Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"


Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.

Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.

QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.

Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.

Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.

Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.

Obrigado, desculpe o transtorno!

NADA A COMEMORAR

NADA A COMEMORAR
NADA A COMEMORAR dN@dILM@!

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

SEGUNDA-FEIRA 10:00hS
EAT Luis Carlos Ripper - Rua Visconde de Niterói, 1364 - Bairro Mangueira.
Caro Companheiro (a), Venha participar, com sua presença, dia 18 de fevereiro, às 10hrs da manhã de um "abraço" ao prédio da nossa querida EAT - Escola das Artes Técnicas Luis Carlos Ripper que, junto com a EAT Paulo Falcão ( Nova Iguaçu) foi fechada por uma arbitraria decisão governamental. Participe deste ato de desagravo ao fechamento de duas escolas públicas, reconhecidas e premiadas internacionalmente que, há dez anos, levam educação de excelência ao povo. ... Compartilhe este convite com todos aqueles que, como você esta comprometidos com a educação verdadeiramente de qualidade. >> Assine a petição para não deixar o governo do estado acabar com duas escolas de excelência!! << http://www.avaaz.org/po/petition/Pelo_manutencao_das_EATS_e_de_sua_Metodologia/?cqMRZdb Saiba mais: http://sujeitopolitico.blogspot.com.br/

ESTE BLOG ESTA COMEMORANDO!!!

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3 anos de existência com vocês...

Ativismo Contra Aids/TB

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sábado, 20 de setembro de 2014

Um Aceno do Papa p/ Dilma?

---------- Mensagem encaminhada ---------- De: Fabio Grotz Data: 19 de setembro de 2014 18:51 Assunto: Um aceno do Papa Francisco para Dilma? Para: Fabio Grotz Um aceno do Papa Francisco para Dilma? http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Um-aceno-de-Francisco-para-Dilma-/4/31828 O contraste entre Bergoglio e Ratzinger é nítido: o argentino visitou uma favela e falou de justiça social, recebendo o apoio de Leonardo Boff e Frei Beto. 0 A A+ Darío Pignotti, Página/12 @DarioPignotti Brasília - Coincidências (eleitorais?) entre Dilma e Bergoglio. “Meu governo tem uma concepção da família baseada na realidade, nós não fazemos uma definição do que deve ser a família, não queremos interferir em um assunto da sociedade; no Brasil, há vários tipos de família”, opinou a presidenta e candidata à reeleição, dois dias após o papa Francisco casar um casal composto por uma mãe solteira e um homem cujo primeiro casamento foi dissolvido pela Igreja. A chefe de Estado brasileira, divorciada, citou palavras de Francisco ao desenvolver sua ideia sobre a família no século XXI, falando diante de jornalistas, pouco antes de participar de um programa de televisão diante de sua adversária Marina Silva, organizado pela CNBB (Conferência Nacional de Bispos do Brasil), do país católico mais povoado do mundo, com 202 milhões de habitantes. Raymundo Damasceno Assis, presidente da CNBB e anfitrião do debate realizado a cada quatro anos, entregou aos candidatos um projeto de reforma política que inclui o fim do financiamento privado de campanha, proposta defendida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e que tem resistência de empresários e dos grandes meios de comunicação. Desse modo, o cardeal Damasceno Assis escolheu orientar o debate de uma perspectiva mais política do que moral ou religiosa (aspectos que também foram discutidos), diferentemente do que aconteceu em 2010, sob o reinado do papa Bento XVI, quando o programa debateu insistentemente o aborto e o casamento homoafetivo. Na campanha anterior, o papa bávaro orientou os bispos contra Dilma por ela ter cometido o sacrilégio de apoiar a interrupção legal da gravidez, provocando uma interferência política que congelou as relações entre Brasília e o Vaticano até sua recomposição em março de 2013, quando Jorge Mario Bergoglio passou a ser o papa Francisco. Em julho do ano passado, Bergoglio, com aval político de Dilma e do governo do PT, foi recebido no Rio de Janeiro por milhões de jovens, exortando para que eles tomassem as ruas e as favelas – porque tem consciência do terreno perdido diante das igrejas neopentecostais que conquistaram quase 25% dos brasileiros – e pouco se preocupou em falar de aborto. O contraste entre o legado de Bergoglio e Ratzinger foi nítido: o argentino visitou uma favela e falou de justiça social, recebendo o apoio de Leonardo Boff e de Frei Betto, enquanto o alemão ordenou que milhares de jovens não tivessem relação sexual antes do casamento ao discursar no Pacaembu durante sua gélida visita a São Paulo em 2007. Para reforçar a distância com Bento, Francisco disse que no voo do Rio para Roma em julho do ano passado não poderia julgar os homossexuais, afirmação que mereceu elogios do movimento LGBT brasileiro. Segundo informações que circularam na imprensa, o Vaticano não vai repetir o erro do papa emérito Ratzinger nas eleições em que Dilma e Marina se enfrentarão e adotará uma posição discreta. Porém, entende-se que é impossível que Francisco faça algum gesto de apoio à candidata ecologista e não se pode descartar alguns gestos que poderiam indicar sinais de simpatia em relação a Dilma, católica pouco praticante, que construiu uma relação fluida com o ex-arcebispo de Buenos Aires. A atitude do cardeal Damasceno Assis no debate televisivo seguramente seguiu instruções do Vaticano. As falas e gestos do chefe da CNBB não podem ser lidos como apoio direito a Dilma, mas sim como decisão política de arquivar a posição militar de Ratzinger contra ela em 2010, quando seus bispos convocaram a votar por José Serra (vale lembar de sua desenfreada campanha contra o aborto). Dilma e a evangélica Marina Silva, do PSB (Partido Socialista Brasileiro), foram as protagonistas do debate composto por outros seis candidatos que fazem parte da disputa presidencial de 5 de outubro. Enquanto Dilma e Marina se maquiavam nos camarins antes de entrar no estúdio da emissora católica, a rede Globo divulgava uma pesquisa do Ibope em que a petista seguia com 36% das intenções de voto, seguida pela ambientalista, com 31%. Não foi uma boa notícia para a presidenta, que perdeu três pontos em relação à pesquisa anterior, enquanto Marina retrocedeu apenas um. Somente no eleitorado católico, Dilma está na frente, com 41%, diante dos 36% de Marina. Se forem medidas as intenções de voto somente entre os evangélicos, Marina ganha com volta, 41 a 27. Em um eventual segundo turno em 26 de outubro, Marina continua na frente, com 43% de todo o eleitorado, número igual ao de duas semanas atrás, enquanto Dilma soma 40%, tendo retrocedido 2 pontos. A hipotética vitória de Marina no segundo turno foi motivo de otimismo na Bolsa de Valores de São Paulo – onde rogam pragas contra o PT – cuja rodada de negócios subiu mais de 2%, enquanto as ações da Petrobras avançavam cerca de 5%. E Marina evitar mencionar que entre as suspeitas de corrupção está Eduardo Campos, candidato presidencial do PSB que faleceu. Nada de novo: quando uma pesquisa indica que Marina ganhará do PT em 26 de outubro, motiva números positivos no mercado, onde sabem que a ecologista vai restaurar a posologia liberal aplicada na década de 90 por seu aliado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Marina possivelmente seguirá os passos de FHC na política de privatização gradual da Petrobras, talvez revisando leis sancionadas nos governos petistas, possibilidade que anima os detentores privados de ações da empresa e as petroleiras estrangeiras, particularmente as norte-americanas, as mais prejudicadas pelas reformas realizadas durante os governos de Dilma e de Luiz Inácio Lula da Silva. A Petrobras foi motivo de um acalorado embate de opiniões no programa transmitido pela rede católica, onde esteve também o pastor Everaldo, evangélico, com 1% de intenções de votos, apoiador de um projeto de governo com três pontos: privatização total da Petrobras, proibição do aborto e redução da maioridade penal. Marina Silva é tão inimiga do aborto e pouco simpática a famílias de pessoas do mesmo sexo como seu companheiro de fé, o candidato Everaldo. Ela é mais ponderada do que o pregador pentecostal quando propõe revisar a gestão da Petrobras (a candidata foi repudiada nesta semana pelo sindicato dos petroleiros) e opta por um discurso tecnocrático, prometendo convocar “os melhores técnicos” no lugar de políticos “petistas” que transformaram a empresa em um suposto “antro” de negócios obscuros. Neste sentido, a dirigente oposicionista Marina menciona insistentemente os casos de corrupção denunciados na Petrobras, envolvendo um ex-diretor, atualmente preso, que recentemente foi interrogado pelos membros de uma comissão investigadora do Congresso.   Tradução: Daniella Cambaúva

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Amazônia: um imenso pasto (Frei Betto)

Primavera árabe e ad-vento
(...) Os protagonistas deste primaveril movimento são jovens e isso chama a atenção.  Não em vão os protestos do Egito receberam o nome de “Revolução da juventude”.  Além disso e por isso são informados, bem formados e muitos têm estudos universitários.  Sabem usar as redes sociais e comprovam, com o sucesso e a rápida difusão de seu movimento que realmente o mundo tornou-se plano com a chegada da internet e a comunicação em rede. É o novo que chega ao mundo árabe e, embora infelizmente com um importante saldo de violência e morte, traz vento e perfume libertador.  Por isso, o tempo litúrgico  do Advento, vivido hoje pela Igreja Católica,  é uma chave de leitura importante para iluminar nossa reflexão e vivencia.  Advento é aparecimento, chegada de alguém ou de algo.  É algo que começa, se institui, rompe o estabelecido e traz um novo estado de coisas.


Clique aqui para ler o artigo completo de Maria Clara Bingemer

A grande perversão
Para resolver a crise econômico-financeira da Grécia e da Itália foi constituído, por exigência do Banco Central Europeu, um governo só de técnicos sem a presença de qualquer político. Partiu-se da ilusão de que se trata de um problema econômico que deve ser resolvido economicamente. Quem só entende de economia acaba não entendendo sequer a economia. A crise não é de economia mal gerida, mas de ética e de humanidade. Estas tem a ver com a política. Por isso a primeira lição de um marxismo raso é entender que a economia não é parte da matemática e da estatística mas um capítulo da política.  Grande parte da obra de Marx é dedicada à desmontagem da economia política do  capital.

Clique aqui para ler o artigo completo de Leonardo Boff
freAmazônia: um imenso pasto
Os dados são do governo federal: 17,5% da Amazônia brasileira é área desmatada. Desse total, 62% foram transformados em pasto de bois e vacas. Imagens de satélites comprovam que, até 2008, uma área de 719 mil km2 – três vezes o Estado de São Paulo ou pouco menos que a extensão do Chile - teve todas as suas árvores abatidas. E, certamente, rios e lagoas poluídos. Ao contrário do que se imagina, a agricultura, em especial a destinada à produção de grãos, como soja, ocupa menos de 5% da área total desmatada.

Clique aqui para ler o artigo completo de Frei Betto

 
 
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terça-feira, 24 de maio de 2011

Os gays e a Bíblia - FREI BETTO



Os gays e a Bíblia - FREI BETTO

É no mínimo surpreendente constatar as pressões sobre o Senado para evitar a lei que criminaliza a homofobia. Sofrem de amnésia os que insistem em segregar, discriminar, satanizar e condenar os casais homoafetivos. No tempo de Jesus, os segregados eram os pagãos, os doentes, os que exerciam determinadas atividades profissionais, como açougueiros e fiscais de renda. Com todos esses Jesus teve uma atitude inclusiva. Mais tarde, vitimizaram indígenas, negros, hereges e judeus. Hoje, homossexuais, muçulmanos e migrantes pobres (incluídas as “pessoas diferenciadas”...).

Relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais em mais de 80 nações. Em alguns países islâmicos elas são punidas com castigos físicos ou pena de morte (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Nigéria etc). No 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008, 27 países-membros da União Europeia assinaram resolução à ONU pela “despenalização universal da homossexualidade”.

A Igreja Católica deu um pequeno passo adiante ao incluir no seu catecismo a exigência de se evitar qualquer discriminação a homossexuais. No entanto, silenciam as autoridades eclesiásticas quando se trata de se pronunciar contra a homofobia. E, no entanto, se escutou sua discordância à decisão do STF ao aprovar o direito de união civil dos homoafetivos.

Ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hetero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina.

São alarmantes os índices de agressões e assassinatos de homossexuais no Brasil. A urgência de uma lei contra a violência simbólica, que instaura procedimento social e fomenta a cultura da satanização.

A Igreja Católica já não condena homossexuais, mas impede que eles manifestem o seu amor por pessoas do mesmo sexo. Ora, todo amor não decorre de Deus? Não diz a Carta de João (I,7) que “quem ama conhece a Deus” (observe que João não diz que quem conhece a Deus ama...).

Por que fingir ignorar que o amor exige união e querer que essa união permaneça à margem da lei? No matrimônio são os noivos os verdadeiros ministros. E não o padre, como muitos imaginam. Pode a teologia negar a essencial sacramentalidade da união de duas pessoas que se amam, ainda que do mesmo sexo?

Ora, direis, ouvir a Bíblia! Sim, no contexto patriarcal em que foi escrita seria estranho aprovar o homossexualismo. Mas muitas passagens o subtendem, como o amor entre Davi por Jônatas (I Samuel 18), o centurião romano interessado na cura de seu servo (Lucas 7) e os “eunucos de nascença” (Mateus 19). E a tomar a Bíblia literalmente, teríamos que passar ao fio da espada todos que professam crenças diferentes da nossa e odiar pai e mãe para verdadeiramente seguir a Jesus.

Há que passar da hermenêutica singularizadora para a hermenêutica pluralizadora. Ontem, a Igreja Católica acusava os judeus de assassinos de Jesus; condenava ao limbo crianças mortas sem batismo; considerava legítima a escravidão;e censurava o empréstimo a juros. Por que excluir casais homoafetivos de direitos civis e religiosos?

Pecado é aceitar os mecanismos de exclusão e selecionar seres humanos por fatores biológicos, raciais, étnicos ou sexuais. Todos são filhos amados por Deus. Todos têm como vocação essencial amar e ser amados. A lei é feita para a pessoa, insiste Jesus, e não a pessoa para a lei.

FREI BETTO é escritor.

http://sergyovitro.blogspot.com/2011/05/os-gays-e-biblia-frei-betto.html
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Alessandro Melchior
Twitter: @alemelc
(17) 88186373 - Oi

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Família virtual (Artigo) Correio Braziliense - 07/05/2010 Frei Betto

7/05/2010

Família virtual (Artigo)

Correio Braziliense - 07/05/2010

Frei Betto

A desinstitucionalização da família é um dos aspectos mais marcantes da crise da modernidade. O que é, hoje, uma família? Onde os vínculos inquebrantáveis da instituição agregadora de avós, pais, filhos, tios, primos e netos?

A reconfiguração dos papéis sexuais, a instabilidade dos laços conjugais, o divórcio, o recasamento fragmentam o núcleo familiar. As crianças circulam entre vários lares autônomos em contato com diferentes adultos que lhes transmitem, como valores, tantas opiniões e atitudes divergentes que elas ficam convencidas de que tudo é relativo.

A crise do modelo familiar tradicional decorre de fatores como a emancipação da mulher, que já não depende do marido para se sustentar; do desprestígio da autoridade paterna; da igualdade de direitos das pessoas; o que embaralha e mina a antiga hierarquia de papéis definidos entre avós, pais, mães, filhos e tios.

A atomização do núcleo familiar desordena o conceito de autoridade, o exercício da obediência, o patriarcalismo outrora dominante. A família é, agora, um agrupamento funcional de trocas afetivas e interesses econômicos. Nela, os deveres específicos de cada um perdem nitidez. Os rituais de entrelaçamento e consolidação – refeições em comum, frequência dominical ao culto religioso, férias conjuntas, celebrações de aniversários etc. – se esfumaçam sem que seja introduzida nova liturgia de estreitamento de vínculo familiar.

O que é hoje um lar? Um espaço de moradia onde cada um se locomove de acordo com interesses individuais. No lugar da mesa posta com a família em torno, a geladeira como provedora de abastecimento; no lugar da sala como espaço de convívio, o quarto individual como local de refúgio, onde cada um se esconde entretido com a parafernália eletrônica, como TV e internet, que substitui, pelo relacionamento virtual, a sociabilidade calcada na alteridade. A solidão deixa de ser um recuo à ação solidária e nutrição cultural para funcionar como abrigo de evasão solitária.

Outra causa de desagregação da família tradicional é o poder exercido pelo império televisivo. A TV é o “terceiro pai” que desempenha forte influência na formação de crianças e adolescentes. Desloca o núcleo familiar da sua relação de alteridade (conversas em torno da mesa, na varanda, na calçada ou no quintal; jogos de tabuleiro ou baralho; recital de música ou teatro improvisado etc.) para a confluência de todos rumo à tela de TV.

A família real cede lugar à virtual. E, em muitas famílias, nem há mais justaposição; há um aparelho de TV em cada quarto, atomizando as relações e dificultando o diálogo.

A democracia neoliberal – essa que se baseia na aquisição de bens materiais e permite a todos avaliarem seu grau de liberdade segundo sua proximidade ou distância do mercado – impõe-se à família por meio da TV, anulando os rituais fundados no afeto e na cumplicidade de sangue.

Já não vigora a autoridade paterna a decidir o que, na TV, convém ou não às crianças. Nem há debate familiar. Cada um decide, a seu bel-prazer, o tempo e o conteúdo de sua voluntária sujeição à TV, em detrimento de diálogo familiar, leitura, oração, diversão, exercício físico ou desempenho social (visitas, frequência ao clube, biblioteca, teatro etc).

A família atual tende a ignorar os parentes, não se interessa por eles, embora alimente grande apreço pelos novos “parentes” a quem, quase diariamente, abre portas e corações: William Bonner e Fátima Bernardes; Hebe Camargo e Faustão; Luciano Huck e Luciana Gimenez; Datena e Boris Casoy; e toda a plêiade de heróis e heroínas de telenovelas, programas infantis e desenhos animados.

Esses novos tios e tias têm a vantagem de serem sempre divertidos e educados; não pedem dinheiro emprestado, não bebem as nossas bebidas nem comem a nossa comida; não ocupam espaço; não nos convocam às suas doenças; mostram-se sempre saudáveis e risonhos; são ricos e famosos. Como a realidade é cada vez mais virtual, podemos até sentir-lhes o perfume...

Freud ficaria confuso se voltasse hoje. Já não temos necessidade de “matar o pai” ou “odiar o irmão”. Basta discar o número fatal que exclui um “brother” ou trocar de canal a cada vez que aquele chato ou aquela megera aparece no vídeo.

Todas as noites milhões de telespectadores se nutrem abnegadamente dessa sopa de entretenimento – telenovelas, programas humorísticos, esportivos etc. – temperada de tudo isso que falta à sua vida real: o grande amor, a emoção, o desafio, o ideal, a beleza, a roda da fortuna...

E la nave va. A vida prossegue. Por dentro da TV. Do lado de fora, demitidos do papel de protagonistas, de sujeitos históricos, aceitamos ser meros espectadores instados a consumir. Ou melhor, a conjuntamente sumir. E deixar que ídolos virtuais vivam por nós

Cortesia: Clipping Bem Fam(07/05/010)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Texto de Frei Betto

Mulheres conjuradas (artigo)

Correio Braziliense - 16/04/2010

Frei Betto Escritor, é autor do romance Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros

Nessa cultura machista que nos assola, quase não se destacam as figuras heroicas de mulheres envolvidas com a Conjuração Mineira liderada por Tiradentes. Mulheres que assumiram a coragem de apoiar os homens que amavam, comprometidos com a principal conspiração de nossa história: a que pretendeu libertar o Brasil do domínio português.

Mulheres que padeceram a dor de ver seus companheiros presos, torturados, degredados, os bens sequestrados, a infâmia proclamada sobre sucessivas gerações, sem a esperança de, no futuro, voltar a abraçá-los. Só uma delas o conseguiu.

Tomás Antônio Gonzaga, quarentão, apaixonou-se por Maria Doroteia Joaquina de Seixas, 23 anos mais nova do que ele. Eternizada sob o pseudônimo poético de Marília de Dirceu, os poemas apaixonados teriam sido escritos antes de o autor enamorar-se dela. Segundo Tarquínio J. B. De Oliveira, a verdadeira Marília é Maria Joaquina Anselma de Figueiredo, viúva enricada, amante de Luís da Cunha Menezes.

Os atritos de alcova entre o governador e o ex-ouvidor de Vila Rica teriam dado ensejo a que este redigisse, sob autoria anônima, as Cartas chilenas, nas quais desprestigia Menezes, tratado pela alcunha de Fanfarrão Minésio.

Gonzaga, promovido para a Bahia, valeu-se do noivado com Maria Doroteia para prolongar sua permanência em Vila Rica e, assim, encobrir sua militância na conjuração. A delação de Silvério dos Reis os impediu de casar. O poeta, degredado para Moçambique, ali constituiu família. Maria Doroteia faleceu em Minas, aos 85 anos.

Bárbara Heliodora, mulher de Alvarenga Peixoto, teria evitado que o marido, uma vez preso, passasse de conspirador a delator. Ao ser decretado o sequestro de todos os bens dos conjurados, ela conseguiu provar ser casada em separação de bens e, assim, manter a posse do que lhe pertencia.

Nos meus tempos de grupo escolar, os alunos recitavam emocionados o poema que Peixoto, encarcerado no Rio, lhe dedicara: “Bárbara bela / Do Norte estrela / Que o meu destino / Sabes guiar, / De ti ausente / Triste somente / As horas passo / A suspirar. / Por entre as penhas / De incultas brenhas / Cansa-me a vista / De te buscar. (...)”

O romantismo criou o mito de que Bárbara Heliodora teria enlouquecido ao ver o marido condenado ao degredo na África. As fontes históricas atestam que soube gerir o seu patrimônio e educar os filhos José, João e Tristão, internados no colégio de Itaverava.

Outra mulher que merece destaque é Inácia Gertrudes, a quem Tiradentes recorreu, no Rio, à notícia de que o vice-rei o perseguia. Viúva de Francisco da Silva Braga, porteiro da Casa da Moeda, vivia com sua filha única, de 29 anos, a quem Tiradentes curara de uma chaga cancerosa.

Para evitar maledicências por abrigar o líder conjurado em casa de uma viúva e uma moça solteira, convocou seu sobrinho, padre Inácio Nogueira de Lima, e encarregou-o de procurar seu compadre, o ourives Domingos Fernandes da Cruz, que homiziou Tiradentes. Ali o prenderam.

Quitéria Rita era filha de Chica da Silva com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. Chica havia nascido escrava na fazenda do pai de padre Rolim; era, portanto, sua irmã de criação. O padre e Quitéria amasiaram-se, embora não vivessem sob o mesmo teto. Antes de ser preso, Rolim cuidou de internar Quitéria e as filhas no Recolhimento de Macaúbas (ativo até hoje).

Rolim passou 13 anos encarcerado em Portugal. Em 1805, aos 58 anos, retornou ao Brasil e bateu à porta do Recolhimento, onde resgatou Quitéria e os filhos, instalando-se em Diamantina. Como fiel Penélope, ela jamais perdeu a esperança de rever o amado.

Hipólita Teixeira, rica e culta, casou-se com o coronel Francisco Antonio de Oliveira Lopes. Preso o marido, e degredado para a África, teve ela todos os bens sequestrados. Foi ela quem contra-atacou, em carta ao Visconde Barbacena, governador de Minas, a delação de Joaquim Silvério dos Reis. E também redigiu e espalhou os avisos sigilosos dando notícias aos conjurados de que Tiradentes havia sido preso no Rio, a 10 de maio de 1789.

História é substantivo feminino. Contudo, nela as mulheres costumam figurar como mera adjetivação de heróis masculinos. É hora de voltarmos aos tempos em que os hebreus ressaltavam a atuação destemida de mulheres, a ponto de a Bíblia incluir três livros com seus nomes: Rute, Judite e Ester. Sem contar a erótica do Cântico dos cânticos e a gloriosa mãe dos sete irmãos mártires descrita no Segundo Livro dos Macabeus.

Qualquer pessoa minimamente catequizada talvez saiba citar os nomes dos 12 apóstolos de Jesus. Mas quem se lembra de que, de seu grupo de discípulos, participavam também mulheres cujos nomes estão registrados no evangelho de Lucas (8, 1): Maria Madalena, Joana, Susana “e várias outras”?