Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"


Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.

Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.

QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.

Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.

Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.

Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.

Obrigado, desculpe o transtorno!

NADA A COMEMORAR

NADA A COMEMORAR
NADA A COMEMORAR dN@dILM@!

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

SEGUNDA-FEIRA 10:00hS
EAT Luis Carlos Ripper - Rua Visconde de Niterói, 1364 - Bairro Mangueira.
Caro Companheiro (a), Venha participar, com sua presença, dia 18 de fevereiro, às 10hrs da manhã de um "abraço" ao prédio da nossa querida EAT - Escola das Artes Técnicas Luis Carlos Ripper que, junto com a EAT Paulo Falcão ( Nova Iguaçu) foi fechada por uma arbitraria decisão governamental. Participe deste ato de desagravo ao fechamento de duas escolas públicas, reconhecidas e premiadas internacionalmente que, há dez anos, levam educação de excelência ao povo. ... Compartilhe este convite com todos aqueles que, como você esta comprometidos com a educação verdadeiramente de qualidade. >> Assine a petição para não deixar o governo do estado acabar com duas escolas de excelência!! << http://www.avaaz.org/po/petition/Pelo_manutencao_das_EATS_e_de_sua_Metodologia/?cqMRZdb Saiba mais: http://sujeitopolitico.blogspot.com.br/

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3 anos de existência com vocês...

Ativismo Contra Aids/TB

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

#Artigo #ViciadosDigitais: um problema atual. @AlysonMiguelHarradReis


Artigo do Filhote - Alyson Harrad Reis
Toni Reis
Artigo Viciados Digitais: um problema atual.

Alyson  Miguel Harrad  Reis*

Neste artigo vou escrever sobre um problema  sério que são os viciados digitais.  Baseie-me na reportagem da Revista Isto É de 04/10/2013 e na  minha  experiência e  dos meus  amigos. Há crianças e adolescentes, adultos e   alguns idosos que sofrem crises de pânico por conta da  falta  de seus celulares, tablets e computadores.

Vítimas de dependência digital depois de ficarem 24 horas sem computadores, smartphones e tablets, jovens e adultos sofrem  crises.
Alguns  exemplos: “Eu literalmente não sabia o que fazer comigo” diz um estudante do Reino Unido.
“Fiquei me coçando como um viciado porque não podia usar o celular” contou um americano.
“Me senti morto ”  desabafou um Argentino.
Depois disso comprovaram que eles são viciados digitais totais.  Eu ainda  não  sou  viciado digital, mas  tem uma certa  ansiedade  pelo  tablet e  pelo  POU  do  celular  do meu  pai.

Smartphone que não desliga.

Um analista de 31 anos chamado Vinicius Yamada, de São Paulo, se viu obrigado a controlar o tempo no Smartphone depois de sofrer uma crise de pânico.
“Foi horrível, aconteceu do nada, não conseguia respirar nem engolir saliva”. 
Vinícius acredita que o ataque do nível que ele conseguiu alcançar foi por usar excessivamente o aparelho. Eu  acho  isto  muito  complicado,  as pessoas devem  se  controlar um pouco.  Tudo  em excesso  é  perigoso. Por exemplo: refrigerante,  comida, doce, hambúrguer, ovo, bata-frita e demais comidas também  viciam.
 Eu   exagero  um pouco, mas  não  sou  viciado.

Fixação pelos jogos online. Um homem de 35 anos chamado Fabiano Soares dos Santos, passou quase três dias seguidos jogando na rede: “passei meu aniversário e casamento assim” diz ele. Fabiano joga cerca de 12 horas e só sai de casa se precisar. Ele joga Combat Arms, um famoso jogo da internet. Acho  isto muito complicado eu jogo alguns joguinhos da facebook.  Tipo uma hora por dia conforme combinado com meus pais.


Facebook com moderação. Uma professora chamada Thais Luiz de 32 anos, saiu três vezes do Facebook. Ela disse que aumentava a ansiedade de entrar de novo, e disse que sentia uma sensação estranha de não poder mexer no Facebook.  Acho  muito  legal  o  Facebook, mas prefiro  minhas  amizades pessoalmente  na  escola, no escoteiro  ou  aqui  em casa.


Doenças digitais : crianças  e adolescentes estão sofrendo dores nas costas e no pescoço por conta de horas excessivas manuseando controles de vídeo game ou jogando no celular ou tablets.
Um vicio  em vídeo game pode resultar em dores nas costas na coluna e no pescoço.  
Ficar sentado muito tempo em posição errada resulta em dores nas colunas vertebrais.   

Eu aprendi com este artigo: Que não devo ficar muito tempo na internet. Não ficar muito tempo jogando em tablets, celulares e vídeo games. Mas  tenho  uma  tentação com eletrônicos. 
Aprendi que se jogar demais fica viciado em eletrônicos, por isso vou me controlar. 

Estudante * 12  anos, do  Colégio  Estadual  19  de  Dezembro, Curitiba-PR 

parabéns ao Alyson,que continue assim,vai ser um ótimo escritor.

SYR-DARIA CARVALHO MESQUITA

COMISSÃO DE ÉTICA DA ABL REGIÃO SUL
VICE COORDENADORA DO FORUM DE ONGS/AIDS PARANÁ
SECRETÁRIA DA SECRETARIA DE GENERO,POLITICAS ETNICO RACIAIS E DIREITOS LGBT
TESOUREIRA DO CEPAC
CONSELHEIRA DO CONSELHO DA MULHER DO PARANÁ
COMISSÃO DE DST/AIDS DA SECRETARIA DE SAUDE DO MUNICIPIO
TITULAR DO FORUM DE EDUCAÇÃO DO MUNICIPIO

domingo, 25 de março de 2012

artigo sobre HTLV


Coloquei tb no facebook
Ana

PROGNÓSTICO DE PACIENTES HIV POSITIVOS CO-INFECTADOS COM HTLV I-II: UMA REVISÃO
2011-12-01 17:13
Autores: T.G.S. Brito; A.F. Lima
Orientador: F.A.M. Esteves
Data: 23/11/2011
Resumo:
Introdução: Os HTLV-I  e HTLV-II (Vírus Linfotrópicos de Células T Humanas) são vírus que apresentam tropismo pelas células T, pertencem à família Retrovididae, ao gênero Deltaretrovirus e apresentam seu material genético composto por RNA. Dos dois sorotipos, o HTLV-I é o mais prevalente na população brasileira e mundial, ele se encontra associado à doenças linfoproliferativas como o linfoma, leucemia de células T do adulto, paraparesia espástica tropical e a uveíte. O HTLV-II está associado à patogênese de síndromes neurológicas, bronquite, artrite e pneumonia . Por ser um retrovírus a transmissão do HTLV ocorre da mesma maneira do vírus de imunodeficiência humana (HIV), por via transplacentária, contato sexual e por transfusão de sanguínea. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), que é uma consequência da infecção pelo HIV, causa nos indivíduos infectados um quadro de imunodeficiência, que pode ser agravada, no que se diz respeito ao prognóstico por uma co-infecção pelo HTLV. Estudos relatam a influência que o HTLV tem na progressão da AIDS, visto que a co-infecção pelo HTLV propicia um aumento da replicação do HIV-I acelerando o desenvolvimento da doença. Alguns resultados de estudos em 758 pacientes infectados por HIV-1 revelaram, através do método de Western Blotting, 7 casos para infecção de HTLV-I e 21 casos para HTLV-II; e utilizando a PCR nesses mesmos indivíduos, 6 casos foram identificados como portadores do HTLV-I e 37 casos como HTLV-II. Demonstrando uma prevalência considerável da co-infecção nesses pacientes. Nos pacientes HIV positivos co-infectados com HTLV I-II a contagem de TCD4 e TCD8 foi menor que a contagem das mesmas células em relação à infecção somente por HTLV. Objetivos: Relatar as principais repercussões clínicas provenientes da co-infecção entre pacientes com HIV e HTLV I-II positivos. Metodologia: O método utilizado foi uma revisão de literatura com base na pesquisa de dados a partir da Scielo e Bireme, onde os artigos escolhidos tiveram como critério de inclusão o período de 2002 a 2011 e que abordassem as implicações sobre o tema abordado. Conclusão: Pôde-se concluir que é relevante a incidência de co-infectados por HTLV I-II e HIV. Esses indivíduos apresentam uma progressão no quadro de supressão do seu sistema imunológico, apresentando uma diminuição significante nos linfócitos TCD4 e TCD8, implicando em um agravamento no prognóstico desses pacientes.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Veja lança Campanha #Distrital, já!

Artigo

Distrital, já!

Luiz Felipe D’Ávila
Nos últimos vinte anos, a reforma política esteve várias vezes na pauta do Congresso, mas ela nunca conseguiu percorrer o longo e sinuoso caminho das comissões parlamentares e do plenário até se tornar lei. O motivo é simples. Os deputados temem que a alteração das regras do sistema eleitoral possa afetar as chances de eles se reelegerem. A única maneira de fazer a reforma política avançar no Congresso é por meio da mobilização da opinião pública e da pressão da sociedade. O desafio de levar o tema para as ruas e engajar as pessoas na luta pela reforma política exigirá respostas claras e objetivas a três questões fundamentais:

1) Como o sistema eleitoral afeta a vida das pessoas?
2) Por que a reforma política é um tema tão importante para o país?
3) O que devemos fazer para mobilizar a sociedade?

O sistema eleitoral afeta dramaticamente a relação das pessoas com a política. O voto proporcional e as regras das coligações partidárias produzem um Parlamento distante dos interesses da sociedade. A eleição para deputado transformou-se numa caçada de votos pelo estado. A capacidade de o candidato conquistar recursos financeiros, extrair benefícios das coligações do seu partido e contar com o apoio dos “puxadores de voto” e da máquina partidária é infinitamente mais importante do que o mérito e o desempenho pessoal da sua atuação no Parlamento. E o que isso tem a ver com a vida cotidiana das pessoas? Tem tudo a ver. Deputados “genéricos” vagam pelo universo político e aproveitam a falta de fiscalização e de cobrança dos eleitores para propor projetos “populares” que consistem fundamentalmente em aumentar de modo irresponsável o gasto público e pressionar o setor produtivo com aumento de impostos e taxas que consomem quase 40% do PIB.

A atuação do deputado “genérico” é agravada pelas distorções do voto proporcional. Um estudo publicado por Persson e Tebellini revela como o sistema eleitoral impacta as contas públicas. Países que adotam o voto proporcional têm gastos públicos mais elevados, despesas maiores com a previdência social e um déficit público maior que os dos países que adotam o voto majoritário.

  Voto majoritário Voto proporcional
Gastos do governo 26% 35%
Previdência 5,5% 13%
Déficit 2,9% 3,9%
Deve-se debitar grande parte do descrédito do Parlamento ao sistema eleitoral. Suas regras contribuem para distorcer o desejo da maioria do eleitorado, distanciar o eleitor dos seus representantes e enfraquecer o Poder Legislativo. O Congresso, as assembleias estaduais e as câmaras de vereadores costumam ser citados como as instituições menos confiáveis do país. Não é por outra razão que 70% dos eleitores não recordam em quem votaram para deputado na última eleição. Essa amnésia é péssima para a nossa democracia.

A reforma política tem de ser tratada como prioridade nacional. A existência da democracia depende da credibilidade das suas instituições. O voto proporcional contribuiu para distorcer o conceito de equilíbrio constitucional entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – um dos preceitos essenciais do bom funcionamento do sistema presidencialista. Ao produzir um Parlamento fragmentado em dezenas de partidos, o Legislativo sucumbiu à pressão do Poder Executivo. A hipertrofia do Executivo reforça a ideia do personalismo político e minimiza a importância das instituições. Cria-se a falsa percepção de que as soluções para dificuldades e problemas não são obtidas por meio das instituições, mas por meio da propina, da troca de favores e de contatos pessoais com pessoas ligadas ao governo.

Instituições fracas colaboram para a proliferação da corrupção. Elas corroem a confiança nos poderes constitucionais, a continuidade das políticas públicas e a previsibilidade das ações governamentais. A indústria da propina, a troca de favores e o contorcionismo legal e ilegal para superar dificuldades, obter vantagens ou livrar-se das amarras burocráticas distorcem as regras de mercado, afetam os investimentos e levam a sociedade a perder a confiança nas instituições. Um sistema eleitoral que contribui para a ineficiência do gasto público, sequestra quase metade da renda nacional por meio de impostos e produz um Parlamento que conta com a indiferença e o menosprezo da população precisa ser urgentemente reformado.

A mobilização popular é essencial para conter a discussão das falsas reformas no Parlamento. Há duas formas clássicas empregadas pelos parlamentares para fugir de assuntos polêmicos. A primeira é criar uma comissão parlamentar e preenchê-la com membros que não se interessam em mudar as regras do jogo. A segunda é apresentar propostas para alimentar a discussão no Parlamento e na imprensa e esperar que o tema esfrie e saia da pauta política. Trata-se da famosa introdução do “bode” na sala para depois retirá-lo. Os dois “bodes” da reforma política são o “distritão” e o “voto em legenda”. Ambas evitam discutir o tema que tira o sono dos deputados: aumentar a cobrança e a fiscalização do eleitor.

- No “distritão”, vencem o pleito os deputados mais votados no estado. Acaba-se com o voto proporcional, mas se preserva o deputado “genérico”: aquele que diz representar todos os eleitores do estado, mas não representa ninguém, a não ser os interesses dos financiadores de campanha e os seus próprios. O “distritão” vai colaborar para a proliferação de deputados Tiriricas.

- No caso do “voto em legenda”, o eleitor perde o direito de escolher pelo voto direto o seu deputado. Vota-se na legenda, e o partido escolhe o deputado: uma maneira criativa de garantir a eleição de deputados mensaleiros que não seriam eleitos pelo voto distrital.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Unidade na ação para diminuir a homofobia

Artigo  para  reflexão  e publicação livre.
Toni Reis
Artigo - Unidade na ação para diminuir a homofobia
Toni Reis*

Algumas pessoas se dizem descontentes com o trabalho do movimento LGBT. Porém, geralmente essas pessoas que ficam reclamando fazem pouco ou nada para melhorar a situação. Ou são autonomistas que não têm base social, ou não participam de reuniões periódicas de base. Essas pessoas geralmente não conhecem a realidade em que milhões de LGBT estão inseridos, algumas nunca atenderam o apelo desesperado de uma vitima da homofobia.

É importante lembrar para as pessoas que fazem criticas construtivas, que elas não se encaixam nas observações anteriores.

É necessário ter planejamento para atingir nossos sonhos. Você tem planos e idéias para melhorar a situação LGBT no Brasil?

Você tem um site que ajuda a construir o movimento?  Ou você só quer detonar o que está sendo feito? Você já escreveu para Bolsonaro, Miriam Rios, Du Loren ou Malafaia protestando, ou fica esperando que os(as) outros(as) façam o que você poderia fazer? Você já protestou contra um vereador da sua cidade, ou um deputado do seu estado? Já parabenizou parlamentares aliados, ou prefere dizer que eles poderiam fazer melhor? Quantas cartas abertas você já escreveu? Quando uma organização LGBT pediu a sua opinião ou colaboração, você contribuiu ou só ficou falando depois como as coisas deveriam ter sido feitas. Quando convidaram para organizar a Parada LGBT em sua cidade, você ajudou ou simplesmente saiu falando que é um carnaval fora de época?

Você já aceitou assumir um cargo em uma organização LGBT? Ou recusou alegando falta de tempo e depois saiu criticando com afirmações do tipo: “essa turma quer é ficar sempre nos cargos"? Quando as pessoas estiverem trabalhando com boa vontade e com interesse para que tudo corra bem, há quem afirma que a entidade está dominada por um grupinho. Você já fez isto? Também há quem não lê o que é postado nas listas de e-mail e depois fica reclamando que nunca é informado de nada. Você já fez isto?

Quando há divergências com uma pessoa da diretoria ou da entidade, você procura com toda intensidade vingar-se na organização e nas listas de discussão e boicotar seus trabalhos, inclusive colocando as outras entidades congêneres contra?

E quando cessarem as publicações, os projetos, as reuniões e todas as demais atividades, enfim, quando nossa entidade morrer, você é daqueles que estufa o peito e afirma com orgulho: ‘’Eu não disse?’’?

Às pessoas que ficam reclamando, sugiro a leitura do texto abaixo, baseado em artigo sobre as obras de Erika Andersen e publicado no site Olhar digital;

Dica um: Tenha objetivos razoáveis na militância.
O (a) Ativista precisa entender exatamente o que o(a) inspira e qual o trabalho que pode dar mais prazer no futuro para definir um trabalho social e ideal. E precisa ser realista em seus objetivos: se sua ambição é criminalizar a homofobia, você pelo menos tem que falar com os(as) congressistas senadores(as), deputados (as). Com quantos(as) você já conversou sobre o assunto?  Vai depender deles os votos.

Pense no trabalho baseado nos conhecimentos que já possui, experiências e interesses, além de, obviamente, descobrir ser tem os recursos necessários para trabalhar na área desejada. Busque apoio nas boates, saunas e sites LGBT. Eles(as) podem ajudar muito.

Foque no que você gostaria realmente de fazer e que acha ser possível. Aconselho que o(a) militante escreva suas principais conclusões e, a partir daí, trace um plano de ação para atingir seus objetivos, em determinado tempo. Se seu objetivo vai depender de formar uma ONG ou ganhar muito mais experiência profissional, pense em algo de longo prazo. Já se você quiser fazer um simples avanço em que está sendo feito, junte-se a quem está trabalhando É muito difícil trabalhar em grupo, mas, no final é gratificante. Temos hoje nove redes nacionais LGBT no país e 302 ONG registradas, e 35 fóruns informais, e mais 167 listas LGBT e muitas comunidades no Face book e Orkut e outras redes sociais.

Dica dois: Seja honesto sobre os obstáculos
Infelizmente tem homofobia para todo mundo trabalhar.
Depois de ter uma clara ideia de que gostaria de conseguir e quanto tempo vai ser necessário para atingir o trabalho dos sonhos, se prepare para as barreiras que podem surgir no caminho. Eu sugiro que você enxergue os obstáculos na política, nos recursos e nas pessoas.

Entre os exemplos de situações que precisam ser analisadas, destaco que o(a) ativista deve enxergar se a cidade o estado em que mora tem espaço para o trabalho que quer fazer, se está disposto a abrir mão de parte do salário atual para entrar em uma nova área; se vai ter dificuldade para aprender novas coisas que serão fundamentais na área que pretende seguir, entre outros. Lutar pelo coletivo, é só receber críticas, geralmente. O que você fizer receberá 97% de criticas e 3% de reconhecimento.

Dica três: Organize o plano de ação e vá à luta
Após entender exatamente o que quer fazer e quais os obstáculos vai enfrentar pela frente, o(a) ativista deve detalhar todos os esforços que serão necessários, na ordem correta, para atingir os objetivos.

Por exemplo, se você descobre que precisa buscar conhecimentos adicionais para atingir a cidadania dos sonhos, deve traçar um plano de ação específico para isso, em ordem cronológica. Como exemplo: 1) falar com as pessoas no movimento LGBT para entender o que elas pensam que é mais importante em termos de conhecimento e formação; 2) pesquisar os cursos e encontros específicos; 3) definir quais são as opções razoáveis em termos de tempo e dinheiro; 4) determinar a melhor opção.

Concluir a decisão de definir os rumos da própria atuação como ativista serve como um estímulo para qualquer militante. “Minha experiência é que muitas coisas boas se seguem a isso: mais energia, aumento da autoconfiança, moral elevada e uma excelente sensação de sucesso”.

Estamos firmes na luta pela cidadania plena LGBT.

*Toni Reis
Presidente da ABGLT

domingo, 12 de junho de 2011

Bolsonaro: a cepa de 1964 segue viva em 2011

Política| 01/04/2011 | Copyleft


Bolsonaro tem sido tratado pela mídia conservadora como uma excrescência. Um ponto fora da curva. Um excesso. Um palavrão deselegante na narrativa garbosa do conservadorismo nativo em nosso tempo. De fato, o deputado professa de forma desabrida e truculenta um relicário de anticomunismo, racismo, elitismo, defesa da tortura (hoje em interrogatório de presos comuns...) e mesmo da pena de morte. Ademais, vocaliza alinhamentos nada exóticos em relação a outros temas, quando recebe menos espaço na mídia, mas cumpre igual papel de perfilar entre os que erguem pontes de atualização do programa e dos interesses que produziram 1964. O artigo é de Saul Leblon.

Não deve ser negligenciada a coincidência entre o aniversário dos 47 anos do golpe militar de 1964 e o vomitório homofóbico-racista despejado pelo deputado Jair Bolsonaro (PP), nas últimas semanas.

Em entrevistas e declarações a diferentes veículos, ele adicionou mais algumas pérolas a sua robusta coleção de ataques aos direitos humanos, cujo usufruto, na visão sombria de mundo desse ex-capitão reformado do Exército brasileiro, deveria ser vetado aos negros, aos homossexuais, os índios, os comunistas, socialistas, os pobres e, possivelmente, também, aos deficientes físicos.

Bolsonaro tinha apenas 12 anos de idade quando ocorreu o golpe que instaurou a ditadura militar de 1964. Mas sua formação na Academia de Agulhas Negras ocorreu exatamente durante os anos de chumbo, tendo deixado a carreira em 1988 (fim do regime) para se transformar no único parlamentar brasileiro que defende abertamente o golpe de abril de 1964.

Bolsonaro tem sido tratado pela mídia conservadora como uma excrescência. Um ponto fora da curva. Um excesso. Um palavrão deselegante na narrativa garbosa do conservadorismo nativo em nosso tempo. De fato, o deputado professa de forma desabrida e truculenta um relicário de anticomunismo, racismo, elitismo, defesa da tortura (hoje em interrogatório de presos comuns...) e mesmo da pena de morte.

Assim apresentado, parece mais uma caricatura inofensiva do folclore político nacional. Um Tiririca da Tortura. Será?

Em primeiro lugar, cumpre reconhecer que o ex-capitão exerce o seu 6º mandato. Logo, tem adeptos fiéis. Conta com financiadores perseverantes. Ademais, vocaliza alinhamentos nada exóticos em relação a outros temas, quando recebe menos espaço na mídia, mas cumpre igual papel de perfilar entre os que erguem pontes de atualização do programa e dos interesses que produziram 1964.

Vejamos. Bolsonaro, a exemplo de próceres da coalizão demotucana (caso do senador Agripino Maia, hoje presidente dos Demos e de Artur Virgílio, ex-lider do PSDB) é esfericamentre contra o programa Bolsa Família, que garante uma transferencia de renda a 50 milhões de brasileiros mais pobres.

No seu entender, trata-se, aspas para o capitão: “um projeto assistencialista, de dinheiro de quem trabalha, de quem tem vergonha na cara, para quem está acostumado à ociosidade”. Vamos falar sério. O linguajar pedestre condensa para o nível da caserna aquilo que sofisticados economistas e ‘consultores’ dos mercados financeiros apregoam diariamente como plataforma para a racionalização do capitalismo tupiniquim. Como tal são incensados pelos colunistas, editorialistas e ventríloquos instalados na mídia conservadora que cumprem assim a função de trazer para o ambiente do século XXI aquilo que foi cimentado pelo udenismo, pela repressão e pela censura nos anos de chumbo, aqui e alhures.

Na campanha presidencial de 2010, certos alinhamentos ganharam vertiginosa transparência como acontece sempre que se decide o passo seguinte da história.

Enquanto o jornal Folha de São Paulo e o candidato Serra tentavam sedimentar uma imagem de terrorista e abortista para a então candidata Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro, com a rude transparência daqueles a quem é reservado o trabalho dos porões, foi aos finalmentes.

Num comício de Dilma no Rio, o parlamentar pendurou três faixas em postes da Cinelândia. "Dilma, ficha suja de sangue"; "Dilma, cadê os 2,5 milhões de dólares roubados do cofre do Adhemar” e "Lula, vá para o Mobral. Dilma, para o Bangu Um".

Na verdade, o homofóbico deputado apenas fazia uma suíte, a seu modo, da ficha falsa de Dilma construída pela Folha de SP em mais uma demonstração do jornalismo isento...(e que até hoje não se retratou).

Dava incômodos decibéis, igualmente, ao empenho da esposa do tucano José Serra, a bailarina Mônica Serra, que em corpo-acorpo na Baixada Fluminense, em 14 de novembro de 2010, vociferou autoritariamente ao vendedor ambulante Edgar da Silva, de 73 anos: "Ela é a favor de matar as criancinhas", insinuando o apoio de Dilma à legalização do aborto. Seria cansativo rememorar outros alinhamentos do período expressos, por exemplo, por setores de extrema direita da Igreja Católica e por ‘jovens’ revelações dessa mesma cepa ideológica, como o candidato a vice de José Serra, Índio da Costa, um bolsanarinho versão ‘mauricinho carioca’.

Bolsonaros, Fleurys, Erasmos Dias, Curiós, Virgílios, Agripinos, Rodrigos Maia, ACMs netos, Índios da Costa e Carlos Lacerdas nunca prosperam num vazio de conteúdo histórico. Em certos momentos, como agora, incomodam à elite conservadora ao personificarem com alarido e crueza as linhas de passagem que promovem o aggiornamento, para os dias atuais, dos interesses e valores que fizeram o golpe de 32 em SP; o golpismo que levou Getúlio ao suicídio em 54, a tentativa de impedir a posse de JK em 56, a quartelada contra a posse de Jango em 62, a ditadura 64 e a tentativa de impeachment de Lula em 2005.

Mas assim como as tardes quentes do turfe requisitam chapéus esvoaçantes e blazers de linho delicado, também é forçoso cevar e tolerar os relinchos dos potros selvagens nas estrebarias. É dessa cepa que sairão as manadas decisivas para limpar e ocupar o terreno quando for a hora, de novo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Brasil elege Pela primeira vez uma mulher como presidente.{artigo NGB}


Brasil elege Pela primeira vez uma mulher como presidente.

Foi com muita alegria que mesmo não tendo votado nela, soube que o eleitor escolheu Dilma Rosseff para a presidência do Brasil.
Ela herda do agora Ex presidente Lula um país ainda com muito a ser feito, problema de uma maquina aparelhada com um gasto muito elevado segundo economistas, problema de falta de mão de obra qualificada, segurança, educação a ser melhorada, sem falar na fome de arrecadação de tributos: Na questão da previdência deve-se observar que à ela foi incorporado vários benefícios que deveriam ser doados diretamente do caixa do tesouro e não do caixa da previdência como aposentadoria dos trabalhadores no campo e benefícios aos indígenas. Gerando um deficit que alguns especialistas não concordam. Na questão dos impostos e urgente uma reforma aliviando o empregador do dito “Custo Brasil”. E também uma reforma eleitoral, já é sabido que ela é favorável ao Voto em lista. O partidos enviam uma pré lista de nomes de candidatos e a eleição será feia de acordo com os mais votados, Alguns concordam outros não, alegam que o voto em lista irá beneficiar os caciques do partido.
Serra defendia o Voto Distrital, o que obrigaria o eleitor votar no seu conhecido do distrito e assim resultaria em maior fiscalização por parte de quem o elegeu e obrigaria o eleito a ser mais ético.
Assim vejo com atenção esses pontos a serem enfrentado por Dn@ Dilma.
E faço votos de um senão ótimo pelo menos bom Governo!

Seja bem vinda!
E que Deus e as entidades de todas as religiôes e credos te guie!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Chamada para Artigos, Áudio, Arte e Fotografias para SENSE – Segunda Edição, 2010

 
 

[fonaids] Chamada para Artigos, Áudio, Arte e Fotografias para   SENSE –Segunda Edição, 2010

SENSE – Segunda Edição, 2010

Chamada para Artigos, Áudio, Arte e Fotografias para SENSE – Segunda Edição, 2010
A SENSE  é uma publicação on-line em múltiplos idiomas para homens que fazem sexo com homens (HSH) que vivem com HIV. Com contribuições de gays e outros HSH do mundo inteiro, a SENSE contém histórias pessoais sobre o viver com HIV em quatro idiomas diferentes: inglês, espanhol, francês e português.

Para a segunda edição, convidamos para apresentar histórias, fotografias e arte sobre o tema “acesso”.  Se você gostaria de contribuir desta forma, sugerimos que as contribuições sejam voltadas para os seguintes tópicos:
  • Acesso a serviços de saúde em HIV e/ou outros serviços de saúde
  • Barreiras aos serviços de saúde em HIV e/ou outros serviços de saúde
  • Superando obstáculos para obter acesso a serviços
  • Acesso a emprego para gays e outros HSH que vivem com HIV
  • Formas como sua orientação sexual ou sorologia para HIV têm afetado seu acesso ao trabalho
  • Experiências com homofobia ou com estigma relacionado ao HIV
  • Acesso a um ambiente social saudável, sem homofobia/aidsfobia
  • Encontrando /criando espaços seguros
  • Acesso a relacionamentos familiares saudáveis e a relacionamentos de namoro
  • Comunicação com familiares e amigos a fim de criar relacionamentos saudáveis
  • Formas como sua orientação sexual ou sorologia para o HIV têm afetado seus relacionamentos pessoais
Caso seu artigo seja selecionado, solicitamos que encaminhe junto com ele uma versão em áudio, para que os leitores também possam ouvi-la através de nosso site (Visite www.msmgf.org/html/sense/sense.html para ver exemplos).

Especificações para artigos:
  • Nº de palavras: 500
  • Os artigos podem ser apresentados em: inglês, espanhol, francês ou português (é recomendado escrever o artigo em sua língua materna, se possível)
  • Fonte: Times Roman, tamanho 12
Especificação para áudio (gravação da leitura do artigo)
  • Formato: .mp3 ou .wav
Especificações para Artes e Fotografias
  • Imagens em alta resolução: 300 dpi, 8”x 11” (polegadas), jpg, png, psd
Se você está interessado em contribuir, entre em contato com Omar Baños pelo e-mail obanos@msmgf.org até 5 de novembro de 2010 para receber informações adicionais sobre o processo e o prazo.
 
Você está recebendo esta mensagem porque você se inscreveu no Fórum Global sobre HSH e HIV (Global Forum on MSM & HIV - MSMGF). Caso não queira receber este tipo de mensagem do MSMGF, clique no link abaixo para fazer o cancelamento. Independente disso, você continuará a receber eventuais informativos diários/semanais que tenha solicitado do MSMGF.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A cegueira das propostas (Artigo) Alexandre Pereira

A cegueira das propostas (Artigo)
O Globo
26/10/2010  
Artigo do leitor Alexandre Pereira 
A questão eleitoral deveria servir como motivação para a discussão de diversos temas que, apesar de profundos, correm subjacentes à balburdia das hostes do PT e do PSDB. Um deles, já fora de moda, é a institucionalização do racismo. Apesar de muito suavizado em uma das poucas atuações lúcidas de nossos políticos, o Estatuto da Igualdade Racial confirma o que somos: uma nação ainda provinciana, que prefere dividir sua população em guetos, ao sabor de intelectualismos de gaveta, abandonados até mesmo nos países que patrocinaram atitudes semelhantes a promover uma verdadeira integração. 
    " Somos uma nação ainda provinciana, que prefere dividir sua população em guetos, ao sabor de intelectualismos de gaveta " 
Outra questão, essa totalmente na moda, a polêmica do aborto, que basicamente pode ser resumida no seguinte mote: "Os pobres que morram!". Essa talvez seja uma das questões mais emblemáticas da mediocridade patrocinada por todos os governos e, atualmente, por todos os candidatos à Presidência. Desde Dom João, afinal, os que têm condições econômicas fazem aborto livremente, em clínicas bem equipadas dentro do país, ou viajam de férias e retornam com suas virgindades devidamente restauradas, enquanto os pobres autoinduzem abortos com cabides na beira das ruas. Morram, dizem homens, bispos cristãos, enquanto mulheres são mutiladas e mortas em nome da hipocrisia das urnas. Morram, dizem os guardiões da moral, mesmo que a religião e os valores dessas mulheres sejam diferente. Quem sabe, no futuro, se pleitearem ser algo mais do que as atuais brasileiras, ao menos uma parte delas possa ser bem assistida e não morrer em agonia, de infecção ou hemorragia, como as mulheres com menor poder aquisitivo já vêm morrendo há quase dois séculos, desde o Império. 
Seja lá quem venha a emergir dessa brincadeira que resolvemos chamar de eleição, trará  consigo o estigma dessas questões, que, pelas propostas, não serão tratadas com eficácia e seriedade. Assim, sairemos desse 'BBB eleitoral' ainda mais divididos, não entre os que apoiam o PT ou o PSDB, mas entre o sonho de uma sociedade mais justa e os que separam a sociedade pela raça e, desde sempre, condição econômica. 
Cortesia: Bem Fam

Em busca de um direito justo (OPINIÃO)GLAUCIA DUNLEY

Em busca de um direito justo (OPINIÃO)
O Globo
26/10/2010  
GLAUCIA DUNLEY 
O aborto envolve um dilema: uma escolha impossível e uma decisão necessária. Como transformar esta questão num "direito justo" para o povo brasileiro? Embora o reaparecer desta questão fundamental se dê sob forma travestida de interesses eleitoreiros, não desejamos deixar passar a oportunidade de elevá-la ao que ela tem de real e de urgente, e que, portanto, insiste como questão a ser pensada, elaborada na sua complexidade, e talvez só então decidida. 
Como bem o disse Elio Gaspari, em seu artigo de 9 de outubro no GLOBO, a prática do aborto não envolve apenas uma questão de saúde pública, mas fundamentalmente o conflito entre o direito à vida e o direito da mulher à liberdade de interromper sua gravidez em até doze semanas. Só aqui já estão nomeados dois titãs da experiência humana: o direito à vida e o direito à liberdade. Entretanto, o debate público trazido pela mídia em torno dos candidatos está tentando acorrentá-los com os grilhões maniqueístas e excludentes da apropriação moral, religiosa ou tecnocrata em termos de saúde. Ora, isso significa despir a questão do aborto de sua tragicidade, que sempre é vivida, independentemente de sua intensidade, no conflito íntimo de cada mulher ao se ver diante dessa situação-limite, dessa escolha impossível, mas que, paradoxalmente, lhe exige uma decisão rápida. 
Ou seja, não minimizemos a coisa, nem banalizemos algo que tem a mesma natureza do antagonismo entre Eros e Tanatos, nossas pulsões de Vida e Morte, o que levou Freud a comentar com certa ironia em "O mal-estar da civilização": "É este duelo de titãs que nossas babás tentam aplacar com suas cantigas de ninar." Ou seja, somos efetivamente incapazes de fazer face ao duelo que agita e dilacera nossa alma desde a mais tenra idade. A experiência humana é trágica, pois é vivida, segundo o criador da psicanálise, em termos deste antagonismo que cria um estado de conflito permanente, com pouca ou nenhuma chance de apaziguamento, e que se encontra exacerbado em certas situações, como achamos ser o caso em questão. O conflito existe, embora muitas vezes disfarçado sob uma capa pragmática, ou programática. E é cruel, principalmente se lembrarmos que, em sua base, trata-se de uma decisão que cada mulher é obrigada a tomar sozinha, aumentando o nível de desamparo e angústia a que se vê submetida ao ter que decidir o indecidível, além de lhe caber lidar, também solitariamente, com o peso e a dor dos fantasmas correlativos a este ato, que terão efeitos muitas vezes sobre os filhos que virão a seguir, tornando-os muitas vezes substitutos inconscientes daqueles que foram impedidos de nascer. 
A questão do aborto é uma questão política, se nos referirmos ao sentido maior deste termo: o de dar valor à polis, à vida em comum dos cidadãos, à vida do outro, sendo este outro, no caso, tanto aquele que é gerado em situações de imaturidade e precariedade afetiva ou financeira, quanto os que o geraram, levando em conta suas expectativas, suas condições, sua liberdade de decidir. Evidentemente, isto suscita uma articulação necessária com a responsabilidade que se aprende a ter através de uma educação humanizante onde a sexualidade humana poderá ser tratada como meio de vida e não de morte. 
Esta questão política levantada pela possibilidade de uma prática discriminalizada do aborto em nosso país solicita a elaboração de leis que tenham como ideal um "direito justo", capaz de levar em consideração a convivência sempre problemática entre os seres humanos, e que é exacerbada pelas não menos problemáticas relações entre o Direito e a Justiça. Pois o Direito não é a Justiça, sendo apenas um instrumento, uma tentativa, muitas vezes vã, de se fazer justiça. Em lugar de nos paralisar, este saber diferencial nos impele a participar da dimensão criativa da justiça em nosso país, no exercício de um direito em transformação, num país em transformação, implicando inclusive a retomada transformadora dos currículos de educação. 
GLAUCIA DUNLEY é  psicanalista. 
Cortesia:BemFam

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Eleições 2010: A simbologia Tiririca (artigo) 21/09/2010 Gilberto Barros Lima

Eleições 2010: A simbologia Tiririca (artigo)

21/09/2010

Gilberto Barros Lima

Não é a primeira, muitos menos será a última ocasião que candidatos “diferenciados” participam do maior ato democrático que é a votação dos representantes do País. Lembramos de tantos outros personagens engraçados e debochados que para alguns eram seres desfigurados, mas para outros foram os escolhidos no processo eleitoral.

Existe o antigo ditado que “o povo tem o governo que merece”, razão pela qual somos influenciados para a omissão quanto às questões políticas. Quando deveríamos interferir na conduta desses figurantes, escolhemos as críticas isoladas do que agirmos coletivamente contra todas essas mazelas desfavorecendo a sociedade.

Não nos impressiona quando Tiririca propaga o desconhecimento da política, ele apenas representa uma maioria que vota sem refletir e julgar o candidato merecedor da confiança. Embora o comediante brinque com a seriedade, ele não esconde a verdade, o pior são os políticos que se acobertam inclinados na demagogia.

Comumente não gostamos das condutas dos políticos, mas somos de alguns modos responsáveis por esse quadro desolador, entretanto, toda a oportunidade de mudar esse cenário, ignoramos a situação e nos conformamos com o que os políticos realmente querem: a ausência do nosso comprometimento e a cobrança pelos planos e projetos prometidos antes da sua eleição.

O candidato Tiririca é o nosso fantoche, a simbologia da nossa ignorância política, o retrato desfocado da complexa democracia, a imagem deteriorada de uma sociedade carente de educação, saúde, moradia, transporte, respeito, valorização e segurança. Lamentavelmente o candidato é a nossa imagem diante da falta de escolha por pessoas dignas e honestas.

Tiririca, não nos julgue o maquiavelismo, acima de tudo, sua imagem nos fere o íntimo, entroniza em nossa alma a incompetência, a impiedosa decadência política, postula a incompatibilidade e tem como conseqüência imediata o exemplo de Poncio Pilatos, que no lavar de nossas mãos nos despojamos da culpa e a responsabilidade, mas que nas nossas omissas atitudes, sob certos aspectos, influenciam o andar da carruagem.

Colaboração de Gilberto Barros Lima, Bacharel em Relações Internacionais (IBES-SC), Pós-graduado em Gestão de Negócios Internacionais (ICPG-SC) e Metodologia da Pesquisa e do Ensino Superior (IBES-SC), Captador de Recursos (Fundraiser) do Centro de Recuperação Nova Esperança (CERENE)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pilantropia na Política 31/08/2010 artigo de João Abner Guimarães Jr.

Pilantropia na Política

31/08/2010

artigo de João Abner Guimarães Jr.

O ditado popular “fazer o bem e não olhar a quem” certamente não se aplica ao Brasil atual, principalmente no processo político eleitoral, onde impera a “pilantropia”, gíria brasileira aplicada à falsa filantropia, que caracteriza os atos de caridade com o intuito de se tirar algum tipo de proveito da situação de fragilidade dos pobres.

Eleições e caridade não deveriam se misturar. Cuidar dos pobres e excluídos sociais deveria ser uma das principais obrigações dos governos de países ricos como o Brasil, com tantas contradições. E, nesses casos, a exposição da pobreza deveria revoltar os cidadãos contra os governos incompetentes.

Vale destacar, o exemplo de milhares de pessoas que anonimamente dedicam suas vidas a servir a causa dos mais pobres no nosso País, mantendo hospitais, creches, escolas e instituições culturais em todas regiões, dentro ou fora da estrutura do Estado, de iniciativa particular ou integrante de entidades beneficentes de assistência social, voltadas para promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial as crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiências.

Em qualquer situação, explorar a miséria humana deveria ser criminalizado, principalmente em uma campanha eleitoral, como a atual, em que os candidatos oficiais expõem e exploram a imagem e coagem pessoas pobres beneficiarias de programas de assistência social governamentais.

Será que nesse caso não deveria, no mínimo, ser aplicada a Lei dos Crimes Eleitorais que proibe a propaganda que implique em oferecimento, promessa ou solicitação de dinheiro, dádiva, rifa, sorteio ou vantagem de qualquer natureza?

A Lei trata essa questão como corrupção eleitoral ativa e penaliza, com reclusão, o servidor público que se vale da sua autoridade para coagir alguém a votar ou não votar em determinado candidato ou partido.

Contrariando a lógica malandra da política de levar vantagem em tudo, entendo que nesse caso, independente de uma ação judicial mais efetiva, o eleitor deveria assumir um papel ativo de Juiz, punindo os candidatos que abusassem da boa fé e da miséria alheia, estimulando, dessa forma, a apresentação de propostas efetivas de desenvolvimento para o nosso País, que possam propiciar mecanismos permanentes de inclusão social, resgatando as pessoas da pobreza, colocando-as no mercado de trabalho em condições relativamente iguais as outras, ao contrário das políticas assistencialistas tipo bolsa família em constante expansão e sem critério de saída.

Passado oito anos de um governo bastante beneficiado pelo momento favorável que a economia do país vem atravessando, a propagação da importância atual dos programas assistencialistas depõe contra a própria eficiência dos governos, estadual e federal, indicado, antes de tudo, a falência das políticas sociais governamentais.

João Abner Guimarães Jr. é Prof. da UFRN

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ainda somos muito desiguais (artigo) 27/07/2010 Prof. Marcus Eduardo de Oliveira

Ainda somos muito desiguais (artigo)

27/07/2010

Prof. Marcus Eduardo de Oliveira

O fator desigualdade no desenvolvimento humano continua a ser a pedra no sapato dos brasileiros. Entre os países da América Latina, estamos na nona posição no ranking que mede essa desigualdade. Esse é o resultado do último estudo divulgado pela ONU-Pnud, com base em dados de 2006.

O IDH-D (Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à Desigualdade) que considera a renda per capita domiciliar; a taxa de alfabetização e os anos de estudos das pessoas de 7 anos ou mais e, o acesso a água potável e adequadas condições de higiene, destacando-se o acesso a banheiro nos domicílios, mostram o Brasil com um índice de 0,629, portanto, na condição de país de desenvolvimento médio (de 0,500 a 0,800).

Numa escala de 0 a 1, o IDH-D aponta que quanto mais próximo de 1, como são os casos de Argentina (0,842) e Uruguai (0,834), melhor é a situação, com pouca desigualdade nos quesitos estudados. No outro extremo, quanto mais próximo de zero, pior é a condição social, como são os casos de Honduras (0,382) e Nicarágua (0,288).

Pois bem. Diante desses dados uma questão se impõe como pertinente: o crescimento econômico em si não resolve a questão da desigualdade social. Crescer economicamente não significa (e nunca significou) que a vida das pessoas mais necessitadas irá melhorar, embora seja o crescimento da economia um fator benéfico no conjunto das opções a favor da busca de bem-estar. Lembremos, nesse pormenor, que de 1870 a 1980, o PIB brasileiro cresceu mais de 150 vezes; no entanto, nesse mesmo período de tempo, excluídos os contratempos e sobressaltos políticos e econômicos, a vida dos brasileiros, em termos de melhoria substancial na qualidade de vida, não acompanhou esse forte crescimento do produto.

Ademais, ainda que a renda per capta dos brasileiros mais pobres, de 2000 a 2008, tenha crescido 72%, o IDH-D nos coloca na incômoda posição de sermos muito desiguais, o que ressalta, grosso modo, a relação conflituosa entre os campos econômico e social, contribuindo para a latente desigualdade. E somos desiguais basicamente pela deficiência de ajustar o crescimento da economia em termos de distribuição equitativa da renda, e de nos negarmos a enfrentar o desafio de conjugar mercado e virtudes civis, visando construir uma economia com eficiência, de característica tipicamente solidária.

Continuamos desiguais pois não aproveitamos a potencialidade econômica de um país dono da quinta maior extensão territorial do mundo em favor de um programa de produção de alimentos para o consumo doméstico; ao contrário: preferimos adoçar a boca dos estrangeiros com a exportação de alimentos e vitaminas. Continuamos desiguais pois não criamos ainda uma cultura de subordinar a economia aos objetivos sociais. Continuamos desiguais pois, depois de mais de 500 anos de história econômica e política, ainda temos políticas econômicas desenhadas apenas para fazer a riqueza subir, e não para fazer a pobreza se reduzir a zero, entendendo que a pobreza um dia acabará enquanto a riqueza está aumentando. É por isso que ainda somos um país paradoxal: um país rico com uma triste e dramática pobreza vinculada a um elevado grau de desigualdade.

Definitivamente, só vamos diminuir essa desigualdade e eliminar os focos de pobreza quando a economia for direcionada para produzir tudo aquilo que elimina o estado de pobreza, ou seja, escola pública de qualidade, saúde pública confiável, saneamento básico, água potável, cultivar a terra e eliminar o latifúndio, coletar o lixo das ruas, e permitir com que cada brasileiro carente tenha possibilidade de comprar arroz, feijão e o bife para o fim de semana.

Marcus Eduardo de Oliveira é Economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO. Especialista em Política Internacional pela (FESP) e mestre pela (USP).
Cortesia:Clipping Bem Fam(27/07/010)

sábado, 24 de julho de 2010

Faltou a Maria da Penha Correio Braziliense 22/07/2010 Mônica Sifuentes - Desembargadora do TRF da 1ª Região

Dizem que mandou prender a namorada, torturar, cortar em pedaços e atirar aos cães. Ninguém em juízo perfeito suporta mais ouvir falar das crueldades diuturnamente reveladas sobre a morte da modelo Eliza Samudio, atribuída ao goleiro Bruno. Não sei se me incomodam mais os detalhes macabros do caso, avidamente esmiuçados, como aqueles sobre como os cachorros comeram o corpo da modelo, ou o ar de indiferença, de quem não tem nada a ver com isso, do antes idolatrado atleta. Espera-se que a polícia consiga desvendar rapidamente o caso, poupando a todos, especialmente as famílias dos envolvidos, de maiores sofrimentos. Vale anotar que de outro bárbaro crime, ocorrido há pouco mais de um ano na capital federal, do qual foram vítimas conhecido advogado, sua mulher e sua funcionária, até hoje se aguarda o resultado das investigações.

Surpreende saber, no entanto, que em outubro do ano passado Eliza Samudio formulou pedido de proteção à Vara de Violência Doméstica em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Afirmou que havia sido sequestrada por Bruno e temia novas agressões. O pedido tramitou pela burocracia judiciária, passando por várias mãos. Primeiro, considerou-se que o caso não era de violência doméstica, porque Bruno e Eliza não eram casados e nem viviam juntos, motivo pelo qual foi enviado para a Vara Criminal. Daí passou pela Delegacia de Polícia, virou inquérito policial, foi ao Ministério Público e culminou com um singelo e lacônico despacho: “junte-se aos autos”. Enquanto esse inquérito ainda dormitava pelas prateleiras das repartições públicas em Jacarepaguá, outro se iniciava em Minas Gerais: o que apurava a morte daquela mesma vítima que pedira proteção.

O trágico caso representa a mais cristalina imagem da negligência que ainda impera no tratamento dos casos de violência contra a mulher pelas nossas autoridades. A decisão de não apurar a notícia do crime na vara especializada em violência doméstica teve como base o fato de que o relacionamento de Eliza e Bruno fora esporádico e, embora tivessem tido um filho, não chegaram a constituir uma família. Creio que uma leitura mais detida da lei que regula os casos de violência contra a mulher teria conduzido a autoridade responsável pelo caso a conclusão diversa. A Lei nº 11.340, de 2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, foi concebida não apenas para cuidar da violência doméstica, entendida como aquela que ocorre entre quatro paredes, no ambiente familiar.

Tem a lei dimensão mais ampla, pois logo no preâmbulo está posto o seu objetivo de regulamentar também a aplicação da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, ratificada pelo Brasil em 1995. Ademais, o artigo 5º da Lei Maria da Penha considera como violência doméstica e familiar contra a mulher “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”, praticada não apenas no âmbito da família ou da unidade doméstica, como também em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Essa era, ao que tudo indica, a situação da vítima com o suposto autor ou mandante do homicídio: a existência de relação íntima de afeto, comprovada pelo nascimento do filho em comum, ainda que sem coabitação.

Não cabe afirmar ou mesmo conjeturar sobre se o crime teria ou não ocorrido, acaso tivesse sido o pedido de proteção formulado por Eliza correta e imediatamente processado. Mas afirmar que a ausência de relacionamento de natureza familiar ou doméstica da modelo com o goleiro afastava a competência da vara especializada em violência contra a mulher é, com todo o respeito, interpretação discriminatória e contrária aos claros objetivos da lei. Há que se situar esse exemplo em um espectro mais amplo, que reflete certa displicência e, porque não dizer, descaso, quando se trata de questão relativa à violência contra a mulher. Faltou a Maria da Penha. Ah, isso faltou.

cortesia:Clipping Bem Fam(22/07/010)

sábado, 10 de julho de 2010

Momento de repulsa total Jornal do Brasil - 09/07/2010 A cada desdobramento do sequestro e morte da jovem Eliza Samudio, detalhes macabros vão eme

Momento de repulsa total

Jornal do Brasil - 09/07/2010

A cada desdobramento do sequestro e morte da jovem Eliza Samudio, detalhes macabros vão emergindo e dando contornos de uma tragédia ao desaparecimento da ex-amante do goleiro do Flamengo, Bruno. A frieza, a premeditação, a maldade dos supostos assassinos, a torpeza de desmembrar um corpo humano e entregá-lo às feras, nada disso pertence a almas que estão em paz com a própria consciência. Criaturas com tamanho grau de malignidade não possuem amarras morais que as impeçam de se transformarem em verdugos cínicos e impiedosos. O repúdio nacional – e, dada a repercussão do caso, agora internacional – manchou o noticiário que, por exemplo, dava espaço ao lançamento da Copa de 2014 no Brasil, em uma cerimônia na África do Sul. A índole de paz e bondade do povo brasileiro não merecia ser posta à prova por atos tão vis que até o mais calejado policial envolvido na investigação sofreu em seu emocional.

Eliza Samudio pode ter cometido todos os erros na vida. Mas, como mãe de um bebê de apenas quatro meses, parecia amorosa, dedicada e consciente da graça divina que é a gestação de uma nova vida. Paradoxalmente, sua sentença de morte foi dada em função justamente desse fato. Ter a existência abreviada por um ex-policial, criador de cães ferozes, que antes de estrangulá-la teria cheirado as suas mãos, é de uma crueldade sem limites. Muitas preces ainda serão necessárias até que sua alma incrédula com tamanha barbárie possa descansar em paz. O trabalho da Justiça, a partir de agora, deve isso a ela. E ao seu filho.

O caso é emblemático ainda pela combinação de fama, dinheiro e confusões envolvendo o universo do futebol no Rio. Jogadores consagrados, ídolos de crianças e adultos, não podem envolver-se em orgias, ou justificar agressões a mulheres, a tantas Elizas da vida, como se isso fosse o comportamento correto de um homem. Também não podem acreditar que o dinheiro farto e absoluto garante a amoralidade de atos cuja carga de maldade transcendem a compreensão até do mais empedernido dos especialistas. Dizer que a fama pode trazer loucura é simplificar o caso: o que separa o homem do seu convívio sadio com os demais é o caráter. O menino que admirava Bruno como um atleta tecnicamente completo, corajoso e vinculado à imagem de garra do Flamengo, hoje se queda perplexo sem saber no que mais pode acreditar.

Eliza Samudio virou um símbolo da podridão que envolve certos círculos no mundo do futebol.

Pagou com a vida por ceder ao brilho mundano de um mundo no qual drogas, violência, corrupção e sexo são elementos mais importantes do que a busca pelo limite, pela superação individual em nome de um ganho coletivo, pela alegria popular.

Um mundo no qual quem está fora do campo e se omite em casos assim tem tanta responsabilidade quanto os que matam.

Cortesia: Clipping Bem Fam:(09/07/010)


quarta-feira, 7 de julho de 2010

PLANEJAMENTO FAMILIAR (artigo) Blog do Juiz Federal Odilon de Oliveira 06/07/2010

Ao cuidar da instituição família, como base da sociedade, a Constituição Federal criou, como opção de cada casal, o planejamento familiar. Para tanto, o Estado promete disponibilizar os mecanismos necessários à concretização desses objetivos, representados por campanhas educativas e meios científicos, como o fornecimento de métodos contraceptivos: camisinhas, pílulas etc. A paternidade responsável é a motivação central desses incentivos.

Na verdade, a garantia desse direito e dos mecanismos indispensáveis ao seu exercício e também a proibição do controle estatal da natalidade tem sua origem remota no liberalismo do século XVII, iniciado com o inglês John Lock, a pregar a intervenção mínima do Estado na vida das pessoas. Inspirado, então, nesse princípio, o Estado brasileiro passou a tratar como direito e não como dever, o planejamento familiar. Para ser coerente, não poderia, pelo óbvio, admitir qualquer forma de controle da natalidade.

Planejamento é coisa diversa de controle. O primeiro compreende uma faculdade, um direito, uma opção. O segundo importa dever, obrigação, imposição por parte do Poder Público. Há países que castram a fecundidade da mulher impondo a limitação de gerar mais do que certa quantidade de filhos. Chama-se controle de natalidade, que a lei brasileira proíbe.

No planejamento familiar, que é um conjunto de ações públicas, com a participação dos próprios interessados, para limitar ou até aumentar o aumento da prole, não se inclui direito à prática de aborto, que é a interrupção provocada da gravidez. O Brasil só permite aborto praticado por médico. Nenhum outro profissional da saúde ou qualquer outra pessoa pode praticar aborto. Há somente duas situações permitidas: a) quando não há outro meio de salvar a vida da gestante; b) quando a gravidez resulta de estupro. No primeiro caso, não é preciso consentimento da gestante ou, se incapaz, de seu representante legal. Todavia, em caso de estupro, o médico depende de consentimento, sob pena de prisão de 03 a 10 anos. Essa pena sofre aumento de um terço se resulta lesão corporal grave. Será duplicada se a gestante vier a falecer. A Portaria nº 1.508, de 01.09.05, do Ministério da Saúde, esclarece como o médico deve proceder no caso de aborto permitido.

Odilon de Oliveira, foi Procurador Autárquico Federal, Promotor de Justiça, Juiz de Direito. É Juiz Federal desde 1987.

Cortesia Bem Fam(07/07/010)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Blog do Noblat no twitter

Enviado por Joaquim Falcão -
6.7.2010
|
10h09m
artigo

A agenda judicial de Serra, Dilma e Marina

Tradicionalmente os candidatos, seja a presidente e governador, senador e deputado, nada ou pouco dizem, sobre o Poder Judiciário. É uma antiga concepção de que Poderes Executivo e Legislativo nada têm a ver com o Judiciário. Tem sim, e muito. E seria absolutamente necessário o eleitor saber como os presidenciáveis se posicionam diante da reforma do judiciário, da lentidão, do acesso a justiça, sem o que democracia não há. E tudo por várias razões.

A primeira delas é palpável e histórica. O Presidente Lula, com o Ministro Márcio Thomas Bastos resolveu entrar a fundo na reforma do Judiciário. Criou a Secretaria da Reforma do Judiciário no Ministério da Justiça, e entregou-a ao paciente e habilidoso advogado Sérgio Renault. Focou na reforma institucional. Na criação do Conselho Nacional de Justiça, do Conselho Nacional do Ministério Público, na Escola Nacional da Magistratura, na súmula vinculante e na repercussão geral. Fez e liderou alianças no Congresso e no Judiciário. O avanço foi enorme e definitivo. Sem esta iniciativa a reforma continuava no papel. Como os candidatos pretendem dar sequência a esta atuação do Executivo? Têm planos? Quais?

Ainda esta semana, o presidente do STF, Min. Carlos Peluso, na Veja, foi muito claro. Um dos principais motivos da lentidão do judiciário é o abuso em peticionar e apelar das grandes empresas com clientelas de massa, e sobretudo do Poder Executivo, o principal cliente do Judiciário. Podemos acrescentar ainda: o Ministério Público. Quando estende muito amplamente sua função de “custus legis”. Bastaria a responsabilidade do juiz em velar pelo bom e correto andamento do processo. Não é preciso tantas e tão prolongadas intervenções do MP em milhões de processos. O Min. Celso de Mello há quatro anos já apontava em público ao Presidente Lula a necessidade do Executivo, através de seus procuradores, ser mais criterioso nas apelações sobretudo diante de casos com jurisprudência consolidada.

Mas não é só sobre estes assuntos que se deve ouvir o que os presidenciáveis propõem. Existem importantes projetos de reforma do judiciário, cuja decisão final é do Congresso. Donde os eleitores precisam saber como os candidatos se posicionariam. Justiça é tão importante quanto educação, saúde segurança e emprego.

Está há anos no Congresso, projeto que regulamenta a conciliação e mediação. Se houvesse uma política nacional coordenada pelo CNJ com o Congresso e os legislativos estaduais, a criação de um sistema de conciliação e mediação tornaria a justiça mais acessível, barata e próxima dos valores comunitários. Como se posicionará diante deste tema o futuro Presidente? A questão não é simples pois a OAB pretende ter o monopólio na conciliação e mediação. Negociar, resolver e avançar é preciso.

Mais ainda: cada novo presidente do Supremo tem tido como meta enviar ao Congresso projeto da nova Lei Orgânica da Magistratura. Esta lei é a espinha dorsal da administração judicial. A atual é de 1976. Modernizou o Judiciário mas também refletiu alguns momentos não democráticos, centralizadores. Enquanto não vem uma lei capaz de impulsionar de vez a reforma do Judiciário, o CNJ tem avançado fragmentadamente. Mas este é tema de interesse geral. Dois exemplos: qual deveria ser a extensão das férias dos juízes? A punição máxima para um juiz deve ser a aposentadoria com vencimentos integrais?

O Judiciário tem dado inúmeras demonstrações de decidida modernização. É dos três Poderes, o que mais caminha em sua reforma, embora o Congresso bem avançou agora com a lei da Ficha Limpa. Como Serra, Dilma e Marina veem a colaboração da Presidência da República no processo de reforma do judiciário?

Joaquim Falcão escreve quinzenalmente neste Blog.


Ouça a Estação Jazz e Tal, a rádio do blog