Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"


Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.

Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.

QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.

Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.

Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.

Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.

Obrigado, desculpe o transtorno!

NADA A COMEMORAR

NADA A COMEMORAR
NADA A COMEMORAR dN@dILM@!

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

SEGUNDA-FEIRA 10:00hS
EAT Luis Carlos Ripper - Rua Visconde de Niterói, 1364 - Bairro Mangueira.
Caro Companheiro (a), Venha participar, com sua presença, dia 18 de fevereiro, às 10hrs da manhã de um "abraço" ao prédio da nossa querida EAT - Escola das Artes Técnicas Luis Carlos Ripper que, junto com a EAT Paulo Falcão ( Nova Iguaçu) foi fechada por uma arbitraria decisão governamental. Participe deste ato de desagravo ao fechamento de duas escolas públicas, reconhecidas e premiadas internacionalmente que, há dez anos, levam educação de excelência ao povo. ... Compartilhe este convite com todos aqueles que, como você esta comprometidos com a educação verdadeiramente de qualidade. >> Assine a petição para não deixar o governo do estado acabar com duas escolas de excelência!! << http://www.avaaz.org/po/petition/Pelo_manutencao_das_EATS_e_de_sua_Metodologia/?cqMRZdb Saiba mais: http://sujeitopolitico.blogspot.com.br/

ESTE BLOG ESTA COMEMORANDO!!!

ESTE BLOG ESTA COMEMORANDO!!!
3 anos de existência com vocês...

Ativismo Contra Aids/TB

Mostrando postagens com marcador (artigo). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador (artigo). Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sonia Fleury analisa sucessos e fraquezas do SUS


Em artigo para o jornal O Estado de S.Paulo, pesquisadora Sonia Fleury analisa sucessos e fraquezas do SUS      
 


30/10/2011 - 14h

A pesquisadora Sonia Fleury, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (IUPERJ), escreveu um artigo para o jornal O Estado de S.Paulo, analisando os sucessos e fraquezas do Sistema Único de Saúde (SUS).  Para ela, discutir se o problema do SUS é de falta de financiamento ou incapacidade de gestão, é ignorar a irresponsabilidade da União em cumprir seus compromissos com o financiamento do sistema público e universal de saúde, como se isso não tivesse consequências nas gestões subnacionais, reféns dos recursos repassados pelo nível central, das decisões judiciais, das denúncias da mídia e da sua própria incapacidade.

Ela apresenta pontos de uma pesquisa do Programa de Estudos da Esfera Pública (PEEP), da FGV, sobre a precarização dos serviços públicos de saúde. Leia a seguir na íntegra:



O SUS foi fruto de uma trajetória de intensa mobilização da sociedade civil por democratizar o País, assegurando direitos sociais universais na Constituição de 1988, onde a ordem social se destacava da ordem econômica. Descentralizado e com uma autoridade única em cada nível de governo, o SUS redesenhou o pacto federativo gerando um modelo de governança baseado em instâncias de pactuação intergovernamental e uma proposta de governabilidade inovadora baseada em conselhos e conferências.

Um pouco mais de duas décadas depois, em um curto período de semanas, vemos nos jornais que os médicos do SUS se encontraram em greve por melhorias salariais e de trabalho condizentes com sua função, as entidades filantrópicas que prestam serviços ao SUS foram denunciadas pela precariedade de instalações e qualidade do atendimento, os profissionais credenciados pelos planos de saúde fizeram paralisações semelhantes ao setor público, a ANS avaliou que 20 milhões de brasileiros têm planos de saúde ruins, a Anvisa foi proibida de fazer audiências públicas para regular o tabagismo, mas permitiu o uso de agrotóxicos proibidos em outros países e o Congresso "ameaça" regulamentar a Emenda Constitucional 29.

São inegáveis os avanços do SUS na ampliação da cobertura, na internacionalmente reconhecida capacidade de realizar imunizações massivas, desenvolver um programa emblemático da aids, enfrentar, dentro da legalidade dos acordos de comércio internacionais as multinacionais produtoras de remédios que se julgam no direito de exacerbar seu poder de precificação, favorecer a produção de genéricos e a distribuição de medicamentos em farmácias populares, chegar até os excluídos com programas de saúde da família, gerar novas formas de regionalização e contratualização na regulamentação recente da Lei Orgânica da Saúde.

Diante de tantos avanços, como entender as reivindicações dos profissionais, os sofrimentos dos pacientes, as queixas dos gestores locais, os desencontros entre o avanço do Samu e a incapacidade de encontrar um lugar na UTI ou mesmo um leito hospitalar?

Discutir se o problema é de falta de financiamento ou incapacidade de gestão, é ignorar a irresponsabilidade da União em cumprir seus compromissos com o financiamento do sistema público e universal de saúde, como se isso não tivesse consequências nas gestões subnacionais, reféns dos recursos repassados pelo nível central, das decisões judiciais, das denúncias da mídia e da sua própria incapacidade. Ao acabar com o arcabouço da seguridade social, especializando as fontes de financiamento, retirando recursos da área social para pagar juros por meio da DRU, eliminando o Conselho da Seguridade, impedindo a convocação da Conferência da Seguridade, aumentando o gasto social apenas para a área contratual da Previdência ou focalizada dos programas de transferência condicionadas de renda, todos os governos da democracia foram artífices dessa situação de precariedade nos sistemas universais de saúde e educação.

A opção política foi subsidiar os setores com maior poder de barganha: isenções para provedores privados, renúncia fiscal dos planos de saúde e educação para a classe média, planos privados de saúde para servidores, ausência de investimentos para gerar uma rede pública capaz de atender à população, financiamentos e subsídios para utilização dos serviços privados, atenção primária de baixa qualidade que não resolve os problemas, mas despacha o paciente, dupla porta de entrada de pacientes junto com a dupla militância de profissionais, falta de ressarcimento por parte dos seguros de pacientes atendidos no SUS, repasse de recursos financeiros, físicos e humanos para gestões privadas, etc.

Os resultados de uma pesquisa que realizamos recentemente pelo Programa de Estudos da Esfera Pública (PEEP), da FGV, demonstram que a precarização dos serviços públicos se manifesta das seguintes formas:

- A aceitação tácita de todos os agentes de que "serviço público é assim mesmo", ou a naturalização da precariedade, na ausência de parâmetros de qualidade explícitos;

- A precariedade para o atendimento adequado permite o aumento do poder discricionário dos profissionais, resultando em situações de discriminação;

- A cultura política brasileira, desde o primeiro escalão presidencial até o atendente hospitalar, privilegia o QI (quem indica) em detrimento da igualdade da cidadania;

- A falta de responsabilidade do sistema com os pacientes provoca a "peregrinação" em busca do cuidado. Na ausência de garantia, o direito se transforma em contradireito, insegurança, sofrimento, humilhação;

- A perspectiva da classe média de que estaria salva com seu plano de saúde começa a ser desmascarada, pois, a precarização do atendimento privado é um sucedâneo do que ocorreu no SUS, já que quem dá o parâmetro da qualidade é sempre o setor público.

Em conclusão, precisamos resgatar os princípios solidários do SUS e exigir um financiamento público condigno com os padrões internacionais de saúde, no qual a União repasse para a saúde 10% do que ela arrecada em impostos, que os Estados não manipulem seus orçamentos incluindo na saúde o que não lhe é próprio e coordenem a atenção regional, que os municípios não apenas comprem ambulâncias para enviar seus pacientes para outras cidades. Há que exigir que o SUS atenda ao interesse público, não se subordinando aos interesses políticos, corporativos e empresariais. Mas, o que precisamos mesmo é exigir responsabilidade dessas autoridades, para que o paciente ao chegar ao sistema seja acolhido, encaminhado, tratado e nunca mais seja obrigado a buscar, em uma ensandecida peregrinação, fazer valer seus direitos constitucionais. Ou morrer no percurso.

Sonia Fleury é doutora em Ciência Política Pelo Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (IUPERJ) e autora do livro "Saúde, Democracia -  A luta do CEBES)


Fonte: O Estado de S.Paulo

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

As eleições e a vitória da ideologia familista cristã

As eleições e a vitória da ideologia familista cristã

Alípio de Sousa Filho
Sociólogo, professor da UFRN. Editor da revista Bagoas.

           
            Mais uma vez, nas eleições nacionais, entra em cena a ideologia familista cristã. De natureza conservadora, para esta, a família somente pode ter existência na forma do casamento entre homens e mulheres, não se tolerando a ideia de família homossexual, homoafetiva ou gay, concretizada pela união de dois homens ou duas mulheres. Até mesmo o termo casamento vira objeto de disputa, não se admitindo aplicar a gays, lésbicas e transexuais. Não é por outra razão que, quando se fala da reivindicação ao reconhecimento dos casais lésbicos ou gays, insiste-se em precisar que se trata de reconhecimento de “união civil” de pessoas do mesmo sexo. O casal heterossexual não apenas seria o único modelo para o qual se tornaria possível falar de casamento, mas constituiria também a experiência única de composição da família, e esta devendo ainda assegurar que nela não se pratique o sexo antes e fora do casamento e o aborto. No familismo cristão, gays, lésbicas e transexuais são seres aberrantes, que não merecem a institucionalização de direitos, e o aborto é pecado e crime. No Brasil, leis e políticas que implementem direitos LGBT e políticas que contemplem o aborto são tomadas como afrontas à propalada família brasileira, e esta pretendidamente uma “família cristã”.  É bem fácil de enxergar que o familismo cristão é conservador e homofóbico. Nestas eleições, a atuação de bom número de igrejas cristãs tem constituído verdadeiro cerco em volta das candidaturas presidenciais.
            Para prejuízo geral, a luta por vencer tem tornado Dilma e Serra reféns dessa ideologia, produzida pela máquina das igrejas cristãs de todos os matizes. Em nome do pragmatismo político ou das estratégias do marketing, que colocam a ação política sob o signo da dicotomia maniqueísta ou do vale tudo, os dois candidatos rebaixam suas próprias visões pessoais e de seus partidos, pois, não é de se acreditar que pensem o que estão dizendo nas entrevistas, em seus programas políticos, cartas ou documentos que assinam. Fazendo concessões ao familismo cristão conservador, os dois, com poucas distinções, deixam a sociedade escravizada ao seu próprio obscurantismo, quando tinham o dever político de enfrentá-lo, desafiá-lo, contribuindo com avanços culturais, que, até aqui, a sociedade brasileira quase inteira ignora. E aqui vale destacar que, de minha parte, não se trata de tomar um ou outro candidato como vítima ou algoz, menos ou mais cúmplice da ideologia familista cristã ou até mesmo menos ou mais seu manipulador. Fora do maniqueísmo das paixões políticas (muito em alta no momento!) e da lógica empobrecida do pragmatismo (não é pragmático discutir temas para perder, melhor esconder posições e ganhar!) – formas autoritárias da política –, trato de chamar atenção para o dano político e cultural que se produz ao se perder a chance de enfrentar, mesmo com diferenças, o conservadorismo que amanhã atrapalhará o vencedor que pretenda emplacar transformações, e que já atrapalha avanços que a sociedade brasileira não pode mais continuar negando ao segmento LGBT e de mulheres, que, embora minorias políticas, são numericamente importantes segmentos sociais.
            Nessas eleições, por temor de enfrentar o familismo cristão conservador, a questão gay não aparece nos programas eleitorais de nenhum dos candidatos, não é discutida, e o tema do aborto virou motivo de chantagem, ingrediente eleitoreiro. O medo de enfrentar o poder eleitoral das igrejas conservadores (algumas com práticas que são verdadeiro terrorismo da palavra!) tem deixado os candidatos, neste segundo turno, inteiramente prisioneiros de posições acanhadas que só acanham a sociedade brasileira. Os discursos dos candidatos ou daqueles que os apóiam referem-se a esses temas como “coisas sem importância”, “baboseira”, “política do submundo”, “baixaria”, “questões secundárias”, entre outras expressões, revelando o quanto, em suas concepções, a política é compreendida como a esfera de coisas cuja importância não torna possível a ocupação com temas “menores” como os direitos civis de gays, lésbicas e transexuais ou a questão do aborto. Mesmo a alusão a que alguém seja gay ou lésbica é tratada como “acusação”, “calúnia”, numa clara revelação que se tem a homossexualidade como um atributo negativo. Do contrário, por que tomar como calúnia ou acusação a referência (verdadeira ou falsa) à homossexualidade? O modo de responder não deveria ser outro? Por que sentir-se “difamado” por alusão à suposta homossexualidade? Na tensão da disputa, perde-se o senso crítico e o senso comum vai ganhando a confirmação de suas representações, preconceitos...
            Não se torna mais possível que, no século XXI, dois importantes partidos como o PT e PSDB se permitam rebaixar seus programas, discursos e posicionamentos à vontade de religiões conservadoras que conduzem o país para o atraso cultural e político. Conciliar com a vontade das igrejas cristãs conservadoras e homofóbicas, em nome de pragmatismo político, é permitir que aqueles que hoje exigem “compromissos de campanha” contra o aborto e contra os direitos LGBT, e outros temas que incomodam, tornem-se amanhã, dentro e fora do Congresso Nacional, como cães de guarda da moral sexual vigente, os primeiros e mais ferrenhos opositores de posicionamentos e ações de governo favoráveis a políticas públicas e direitos que não podem mais continuar suspensos, negados, obstruídos, confiscados.
            Na disputa final, PT e PSDB deveriam dar lições de coragem política, enfrentando a ideologia familista cristã conservadora que faz com que a sociedade brasileira seja hoje uma das mais atrasadas em relação aos direitos LGBT e a questão do aborto. Mas, inversamente, assistimos os dois partidos com peças de marketing caricaturescas de “mães brasileiras”, “mulheres grávidas”, “valores sagrados”, “fé”, “família”, visitas a templos etc. Imagens e palavras de concessões ao familismo cristão conservador, numa clara alusão a posições anti-aborto e contrárias a qualquer defesa de direitos que incluam as reivindicações do segmento LGBT como casamento, adoção etc. Dilma acaba de assinar carta em que se compromete a nada fazer que “afronte à família”, mesmo diz que alterará o PLC 122 (que trata da criminalização da homofobia) nos pontos em que este seja “ameaça” à liberdade religiosa e de expressão (isto é, tenta acalmar os padres e pastores homofóbicos, que querem ter o direito de, em seus sermões, continuar maldizendo a homossexualidade e os gays e lésbicas) e que é “pessoalmente contra o aborto”. Por sua vez, Serra traz a figura da comovente “mãe” e sua solidária ideologia do “amor materno”, discurso subliminar contra o aborto, e, embora tenha assinado documento em que se posiciona favorável à “união civil” de homossexuais, declara que não é favorável ao “casamento”, assunto que seria das igrejas.
            Dilma e Serra deveriam ter a coragem de desafiar a ideologia familista cristã numa prova de coragem para governar uma sociedade que não pode ter no seu Estado um lugar de atuação de religiões, mas um espaço laico. Única possibilidade de elevar a própria esfera política à posição de esfera na qual não se toma posições baseadas em crenças ou critérios religiosos, mas a partir de critérios racionais, públicos e políticos. Todavia, escondidos nas razões do pragmatismo político-eleitoral e submetidos à ideologia do marketing, que, contemporaneamente, substitui a própria política, as duas candidaturas rebaixam seus propósitos e deixam-se derrotar por um familismo homofóbico e conservador que, qualquer que seja o resultado eleitoral, já pode comemorar sua vitória.

domingo, 9 de maio de 2010

artigos Tortura nunca mais. Lei, sempre

Enviado por Sandro Vaia -
7.5.2010
|
10h03m
artigos

Tortura nunca mais. Lei, sempre

A tortura é um dos crimes mais hediondos e uma das manifestações mais degradantes e covardes da natureza humana.Mais grave ainda quando praticada por agentes de Estado que subjugam e humilham fisicamente uma pessoa indefesa a pretexto de obter confissões ou informações, seja dentro de um quadro de conflito político, seja em uma investigação criminal de qualquer natureza.

Estabelecida essa premissa, para que não restem dúvidas, ficam ainda mais fortes os motivos para admirar as razões que levaram o ministro Eros Grau a votar, com argumentos contidos num contundente relatório de 61 páginas, na tese de que a Lei de Anistia promulgada em 1979 e confirmada pela Constituição de 1988, não é passível de revisão pela Justiça- no que foi acompanhado por outros 6 juízes.

A primeira razão para admirar o voto: Eros Grau não é um reacionário de má história.Ele mesmo,que já se declarou marxista, foi preso e torturado durante o regime militar, o que não afetou a isenção técnica de seu julgamento.

A segunda razão para admirar o voto: ele mantém o princípio da segurança jurídica, o que é um dos esteios de um legítimo Estado de Direito.

É estranho e irônico que certos segmentos da sociedade, que criticaram a decisão do STF, sejam os mesmos que criticam o excessivo protagonismo da Justiça, e que protestam contra a “judicialização” da vida política do País.

O voto de Eros Grau , para quem se der ao trabalho de lê-lo, não é um voto pró-tortura, mas sim um voto a favor do pleno Estado de Direito.Ele argumenta que a Lei da Anistia foi pactuada entre sociedade e governo, e resultou ser recíproca pela vontade manifesta das duas partes, e referendada pelo Congresso.

Alegava a OAB em sua petição que o regime, em 1979, quando a lei foi promulgada,não era plenamente democrático, e que em função dessa desequilibrada relação de forças políticas, o governo acabava auto-anistiando os seus agentes acusados de crimes contra a Humanidade, como a tortura.

Eros Grau tinha fortes argumentos contra a petição da OAB: se a alegação de que a lei foi aprovada por um Congresso pouco independente fosse válida, toda a legislação do período autoritário teria que ser revogada; quando a Lei da Anistia foi aprovada, ainda não existia a lei que tornava a tortura crime inafiançável e não-anistiável,promulgada em 1997, e nem a Convenção das Nações Unidas Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis,que só entrou em vigor em junho de 1987.Leis não retroagem,como se sabe. E mais: a Lei da Anistia foi revalidada pela Emenda Constitucional nº 26, que convocou a Assembléia Nacional Constituinte, ou seja, durante a plena vigência do regime democrático.

O ministro defendeu um princípio constitucional básico, em cima do qual construiu a arquitetura de seu raciocínio: “No Estado democrático de Direito o Poder Judiciário não está autorizado a alterar,a dar outra redação,diversa da nele contemplada,a texto normativo.Pode, a partir dele,produzir distintas normas.Mas nem mesmo o Supremo Tribunal Federal está autorizado a reescrever leis de anistia”.

Aos que argumentam com o fato de outros países da América Latina,como Uruguai,Chile e Argentina terem conseguido punir os seus torturadores,Eros Grau mostra que a “Lei de Obediencia Devida”, “Lei de Caducidad de La Pretensión Punitiva”, a “Lei del Punto Final” e outras, tiveram origem no Legislativo desses países, e não foram impostas por intepretação judiciária.

Enfim, o que a decisão do STF mostrou é que se a sociedade brasileira deseja revogar uma parte da lei de anistia e punir um dos lados em conflito, é preciso que o faça através dos meios que o estado democrático de Direito lhe faculta: por uma lei elaborada e aprovada pelo Congresso.

Por isso,a decisão do STF não defende a tortura.Defende a lei.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. Escreverá sempre às sextas-feiras. E.mail: svaia@uol.com.br

Siga o Blog do Noblat no twitter

Ouça a Estação Jazz e Tal

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O respeito à diferença (Artigo) O Globo - 07/05/2010 HENRIQUE ZAREMBA DA CÂMARA A questão da convivência com as diferenças tem uma história dat

O respeito à diferença (Artigo)

O Globo - 07/05/2010

HENRIQUE ZAREMBA DA CÂMARA

A questão da convivência com as diferenças tem uma história datada. Começa no século XVIII, no Iluminismo, quando o Ocidente europeu formula uma nova forma de organizar seus modos de vida.

O reconhecimento de que o indivíduo dispõe de direitos pelo simples fato de ser humano constitui-se uma formulação revolucionária. O homem que, ao longo das sociedades autocráticas e absolutistas, nunca conseguiu viver com a autonomia da razão, agora, sob o influxo das ideias iluministas, ousou pensar, ousou saber, ousou assumir a responsabilidade de construir sua própria humanidade; tomou em suas mãos a missão de organizar a vida social, pela força da razão.

A simples ideia de que a felicidade é um direito já demonstra o grau de ousadia daquele momento histórico.

Fazê-la inscrita em um documento como a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América foi um marco. Como também é um marco a Declaração dos Direitos do Homem, herança da Revolução Francesa de 1789.

Os franceses e os ingleses, por exemplo, nos legaram um acervo formidável de ideias capazes de construir convivências, não a partir de poderes sobrenaturais, mas a partir de contratos sociais, de acordos entre pessoas, de direitos gravados em documentos institucionais. Nasceu a democracia representativa, nasceram os cidadãos que se igualavam em face da lei e das constituições.

Não mais o súdito imobilizado.

Mesmo a escravidão, abominável, passou a ser intolerável a partir destes novos modos de pensar que ofereceram os instrumentos necessários para que almas sensíveis pudessem travar a luta pela abolição daquela infâmia.

Um novo mundo se formou, a partir da valorização do outro como portador de direitos garantidos pela natureza e pela constituição. A revolução iluminista moldou o mundo em que vivemos, nós, ocidentais.

A liberdade de expressão, junto com a garantia da livre circulação das ideias, é um desses monumentos à inteligência e à grandeza da civilização que só se tornou possível em face da valorização das diferenças.

Ameaçar estes direitos é um atentado de lesa-humanidade, inaceitável sob qualquer ponto de vista.

Além das conquistas históricas e sociais derivadas do Iluminismo moderno, uma outra lição ainda se fez presente: a lição de que o grau de civilização de nossas sociedades pode ser medido pela maneira como convivemos com as diferenças. O outro se tornou uma questão, e a questão do outro é a base de uma pedagogia civilizada.

Aprendemos, ao longo destes últimos trezentos anos, que somos indivíduos coletivos, não podemos viver senão em comunidade, compartilhando valores semelhantes ou próximos, almejando mais ou menos o mesmo projeto de vida, rezando, muitas vezes, as mesmas orações.

Por mais que se fragmente a realidade, ela ainda nos une a partir de certos laços de solidariedade e de convivência.

Reconhecer este caráter ecumênico, esta constante antropológica, é parte fundamental do processo civilizatório que a educação agencia.

Portanto, a educação que se deve praticar, neste cenário, é aquela livre de qualquer tipo de sectarismo ou dirigismo, seja por parte do Estado ou decorrente de crenças religiosas ou ideológicas, que limite o direito de escolha, a liberdade de opinião, as prerrogativas democráticas e, sobretudo, o respeito às diferenças. Nesse caso, a escola particular tem muito a oferecer, porque inspirada nos valores da liberdade.

Convido os leitores para uma reflexão sobre a diferença.

Vivê-la, intensa e plenamente, é uma das condições da modernidade. Afinal, é imensa a responsabilidade de viver em uma época cheia de oportunidades e de conflitos igualmente graves, como é o caso dos terrorismos. Mas essa realidade cambiante exige certas aberturas mentais e sociais que só a educação com liberdade pode estimular.

Cada vez mais, viver significará conviver, respeitando o limite do outro, como observou Kant, um campeão do pensamento iluminista.

Respeitar a diferença, aprender a conviver com ela, em liberdade e em paz, é a forma mais eficaz de se integrar ao admirável mundo novo já presente em nossa história.

HENRIQUE ZAREMBA DA CÂMARA é diretor da Federação Nacional das Escolas Particulares.

Cortesia:Clipping Bem Fam(07/05/010)

Família virtual (Artigo) Correio Braziliense - 07/05/2010 Frei Betto

7/05/2010

Família virtual (Artigo)

Correio Braziliense - 07/05/2010

Frei Betto

A desinstitucionalização da família é um dos aspectos mais marcantes da crise da modernidade. O que é, hoje, uma família? Onde os vínculos inquebrantáveis da instituição agregadora de avós, pais, filhos, tios, primos e netos?

A reconfiguração dos papéis sexuais, a instabilidade dos laços conjugais, o divórcio, o recasamento fragmentam o núcleo familiar. As crianças circulam entre vários lares autônomos em contato com diferentes adultos que lhes transmitem, como valores, tantas opiniões e atitudes divergentes que elas ficam convencidas de que tudo é relativo.

A crise do modelo familiar tradicional decorre de fatores como a emancipação da mulher, que já não depende do marido para se sustentar; do desprestígio da autoridade paterna; da igualdade de direitos das pessoas; o que embaralha e mina a antiga hierarquia de papéis definidos entre avós, pais, mães, filhos e tios.

A atomização do núcleo familiar desordena o conceito de autoridade, o exercício da obediência, o patriarcalismo outrora dominante. A família é, agora, um agrupamento funcional de trocas afetivas e interesses econômicos. Nela, os deveres específicos de cada um perdem nitidez. Os rituais de entrelaçamento e consolidação – refeições em comum, frequência dominical ao culto religioso, férias conjuntas, celebrações de aniversários etc. – se esfumaçam sem que seja introduzida nova liturgia de estreitamento de vínculo familiar.

O que é hoje um lar? Um espaço de moradia onde cada um se locomove de acordo com interesses individuais. No lugar da mesa posta com a família em torno, a geladeira como provedora de abastecimento; no lugar da sala como espaço de convívio, o quarto individual como local de refúgio, onde cada um se esconde entretido com a parafernália eletrônica, como TV e internet, que substitui, pelo relacionamento virtual, a sociabilidade calcada na alteridade. A solidão deixa de ser um recuo à ação solidária e nutrição cultural para funcionar como abrigo de evasão solitária.

Outra causa de desagregação da família tradicional é o poder exercido pelo império televisivo. A TV é o “terceiro pai” que desempenha forte influência na formação de crianças e adolescentes. Desloca o núcleo familiar da sua relação de alteridade (conversas em torno da mesa, na varanda, na calçada ou no quintal; jogos de tabuleiro ou baralho; recital de música ou teatro improvisado etc.) para a confluência de todos rumo à tela de TV.

A família real cede lugar à virtual. E, em muitas famílias, nem há mais justaposição; há um aparelho de TV em cada quarto, atomizando as relações e dificultando o diálogo.

A democracia neoliberal – essa que se baseia na aquisição de bens materiais e permite a todos avaliarem seu grau de liberdade segundo sua proximidade ou distância do mercado – impõe-se à família por meio da TV, anulando os rituais fundados no afeto e na cumplicidade de sangue.

Já não vigora a autoridade paterna a decidir o que, na TV, convém ou não às crianças. Nem há debate familiar. Cada um decide, a seu bel-prazer, o tempo e o conteúdo de sua voluntária sujeição à TV, em detrimento de diálogo familiar, leitura, oração, diversão, exercício físico ou desempenho social (visitas, frequência ao clube, biblioteca, teatro etc).

A família atual tende a ignorar os parentes, não se interessa por eles, embora alimente grande apreço pelos novos “parentes” a quem, quase diariamente, abre portas e corações: William Bonner e Fátima Bernardes; Hebe Camargo e Faustão; Luciano Huck e Luciana Gimenez; Datena e Boris Casoy; e toda a plêiade de heróis e heroínas de telenovelas, programas infantis e desenhos animados.

Esses novos tios e tias têm a vantagem de serem sempre divertidos e educados; não pedem dinheiro emprestado, não bebem as nossas bebidas nem comem a nossa comida; não ocupam espaço; não nos convocam às suas doenças; mostram-se sempre saudáveis e risonhos; são ricos e famosos. Como a realidade é cada vez mais virtual, podemos até sentir-lhes o perfume...

Freud ficaria confuso se voltasse hoje. Já não temos necessidade de “matar o pai” ou “odiar o irmão”. Basta discar o número fatal que exclui um “brother” ou trocar de canal a cada vez que aquele chato ou aquela megera aparece no vídeo.

Todas as noites milhões de telespectadores se nutrem abnegadamente dessa sopa de entretenimento – telenovelas, programas humorísticos, esportivos etc. – temperada de tudo isso que falta à sua vida real: o grande amor, a emoção, o desafio, o ideal, a beleza, a roda da fortuna...

E la nave va. A vida prossegue. Por dentro da TV. Do lado de fora, demitidos do papel de protagonistas, de sujeitos históricos, aceitamos ser meros espectadores instados a consumir. Ou melhor, a conjuntamente sumir. E deixar que ídolos virtuais vivam por nós

Cortesia: Clipping Bem Fam(07/05/010)