Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"


Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.

Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.

QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.

Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.

Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.

Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.

Obrigado, desculpe o transtorno!

NADA A COMEMORAR

NADA A COMEMORAR
NADA A COMEMORAR dN@dILM@!

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

SEGUNDA-FEIRA 10:00hS
EAT Luis Carlos Ripper - Rua Visconde de Niterói, 1364 - Bairro Mangueira.
Caro Companheiro (a), Venha participar, com sua presença, dia 18 de fevereiro, às 10hrs da manhã de um "abraço" ao prédio da nossa querida EAT - Escola das Artes Técnicas Luis Carlos Ripper que, junto com a EAT Paulo Falcão ( Nova Iguaçu) foi fechada por uma arbitraria decisão governamental. Participe deste ato de desagravo ao fechamento de duas escolas públicas, reconhecidas e premiadas internacionalmente que, há dez anos, levam educação de excelência ao povo. ... Compartilhe este convite com todos aqueles que, como você esta comprometidos com a educação verdadeiramente de qualidade. >> Assine a petição para não deixar o governo do estado acabar com duas escolas de excelência!! << http://www.avaaz.org/po/petition/Pelo_manutencao_das_EATS_e_de_sua_Metodologia/?cqMRZdb Saiba mais: http://sujeitopolitico.blogspot.com.br/

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3 anos de existência com vocês...

Ativismo Contra Aids/TB

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domingo, 4 de maio de 2014

Quem fala em nome dos estudos de gênero e educação no mundo?


Cientistas criam espermatozoides a partir da pele de homens inférteis - O Globo


http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/cientistas-criam-espermatozoides-partir-da-pele-de-homens-inferteis-12364657


  • Por meio desses tecidos, estudo obteve células-tronco que foram introduzidas em testículos de ratos e geraram material germinativo
Publicado: 2/05/14 - 15h02
Atualizado: 2/05/14 - 15h09
O experimento usou amostras de três homens inférteis
Foto: AP Photo/PA, Journal of Science, HO
O experimento usou amostras de três homens inférteis AP Photo/PA, Journal of Science, HO
EUA - A pele humana de homens inférteis pode ser usada para criar espermatozoides. Esta foi a conclusão de um recente estudo científico realizado em conjunto por diversas universidades americanas que pode oferecer esperança para aqueles que não podem ter filhos.
O trabalho avaliou que a partir desses tecidos podem ser obtidas células-tronco pluripotentes ou iPS. No experimento, as células iPS foram injetadas em testículos de ratos, dando origem a células germinativas - os precursores de esperma.
Com a novidade, a ciência dá um novo passo para explicar causas genéticas da infertilidade masculina e ajudar a entender a biologia básica do esperma.
- Nossos resultados são os primeiros a oferecer um modelo experimental para estudar o desenvolvimento do esperma. Além disso, existe a possibilidade de aplicação desta terapia celular em clínicas de reprodução para, por exemplo, gerar espermas maiores e melhores em laboratórios - disse ao jornal espanhol “El Mundo” a professora da Universidade Estadual de Montana, nos Estados Unidos, Renee Reijo Pera. A cientista, no entanto, garante que estudos futuros são necessários para examinar a eficiência deste procedimento em Humanos.
Experimento
Os cientistas tomaram amostras de pele de três homens para transformá-las em células-tronco. Elas tinham uma mutação genética no cromossomo Y que os impedia de produzir espermatozoides. As células foram transplantadas para os testículos de ratos. O que se provou é que, uma vez injetadas, elas foram transformados em células-tronco de esperma, ou seja, os precursores de esperma.

Grupos de ódio encontram apoio na televisão - Revista Fórum

http://www.revistaforum.com.br/digital/133/grupos-de-odio-encontram-apoio-na-televisao/

Grupos de ódio encontram apoio na televisão
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Ataques homofóbicos e racistas são frutos de ideologias pregadas por páginas como Orgulho de ser Hétero e Carecas do ABC
Por Isadora Otoni
“É, entrei para as estatísticas”, foi como o biólogo Juliano Zequini anunciou aos seus amigos que foi espancado na Rua Augusta, em São Paulo. O jovem homossexual estava sozinho nas proximidades da Avenida Paulista, voltando de um bar às 22h30, quando foi atacado sem saber o motivo. “Ele estava escorado na parede e me deu uma rasteira proposital. Eu questionei o porquê daquilo e ele começou a me ameaçar. Eu virei e segui andando, quando ele me atacou pelas costas”, descreve o jovem.
juliano “Você acha que os cuidados que toma são suficientes?”, perguntou o jovem que foi agredido (foto: Reprodução/Facebook)
Juliano foi socorrido por duas pessoas que passavam pela Rua Augusta, mas não encontrou policiais nas proximidades. O biólogo seguiu para o 14º Distrito Policial, onde fez um Boletim de Ocorrência e exame de corpo de delito. “Você sempre considera a possibilidade de ataque homofóbico, ainda mais se você não vive no armário. Mas ao mesmo tempo se nega que isso vai de fato acontecer. Você acha que os cuidados que toma são suficientes”, desabafou ele.
Em 2014, o caso de Juliano não foi o único nem mesmo o pior. Ataques com motivações de ódio resultaram na morte do jovem gay Bruno Borges de Oliveira em São Paulo, na ameaça de espancamento do ativista LGBT Eliseu Neto no Rio de Janeiro e no linchamento de um morador de rua negro, também no Rio.
Os assassinos de Bruno Borges foram presos e confessaram o crime. O grupo era formado por seis skatistas, quatro maiores de idade e dois menores, que roubavam homossexuais por os considerarem “alvos fáceis”. Bruno, que estava acompanhado de dois amigos no centro paulistano, não conseguiu fugir e acabou sendo espancado até a morte pelo grupo.
O psicólogo e ativista LGBT Eliseu Neto relatou no Facebook que foi ameaçado de espancamento enquanto se exercitava no Aterro do Flamengo. Segundo ele, em torno de 25 adolescentes se aproximaram armados com pedaços de pau, mas Eliseu conseguiu escapar. No dia 4 de fevereiro, um grupo de 14 jovens de classe média foi levado ao 9º DP carioca. O grupo, formado por 13 maiores e um menor, foi acusado de agredir homossexuais que frequentavam o Flamengo.
A polícia investiga se os jovens detidos estão envolvidos no linchamento de um morador de rua negro, que aconteceu no dia 31 de janeiro. O adolescente de 15 anos foi acorrentado nu pelo pescoço a um poste, na mesma região dos ataques homossexuais, por um grupo que pretendia fazer “justiça” com as próprias mãos. Ele foi encontrado com ferimentos pelo corpo, a maioria na cabeça, e não conseguia se comunicar. O rapaz já foi acusado de furto três vezes, e desapareceu após ser atendido em um hospital.
Os crimes de ódio são incentivados por discursos neonazistas e nacionalistas. Apesar dos casos extremos serem registrados nas ruas e em lugares de grande visibilidade, a prática desses grupos encontra bases no Facebook, em páginas da internet e até na televisão. Após o linchamento do adolescente negro, a jornalista Rachel Sheherazade divulgou no Jornal do SBT uma mensagem de apoio à violência praticada. “O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva”, declarou ela.
Intolerância em memes
Um estudo feito por Adriana Dias, pesquisadora da Unicamp, apontou as regiões mais neonazistas do Brasil entre 2002 e 2009. Através de monitoramento da internet, a antropóloga verificou que o interesse pelo assunto cresceu 170% e os comentários de ódio em fóruns aumentaram 42.585% durante o período estudado. Segundo Adriana, os grupos eram predominantes do Sul do país, mas têm crescido no Distrito Federal, em Minas Gerais e em São Paulo.
Apesar dos casos televisionados ganharem mais destaque, a internet é o grande palco da intolerância. A página Orgulho de ser Hétero, por exemplo, possui mais de um milhão de seguidores no Facebook e compartilha conteúdo machista e homofóbico através de memes. Já um site denominado Homens de Bem foi excluído após diversas denúncias sobre seu conteúdo criminoso. Entretanto, grupos como Carecas do ABC e a banda Confronto 72 ainda conseguem passar mensagens de intolerância nas redes sociais sob a justificativa de argumentos nacionalistas, a favor da família e da moral.
Margarette Barreto, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, realizou um mapeamento dos grupos de ódio que atuam na cidade. “Podemos destacar dentro das tribos urbanas atuais os neonazistas, punks, skinheads, entre outros que perseguem algumas minorias”, relatou a delegada. Segundo Margarette, os alvos dos ataques são negros, homossexuais, judeus e grupos rivais. Ela ainda descreveu a estrutura desse tipo de grupo: “Geralmente são organizados e possuem hierarquia, havendo também rituais para entrada, chamados de ‘batismo’, no qual o iniciante é agredido pelo grupo e posteriormente deve mostrar sua coragem e posicionamento ideológico agredindo um alvo do grupo intolerante”.
Publicação da página Carecas do ABC Página Carecas do ABC prega o “anticomunismo”
A delegada explicou que o crime de ódio é caracterizado por ter um alvo definido, pertencente a um grupo excluído. Nesse caso, a vítima pode ser desde moradores de ruas e profissionais do sexo até integrantes de agremiações futebolísticas. Além disso, esse ataque deve passar uma mensagem de intolerância ao grupo da vítima. “Não podemos dizer que todo ato criminoso praticado contra homossexual é homofobia. O crime deve ser praticado em razão à aversão a este grupo de pessoas”, detalhou.
Julian Rodrigues, coordenador de Políticas para LGBT da Prefeitura de São Paulo, acredita que o cenário atual é desfavorável no combate aos crimes de ódio. “Você tem nas televisões uma pregação supostamente religiosa, mas que é feita atacando gays, homossexuais, lésbicas e travestis o tempo todo. É um contexto não muito favorável, com crescimento da bancada evangélica fundamentalista nas câmaras. Há um discurso de ódio, há uma banalização das piadas homofóbicas”, analisa. Para ele, o preconceito destilado na internet é um sinal da falta de conscientização de jovens: “Tem muito machismo e homofobia principalmente nos setores da juventude. Também temos que fazer uma luta cultural”.


A violência aumentou
Julian acredita que o cenário atual resultou no aumento da violência contra homossexuais, por exemplo. “Aparentemente, temos um clímax de ataques homofóbicos por conta do crescente fundamentalismo religioso e de uma onda conservadora”, opina. Já Gustavo Bernardes, coordenador geral de Promoção dos Direitos LGBT da Presidência da República, acredita que o preconceito é uma reação à visibilidade de causas sociais. “O discurso de ódio vem de diversos setores da sociedade que têm medo de, com o reconhecimento de direitos de minorias, perderem privilégios que mantiveram durante 500 anos de história do Brasil. Acredito que o discurso de ódio é uma reação ao avanço dos direitos de LGBT, negros, mulheres, indígenas, setores que sempre foram alijados do processo de crescimento do Brasil”, disse.
A delegada Margarette, no entanto, não confirma se esse tipo de crime aumentou. “Anteriormente não tínhamos como quantificar os crimes de intolerância, pois eles sofriam de uma subnotificação muito grande. Mas hoje podemos dizer que, com a criação da delegacia e outras políticas públicas no sentido de proteger os direitos civis das minorias, existem mais notificações e denúncias”, justificou.
“O último relatório de violência homofóbica no Brasil produzido e divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) mostrou um aumento de 166% no número de denúncias de violência homofóbica no Brasil no período compreendido entre 2011 e 2012. Isso se deve em parte ao aumento da violência, mas também ao maior conhecimento e reconhecimento dos canais de denúncia do governo federal”, ressaltou Gustavo. Já o número de homicídios aumentou de 278 para 310 no mesmo intervalo. O Disque 100 registra denúncias de todos os crimes de violação de direitos humanos. Em 2012, os registros aumentaram 77%, passando de 87.764 em 2011 para 155.336.
mapa neonazismo brasil Estudo feito por Adriana Dias revela o crescimento de sites neonazistas
Gustavo também revelou quais os estados que mais registram casos de violência motivada por intolerância. “Proporcionalmente, a população da Região Nordeste é mais violenta, em especial os Estados de Alagoas e Paraíba. Ambos os Estados estão recebendo investimentos do governo federal para o enfrentamento da violência e para a promoção dos direitos de LGBT.”
Para Julian, o trabalho de combate ao preconceito deve ser feito pelo governo federal, estadual e municipal, mas conta que a Prefeitura de São Paulo já desenvolve uma campanha contra a homofobia. “Vamos trabalhar nas escolas com os professores, em capacitação em questões de gênero, de homofobia”. Porém, para evitar a agressão física nas ruas, o governo estadual deve estar alerta. “A parte de segurança pública, de prevenção, é do governo do Estado. Já pedimos um reforço do policiamento e um trabalho de investigação preventiva, que é trabalho da Polícia Civil”, relata o coordenador de São Paulo.
Gustavo concorda que os ataques são de responsabilidade dos Estados, por isso a SDH firmou uma parceria. “Em 2011, a SDH e o Ministério da Justiça e as secretarias de Segurança Pública dos Estados construíram um Termo de Cooperação Técnica para o enfrentamento das homofobias. Esse termo prevê entre outras coisas a capacitação das forças de segurança para o enfrentamento dos crimes de ódio, inclusive com a criação de unidades de polícia especializadas. Hoje já temos 17 Estados com esse termo em vigor e muitos já implementando as ações previstas”, divulgou.
O coordenador da Presidência defendeu a aprovação de uma lei que criminalize a violência homofóbica. “Outra medida que entendo fundamental é a aprovação de uma lei, pelo Congresso Nacional, que explicitamente criminalize a prática de ódio e discriminação contra a população LGBT. O Congresso Nacional não pode se eximir desse debate fundamental para a democracia brasileira. Não há democracia sem respeito às minorias.” Ademais, ele contou que o Sistema de Promoção e Defesa dos Direitos de LGBT possui espaços de acolhimento das vítimas, amigos e familiares que oferecem assistência jurídica e psicossocial, e já existem quatro desses centros instalados.
A delegada Margarette descreveu as ações da Polícia Civil do Estado de São Paulo. “Inicialmente propagaram a existência da Unidade Especializada para que a população soubesse que há locais para o registro de crimes deste tipo. Posteriormente, fizeram um levantamento dos principais grupos que atacam em São Paulo e procuraram identificar seus membros e liderança, colocando no banco dos réus os autores de crimes de ódio. Também foi feito o mapeamento da cidade dos locais de maior incidência criminal e compartilharam tais informações com a Polícia Militar para que realizasse o patrulhamento preventivo de forma profícua, com vista a evitar que os crimes ocorressem”.

Quem fala em nome dos estudos de gênero e educação no mundo?

http://ensaiosdegenero.wordpress.com/2014/04/10/quem-fala-em-nome-dos-estudos-de-genero-e-educacao-no-mundo/

Quem pesquisa gênero e educação sabe que, no Brasil, os artigos produzidos dentro desse campo circulam entre variados periódicos, pois não existe uma única revista científica em português que os congregue. Em língua estrangeira, a diversidade também é alta, mas existe o periódico Gender and Education (G&E), de destaque, que reúne artigos sobre relações de gênero na educação advindos do mundo todo. Quer dizer, o G&E não é tão global quanto pretende e é exatamente esse viés que discutiremos neste texto.
Em artigo recentemente publicado, Marília Carvalho (2014) discute essa problemática a partir de uma perspectiva do Sul global ou, para ser mais específico, latino-americana. Tomando as publicações dos últimos três anos da G&E, a autora denuncia que a produção dos EUA e do Reino Unido está super-representada no periódico, englobando respectivamente 20% e 30% do que se publicou na revista. Entre 2011 e 2013, a quantidade total de artigos publicados nesse periódico foi de 141, sendo que apenas quatro vieram da América Latina – e nenhum deles do Brasil.
Marília Carvalho, professora da Faculdade de Educação da USP, denuncia o quanto o periódico Gender and Education sofre certos vieses da produção euro-americana. Marília Carvalho, professora da Faculdade de Educação da USP, denuncia o quanto o periódico Gender and Education sofre certos vieses da produção euro-americana.
Isto quer dizer que em mais de 20 anos de pesquisas sobre gênero e educação no Brasil, pouquíssimos pesquisadores/as do nosso país emplacaram artigos na Gender and Education (e, nos últimos três anos, nenhum). É como se o mundo, fora do eixo lusófono, não tivesse a mais remota ideia do que o Brasil pensa, produz e diz a respeito – configura-se, assim, um blecaute científico. Mais do que uma implicação numérica, essa constatação levanta uma profunda reflexão sobre a divisão internacional do trabalho intelectual, ou seja, quem produz o conhecimento no mundo e garante que este circule e seja lido e citado? Afinal, quem fala em nome dos estudos de gênero e educação no mundo?
Para responder essa pergunta, devemos atentar para alguns vieses da produção acadêmica em âmbito global. Carvalho (2014), ao ler os títulos e resumos de todos os 141 artigos publicados, constatou que praticamente todas as produções originárias do Sul global deixavam bem claro de onde eles estavam falando. Exemplos: “Teaching Christine de Pizan in Turkey” e “Boys’ educational ‘underachievement’ in the Caribbean”. Nota-se que o local de origem de tais estudos consta em seus próprios títulos. Ao baixarmos o artigo, sabemos de que se trata da Turquia ou do Caribe.
Já com artigos produzidos dentro do eixo euro-americano, não ocorre tal simetria. Aliás, em países como Suécia, Grécia ou Canadá – que, apesar de se localizarem na Europa ou na América do Norte, são menos centrais tanto no meio científico quanto na geopolítica – a menção ao país pode não acontecer no título, mas muito provavelmente estará no resumo (o tal do abstract). De forma ousada, Carvalho (2014) sugere que esses países ocupam uma posição “sulista” dentro do Norte, não se encontrando no mesmo patamar de privilégios das duas principais metrópoles de língua inglesa.
Capa do periódico internacional Gender and Education, referência no assunto. Infelizmente, a revista não representa fielmente a produção científica que é realizada por todo o mundo. Capa do periódico internacional Gender and Education, referência no assunto. Infelizmente, a revista não representa fielmente a produção científica que é realizada por todo o mundo.
Agora, se esbarramos em um artigo na G&E que não explicita suas origens nem no título e nem no resumo, muito provavelmente essa publicação é dos EUA ou do Reino Unido. Nesses casos, vemos pesquisas que parecem não terem sido realizadas em nenhum local em particular: suas descrições são genéricas e não remetem a uma cidade, país ou sequer a uma região. É evidente que tais dados serão fornecidos na seção de metodologia, quando deveriam estar presentes já em seu cartão de visitas (o título e/ou resumo), para que saibamos de onde eles/as estão falando. Trocando em miúdos, isto significa exigir que pesquisadores estadunidenses e britânicos tenham a cautela que nós, do Sul, temos quando publicamos internacionalmente.
Ainda, Carvalho (2014) avança sua discussão para outro aspecto: os artigos produzidos pelo eixo euro-americano raramente explicam seu próprio contexto. Eles pressupõem que nós, que não conhecemos de perto suas realidades, saibamos o significado de expressões como “inner-city schools”, “preservice teachers”, “A level students”, “Social purity movement” e “Westminter governments”. Em vez disso, esperam que nós tenhamos que pesquisar tais conceitos para entender o artigo.
Por outro lado, para que nossos manuscritos sejam aceitos em tal periódico, precisamos fornecer um contexto geográfico e socioeconômico, informações sobre o sistema educacional e político, raízes históricas etc. Somos obrigados a nos situar, pois se escrevermos um texto dizendo que fizemos uma pesquisa com crianças do ensino fundamental de uma escola da periferia de Recife, os editores vão nos questionar: o que é ensino fundamental? O que é a periferia? O que é Recife?
Ao submeter suas pesquisas para publicação em revistas internacionais, os/as autores/as devem estar para explicar (ou mesmo "traduzir", no sentido amplo) seus contextos. Ao submeter suas pesquisas para publicação em revistas internacionais, os/as autores/as devem estar para explicar (ou mesmo “traduzir”, no sentido amplo) seus contextos.
A partir dessas constatações, fica aquela velha impressão de que a ciência tende a privilegiar determinados contextos, origens e locais. Afinal, se é preciso que um brasileiro dê nome e endereço para justificar sua pesquisa, ao passo que um estadunidense discorre naturalmente sobre seus resultados, tem-se um sinal de que certas desigualdades estão sendo naturalizadas na dinâmica das ciências humanas. Nesse sentido, cabe a nós repensar qual é o papel do Brasil, da América Latina, do Sul global, em participar, disputar e se apropriar desses espaços de produção e circulação do conhecimento.
É primordial, assim, que periódicos de caráter internacional tal como a Gender and Education atentem para que uma real internacionalização se efetive dentro daquilo que lhes compete. Aos autores e autoras, não basta se situar geograficamente. É preciso, nos termos de Carvalho (2014) em diálogo com a literatura, traduzir suas realidades. E quando nos referimos à tradução, estamos pensando além de seu sentido literal, do ato de transferir de um idioma a outro. Pensamos, pois, em tradução no sentido amplo: tomar o cuidado para que outros leitores e leitoras possam compreender de que lugar se fala. Em uma curta frase: esclarecer seus contextos.
A divisão entre Norte e Sul global, esboçada no mapa acima, reflete-se não só pelo desenvolvimento das nações, como também nos diferentes papeis desempenhados pelos países na divisão internacional do trabalho intelectual. A divisão entre Norte e Sul global, esboçada no mapa acima, reflete-se não só pelo desenvolvimento das nações, como também nos diferentes papeis desempenhados pelos países na divisão internacional do trabalho intelectual.
Por fim, Carvalho (2014) ressalta que as ideias geradas pelos estudos de gênero e educação circulam internacionalmente por meio de textos. Os textos, por sua vez, precisam de uma espécie de “visto” para trafegarem por aí. É fato que alguns textos, como aqueles produzidos nos EUA e Reino Unido, circulam com mais facilidade. Além de termos de enfrentar as barreiras linguísticas, carregamos o fardo de ter que se virar perante uma produção internacional que tende a relegar ao Sul global o papel de menor importância, menor impacto, menor alcance, enfim, o papel de uma ciência secundária (leia aqui).
Cabe ressaltar que os/as editores/as do periódico Gender and Education têm feito valorosos esforços para reverter essa situação, dando abertura para que a produção fora do eixo euro-americano também apareça. Recentemente, por exemplo, foi lançado um número apenas com artigos da África do Sul. Além disso, a primeira conferência da G&E no Sul global acontecerá na Austrália neste ano. Esforços para que o Sul ocupe uma posição menos colonizada e mais protagonista, tanto na produção de conhecimento, quanto na geopolítica, é uma bandeira que tem se tornado cada vez mais presente e deve dar o tom das próximas décadas. Na G&E esse embate tem acontecido, mas não só lá. Em suma, o processo de mudança é amplo e queremos fazer parte dele.
Justiça exclui aids da certidão de óbito de homem, informa portal Terra - Agência de Notícias da Aids

http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=22219
APOIO










 


02/05/2014 - 12h40

O juiz Frederico dos Santos Messias, da 4ª Vara Cível da Comarca de Santos, de São Paulo, determinou a exclusão da aids como causa da morte na certidão de óbito de um homem. A justificativa teve como base no sigilo da relação médico-paciente e a estigmatização da doença. O pedido partiu da mãe do paciente. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

O magistrado utilizou-se da legislação brasileira e normas estrangeiras, entre eles a Declaração de Genebra (1948) e o Código Internacional de Ética Médica (1949). A argumentação do juiz foi de que o segredo médico permanece após a morte do paciente, em especial quando trata de doenças hereditárias ou cuja revelação possa causar constrangimento ou prejuízo.

“Os dados clínicos, por representarem a intimidade da pessoa falecida, somente podem ser revelados judicialmente, mediante justificável ponderação dos valores constitucionais em jogo, ou a pedido da família”, argumentou o juiz. Ele também levou em consideração o fato de a aids ser uma doença "estigmatizada" na sociedade. O magistrado justificou ainda que a aids não foi a causa direta da morte, que neste caso foi a falência múltipla dos órgãos. Mesmo com a retirada do termo na certidão de óbito, a informação deverá ser anotada no livro registrário, que também só pode ser acessado com prévia decisão judicial. Ainda é possível recorrer da decisão.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

CLIPPING - 20/nov./2012 Dia da Consciência Negra O Dia da Consciência Negra é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. O Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro (1594). Joaquim Barbosa para presidente? (RUTH DE AQUINO) - Esse título é uma provocação. Ou não. Porque, de fato, esse mineiro de Paracatu, primogênito de oito filhos de um pedreiro e uma dona de casa, está prestes a se tornar presidente, mas do Supremo Tribunal Federal. Não escapará do rótulo de “primeiro presidente negro” do STF. É inevitável. O adjetivo vem a reboque como verdade histórica, o registro de uma primazia. O segundo negro se livrará desse aposto ambíguo. Um dia não haverá mais “o primeiro negro” e “a primeira mulher”, porque a cor da pele e o sexo perderão todo o significado. Felizmente. Mulheres negras são maioria entre jovens que não trabalham nem estudam - Mulheres pretas, pardas e indígenas são a maioria entre os 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos que não trabalham nem estudam no país, a chamada “geração nem nem”. Cruzamento de dados inédito feito pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a pedido da Agência Brasil, revela que elas somam 2,2 milhões, ou seja, 41,5% desse grupo. Do total de jovens brasileiros nessa faixa etária (27,3 milhões), as negras e indígenas representam 8% - enquanto as brancas na mesma situação chegam a 5% (1,3 milhão). Para o coordenador do levantamento, Adalberto Cardoso, que fez a pesquisa com base nos dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), várias razões explicam o abandono da educação formal e do mercado de trabalho por jovens. Entre elas, o casamento e a necessidade de começar a trabalhar cedo para sustentar a família. Cerca de 70% dos jovens “nem nem” estão entre os 40% mais pobres do país. A gravidez precoce é o principal motivo do abandono, uma vez que mais da metade das jovens nessa situação têm filhos. A pesquisa também identificou entre os “nem nem” jovens com deficiência física grave e os que saíram da faculdade, mas ainda não estão empregados. Os dados completos constam do estudo Juventude, Desigualdade e o Futuro do Rio de Janeiro, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e deve ter um capítulo publicado em 2013. Racismo faz mal à saúde e mata- Um estudo epidemiológico do Ministério da Saúde apresenta informação específica para ajudar a preencher esses vazios, ao comparar indicadores como assistência pré-natal por raça, cor e etnia. Também analisa outros aspectos, como o direito e o acesso a planejamento familiar, que é mais precário entre as afrodescendentes. Precisamente este aspecto é o centro do informe mundial do UNFPA, apresentado no dia 14, com o título Sim à Opção, não ao Acaso – Planejamento da Família, Direitos Humanos e Desenvolvimento. Por exemplo, 19% das crianças nascidas vivas são de mães adolescentes brancas entre 15 e 19 anos. Contudo, a incidência de gravidez em adolescentes é de 29% entre as jovens afro-brasileiras da mesma faixa etária. Além disso, enquanto 62% das mães de crianças brancas informavam ter realizado sete ou mais consultas pré-natais, apenas 37% das mães de recém-nascidos mulatos e negros realizaram essa quantidade de exames antes do parto. A mortalidade infantil também apresenta disparidades. O risco de uma criança negra ou mulata morrer antes dos cinco anos de idade por doenças infecciosas e parasitárias é 60% maior em relação a uma criança branca. E o de morte por desnutrição é 90% superior. O estudo também constatou que morrem mais grávidas afrodescendentes do que brancas por causas vinculadas à gestação, como hipertensão. O UNFPA contribui com o governo e o movimento negro para fortalecer essa política e a formação profissional que deve acompanhá-la. "O desafio é responder por que, em um país onde a população negra representa 50,3% do total, temos um quadro sanitário tão diferenciado" entre negros e brancos, admite o Ministério da Saúde. Negros ainda estão mais vulneráveis ao HIV e são alvo de campanha em São Paulo - Embora representem cerca de metade da população brasileira, os negros ainda não têm acesso igual aos serviços de saúde no país. Em decorrência disso, doenças como a aids atingem este grupo com mais força. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2000 e 2009, o número de casos de aids, quando analisado apenas nos brancos, caiu de 62,9% para 54,8% (entre os homens) e de 60% para 53,1% (entre as mulheres). Já entre os homens negros, o número diminui apenas de 10,1% para 9,8%. Em relação às mulheres afrodescendentes, o índice subiu de 11,5% para 13,2% neste mesmo período. O número de casos de aids entre a população parda também cresceu. Em 2000, os homens somavam 25,7% dos casos notificados e as mulheres 27,4%. Em 2009, o índice entre os homens chegou a 35% e entre as mulheres a 33%. Um Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009/2010, organizado pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), do Instituto de Economia da Universidade do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), mostrou que em todas as grandes regiões geográficas agrupadas do País essas populações gozam de menor taxa de cobertura do Sistema Único de Saúde do que a população branca e que o número de óbitos em decorrência da aids chega a ser quase 10% maior do que em brancos. Cientes do problema histórico, o Movimento Negro pede por ações de equidade que diminuam sua vulnerabilidade e o baixo acesso do grupo a serviços essenciais. Entre as ações defendidas estão as cotas raciais para as universidades e o fim do racismo institucional. . “É preciso visibilizar o racismo. Escondê-lo é o próprio racismo. Disseminar a informação é fundamental”, disse Jurema Werneck, médica focada na saúde da população negra, durante os Congressos de Prevenção de DST/Aids ocorridos em São Paulo em agosto de 2012. Segundo ela, a epidemia da aids não trouxe exatamente novidades na trajetória dos negros. Mas se nada na epidemia foi novo para a população, o que precisaria ser novidade é o tratamento destinado a ela. Leitores acreditam que o tráfico entre adolescentes acontece pela desestruturação da família - A educação começa em casa. A frase resume a opinião de leitores do portal acritica.com que acreditam que um dos motivos para adolescentes se envolverem com o tráfico de drogas começa na desestruturação familiar. Para os internautas, a falta de planejamento familiar acaba deixando os jovens mais vulneráveis ao mundo do tráfico. "A estrutura familiar sempre foi o alicerce na educação de bons cidadãos", comenta uma leitora. "Muitos pais pensam que somente a escola tem a obrigação de educar nossos filhos... engano!", diz postagem. Outra leitora apresenta uma série de motivos apontados por ela como negativos e influenciadores para a participação dos jovens no crime. “Medidas socioeducativas ineficientes, escolas mal preparadas, falta de segurança pública competente, leis frouxas e famílias em situação financeira precária vivendo em áreas comandadas pelo tráfico...Um conjunto de problemas sociais muito influenciado pela incapacidade do estado em se fazer presente nas comunidades”, comenta outro internauta. As manifestações partem de comentários sobre a matéria ("Crianças e adolescentes se transformam em 'traficantes mirins' dentro das escolas de Manaus"), publicada neste fim de semana. ABEP/CCR: Fecundidade em cenários específicos: escolaridade, gênero e etnia em geografias distintas A CCR (Comissão Cidadania e Reprodução) assistiu à sessão temática "Fecundidade em cenários específicos: escolaridade, gênero e etnia em geografias distintas" que discutiu as mudanças nas taxas de fecundidade entre as mulheres brasileiras. Com questões apresentadas por Luciano Oliva Patricio(NEPO/UNICAMP), Débora Ramos Santiago (UEA) e Morvan de Mello Moreira (Fundaj e UFPE), a região Norte e Nordeste foi amplamente mostrada como tendo a maior diferença nas taxas de fecundidade nos últimos anos. Houve uma mudança no modelo de mãe para mulher que trabalha, e com isso também mudou o planejamento familiar das mulheres. Como mostrado por Luciano, "quanto mais mulheres se ausentam do domicílio, por motivo de trabalho ou estudo, menor tende a ser a fecundidade no universo amostral. Há também um cenário em que as altas proporções de frequencia à creche na faixa etária de 0 a 1 ano indicaria a maturidade da transição do modelo "mulher mãe em tempo integral" para o modelo "mulher no trabalho (ou escola) - criança na escola". A fecundidade também varia de acordo com a renda e instrução da mulher. Quanto maior a instrução da mulher, mais acesso ela terá a oportunidades de trabalho e aos métodos contraceptivos. Com isso, ela adia e planeja a construção da sua família e consequentemente quantos filhos irá ter no futuro. Também existe uma tendência de rejuvenescimento da fecundidade: as mulheres têm filhos mais cedo. Mesmo no Nordeste, as taxas de fecundidade caíram. Em 1980, a taxa de fecundidade total era de 6,2 filhos por mulher. Em 2010, 2,06 filhos. Apesar dessa queda e o crescimento do Nordeste, a região concentra a maior fração de população pobre do Brasil - quase 60% dos mais pobres do Brasil estão no Nordeste. Transtorno de identidade sexual na infância divide especialistas –Aos quatro anos, um menininho inglês que se chamava Jack disse para a mãe: "Deus cometeu um erro, eu deveria ser uma menina". Aos oito, ele mandou um e-mail para as pessoas da escola onde estudava (e sofria bullying) avisando ser "uma menina presa em um corpo de menino". E passou a se vestir como garota. Aos dez, disse à mãe que se mataria se começasse a "virar homem". Aos 11, Jack teve uma overdose e fez outras seis tentativas de suicídio antes de completar 16 anos. Como a lei inglesa não permite cirurgia de mudança de sexo antes dos 18, Jack foi operado na Tailândia, aos 16. A história de Jack, que a rede de TV britânica BBC exibe hoje, mostra os contornos e as dores do transtorno de identidade sexual na infância. Jackie Green tem agora 19 anos, é modelo e foi a primeira finalista transexual do concurso de Miss Inglaterra. A OMS define o fenômeno como o desejo, manifesto antes da puberdade, de ser (ou de insistir que é) do outro sexo. O termo "transexualismo" só é usado para adultos. Para psicólogos, transexualismo não é doença. A visão do transexualismo como doença é controversa. Uma ação mundial tenta retirá-lo dos manuais de doenças da OMS e da Associação Americana de Psiquiatria. A campanha "Stop Trans Patologization" ["Parem de patologizar os trans"] tem o apoio, aqui, do Conselho Federal de Psicologia. Segundo a psicóloga Ana Ferri de Barros, que coordena a comissão de sexualidade e gênero do conselho paulista, o acesso à cirurgia de mudança de sexo pelo SUS não deveria depender do diagnóstico. "Defendemos a despatologização das identidades 'trans' e também o acesso universal à saúde", diz. Cirurgia bariátrica aos 16 anos - De acordo com o Ministério da Saúde (MS), o número de cirurgias para redução do estômago saltou de 1.773 em 2003 para 5.332 em 2011, ou seja, um aumento de 200%. Os recursos para esses procedimentos também cresceram. Passaram de R$ 5,7 milhões em 2003 para R$ 30 milhões em 2011. Nos três primeiros meses deste ano, foram realizadas 1.276 cirurgias, sendo gastos R$ 7 milhões. O sedentarismo e os maus hábitos alimentares têm contribuído para o aumento no número de pessoas que estão acima do peso, o que é verificado com o índice de massa corporal (IMC) entre 25,1kg/m2 e 29,9kg/m2. De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), quase metade da população brasileira está acima do peso. O percentual passou de 42,7% em 2006 para 48,5% em 2011. No mesmo período, a proporção de obesos subiu de 11,4% para 15,8%. Dados do Ministério da Saúde mostram que Belo Horizonte tem 45,3% de sua população com excesso de peso e 14,2% classificada como obesa. A substituição da compulsão por alimento por sexo, álcool, jogos e até internet é um dos temas mais polêmicos entre os especialistas que tratam da obesidade. De acordo com o presidente da Comissão de Especialidades Associadas (Coesas), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, o psiquiatra Adriano Segal, o percentual de pessoas que desenvolvem outras dependências é pequeno, cerca de 5%. Durante o Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, psiquiatras, psicólogos e outros profissionais de saúde discutiram os aspectos psicológicos relacionados à cirurgia bariátrica. "Para quem sai de um momento de privação existencial, dar uma "abusadinha" é normal. Passa a ser patológico quando se transforma em um comportamento contínuo", diz Segal. ÁLCOOL - O alcoolismo é apontado como uma das complicações da cirurgia. O psiquiatra explica que entre os pacientes obesos que vão fazer a cirurgia, de 12% a 13% sofrem de alcoolismo. Depois da cirurgia, há um incremento de dois pontos percentuais, passando para 15%. "O número não é muito diferente da prevalência do alcoolismo na população de forma geral", afirma Adriano. A psicóloga Alessandra Dias Mattar, da equipe Clínica LEV, de Uberlândia, reforça a importância do acompanhamento multidisciplinar por dois anos. Segundo ela, os problemas mais comuns depois da cirurgia são alcoolismo e compulsão por compras. Paciente que usava silicone PIP perde ação - A 6ª Vara Federal de Porto Alegre negou o pedido para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fosse obrigada a indenizar uma paciente com implante da prótese de silicone da empresa Poly Implants Prothese (PIP). "A Justiça reconheceu que a Anvisa não pode ser responsabilizada pela fraude. O implante usado na paciente não é o mesmo que havia sido registrado no País", afirmou o diretor adjunto da agência, Luiz Roberto Klassmann. A ação foi extinta sem julgamento de mérito. A autora da ação sofreu rompimento da prótese de silicone PIP, adulterada pelo fabricante. Durante a cirurgia de remoção, ela teve perda do tecido mamário. Na ação, ela reivindicava pagamento pela agência por danos morais e físicos. CLIPPING Bem fam 20/nov./2012 Dia da Consciência Negra



CLIPPING - 20/nov./2012

Dia da Consciência Negra



O Dia da Consciência Negra é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. O Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro (1594).



presidente para presidente? (RUTH DE AQUINO) - Esse título é uma provocação. Ou não. Porque, de fato, esse mineiro de Paracatu, primogênito de oito filhos de um pedreiro e uma dona de casa, está prestes a se tornar presidente, mas do Supremo Tribunal Federal. Não escapará do rótulo de “primeiro presidente negro” do STF. É inevitável. O adjetivo vem a reboque como verdade histórica, o registro de uma primazia. O segundo negro se livrará desse aposto ambíguo. Um dia não haverá mais “o primeiro negro” e “a primeira mulher”, porque a cor da pele e o sexo perderão todo o significado. Felizmente.



Mulheres negras são maioria entre jovens que não trabalham nem estudam - Mulheres pretas, pardas e indígenas são a maioria entre os 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos que não trabalham nem estudam no país, a chamada “geração nem nem”. Cruzamento de dados inédito feito pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a pedido da Agência Brasil, revela que elas somam 2,2 milhões, ou seja, 41,5% desse grupo. Do total de jovens brasileiros nessa faixa etária (27,3 milhões), as negras e indígenas representam 8% - enquanto as brancas na mesma situação chegam a 5% (1,3 milhão). Para o coordenador do levantamento, Adalberto Cardoso, que fez a pesquisa com base nos dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), várias razões explicam o abandono da educação formal e do mercado de trabalho por jovens. Entre elas, o casamento e a necessidade de começar a trabalhar cedo para sustentar a família. Cerca de 70% dos jovens “nem nem” estão entre os 40% mais pobres do país. A gravidez precoce é o principal motivo do abandono, uma vez que mais da metade das jovens nessa situação têm filhos. A pesquisa também identificou entre os “nem nem” jovens com deficiência física grave e os que saíram da faculdade, mas ainda não estão empregados. Os dados completos constam do estudo Juventude, Desigualdade e o Futuro do Rio de Janeiro, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e deve ter um capítulo publicado em 2013.



Racismo faz mal à saúde e mata- Um estudo epidemiológico do Ministério da Saúde apresenta informação específica para ajudar a preencher esses vazios, ao comparar indicadores como assistência pré-natal por raça, cor e etnia. Também analisa outros aspectos, como o direito e o acesso a planejamento familiar, que é mais precário entre as afrodescendentes. Precisamente este aspecto é o centro do informe mundial do UNFPA, apresentado no dia 14, com o título Sim à Opção, não ao Acaso – Planejamento da Família, Direitos Humanos e Desenvolvimento. Por exemplo, 19% das crianças nascidas vivas são de mães adolescentes brancas entre 15 e 19 anos. Contudo, a incidência de gravidez em adolescentes é de 29% entre as jovens afro-brasileiras da mesma faixa etária. Além disso, enquanto 62% das mães de crianças brancas informavam ter realizado sete ou mais consultas pré-natais, apenas 37% das mães de recém-nascidos mulatos e negros realizaram essa quantidade de exames antes do parto. A mortalidade infantil também apresenta disparidades. O risco de uma criança negra ou mulata morrer antes dos cinco anos de idade por doenças infecciosas e parasitárias é 60% maior em relação a uma criança branca. E o de morte por desnutrição é 90% superior. O estudo também constatou que morrem mais grávidas afrodescendentes do que brancas por causas vinculadas à gestação, como hipertensão. O UNFPA contribui com o governo e o movimento negro para fortalecer essa política e a formação profissional que deve acompanhá-la. "O desafio é responder por que, em um país onde a população negra representa 50,3% do total, temos um quadro sanitário tão diferenciado" entre negros e brancos, admite o Ministério da Saúde.



Negros ainda estão mais vulneráveis ao HIV e são alvo de campanha em São Paulo - Embora representem cerca de metade da população brasileira, os negros ainda não têm acesso igual aos serviços de saúde no país. Em decorrência disso, doenças como a aids atingem este grupo com mais força. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2000 e 2009, o número de casos de aids, quando analisado apenas nos brancos, caiu de 62,9% para 54,8% (entre os homens) e de 60% para 53,1% (entre as mulheres). Já entre os homens negros, o número diminui apenas de 10,1% para 9,8%. Em relação às mulheres afrodescendentes, o índice subiu de 11,5% para 13,2% neste mesmo período. O número de casos de aids entre a população parda também cresceu. Em 2000, os homens somavam 25,7% dos casos notificados e as mulheres 27,4%. Em 2009, o índice entre os homens chegou a 35% e entre as mulheres a 33%. Um Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009/2010, organizado pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), do Instituto de Economia da Universidade do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), mostrou que em todas as grandes regiões geográficas agrupadas do País essas populações gozam de menor taxa de cobertura do Sistema Único de Saúde do que a população branca e que o número de óbitos em decorrência da aids chega a ser quase 10% maior do que em brancos. Cientes do problema histórico, o Movimento Negro pede por ações de equidade que diminuam sua vulnerabilidade e o baixo acesso do grupo a serviços essenciais. Entre as ações defendidas estão as cotas raciais para as universidades e o fim do racismo institucional. . “É preciso visibilizar o racismo. Escondê-lo é o próprio racismo. Disseminar a informação é fundamental”, disse Jurema Werneck, médica focada na saúde da população negra, durante os Congressos de Prevenção de DST/Aids ocorridos em São Paulo em agosto de 2012. Segundo ela, a epidemia da aids não trouxe exatamente novidades na trajetória dos negros. Mas se nada na epidemia foi novo para a população, o que precisaria ser novidade é o tratamento destinado a ela.



Leitores acreditam que o tráfico entre adolescentes acontece pela desestruturação da família - A educação começa em casa. A frase resume a opinião de leitores do portal acritica.com que acreditam que um dos motivos para adolescentes se envolverem com o tráfico de drogas começa na desestruturação familiar. Para os internautas, a falta de planejamento familiar acaba deixando os jovens mais vulneráveis ao mundo do tráfico. "A estrutura familiar sempre foi o alicerce na educação de bons cidadãos", comenta uma leitora. "Muitos pais pensam que somente a escola tem a obrigação de educar nossos filhos... engano!", diz postagem. Outra leitora apresenta uma série de motivos apontados por ela como negativos e influenciadores para a participação dos jovens no crime. “Medidas socioeducativas ineficientes, escolas mal preparadas, falta de segurança pública competente, leis frouxas e famílias em situação financeira precária vivendo em áreas comandadas pelo tráfico...Um conjunto de problemas sociais muito influenciado pela incapacidade do estado em se fazer presente nas comunidades”, comenta outro internauta. As manifestações partem de comentários sobre a matéria ("Crianças e adolescentes se transformam em 'traficantes mirins' dentro das escolas de Manaus"), publicada neste fim de semana.



ABEP/CCR: Fecundidade em cenários específicos: escolaridade, gênero e etnia em geografias distintas

A CCR (Comissão Cidadania e Reprodução) assistiu à sessão temática "Fecundidade em cenários específicos: escolaridade, gênero e etnia em geografias distintas" que discutiu as mudanças nas taxas de fecundidade entre as mulheres brasileiras. Com questões apresentadas por Luciano Oliva Patricio(NEPO/UNICAMP), Débora Ramos Santiago (UEA) e Morvan de Mello Moreira (Fundaj e UFPE), a região Norte e Nordeste foi amplamente mostrada como tendo a maior diferença nas taxas de fecundidade nos últimos anos. Houve uma mudança no modelo de mãe para mulher que trabalha, e com isso também mudou o planejamento familiar das mulheres. Como mostrado por Luciano, "quanto mais mulheres se ausentam do domicílio, por motivo de trabalho ou estudo, menor tende a ser a fecundidade no universo amostral. Há também um cenário em que as altas proporções de frequencia à creche na faixa etária de 0 a 1 ano indicaria a maturidade da transição do modelo "mulher mãe em tempo integral" para o modelo "mulher no trabalho (ou escola) - criança na escola".  A fecundidade também varia de acordo com a renda e instrução da mulher. Quanto maior a instrução da mulher, mais acesso ela terá a oportunidades de trabalho e aos métodos contraceptivos. Com isso, ela adia e planeja a construção da sua família e consequentemente quantos filhos irá ter no futuro. Também existe uma tendência de rejuvenescimento da fecundidade: as mulheres têm filhos mais cedo.  Mesmo no Nordeste, as taxas de fecundidade caíram. Em 1980, a taxa de fecundidade total era de 6,2 filhos por mulher. Em 2010, 2,06 filhos. Apesar dessa queda e o crescimento do Nordeste, a região concentra a maior fração de população pobre do Brasil - quase 60% dos mais pobres do Brasil estão no Nordeste. 



Transtorno de identidade sexual na infância divide especialistas –Aos quatro anos, um menininho inglês que se chamava Jack disse para a mãe: "Deus cometeu um erro, eu deveria ser uma menina". Aos oito, ele mandou um e-mail para as pessoas da escola onde estudava (e sofria bullying) avisando ser "uma menina presa em um corpo de menino". E passou a se vestir como garota. Aos dez, disse à mãe que se mataria se começasse a "virar homem". Aos 11, Jack teve uma overdose e fez outras seis tentativas de suicídio antes de completar 16 anos. Como a lei inglesa não permite cirurgia de mudança de sexo antes dos 18, Jack foi operado na Tailândia, aos 16. A história de Jack, que a rede de TV britânica BBC exibe hoje, mostra os contornos e as dores do transtorno de identidade sexual na infância. Jackie Green tem agora 19 anos, é modelo e foi a primeira finalista transexual do concurso de Miss Inglaterra. A OMS define o fenômeno como o desejo, manifesto antes da puberdade, de ser (ou de insistir que é) do outro sexo. O termo "transexualismo" só é usado para adultos. Para psicólogos, transexualismo não é doença. A visão do transexualismo como doença é controversa. Uma ação mundial tenta retirá-lo dos manuais de doenças da OMS e da Associação Americana de Psiquiatria. A campanha "Stop Trans Patologization" ["Parem de patologizar os trans"] tem o apoio, aqui, do Conselho Federal de Psicologia. Segundo a psicóloga Ana Ferri de Barros, que coordena a comissão de sexualidade e gênero do conselho paulista, o acesso à cirurgia de mudança de sexo pelo SUS não deveria depender do diagnóstico. "Defendemos a despatologização das identidades 'trans' e também o acesso universal à saúde", diz.



Cirurgia bariátrica aos 16 anos - De acordo com o Ministério da Saúde (MS), o número de cirurgias para redução do estômago saltou de 1.773 em 2003 para 5.332 em 2011, ou seja, um aumento de 200%. Os recursos para esses procedimentos também cresceram. Passaram de R$ 5,7 milhões em 2003 para R$ 30 milhões em 2011. Nos três primeiros meses deste ano, foram realizadas 1.276 cirurgias, sendo gastos R$ 7 milhões. O sedentarismo e os maus hábitos alimentares têm contribuído para o aumento no número de pessoas que estão acima do peso, o que é verificado com o índice de massa corporal (IMC) entre 25,1kg/m2 e 29,9kg/m2. De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), quase metade da população brasileira está acima do peso. O percentual passou de 42,7% em 2006 para 48,5% em 2011. No mesmo período, a proporção de obesos subiu de 11,4% para 15,8%. Dados do Ministério da Saúde mostram que Belo Horizonte tem 45,3% de sua população com excesso de peso e 14,2% classificada como obesa. A substituição da compulsão por alimento por sexo, álcool, jogos e até internet é um dos temas mais polêmicos entre os especialistas que tratam da obesidade. De acordo com o presidente da Comissão de Especialidades Associadas (Coesas), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, o psiquiatra Adriano Segal, o percentual de pessoas que desenvolvem outras dependências é pequeno, cerca de 5%. Durante o Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, psiquiatras, psicólogos e outros profissionais de saúde discutiram os aspectos psicológicos relacionados à cirurgia bariátrica. "Para quem sai de um momento de privação existencial, dar uma "abusadinha" é normal. Passa a ser patológico quando se transforma em um comportamento contínuo", diz Segal. ÁLCOOL -  O alcoolismo é apontado como uma das complicações da cirurgia. O psiquiatra explica que entre os pacientes obesos que vão fazer a cirurgia, de 12% a 13% sofrem de alcoolismo. Depois da cirurgia, há um incremento de dois pontos percentuais, passando para 15%. "O número não é muito diferente da prevalência do alcoolismo na população de forma geral", afirma Adriano. A psicóloga Alessandra Dias Mattar, da equipe Clínica LEV, de Uberlândia, reforça a importância do acompanhamento multidisciplinar por dois anos. Segundo ela, os problemas mais comuns depois da cirurgia são alcoolismo e compulsão por compras.



Paciente que usava silicone PIP perde ação - A 6ª Vara Federal de Porto Alegre negou o pedido para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fosse obrigada a indenizar uma paciente com implante da prótese de silicone da empresa Poly Implants Prothese (PIP). "A Justiça reconheceu que a Anvisa não pode ser responsabilizada pela fraude. O implante usado na paciente não é o mesmo que havia sido registrado no País", afirmou o diretor adjunto da agência, Luiz Roberto Klassmann. A ação foi extinta sem julgamento de mérito. A autora da ação sofreu rompimento da prótese de silicone PIP, adulterada pelo fabricante. Durante a cirurgia de remoção, ela teve perda do tecido mamário. Na ação, ela reivindicava pagamento pela agência por danos  morais e físicos.


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