andrade Zanotto, professor do Instituto de Ciências Biomédicos  da USP.

Zanotto explica que é muito cedo para qualquer recomendação com evidências científicas, seja lá para quem for. O mesmo diz o infectologista Esper Kallás, pesquisador e professor da Faculdade de Medicina da USP. “A história está em evolução e deve haver desdobramentos a curto e a longo prazos para as pessoas em geral”, diz Esper. "Por enquanto, não tem nenhuma relação detectada  entre zika e HIV."

Claudia Binelli, infectologista do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids) de São Paulo, também chama atenção para o fato de haver poucas informações sobre o novo vírus. “Mas é importante informar que não há nenhuma relação com HIV. As precauções e cuidados são os mesmos para todos.”

“Não temos notificação de um portador de HIV infectado pelo zika, mas  aqueles com imunidade muito baixa, com CD4 abaixo de 150, podem ter complicações, sim, caso peguem o novo vírus”, diz Jean Carlo Gorinchteyn, do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo. “ Quanto mais baixa a imunidade, maiores os riscos.”

 A dica de Gorinchteyn é para as pessoas, em caso de qualquer dúvida, procurarem o Emílio Ribas. “Nossa equipe médica está preparada para acolher e orientar os pacientes.”

Todos os médicos recomendam que se combata os focos de mosquito, cada um em sua casa. E incentivem os  vizinhos a fazerem o mesmo. A infectologista do CRT recomenda o uso de repelentes como forma de proteção. “O repelente é eficaz contra o Aedes aegypti e pode ser utilizado também em gestantes.” Segundo ela, os produtos à  base de icaridina são os mais recomendáveis.  A médica orienta ainda para que se use roupas cobrindo braços e pernas sempre que a temperatura e o  ambiente permitirem.

Mais sobre o zika vírus - O MS decretou estado de emergência no mês passado, por causa do aumento de números de casos de microcefalia. O MS acredita que o fato está relacionado ao zika.

O caso brasileiro, que incluiu pela primeira vez mortes, motivou um alerta mundial da Organização Mundial da Saúde.

Segundo levantamento da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), 80% dos criadouros do mosquito Aedes aegypti  se encontram nas casas. Daí a importância de combatê-los.

Mais de 80% dos casos de infecção por zika vírus não apresentam sintomas. Mas podem aparecer febre e vermelhidão. Nesse caso, é importante procurar um serviço de saúde.

Para casos suspeitos de zika vírus, já é feito um teste em diversas regiões do País. A partir de 2016, o estado de São Paulo disponibilizará outra avaliação confirmatória para a doença, por meio do Instituto Adolfo Lutz, segundo anunciou nesta segunda-feira (7) o secretário erstadual da Saúde, David Uip. O teste de sorologia, pelo método Elisa, permite detectar anticorpos no sangue mesmo após a fase aguda da infecção – ele já é usado para suspeitas de dengue. O exame estará disponível só a partir de 2016.

Quem terá prioridade nos tratamentos contra as três doenças são mulheres grávidas, pacientes que têm os sintomas, doadores de sangue e quem passou por transplante de órgãos.

Em 2013, o vírus causou um surto na Polinésia Francesa e em fevereiro de 2014 chegou à Ilha de Páscoa, a 3.700 km da costa do Chile.

Em menos de dois anos, foram registrados casos de zika em nove países das Américas.

No ano passado, foram registrados no Brasil 147 casos.

Até o dia 28 de novembro, foram notificados 1.248 casos suspeitos de microcefalia em 311 municípios de 13 estados e no Distrito Federal.

Do total de casos, foram notificados sete óbitos de bebês.

Pernambuco tem mais da metade dos casos registrados no país este ano, com 646 notificações.

Para as gestantes, por enquanto, as orientações são evitar picadas de mosquito e áreas com concentração de casos de microcefalia.

“Aidéticos, nunca mais”: Crítico do 'Estadão' se desculpa por ter usado o termo em texto sobre o filme 'Califórnia'
Agência Aids

Atualmente, crítico de cinema do “O Estado de S. Paulo”, o jornalista Luiz Carlos Merten escreveu em sua coluna no 'Blog Estadão', um pedido de desculpas as pessoas que vivem e convivem vírus HIV por usar o termo ‘aidético’ – que estigmatiza as pessoas vivendo com HIV – em seus textos.

Mencionou a recente entrevista feita com Marina Person, diretora do filme “Califórnia" que aborda a aids como um dos temas, em que usou a palavra e causou insatisfação da diretora: “Embora o termo não esteja nas aspas com o que me disse, fica meio vago se ela teria dito. Marina jamais usaria uma palavra tão incorreta e preconceituosa. Comentei com meu amigo Dib Carneiro e ele me passou um pito. Dib adaptou o livro de Valéria Polizzi 'Depois Daquela Viagem' para teatro e conviveu bastante com esse universo da aids. Explicou-me por que tem de ser soropositivo, e tudo bem”, escreveu. Leia abaixo o texto na integra:  

Nunca mais!


Espero que Marina Person não esteja tão brava comigo – ia escrever ‘braba’, em gauchês -, a ponto de querer brigar, mas Paula Ferraz, que faz a assessoria do filme dela, Califórnia, me fez saber que Marina não gostou nem um pouco de um termo que usei no texto com a entrevista com ela no Caderno 2. Marina me disse duas ou três coisas para reforçar que o filme não é autobiográfico. Nunca quis ir para a Califórnia – sua meta seria Londres -, nunca teve um tio aidético. Ops! Foi o pivô da insatisfação da Marina. Embora o termo não esteja nas aspas com o que me disse, fica meio vago se ela teria dito. Marina jamais usaria uma palavra tão incorreta e preconceituosa. Comentei com meu amigo Dib Carneiro e ele me passou um pito. Dib adaptou o livro de Valéria Polizzi “Depois Daquela Viagem” para teatro e conviveu bastante com esse universo da aids. Explicou-me por que tem de ser soropositivo, e tudo bem. Assim como é incorreto e não uso mais homossexualismo – tem de ser homossexualidade -, prometo não usar mais aidético. Mas a correção me cansa. No Dia da Aids, na semana passada, ouvi muito que o Brasil, referência internacional no tratamento da síndrome, tem um percentual muito alto de jovens portadores do vírus. Soropositivo parece tão brando, tão distante. Pergunto-me se uma terapia de choque, tipo analista de Bagé, não ajudaria no processo de conscientização da garotada que brinca com (ignora?) o perigo. E a Marina lembra, na entrevista, como na origem da doença, e por conta da desinformação, a aids era associada à promiscuidade e isso piorava tudo, inclusive a vergonha de quem tinha (e dos familiares).Tem sido uma relativamente curta, em anos, mas longa trajetória desde que a aids irrompeu no imaginário das pessoas – e na dura realidade. Estava na Inter de Zero Hora, em Porto Alegre, e redigia as notícias com base em telegramas de agências internacionais (naquela época eram telegramas). Não se usava ‘soropositivo’ e a aids era referida como câncer ou praga ‘gay’, porque as vítimas preferenciais eram homossexuais. Aprendemos depois que atingia outros grupos – drogados, hemofílicos etc. Perdi amigos. Vi filmes bem-intencionados mas ruins sobre o assunto, vi um grande filme de um autor soropositivo que dramatizou a própria experiência. O francês Cyril Collard de Les Nuits Fauves, Noites Felinas, de 1992, já morreu, mas deixou o legado desse filme que ganhou o César mas nem isso o salvou de ser discriminado. Virou, a despeito das qualidades, um filme de gueto. Continuo com amigos soropositivos mas zerados, graças ao coquetel. Morro de saudade do Sérgio, do Edmar e nunca me conformei que o magnífico ator de Sylvio Back em Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro, Kadu Carneiro, tenha se isolado para morrer, só sendo descoberto demasiado tarde. Peço desculpas a Marina e a todos os soropositivos, que tenham ou não, desenvolvido a doença.Aidéticos, nunca mais.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

SAIU NA IMPRENSA 16/FEV./2015

​ SAIU NA IMPRENSA 16/FEV./2015   Informação salva: O governo quer ampliar o número de diagnósticos e o tratamento de Aids Isto é   POR RODRIGO MARTINS   Durante o Carnaval, 70 milhões de preservativos serão distribuídos gratuitamente em todos os estados. Nos aeroportos do Rio de Janeiro, Salvador e Recife, displays para a oferta de camisinhas estarão disponíveis nos banheiros. Na tentativa de reforçara importância do sexo seguro, o Ministério da Saúde chegou a criar perfis falsos em aplicativos de encontros casuais, como Tinder e Hornet. Em conversas, esses perfis fictícios se identificam como usuários em busca de sexo desprotegido e "sem frescura". Após atrair interessados, vêm os alertas sobre o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis em decorrência da conduta imprudente.   A estratégia foi anunciada pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, na segunda-feira 9. "O que mais preocupa são os jovens que assumiram uma prática sexual desprotegida apesar de saber os riscos." Segundo recente pesquisa, 94% da população sexualmente ativa está informada do fato de os preservativos serem a principal forma de prevenir a Aids, mas 45% admite não ter usado camisinha em todas as relações casuais. No levantamento, foram consultados 12 mil cidadãos entre 15 e 64 anos em 2013.   ________________   Cerca de 20% dos portadores não sabem que estão infectados   ________________   Responsável pelo Departamento de doenças sexualmente transmissíveis e Aids do ministério, Fábio Mesquita reconhece: "A estratégia de prevenção com foco exclusivo na camisinha bateu no teto". Não por acaso, as novas peças i publicitárias destinadas ao tema trazem | um apelo para a população realizar testes de HIV. "Continuamos destacando a importância do sexo seguro, com uso de camisinha, mas o slogan agora é outro: '#partiuteste'. A ideia é aumentar o número de diagnósticos e iniciar o tra; tamento o quanto antes, uma forma de evitar novas contaminações."   A premissa parte de uma descoberta relativamente recente da Ciência. Testes clínicos realizados em mais de 1,7 mil casais de nove países demonstraram que o tratamento contra a Aids pode ser tão eficaz quanto os preservativos na prevenção. Os antirretrovirais são capazes de suprimira carga viral dos infectados ao ponto de reduzir a chance de transmissão do HIVpara os seus parceiros em 96%. I n iciado quatro anos antes, o estudo foi eleito a descoberta do ano pela revista Science  em 2011.   Por conta da novidade, o Brasil decidiu oferecer o coquetel anti-Aids a todos os infectados, mesmo a quem ainda não apresenta sintomas da doença. Até o fim de 2013, apenas os pacientes com algum comprometimento do sistema imunológico entravam em tratamento. O maior desafio, agora, é superar a subnotificação. Dos 734 mil portadores do HIV existentes no Brasil, estima-se que 20% não sabem que são portadores. Como a doença demora em média 10 anos para apresentar os primeiros sintomas, muitos contaminados disseminam o vírus sem saber.   Em maio de 2014, durante um encontro na Cidade do México promovido pela Organização Pan-Americana da Saúde e pelo Programa das Nações Unidas para a Aids, o Brasil assumiu o compromisso de aumentar as taxas de diagnóstico e tratamento. Em cinco anos, 90% dos infectados devem saber que carregam o vírus HIV. Destes, 90% precisam começar a tomar os antirretrovirais. Dos que entrarem em tratamento, 90% devem ter a carga viral suprimida. As chamadas metas "9090-90" também foram ratificadas pelas demais nações dos BRICS (Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul). "A expectativa é de que esses objetivos sejam aceitos por toda a comunidade internacional. Com isso, visamos alcançar uma meta maior, acabar com a epidemia de Aids até 2030", diz Mesquita "Não é possível erradicar, mas podemos eliminar os níveis epidêmicos."    Além das campanhas publicitárias de estímulo à realização do exame de HIV, o Ministério da Saúde aguarda a liberação da Anvisa para oferecer testes rápidos em farmácias. Como a epidemia é concentrada em grupos de risco (usuários de drogas, profissionais do sexo e gays), há uma forte aposta na estratégia do peereducation  (educação entre pares). "Ninguém melhor do que um usuário de drogas para saber onde encontrar outros usuários e apresentar o teste", explica.    Mesquita. Atualmente, integrantes dos próprios grupos de risco apresentam aos pares o teste rápido, feito com amostra de saliva. Enquanto a taxa de detecção nos centros de teste gira em torno de 1%, um positivo para cada cem exames realizados, o índice do programa Viva Melhor Sabendo, focado em grupos específicos, é superior a 5%.    O governo também aposta nadivulgação de outras formas de prevenção. Desde os anos 1990, profissionais da saúde dispõem de uma tecnologia para eliminar o HIV após acidentes com agulhas ou bisturis contaminados. Conhecido pela sigla PEP, o tratamento só é eficaz se iniciado até 72 horas após a exposição ao vírus, e demanda o uso de medicamentos por 28 dias. Está disponível à população em geral desde 2012 nos hospitais da rede pública, mas poucos conhecem a alternativa. Outra opção em estudo é o PREP, uma profilaxia pré-exposição. Para aumentar a segurança das relações sexuais, seria possível utilizar um gel lubrificante com tenofovir, capaz de neutralizar o vírus HIV. A Fiocruz e a Faculdade de Medicina da USP realizam pesquisas para saber como seria a aceitação da novidade. Há o temor de os jovens abandonarem a camisinha, quando o ideal seria o uso conjunto das duas técnicas.    No Brasil, a epidemia de Aids está estabilizada na faixa de 20 novos casos por anoa cada grupo de 100 mil habitantes. De 2003 a 2013, a taxa de mortalidade caiu de 6,4 por 100 mil habitantes para 5,7.0 número de infecções na faixa etária entre 15 e 24 anos seguiu, porém, em direção contrária. Cresceu 32%. "A atual juventude tem um número maior de parceiros eventuais. Ela sabe da importância da camisinha, mas nem sempre a usa", comenta Mesquita.   É Lei (Jairo Bouer) O estado de SP   Na última semana, a Inglaterra aprovou uma lei que proíbe uso do cigarro dentro de carros com crianças. A medida vale a partir de outubro e tenta proteger os mais novos dos efeitos nocivos do fumo passivo.   Segundo reportagens publicadas nos sites da BBC Brasil e da CNN, cerca de 3 milhões de crianças são expostas à fumaça de cigarro nos veículos particulares daquele país. A nova lei não veta que motoristas fumem ao volante quando estão sozinhos ou com outros adultos, apenas quando estão acompanhados por menores de 18 anos. A multa prevista é de cerca de R$ 200.   Segundo a Fundação Britânica do Pulmão, as substâncias tóxicas da fumaça do cigarro ficam mais concentradas em espaços confinados e pequenos, como o interior de um carro. Além disso, as crianças estariam sob maior risco por terem pulmões menores, um sistema imunológico ainda em desenvolvimento e respirarem mais rápido. Legislações semelhantes já existem no País de Gales, Bahrein, África do Sul e em partes da Austrália, EUA e Canadá. Outros países estudam a medida.   Além de proteger a saúde das crianças, a lei pode diminuir, também, o apelo que o cigarro tem entre os mais jovens ao dissociar um hábito como conduzir um veículo ao ato de fumar.   Nesse sentido, mais uma medida que está sendo discutida na Inglaterra, que obriga os fabricantes de cigarro a produzir maços genéricos (sem marcas, cores chamativas e logos), também deve ser aprovada em breve. Segundo o Ministério da Saúde da Inglaterra, 200 mil crianças começam a fumar a cada ano no país.   Mais doenças. Outro artigo da última semana, do jornal The New York Times, traz um novo estudo recentemente publicado no periódico The New England Journal of Medicine,  que associa o cigarro a cinco novas doenças e mais 60 mil mortes por ano nos EUA. Antes da pesquisa, já eram 500 mil mortes por ano causadas por 21 tipos de doenças (incluindo 12 tipos de câncer).   O trabalho, financiando pela Sociedade Americana do Câncer, analisou dados de quase um milhão de americanos, acompanhados por 10 anos, e evidenciou a relação do fumo com o risco maior de morte por infecções, problemas renais e doenças intestinais causadas por fluxo insuficiente de sangue.   Segundo os Centros de Controle de Doença dos EUA (CDC), 42 milhões de americanos ainda fumam (15% das mulheres e 21% dos homens). Em média, fumantes morrem uma década antes dos não fumantes e têm uma chance 20 vezes maior de morrer por um câncer de pulmão.   As novas doenças associadas ao cigarro foram identificadas após a análise dos dados de mortalidade de fumantes e de não fumantes em cinco centros de pesquisa americanos. Das mortes de fumantes, 83% estavam associadas às doenças classicamente atribuídas ao cigarro. Ao analisar os outros 17%, os pesquisadores encontraram riscos muito maiores de novas doenças. O cigarro provoca impacto no sistema imunológico e na irrigação sanguínea, o que se traduz em maior risco de infecções e problemas em diversos órgãos, como rins e intestino.   Eletrônico em xeque. Mais duas notícias mostram que o cigarro eletrônico, considerado por muitos uma alternativa mais saudável ao convencional ou, ainda, um passo para quem quer parar de fumar, pode ter benefícios bem mais limitados do que se imaginava.   O primeiro trabalho da Universidade de Portland (Oregon, nos EUA), revelado pela agência de notícias ÁFP, mostra que eles podem trazer um risco de 5 a 15 vezes maior de câncer do que o cigarro comum, em função da produção elevada do formaldeído no vapor, conhecido agente cancerígeno.   O outro estudo, da Universidade de Rochester, também nos EUA, publicado no jornal científico PLoS ONE,  mostra que os sabores presentes em muitos cigarros eletrônicos poderiam elevar a toxicidade do vapor para o tecido pulmonar. As autoridades de saúde já questionam se os cigarros eletrônicos não deveriam estar sujeitos às mesmas restrições que o tabaco até que seus riscos estejam mais esclarecidos.   Valdirene Aparecida (Fernando Gabeira) O Globo   Os jornalistas, às vezes, chamam a atenção para os nomes estranhos que surgem nos escândalos políticos. Surgiu agora o de Valdirene Aparecida, que, apesar de inadimplente, teria recebido um empréstimo do Banco do Brasil, com dinheiro do BNDES. Os nomes parecem estranhos no noticiário, porque são nomes de batismo, de modo geral, como é comum na Bahia, uma fusão dos nomes do pai e da mãe.   Valdirene, por exemplo, muito provavelmente, é filha de Valdir com Irene. Tornou-se Vai Marchiori, participou de um reality show, "Mulheres ricas" e é apresentada como socialite. Vi alguns fragmentos do reality show. Valdirene não parecia apenas uma mulher rica, mas alguém fugindo intensamente dos hábitos da população mais humilde, marcados inclusive no seu nome composto: Valdirene, de Valdir e Irene, e Aparecida, talvez em homenagem à padroeira do Brasil.   Suas matérias de viagem eram custeadas por ela, que viaja em jatinho próprio. Vai ofuscou Valdirene e conseguiu um espaço como apresentadora, repórter, blogueira e celebridade. Além disso, tinha grana para produzir as próprias matérias. Dizem os jornais que Valdirene e Aldemir eram amigos, viajavam juntos, e, juntos, decidiram pelo empréstimo no BB, onde Aldemir era presidente.   Ele é um dos executivos ligados ao PT. Chegou ao máximo da carreira ao ser indicado para a presidência de uma Petrobras em transe. E teve esse caso na vida, uma loira como cliente bancária.   A senadora Marta Suplicy já registrou o problema da cor do cabelo no PT, ao afirmar que havia três candidatas mulheres à presidência, Dilma, Marina e ela. Mas observou que não tinha nenhuma chance, pois era a única loira.   No auge da crise internacional, Lula acusou os loiros de olhos azuis de terem arruinado a economia mundial. Se falou isso é porque, em alguma camada de seu inconsciente, acredita na máldade intrínseca dessa gente branca.   Valdirene também é loira. Sua trajetória de fuga da pobreza e a adoção entusiástica de um consumo de luxo aparentemente são sinais de afastamento da galáxia petista. No entanto, no fundo, têm tanto ela como o PT o mesmo deslumbramento com a riqueza. A passagem de Lula pelo Copacabana Palàce, no período eleitoral, mostra que ele tem os mesmos e talvez mais caros hábitos que a própria socialite.   A sensação que tenho é de que Lula gostaria de ter a mesma trajetória de Vai Marchiori. Sua fúria contra os ricos e os loiros de olhos azuis esconde um grande desejo de imitá-los.   No Brasil, há quem ganhe Bolsa Família, há quem ganhe bolsa Louis Vuitton do BNDES. A diferença, como tenho acentuado, é o sigilo do BNDES.   Sinceramente, espero que ela não se ofenda, mas a bolsa de Vai Marchiori é uma mixaria perto do que os outros ricos empresários estão levando. E revela algo característico da burguesia brasileira, sobretudo aquela que o PT considera a elite do B porque o apoia, incondicionalmente. Eles esbanjam dinheiro.   Valtem dinheiro para viajar no próprio jatinho e financiar suas aventuras jornalísticas. Mas, quando precisa de uma graninha extra, vai ao Banco do Brasil, que, por sua vez, aciona o crédito do BNDES. Os donos da Friboi buscam dinheiro no BNDES e, ao mesmo tempo, destinam R$ 250 milhões à campanha do PT.   A trajetória de Aldemir e Valdirene passaria em branco para mim. Não me importo com a vida dos outros nem me disponho a patrulhar gastos alheios quando não se originam em dinheiro público.   No entanto, há uma trajetória comum dos ricos que orbitam em tomo dos governos petistas e bolivarianos. Prosperam num discurso de amor à pobreza, mas, no fundo, querem apenas mais dinheiro.   Valdirene é uma exceção. Nunca a vi elogiar a pobreza, nos poucos minutos em que a ouvi, jamais manifestou amor pelos pobres, algo que é muito comum nos nossos salvadores populistas.   Ao contrário, encarna apenas um espírito elitista, que quer se diferenciar através do consumo de luxo e escolhas sofisticadas.   O PT ama os pobres, tão falsamente como é possível amar os pobres, a Humanidade e outras grandes abstrações.   Mas Valdirene e Lula navegam no mesmo transatlântico de luxo que está se afundando e não nos deixam outra saída, exceto seguir tocando nosso piano, humildemente, enquanto a farsa não se revela em toda a sua amplitude.   O ideal seria tocar a sirene enquanto o drama se precipita sem as máscaras do carnaval. Mas isso é uma tarefa para se pensar na Quarta-feira de Cinzas.   As últimas pesquisas sobre Dilma confirmam minhas intuições de repórter de rua. A confiança está desabando, e o edifício pode cair. Só nos resta repetir em escala nacional o conselho do prefeito do Rio aos moradores de área de risco: acreditem na sirene quando ela tocar.   Prazer solitário   Uma pesquisa para definir o perfil dos assinantes de sites eróticos chegou a conclusões interessantes. A grande maioria deles (60%) costuma assistir o conteúdo adulto sozinho; só 3% deles veem acompanhados. A maior parte dos internautas - 58%, tanto homens quanto mulheres - têm entre 41 e 60 anos. Os temas mais sugeridos para o site são: sexo tântrico e sexo bizarro. A pesquisa foi feita pelo Sexy Hot.   Até a ONU cai no samba (Ancelmo Gois)   Com a campanha "Neste carnaval, perca a vergonha, mas não perca o respeito" a ONU Mulheres vai estar presente nos Blocos Mulheres Rodadas, na quarta, e no Carmelitas, amanhã.   A ideia é chamar a atenção de folionas e foliões sobre a importância de manter a festa livre de assédio e violência. Eu apoio!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CLIPPING Saúde, CLIPPING Saúde, Sexualidade & Afins 01/Set./2014

​     CLIPPING Saúde, Sexualidade & Afins 01/Set./2014      Campanha de vacinação contra vírus HPV chega à segunda etapa no Rio G1   Começa nesta segunda-feira (1º) a segunda fase da campanha de vacinação contra o vírus HPV, no Rio. Nesta etapa, recebem a segunda dose da vacina as meninas de 11 a 13 anos que tomaram a primeira dose na fase inicial da campanha, entre março e abril deste ano. Os moradores do Rio podem encontrar o serviço em Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde.   A vacina contra o papilomavírus humano (HPV) é usada na prevenção do câncer de colo do útero e está disponível durante o ano inteiro. Cada adolescente precisa tomar três doses para completar a proteção, sendo a segunda seis meses depois da primeira e a terceira, cinco anos após a primeira. Em 2014 está sendo vacinado o primeiro grupo, de 11 a 13 anos. Em 2015, a vacina passa a ser oferecida para meninas de 9 a 11 anos e em 2016, às de 9 anos.   A introdução da vacina contra o HPV na rotina de imunização se iniciou em 10 de março deste ano e, até 15 de julho, a cobertura vacinal do município do Rio de Janeiro já atingia a totalidade da população-alvo, com mais de 135 mil meninas vacinadas. Dessas, em torno de 107 mil foram imunizadas durante os 30 dias em que durou a primeira fase da campanha. Na etapa atual, durante todo o mês de setembro, a meta é aplicar a segunda dose nessas meninas. As adolescentes vacinadas após 10 de abril deverão receber a segunda dose quando se completarem seis meses da primeira, na unidade de Atenção Primária mais próxima de sua casa. Algumas escolas das redes pública municipal e privada do Rio vão ajudar na campanhã.   O câncer de colo de útero é o terceiro que mais atinge as mulheres. Estimativa da OMS aponta que, no mundo, 290 milhões de mulheres são portadoras da doença e, a cada ano, 270 mil morrem devido ao câncer de colo do útero. Neste ano, o Instituto Nacional do Câncer estima o surgimento de 15 mil novos casos da doença no Brasil e cerca de 4.800 óbitos.   Educação brasileira só será boa quando garantir a todos o direito de aprender   Quando o governante determina onde o aluno vai estudar mas não assegura um padrão minimo de qualidade no ensino, ele cria dois problemas   João Batista Araujo e Oliveira   Este artigo faz parte de uma série publicada quinzenalmente em VEJA.com sobre os desafios do ensino fundamental no Brasil — e as estratégias para superá-los.   Os textos são de autoria do Instituto Alfa Beto, que promove o Prêmio Prefeito Nota 10, iniciativa que vai identificar e recompensar o município brasileiro que mantém a melhor rede de ensino. A premiação será realizada no segundo semestre.   A maioria dos prefeitos determina em qual escola o aluno deve estudar. Isso se dá quase sempre em função do local de residência. É um critério baseado na eficiência com o objetivo de reduzir transtornos e custos com transportes. Esse critério também permite racionalizar a rede de escolas. Até aí, tudo bem.   O problema começa quando aparecem os resultados. Sempre que os dados de avaliações nacionais são divulgadas, é possível notar que as redes são desiguais. Ou seja, a avaliação de 5º ano de língua portuguesa da Prova Brasil, por exemplo, mostra que existem escolas com 150 pontos, enquanto outras atingem 250 pontos. Isso significa que, quando o prefeito determina onde o aluno vai estudar mas não assegura um padrão minimo de qualidade, ele cria dois problemas.   Primeiro, como normalmente as piores escolas estão nos lugares mais carentes, os alunos que mais precisam de escola boa são os mais prejudicados, aumentando as desigualdades socais. Segundo, ao obrigar o aluno a frequentar uma determinada escola em que a qualidade não é garantida, o prefeito tira do cidadão o direito de buscar um futuro melhor.   Esse problema existe em todo mundo, mas há duas diferenças importantes que sugerem caminhos. A primeira é que o nível de desigualdades no Brasil é muito maior do que em outros países, e a quantidade de pessoas nos níveis mais baixos da escala socioeconômica é muito grande. Isso faz com que, em tese, a maioria dos alunos das escolas públicas tenha uma escola igualmente péssima. Na prática não é bem assim, pois cada diferença de 10 pontos na prova Brasil melhora significativamente as chances dos alunos.   A outra diferença é que o padrão de qualidade do ensino nas escolas que atendem as populações carentes na maioria dos países desenvolvidos é muito semelhante – apesar de nem sempre as escolas conseguirem dar o atendimento adequado aos alunos.    Os dados do Pisa ilustram bem esse argumento. Quando se analisa separadamente o desempenho do grupo de alunos mais pobres, uma décima parte do universo de estudantes brasileiros, vê-se que a pontuação média na prova de língua portuguesa é de 340. Os dois grupos da extremidade oposta — os 20% mais ricos, portanto — têm desempenho entre 420 e 470 pontos. Mesmo com uma pontução superior à obtida pelo grupo dos mais pobres, a nota dos mais ricos ainda se encontra aquém da média dos alunos dos países da OCDE (que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo), que é de 500 pontos.   O que os dados mostram é que um sistema de baixa qualidade é ruim para todos, mas é ainda pior para os mais pobres, pois esses ficam com suas chances cada vez mais reduzidas.   O desafio proposto pelo Prêmio Prefeito Nota 10 consiste em alterar situação: sempre haverá melhores e piores, sempre haverá escolas que se distinguem e escolas com resultados piores. Mas a pior escola deve ser muito parecida com a melhor, no sentido de assegurar a cada aluno o seu direito de aprender e um padrão de ensino de boa qualidade. E isso requer novas políticas, novas práticas e novas formas de administrar a educação no município.   João Batista Araujo e Oliveira é presidente do Instituto Alfa Beto    Aborto é tema tabu para os políticos em ano eleitoral no Brasil Zero Hora   Por que uma grave questão de saúde pública não figura nas pautas de debates e só é discutido em termos de militância pró e contra Coube a um candidato que aparece com menos de 1% nas pesquisas de intenção de voto trazer à tona nesta eleição um tabu que se renova a cada quatro anos. Sem nada a perder, Eduardo Jorge (PV) ousou defender a bandeira do aborto - contraditoriamente tão falada e tão pouco discutida na arena política - no primeiro debate entre os candidatos a presidente do Brasil, nesta semana, na TV Band.   - A legislação é cruel. Ela coloca 800 mil mulheres à própria sorte, procurando clínicas clandestinas e morrendo ou ficando com sequelas - bradou o candidato, após questionar Aécio Neves (PSDB) sobre sua posição - e ouvir do tucano que não pretende mexer na lei existente.   Se a pergunta fosse dirigida a Dilma Rousseff (PT) ou a Marina Silva (PSB), que lideram as sondagens, provavelmente as respostas seriam semelhantes. Seja por convicções religiosas (como no caso de Marina) ou receio de desagradar o eleitorado conservador, eleição após eleição os principais candidatos tergiversam (para usar um verbo prezado pela presidente Dilma) quando confrontados com o tema, como se o silêncio ou a negação pudessem eliminar o incômodo. Pouco adianta. Enquanto é demonizada como uma ameaça pelos grupos intitulados "pró-vida" e louvada como um direito inalienável da mulher pelos movimentos "pró-escolha", a prática continua se reproduzindo na ilegalidade. E vitimando quem não pode pagar por ela, num problema de saúde pública que fica à margem das estatísticas. E das plataformas políticas.   Datada de 1940, a legislação brasileira sobre o aborto é comparável à de países africanos e latino-americanos em suas restrições, que o enquadram como crime - exceto em casos de riscos à vida da mãe ou de gravidez consequente de estupro (em 2012, a interrupção da gestação em caso de fetos anencéfalos também passou a ser autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, sem mudança na lei). Ainda assim, o tabu é tamanho que até os casos legais encontram restrições de acesso na rede pública: em abril deste ano, uma portaria que buscava regulamentá-los no SUS acabou revogada pelo governo federal por causa da pressão da bancada religiosa.   Neste contexto, tocar no assunto ainda parece sinônimo de blasfêmia. Mas por que é tão difícil ir além do dogma?   Referência no estudo do tema no país, a antropóloga e professora da UnB Débora Diniz observa uma série de barreiras que travam a discussão. A começar pela dificuldade em admitir o problema. Uma das contribuições para quebrar o silêncio foi a Pesquisa Nacional de Aborto, em 2010. Coordenada por Débora e pelo sociólogo Marcelo Medeiros, revelou que uma em cada cinco brasileiras de 18 a 39 anos já fizeram aborto. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores utilizaram uma técnica de urna, em que as participantes depositavam anonimamente sua resposta. Caso fossem obrigadas a se identificar, Débora tem certeza de que os números seriam diferentes.   - Se essas mesmas mulheres forem perguntadas sobre sua opinião sobre o aborto, vão dizer que são contra, porque há uma expectativa de que boa mulher e boa mãe não pode negar a maternidade. Não é só por uma questão moral, é também pelo medo de ir para a cadeia, porque aborto no Brasil é crime - observa Débora, que pela pesquisa recebeu nos Estados Unidos o mais importante prêmio das Américas em saúde pública, concedido pela Organização Pan-americana de Saúde, em 2012.   Outra constatação do estudo é que as mulheres que fazem aborto não são diferentes da média da população - como tentam fazer crer os pregadores mais devotados na cruzada contra o aborto, taxando-as de promíscuas ou desinformadas: muitas das que admitiram tê-lo praticado ao menos uma vez eram casadas e mães de família quando responderam ao questionário.   Para o médico ginecologista e obstetra Thomaz Gollop, coordenador do Grupo de Estudos sobre o Aborto e professor associado de ginecologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP), a distorção do debate no país começa com a formulação da pergunta que geralmente é colocada. Em vez de perguntar se a pessoa é a favor ou contra o aborto, ele entende que a questão deveria ser: você concorda que uma mulher que interrompe uma gestação deve ser presa?   - Mesmo as mulheres que fazem aborto dizem que são contra, porque não é essa a questão. Eu também como médico sou contra o aborto, mas tenho a consciência de que a penalização é totalmente ineficaz e aumenta o problema, que é de saúde pública. O aborto é a quinta causa de mortalidade materna no Brasil- alerta.   É aí que entra um outro imbróglio: apesar de o Brasil ser oficialmente um país laico, as questões religiosas permanecem tutelando políticas públicas. E isso não é apenas uma questão teórica, nem fruto isolado da recente ascensão da bancada evangélica no Congresso. Ao defender medidas de regulamentação do aborto, Dr. Thomaz travou um diálogo revelador com o senador José Sarney (PMDB), que em 2012, quando presidente do Senado, apresentou proposta de revisão no Código Penal. Assim que se sentou para receber o coordenador do Grupo de Estudos sobre o Aborto, Sarney se adiantou:   - Doutor, estou recebendo o senhor por educação, mas eu sou católico, apostólico e romano e não estou interessado em mexer na lei do aborto - avisou.   - Mas senador, o senhor acha que as mulheres que fazem aborto devem ir para a cadeia? - retrucou o médico.   - Não, para a cadeia não.   - Mas é isso que diz o nosso Código Penal - ponderou Dr. Thomaz, sem convencer o interlocutor.   Convicto de que os candidatos também desconhecem as minúcias da lei do aborto, o médico entende que só uma discussão plural poderia esclarecer e desfazer mitos.   - Existe uma questão de fé, que é do âmbito privado, e cada um tem a sua. E existe a lei, que é uma questão do Estado e deve procurar fórmulas para conciliar o respeito às minorias, para atender a todos. No Brasil, há uma enorme confusão sobre isso - analisa.   Essa confusão tampouco é uma exclusividade brasileira. Em diferentes países e culturas, a interpretação em relação ao aborto vem sofrendo modificações ao longo da história. Na Idade Média, por exemplo, uma família cristã que seguisse a doutrina do mais célebre teólogo da época, São Tomás de Aquino, poderia fazer um aborto sem maiores pudores de consciência. Assim como seu antecessor Santo Agostinho, São Tomás acreditava que o feto só se tornava humano semanas depois da fecundação. Por trás das oscilações, sempre esteve a discussão sobre qual é o momento em que o feto pode ser considerado humano, como explica o filósofo Alcino Bonella, professor de ética e bioética da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).   - A questão essencial reside na diferença existente entre o início meramente biológico da vida, e o aparecimento da vida mental ou psicológica. Se a vida mental ou pessoal ainda não começou, o aborto não está matando ninguém. E o que a ciência mostra hoje é que, ao menos até os quatro meses de gestação, o feto não tem indícios de vida psicológica - analisa.   Para Bonella, uma maneira de pensar sobre o feto no início da gestação seria compará-lo a outro com anencefalia, pois ambos não teriam vida mental. Ainda assim, críticos do aborto argumentam que, mesmo nessas condições, o aborto mataria o potencial de futuro daquele ser humano em formação. Por dilemas como esse é que se torna tão difícil resolver a questão com argumentos simplistas.   - O aborto é um daqueles temas que a gente não consegue enquadrar facilmente como moralidade básica. Não é como aplicar regras simples e gerais. Envolve ponderações mais difíceis de se fazer sobre os fatos e os valores envolvidos - reflete o professor.   Por isso, Bonella vê com bons olhos alternativas como a realização de plebiscitos, para que as pessoas possam ouvir os dois lados da questão.   - O mais importante nem é o resultado, mas a possibilidade de discutir o assunto. A maioria das pessoas nunca discutiu realmente o aborto - pondera, lembrando que, em Portugal, a autorização ao aborto foi aprovada depois de dois plebiscitos.   Num ambiente enclausurado pelo dogma, sobra espaço para a hipocrisia pautar o debate. A advogada Sueli Dallari, coordenadora do núcleo de pesquisa em Direito Sanitário da USP, lembra de um caso descoberto anos atrás, de um médico que se negava a fazer aborto na rede pública, alegando impedimentos morais, enquanto cobrava para fazer o procedimento em uma clínica particular. O caso ocorreu na Itália, onde o aborto é legal apesar da tradição católica, mas poderia ter sido aqui.   - Isso acontece Brasil afora. As pessoas não querem conversar. Conservar é mais fácil do que mudar, porque mudança dá trabalho - preocupa-se Sueli.   A complexidade do assunto faz com que o embate entre diferentes visões continue em movimento mesmo em países com tradição pró-aborto, como os Estados Unidos. Passadas quatro décadas do aniversário da decisão da Suprema Corte Americana que garantiu o direito constitucional da mulher a interromper a gestação nos primeiros três meses, setores conservadores ainda lutam para combater a prática. Somente em 2013, de acordo com dados do Pew Research Center, 22 Estados aprovaram 70 restrições ao aborto. Ainda em 2013, uma reforma na legislação da Espanha sobre o aborto recuou ao patamar de 30 anos antes, voltando a tornar delito o que antes era considerado um direito da mulher.   No Brasil, mesmo o governo da primeira mulher a ocupar a Presidência não garantiu maior abertura para a discussão do tema. E as perspectivas para esta eleição não são diferentes. A bandeira política mais conveniente para os palanques continua a mesma:   LEIS E TENDÊNCIAS   A lei no Brasil A legislação considera o aborto um crime, com pena de um a três anos de detenção para a gestante, exceto em situações de risco à vida e estupro. No caso de um médico que provoque o aborto com o consentimento da gestante, a pena é de reclusão de um a quatro anos. Desde 2012, o STF também autorizou a interrupção da gestação em casos de anencefalia.   O que está em discussão no Congresso Com pressões religiosas, a tendência no Congresso tem sido conservadora. Há projetos em tramitação como o Estatuto do Nascituro, que se aprovado daria direitos ao feto - e resultaria na proibição de qualquer tipo de aborto, pois considera que a vida surge no momento da concepção.   Como é a lei em outros países Entre 1950 e 1985, a maioria dos países industrializados aprovou leis de legalização do aborto. Entre os países da América do Norte e da Europa, a maior parte permite a prática. Mais de 70 países autorizam a interrupção da gestação de forma ampla ou sem restrição quanto a motivações.   As leis mais restritivas estão na África, no Oriente Médio, na América Latina e no sul da Ásia. Entre os países em que a situação é considerada mais proibitiva, estão Chile, El Salvador e Nicarágua.   Na América Latina, Cuba e Uruguai têm leis permissivas ao aborto.   Fonte: Relatório The World's Abortion Laws, produzido pelo Center for Reproductive Rights   Os candidatos que "farão pela saúde, pela educação e pelos idosos" (CRISTIANE SEGATTO)   Promessas genéricas não acabam com as filas do SUS. De onde sairá o dinheiro para financiar os serviços com que os brasileiros sonham?   Poucos hits da internet traduzem tão bem o vazio de ideias e o deboche do horário eleitoral gratuito quanto o vídeo “Programa Político”, estrelado pelo ator Fábio Porchat, no canal Porta dos Fundos. É uma maravilha:   “Vote naquele que fará pela saúde, pela educação, pelos idosos”, diz o candidato. “Ah, pelos idosos...” E cai na gargalhada. Não vou contar o final para não estragar a surpresa, caso alguém ainda não conheça esse retrato perspicaz dos maus hábitos da nossa política.    Subestimar a inteligência do eleitor é uma prática disseminada. Não sei até quando ela vai funcionar. Mesmo com os imensos déficits de educação do Brasil, hoje qualquer pessoa com acesso à internet pode confrontar afirmações levianas e promessas sem pé nem cabeça com fatos e números. E quem tem disposição e habilidades suficientes para consultar as fontes corretas pode facilmente se transformar num multiplicador de conhecimento por meio das redes sociais.    Sucessivas pesquisas demonstram que a saúde é a maior preocupação dos cidadãos. O que me intriga, eleição após eleição, é a falta de coragem dos candidatos de enfrentar as discussões duras e objetivas sobre o financiamento do sistema de saúde. Ele não vai melhorar enquanto os brasileiros continuarem caindo no conto das medidas emergenciais e eleitoreiras.    O SUS foi criado em 1988 com a melhor das intenções. Se funcionasse como o previsto na Constituição, seria um belíssimo instrumento de justiça social. Para ser justo e universal, para oferecer tudo (todo e qualquer tipo de tratamento) para toda a população (dos mais pobres aos mais ricos), o SUS precisa receber mais dinheiro. E, ainda assim, talvez não fosse possível oferecer todas as novas e caríssimas soluções criadas pela indústria farmacêutica. Nenhum país do mundo consegue fazer isso.    Os cerca de 9% do PIB que o Brasil aplica em saúde (somando-se os recursos públicos e privados) não sustentam o sistema imaginado em 1988. Como resolver a equação? Nesta eleição, ressurgiu a promessa de aplicar em saúde 10% do orçamento da União.   Isso é defendido por muitos especialistas desde os anos 80. É uma ideia justificável. O gasto público do país por habitante (US$ 474, segundo dados de 2010 reunidos pela OMS) é inferior ao gasto da Argentina (US$ 851), do Chile (US$ 562), da França US$ 3.075) e do Reino Unido (US$ 2.857).    Adoraria que o aumento do investimento em saúde pelo governo federal virasse realidade, mas é o tipo de promessa que tem grandes chances de ficar pelo caminho. Ela só poderia acontecer se houvesse um crescimento econômico espetacular – algo distante da realidade brasileira.    Os candidatos que fazem essa promessa precisam dizer com todas as letras como pretendem fazer isso. Vão aumentar impostos? Tirar dinheiro de outros ministérios? A discussão não deve ficar só no dinheiro. O que vão fazer para melhorar a gestão do SUS?    Há medidas impopulares no horizonte, como limitar o atendimento público a determinadas faixas de renda? Garantir o acesso a um determinado pacote de programas, tratamentos e drogas -- e só a eles? O que pretendem fazer para reduzir as ações judiciais de cidadãos que exigem todo e qualquer recurso de saúde – independentemente do preço e de estar ou não disponível no SUS?    Ninguém é capaz de assumir o ônus político de dizer que medidas impopulares podem ser necessárias para tornar o SUS verdadeiramente justo e universal. Sobra emoção e falta racionalidade quando se discute os rumos da saúde.    Se queremos um SUS melhor, precisamos nos armar de calculadoras. Fazer contas, mergulhar em planilhas, cobrar resultados e desprezar os políticos que só dizem generalidades.    São muitas as medidas necessárias para melhorar a assistência à saúde. Uma delas é garantir a correta distribuição dos recursos públicos entre as regiões. Um bom começo é investir na construção de um mapa das reais necessidades de cada região. Isso permitirá que o investimento seja feito de forma correta, na área que mais precisa dela.    Só com organização de alto nível é possível conter desperdício e transformar dinheiro em qualidade de vida. Em alguns estados do Nordeste, por exemplo, o número de mamógrafos disponíveis no SUS encontra-se acima do parâmetro adequado. Mesmo assim, a quantidade de mamografias realizadas está abaixo do esperado. Como isso é possível?   “Muitas mulheres faltam ao exame agendado porque não têm dinheiro para pagar o transporte”, diz o médico David Souza, professor de gestão em saúde do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.    Não há dúvida de que os recursos da saúde são escassos, mas a falta de racionalidade nos três níveis de gestão (governo federal, estados e municípios) produz desperdício sem melhorar a vida das pessoas. Racionalizar, segundo a definição de David Souza, significa o seguinte:   • Fazer um diagnóstico preciso das necessidades de saúde da população • Construir protocolos de conduta que permitam oferecer o cuidado necessário prioritariamente a quem mais precisa dele • Regular o acesso a serviços e tratamentos com base nesses protocolos • Capacitar os profissionais das redes de saúde para que eles possam fazer uma boa gestão dos recursos disponíveis • Monitorar regularmente a efetividade de todo o processo de regulação   “Todo médico precisa saber que os recursos são limitados. Isso vale para qualquer sistema de saúde do mundo”, diz Souza. “O exame que ele pede para um paciente faltará a outro”. Por isso, é fundamental que a solicitação seja feita com base em critérios claros e objetivos.   Faremos, daremos, construiremos são os verbos mais usados pelos candidatos quando se referem à saúde. Quem for sincero o suficiente para assumir as mudanças impopulares e necessárias para reorganizar o SUS perde a eleição.    Enquanto os brasileiros não estiverem preparados para ouvir as verdades duras e valorizar os políticos que as defendem, o sistema de saúde vai continuar na mesma. Assim como a balela dos candidatos que “farão pela saúde, pela educação e pelos idosos”.    Que o voto consciente traga um futuro melhor e mais saudável. Com esse texto, me despeço e entro em férias. A coluna volta a ser publicada em outubro. Até lá e boa eleição para todos nós!   O desabafo do mestre (Ancelmo Gois)   O historiador Marcos Alvito, 53 anos, antecipou sua aposentadoria na UFF. No Facebook, desabafou: "Àqueles que alegarem que perderei dinheiro, digo que prefiro isso a perder a minha alma."   Segue...  Ele ainda denunciou a falta de condições de trabalho:   - Pela primeira vez na História, a universidade tem ingresso significativo de população de afrodescendentes. Mas é justamente neste momento que falta até água nos prédios, como faltava no navio negreiro.

Saude Sexualidades e Afins ,

​ O desafio do balde e o “espertalhismo” brasileiro Diário da Manhã Bruno Rodrigues Ferreira Na internet, brasileiros são conhecidos como gafanhotos! Eles invadem uma plantação, devoram tudo, e vão embora deixando a destruição para trás. Foi assim com o Orkut, com Fotolog, Facebook... e tem sido assim no Twitter, diversos games e até mesmo no Waze, um aplicativo de trânsito, em que alguns malas estão colocando alertas de acidentes, em suas rotas, para que outros motoristas desviem seus caminhos, deixando aquela rota exclusiva para eles. Em vários jogos on-line, você passa a ser hostilizado ao dizer que é brasileiro. Claro que não poderia ser diferente no Ice Bucket Challenge, ou desafio do balde, como chamamos aqui no Brasil. O desafio começou nos EUA, pelo jogador de baseball Pete Frates, que foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), que desafiou celebridades a doarem uma quantia para ajudar nas pesquisas em busca da cura desta doença, ou teriam que jogar um balde de água gelada na cabeça, desafiando mais três pessoas depois disso. A doença é devastadora, a expectativa de vida após o diagnóstico, costuma ser de menos de uma década, e o sofrimento ligado a ela é altíssimo. Antes do desafio, a ALS Association (uma organização que investe em pesquisas para a cura da doença) arrecadou US$ 2,7 milhões durante todo o ano de 2013. Depois do desafio ter atingido as celebridades americanas, a instituição já arrecadou quase US$ 100 milhões, em menos de dois meses. O desafio tomou proporções épicas, depois que Mark Zuckerberg entrou na brincadeira e desafiou outros três grandalhões dos EUA, um deles era Bill Gates, que entrou na brincadeira com estilo, e desafiou mais três pessoas. Em pouco mais de uma semana, o desafio já havia sido feito por milhões de pessoas e não tardou a chegar aqui. Em poucos dias, muitas celebridades, à convite da Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (Abrela) e do Instituto Paulo Gontijo, que conduz pesquisas no Brasil sobre a ELA, entraram na brincadeira. Óbvio que muitas subcelebridades entraram na brincadeira, mesmo sem serem “desafiadas”, com o único objetivo de aparecer, deturpando completamente o objetivo da campanha, que era nobre. Muitos sequer citam os institutos que apoiam os portadores da doença, e outros que disseram ter doado, nunca provaram isso, a ponto de um represente de uma das instituições dizer em público que está aguardando a doação das celebridades brasileiras. A questão é tão séria, que ao ser questionada sobre o desafio, a Xuxa disse que antes de cobrarem dela a participação, deveriam cobrar dos outros artistas a prova de que fizeram a doação, como ela mesmo fez. Resumindo, muitos aderiram ao desafio apenas para se promoverem, aproveitando os comentários e visualização gratuitos que teriam pela mídia. Não há outra palavra, a não ser “nojo”, para representar o que sinto por pessoas que fizeram isso. De todos os “famosos” do Brasil, somente o Luciano Huck falou sobre doações. A grande maioria, somente usou o desafio para se promoverem. É muito baixo, asqueroso e mesquinho, usar uma doença grave, letal e incurável para auto-promoção. É duro usar o sofrimento de muitos para ser notícia em sites de fofoca e canais de TV. Além dos famosos, as subcelebridades e “pessoas comuns” aderiram em peso à campanha, e estão tentando ganhar seu lugar ao sol, aparecendo sem precisar enviar notas forçadas para canais de fofoca. Aparecer aqui se tornou regra. Parabéns aos brasileiros. Conseguiram estragar mais uma campanha séria, que tinha por objetivo atrair a atenção da população para uma doença grave, tornando o desafio em uma simples troca de favores, para publicidade gratuita. Enquanto isso, o Instituto Paulo Gontijo espera as doações desses sem-vergonhas. Se você quer fazer a diferença, entre nesse site: http://www.abrela.org.br/ e veja como doar e ajudar de verdade. (Bruno Rodrigues Ferreira, jornalista e psicólogo, especialista em Educação e Tecnologia – @ferreirabrod)