Notícias e comentários sobre combate,HIV AIDS TB. Novidades sobre temas referentes ao ativismo social e político, política, políticas públicas e ações de prevenção.Incrementando o Ativismo,e despertando solidariedade. Minha intenção é promover o debate em torno da prevenção. Criando formas de combate e troca de experiências entre familiares e pessoas vivendo ou convivendo com este tema.
Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"
Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.
Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.
QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.
Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.
Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.
Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.
Obrigado, desculpe o transtorno!
#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S
ESTE BLOG ESTA COMEMORANDO!!!
3 anos de existência com vocês...
Ativismo Contra Aids/TB
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Pílula de farinha (Mônica Bergamo)
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Bem Fam CLIPPING - 21/fev./2011
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O futuro dos anticoncepcionais CRESCER 28/10/2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Anticoncepcional é tirado do mercado por erros na bula Folha de São Paulo 21/09/2010
Anticoncepcional é tirado do mercado por erros na bula
Folha de São Paulo
21/09/2010
Quem usa o anticoncepcional Nuvaring, fabricado pelo laboratório MSD, foi surpreendido, na última semana, com a falta do produto nas farmácias.
O anel vaginal de uso contínuo teve lotes suspensos no fim de agosto e os estoques não foram repostos.
A decisão de suspensão foi do controle de qualidade da empresa, que encontrou erros de ortografia na bula.
"O problema não tem relação com a segurança e a eficácia do Nuvaring. Avisamos no site e informamos médicos", afirma Fábio Rosito, diretor de Saúde Feminina da MSD
Em fóruns de direito do consumidor na internet, há depoimentos de mulheres que tiveram de interromper o uso do produto. De acordo com o ginecologista Tsutomu Aoki, da Santa Casa de São Paulo, quem está nessa situação deve procurar um especialista o mais rápido possível.
"O médico vai indicar outro contraceptivo. Enquanto isso, a pessoa tem de usar o método de barreira [camisinha]."
A previsão é que a distribuição seja regularizada na primeira quinzena de outubro.
Clipping Bem Fam
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Pílula anticoncepcional completa 50 anos desde que saiu à venda nos EUA 19 de agosto de 2010 Efe
Pílula anticoncepcional completa 50 anos desde que saiu à venda nos EUA
19 de agosto de 2010
Efe
Método já foi usado por mais de 215 milhões de mulheres no mundo, mas 200 milhões ainda não têm acesso fácil
WASHINGTON - A pílula anticoncepcional completou nesta quarta-feira, 18, 50 anos desde que saiu à venda nos Estados Unidos, o primeiro país que autorizou esse método anticoncepcional que transformou a vida de mais de 215 milhões de mulheres em todo o mundo.
Apesar disso, outros 200 milhões de mulheres - a maioria em países em desenvolvimento - ainda não têm acesso fácil à pílula, segundo dados da organização Women Deliver.
Em 1960, as americanas foram as primeiras mulheres do mundo que puderam comprar, com autorização legal, o "Enovid", uma dose concentrada de hormônios que evitava a ovulação e, assim, possíveis casos de gravidez.
O anticoncepcional foi uma conquista de duas mulheres que impulsionaram a pesquisa desse remédio, Margaret Sanger e Katharine McCormick, feministas que já estavam perto dos 70 anos e se propuseram a encontrar a "pílula mágica".
Com a persuasão dessas mulheres e o financiamento de Katharine, o médico Gregory Pincus pôde avançar em suas pesquisas para desenvolver a pílula, o que foi possível em 1955.
No entanto, o fármaco só foi aprovado pelas autoridades dos Estados Unidos como método anticoncepcional cinco anos depois, no dia 9 de maio de 1960, em meio a críticas que a consideravam uma porta de entrada para o caos sexual.
Meio século depois, a pílula é o segundo método anticoncepcional mais usado no mundo - seguido da camisinha -, segundo relatório das Nações Unidas de 2009.
Cortesia: Clipping Bem Fam
terça-feira, 6 de julho de 2010
O mundo salvo pelas mulheres VEJA 05/07/2010
A decisão feminina de ter menos filhos está derrubando as previsões de um planeta com gente de mais para recursos naturais de menos
Há pelo menos dois séculos a perspectiva de uma explosão demográfica no planeta preocupa a humanidade. Em 1798, o economista inglês Thomas Malthus vaticinou um mundo à beira do colapso, com gente de mais e comida de menos,em seu Ensaio sobre o Princípio da População. No fim dos anos 60, o biólogo americano
Paul Elirlich anunciou as consequencias trágicas do crescimento demográfico desmedido no best-seller A Botnba Populacionat A previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) de que a população mundial, hoje na casa dos 6,9 bilhOes, chegará a 9,1 bilhOes de pessoas daqui a quatro décadas, estabilizando se a partir de então, voltou a alimentar o temor de um planeta superpovoado - e sem recursos naturais para suprir as necessidades de tamanho contingente humano. A drivida é se a estimativa feita dois anos atrás ainda reflete a realidade. Uma corrente que ganha força nos estudos demográficos garante que nao há motivo para alarme. De acordo com ela, a bomba demográfica está sendo lentamente desarmada, e a população mundial não passará dos 7,9 bilhões em 2050. Daí em dia me. a tendência será de queda. Como? Da forma mais simples possivel. Explica o pesquisador inglês Fred Pearce: "Em todo o mundo, as mulheres estão tendo menos tilhos. Se a queda da taxa de fecundidade se mantiver, será dificil a humanidade ultrapassar os 8 bilhões de pessoas. O mais provável é que ela aumente até atingir esse patamar e depois pare de crescer".
Fred Pearce. que escreve sobre ambiente para algumas das principais publicações inglesas, é autor do recém-lançado The coming Population Crash and Our Planet"s Surprising Future ( O Novo Choque Populacional e o Futuro Surpreendente do Nosso Planeta). No livro, ele compila relatórios demográficos já publicados de pesquisadores de diversos países, alguns de âmbito regional, e também os da própria ONU. O estudo revela como a decisão das mulheres de ter menos filhos, em todo o mundo, está modificando a curva estatística que preve uma população de mais de 9 bilhões em 2050. "Muitos trabalhos mostravam a participação feminina na freada populacional, mas de forma pulverizada", diz Pearce. O resultado da compilação mostra que o mundo não está à beira do precipício demográfico, pelo contrário. A taxa de fecundidade do planeta nunca foi tão baixa. Há quatro décadas, na média mundial, cada mulher tinha entre cinco e seis filhos. Hoje, tem 2,6. Em mais de sessenta países, que juntos possuem, as taxas de fecundidade estão abaixo de 2,1 filhos por mulher. Quando a taxa de fecundidade de um país fica abaixo desse índice, a população passa a crescer em ritmo cada vez mais lento e, depois de duas ou tres décadas, começa a diminuir. Isso coloca esses países aquém do nível de reposição da população. Entre os países nessa situação estão o Brasil, o Japão, a China e a Coreia do Norte. Nos próximos vinte anos, Índia. Indonésia e México devem entrar para a lista.
Segundo o estudo que resultou no livro de Fred Pearce, nos últimos cinco anos, a queda das taxas de fecundidade se acentuou em quase todo o mundo. "Pelo ritmo atual, a taxa mundial vai estar. em 2020. abaixo do nível de reposição, mas isso pode acontecer antes, se as famílias decidirem ter menos filhos por causa de crises econômicas, como ocorreu nos anos 30, com a Grande Depressão", disse Pearce a VEJA. A decisão de ter menos filhos não se limita a mulheres com nível financeiro o educacional elevado. Mulheres de classes sociais mais pobres e com pouca formação escolar, que tradicionalmente tem mais filhos, também optam por gerar proles menores. Fatores políticos e religiosos deixaram, ainda, de ser determinantes no tamanho das famílias. No Irã, há duas décadas, as mulheres tinham em média oito filhos cada uma. Hoje, essa média é de 1,7. As iranianas vão contra os preceitos dos aiatolás e não dão ouvidos ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, que incentiva a natalidade. Até mesmo nas zonas rurais da India, onde o nível de escolaridade é muito baixo, o número de filhos por mulher caiu - hoje está em 2,8, quase um terço do que era há duas décadas.
A Africa é a região que apresenta as maiores taxas de crescimemo demográfico. De 1950 a 2000, a população quase quadruplicou - passou de 227 milhões para 819 milhões. Pelos cálculos da ONU, cada mulher africana tem 4,9 filhos, o dobro da média mundial. Na Libéria, cuja renda per capita é a segunda mais baixa do mundo, a taxa de fecundidade chega a 6,8 filhos por mulher. Em Ruanda, onde já foi de 8,5, está em torno de 6. Apesar de os números permanecerem altos, já é possível notar uma queda nos índices. Em 2002, vinte países do continente apresentavam taxas superiores a 6,1 filhos por mulher. Atualmente, só nove mantém esse padrão.
O Brasil, hoje com 193 milhões de habitantes, registrou uma queda na taxa de fecundidade surpreendente nas últimas décadas: de 5.8 filhos por mulher em 1970 para 1,8 atualmente. Previa-se que o país chegaria a esse índice apenas daqui a trinta anos. Se a taxa de fecundidade de 1970 tivesse se mantido, - o Brasil teria hoje 300 milhões de pessoas. Os motivos que fizeram a taxa de fecundidade despencar no país são os mesmos que provocaram a queda na maior parte do planeta. Um dos principais é a migração do campo para as cidades. Nas zonas rurais, as crianças fazem parte da força de trabalho e, portanto, quanto mais filhos, maior a produtividade da família Nas cidades educá-los e alimentá-los custa caro. A melhora nas condições sanitárias também contribuiu para a queda da taxa de fecundidade. Antes com o alto índice de morte entre recém-nascidos e crianças, as mulheres precisavam ter mais filhos para garantir uma prole.
Outro motivo para o encolhimento é que as mulheres começaram a participar mais ativamente da força de trabalho e não estão dispostas a sacrificar a carreira em prol de uma família numerosa. Em países como o Japão, onde até três décadas atrás elas se casavam aos 18 anos. hoje mais da metade das mulheres com 30 anos está solteira. Na Coreia do Sul, estima-se que 40% da população feminina na mesma faixa etária continua solteira. "O Brasil é um dos poucos países onde a diminuição no número de filhos não está atrelada ao adiamento do casamento e da primeira gravidez", diz o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, professor de estudos populacionais e pesquisas sociais da Escola Nacional de ciências Estatísticas. "As brasileiras, ao contrário das orientais e das europeias. tem o primeiro filho entre 20 e 24 anos e depois optam pelos métodos ANTICONCEPCIONAIS para evitar novas gestações", completa.
Menos gente no planeta significa menor exploração dos recursos naturais, mas há outras equações que determinam o impacto da superpopulação. "Apesar de o aumento da população ser visto por muitos cientistas como a força propulsora da devastação planetária, o que mais conta na manutenção do equilíbrio entre homem e natureza é o nível de renda de seus habitantes" diz Henrique Cortez, especializado em riscos ambientais. Quanto maior a renda per capita de um país, maiores seu consumo e choque ambiental. Para entender o que isso significa. tome-se como exemplo a relação entre consumo e emissão de dióxido de carbono (CO,), o principal gás causador do aquecimento global. Metade das emissões no mundo é produzida por apenas 7% da população, justamente nos países mais ricos. Ainda tomando como base os gases poluentes, as emissões de um americano equivalem às de quatro chineses, vinte indianos, quarenta nigerianos e 250 etíopes.
A espécie humana não dominou o planeta de uma hora para outra. Desde o aparecimento do Homo sapiens, há 200 000 anos, alterações climáticas, doenças e outras ameaças mantiveram os Índices de expectativa de vida baixos e os de mortalidade muito altos. Só em 1804 a população mundial atingiu a casa do primeiro bilhão. A partir de meados do século XIX. com as melhoras nas condições sanitárias e os avanços da medicina, o crescimento demográfico se acelerou. Desde a profecia pessimista de Malthus, o núnero de pessoas no planeta se multiplicou por 7. Ao contrário do que o economista inglês esperava, porém. não houve fome. O desenvolvimento tecnológico permitiu a expansão da agricultura - a chamada revolução verde - e a consequente produção de alimentos suficientes para todos. Em parte devido ao aumento da produção agrícola. o pico de crescimento populacional ocorreu na década de 1960. Na ocasião, a população aumentava 2,1% ao ano, o dobro do ritmo atual. A primeira estimativa para 2050 foi feita pela Divisão de População da ONU em 1968. A previsão era de 12 bilhões de pessoas. Deste então, o órgão tem revisado suas estimativas para baixo. Se as mulheres de todo o planeta continuarem a ter menos filhos, é bem possível que outra correção seja feita pelas Nações Unidas em breve. -
Cortesia Clipping Bem Fam(05/07/010)
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Cinquenta anos de anticoncepção hormonal: a mulher e a pílula (Artigo) 10/06/2010 Por Maria Andrea Loyola
Cinquenta anos de anticoncepção hormonal: a mulher e a pílula (Artigo)
10/06/2010
Por Maria Andrea Loyola
Poucas dentre as várias descobertas tecnológicas surgidas no século XX que contribuíram para alterar profundamente os rumos das sociedades contemporâneas, foram objeto de tantas polêmicas como a pílula anticoncepcional. Completando 50 anos desde que foi disponibilizada para consumo nos Estados Unidos em 1960, ela provocou numerosos debates e dissensões no âmbito científico, médico, social, ético, religioso e ainda hoje não é plenamente aceita ou constitui objeto de controvérsias em alguns setores religiosos. Embora práticas anticonceptivas fossem conhecidas desde o Egito antigo e numerosos métodos já disponibilizados com esse objetivo (Ogino e Knaus ou “tabelinha” ou “ritmo”; diafragma, Diu, condon ou “camisinha”, entre outros), nenhum deles permitiu, como a pílula, uma separação tão eficaz entre a sexualidade e a reprodução e, por conseguinte, um controle muito mais efetivo do processo reprodutivo pela mulher.
Foi sobre a mulher, seu comportamento e sua posição na sociedade, que a pílula produziu os impactos mais significativos, considerados por muitos como verdadeiramente revolucionários. Graças à pílula, a mulher pôde então usufruir de liberdade sexual e acabou ganhando um forte aliado rumo à conquista de mais espaço na esfera pública, no mercado de trabalho e na igualdade com os homens. Sua utilização acabou provocando avanços nos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres, ampliando as possibilidades de realização de um efetivo planejamento familiar e, talvez o mais importante, conferindo total autonomia da mulher na condução desse processo: a pílula é o único anticoncepcional que pode ser utilizado sem a participação do médico e a colaboração ou consentimento do parceiro.
Inicialmente, a pílula foi recebida com desconfiança pelos próprios médicos devido aos efeitos colaterais produzidos pelas elevadas taxas de hormônios constantes em sua composição. Hoje, as pílulas mais modernas, aquelas com pequena dosagem hormonal, conhecidas como de “terceira geração”, possuem um centésimo da dose hormonal da primeira pílula lançada nos Estados Unidos – o Enovid. Elas são consideradas como benéficas na prevenção de tumores ginecológicos no ovário e no endométrio, e protegem as mulheres por longos anos, mesmo depois de encerrarem seu uso. A pílula continua sendo a primeira opção entre os métodos anticoncepcionais, em quase todo o mundo. No Brasil, segundo dados oficiais, ela é usada por 21% das mulheres em idade reprodutiva, o que equivalia, em 2004, a mais de 11 milhões de usuárias.
Segundo alguns, o caráter libertário da pílula, não se deve apenas a seus efeitos técnicos, mas também ao contexto cultural e político em que ela surgiu: ela veio ao encontro dos novos valores associados ao “movimento hippie” surgido nos Estados Unidos durante a década de 1960, e a revolta estudantil conhecida como “maio de 68”, na França. Ambos contestavam os valores culturais de uma sociedade que consideravam conservadora, moralista e repressiva, inclusive no plano sexual. Foi nesse sentido que as feministas francesas passaram a lutar contra uma lei de 1920 que proibia a divulgação de qualquer método contraceptivo naquele país. As francesas logo perceberam que a pílula, ao permitir o controle da procriação permitia às mulheres expandir suas possibilidades de atuação em diversos campos, inclusive em relação ao prazer sexual.
Já as feministas brasileiras, apoiando-se nas preocupações políticas de controlar a explosão populacional, principalmente de pobres e negros, dos países do Terceiro Mundo que orientaram as pesquisas iniciais sobre a pílula na década de 1950, enxergaram na pílula e em sua divulgação mais um movimento de intervenção imperialista dos Estados Unidos em nosso país. Esse ponto de vista, compartilhado pela esquerda brasileira e pelos militares por razões distintas (geopolíticas), durante as décadas de 1960 e 1970 justificam em grande parte o fato do país nunca ter adotado uma política oficial de planejamento familiar. Assim, outra vantagem trazida pela pílula em um sentido mais amplo – que foi a de contribuir para a transição demográfica do país – não contou com apoio do governo brasileiro. A forte redução das taxas de fecundidade total do país, que caíram em mais de 60% em apenas meio século (passando de 6,21 filhos por mulher, em 1950, para 2,38, em 2000), até chegar, em 2007, a uma taxa total de 1,95; portanto abaixo do nível mínimo de reposição (2,1 filhos por mulher), deveu-se principalmente a atuação dos médicos e de organismos internacionais, em especial de organismos que apoiavam o planejamento familiar como a Bemfam (Bem-Estar Familiar).
Foram as camadas com maior poder aquisitivo e maior nível de escolaridade que de fato se beneficiaram da pílula, em todos os sentidos. Nas camadas socialmente menos protegidas e nas regiões mais pobres e menos urbanizadas, o acesso a esse anticoncepcional foi e continua sendo mais difícil, apesar do planejamento familiar ser hoje consagrado como um “direito reprodutivo da mulher”. Tanto assim que as taxas de fecundidade continuam sendo relativamente mais elevadas entre as populações dessas camadas e dessas regiões, e que foi sobre as mulheres nelas inseridas que recaiu a política de controle de nascimentos através da ligadura de trompas, prática altamente disseminada no setor público da medicina, desde o final da década de 1960 até 1980.
Da mesma forma, o acesso a programas de planejamento familiar no Brasil não se encontra disponível para todas as mulheres, tanto em termos qualitativos, quanto quantitativos, privando os grupos socialmente menos favorecidos, seja da escolha do método contraceptivo mais adequado ao seu caso, seja de orientação médica. A consequência mais dramática dessa situação é o elevado número de abortos clandestinos (o aborto é considerado crime no país) indicado por extensa revisão, publicada recentemente, da literatura científica disponível sobre aborto no Brasil para os últimos 20 anos.
Não obstante os caminhos, alguns mais largos, outros mais estreitos, que as mulheres conseguiram abrir para si graças à pílula, ao longo desses cinquenta anos de sua existência, não foram suficientemente longos, ao ponto de eliminar algumas desigualdades históricas entre elas e seus parceiros masculinos. Se, por um lado, a pílula ajudou-as a conquistar espaços e a se moverem melhor no mercado de trabalho, por outro, segundo o último Censo de 2000, elas recebem 30% a menos do que os homens e, principalmente nas regiões e nas camadas mais pobres, elas estão concentradas em ocupações de baixa qualificação e mal remuneradas; raramente trabalham com carteira assinada e garantias trabalhistas, e quase um terço delas exerce atividades domésticas ou não remuneradas.
As mulheres não conseguiram, sobretudo, diminuir sua responsabilidade nas tarefas reprodutivas; ao contrário, em muitos casos elas foram ampliadas. Em todas as camadas sociais elas continuam exercendo a dupla jornada de trabalho, ou seja, acumulando as tarefas domésticas com aquelas exercidas fora de casa. Passaram também a contribuir mais pesadamente com as despesas domiciliares e com aquelas referentes aos cuidados e à educação dos filhos e, em proporções muitos significativas, naquelas famílias chefiadas por mulheres das camadas menos favorecidas: segundo estudo do IBGE, a contribuição média do ganho da mulher chefe no rendimento familiar cresceu em 56%, entre 1991 e 2000, e o número de domicílios chefiados por mulheres representou nesse período um aumento absoluto de 66% e relativo de 27%.
Assim, ao que tudo indica, a maior contribuição da pílula à emancipação da mulher, situa-se no terreno da sexualidade, permitindo-lhe uma vida sexual desvinculada dos imperativos da reprodução, relativamente mais livre e prazerosa. Mas, mesmo nesse domínio, sua liberdade é limitada por constrangimentos de ordem moral que, em muitos casos, inclui ainda a submissão à sexualidade masculina. E, por fim, tudo indica também, que o preço que a mulher vem pagando pelos benefícios trazidos por essa radical separação entre sexualidade e reprodução que a pílula anticoncepcional proporciona, é o de expor seu corpo, cada vez mais e de maneira cada vez mais invasiva, à intervenção biomédica nessa área; mesmo quando se trata de satisfazer, não o seu próprio desejo, mas o “desejo de filhos” de seus parceiros, como é possível observar hoje na reprodução assistida.
Maria Andrea Loyola é professora do Departamento de Políticas e Instituições de Saúde, do Instituto de Medicina Social, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Cortesia: Clipping Bem Fam (10/06/010)
sexta-feira, 12 de março de 2010
Pesquisa com 46 mil mulheres durante 40 anos mostra que pílula anticoncepcional diminui risco de câncer e doenças do coração
Pesquisa com 46 mil mulheres durante 40 anos mostra que pílula anticoncepcional diminui risco de câncer e doenças do coração
12/03/2010
O Globo
RIO - Não pare de tomar a pílula! Um dos maiores estudos já feitos sobre o método contraceptivo, divulgado nesta sexta-feira, mostrou que as mulheres que usam regularmente pílula anticoncepcional têm menos risco de morrer de qualquer doença, incluindo todos os tipos de câncer e ataques do coração. A pesquisa, do Royal College of General Practitioners, foi feita com 46 mil mulheres durante 40 anos.
As mulheres mais jovens, com menos de 45 anos, apresentaram um risco ligeiramente maior para estas doenças, mas este dado foi compensado pelo menor risco entre as mais velhas. Além disso, o risco maior entre as mais novas desapareceu à medida que elas envelheceram: 10 anos depois de pararem a pílula, por não precisarem mais do método contraceptivo, a diferença não existia mais.