Cientistas criam espermatozoides a partir da pele de homens inférteis - O Globo
http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/cientistas-criam-espermatozoides-partir-da-pele-de-homens-inferteis-12364657
- Por meio desses tecidos, estudo obteve células-tronco que foram
introduzidas em testículos de ratos e geraram material germinativo
Publicado:
2/05/14 - 15h02
Atualizado:
2/05/14 - 15h09
O experimento usou amostras de três homens inférteis
AP Photo/PA, Journal of Science, HO
EUA - A pele humana de homens inférteis pode ser usada para criar
espermatozoides. Esta foi a conclusão de um recente estudo científico
realizado em conjunto por diversas universidades americanas que pode
oferecer esperança para aqueles que não podem ter filhos.
O
trabalho avaliou que a partir desses tecidos podem ser obtidas
células-tronco pluripotentes ou iPS. No experimento, as células iPS
foram injetadas em testículos de ratos, dando origem a células
germinativas - os precursores de esperma.
Com a novidade, a
ciência dá um novo passo para explicar causas genéticas da infertilidade
masculina e ajudar a entender a biologia básica do esperma.
- Nossos resultados são os primeiros a oferecer um modelo experimental
para estudar o desenvolvimento do esperma. Além disso, existe a
possibilidade de aplicação desta terapia celular em clínicas de
reprodução para, por exemplo, gerar espermas maiores e melhores em
laboratórios - disse ao jornal espanhol “El Mundo” a professora da
Universidade Estadual de Montana, nos Estados Unidos, Renee Reijo Pera. A
cientista, no entanto, garante que estudos futuros são necessários para
examinar a eficiência deste procedimento em Humanos.
Experimento
Os
cientistas tomaram amostras de pele de três homens para transformá-las
em células-tronco. Elas tinham uma mutação genética no cromossomo Y que
os impedia de produzir espermatozoides. As células foram transplantadas
para os testículos de ratos. O que se provou é que, uma vez injetadas,
elas foram transformados em células-tronco de esperma, ou seja, os
precursores de esperma.
Grupos de ódio encontram apoio na televisão - Revista Fórum
http://www.revistaforum.com.br/digital/133/grupos-de-odio-encontram-apoio-na-televisao/
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Ataques homofóbicos e racistas são frutos de ideologias pregadas por páginas como Orgulho de ser Hétero e Carecas do ABC
Por Isadora Otoni
“É,
entrei para as estatísticas”, foi como o biólogo Juliano Zequini
anunciou aos seus amigos que foi espancado na Rua Augusta, em São Paulo.
O jovem homossexual estava sozinho nas proximidades da Avenida
Paulista, voltando de um bar às 22h30, quando foi atacado sem saber o
motivo. “Ele estava escorado na parede e me deu uma rasteira proposital.
Eu questionei o porquê daquilo e ele começou a me ameaçar. Eu virei e
segui andando, quando ele me atacou pelas costas”, descreve o jovem.

“Você acha que os cuidados que toma são suficientes?”, perguntou o jovem que foi agredido (foto: Reprodução/Facebook)
Juliano
foi socorrido por duas pessoas que passavam pela Rua Augusta, mas não
encontrou policiais nas proximidades. O biólogo seguiu para o 14º
Distrito Policial, onde fez um Boletim de Ocorrência e exame de corpo de
delito. “Você sempre considera a possibilidade de ataque homofóbico,
ainda mais se você não vive no armário. Mas ao mesmo tempo se nega que
isso vai de fato acontecer. Você acha que os cuidados que toma são
suficientes”, desabafou ele.
Em 2014, o caso de Juliano não foi o único nem mesmo o pior. Ataques
com motivações de ódio resultaram na morte do jovem gay Bruno Borges de
Oliveira em São Paulo, na ameaça de espancamento do ativista LGBT Eliseu
Neto no Rio de Janeiro e no linchamento de um morador de rua negro,
também no Rio.
Os assassinos de Bruno Borges foram presos e confessaram o crime. O
grupo era formado por seis skatistas, quatro maiores de idade e dois
menores, que roubavam homossexuais por os considerarem “alvos fáceis”.
Bruno, que estava acompanhado de dois amigos no centro paulistano, não
conseguiu fugir e acabou sendo espancado até a morte pelo grupo.
O psicólogo e ativista LGBT Eliseu Neto relatou no Facebook que foi
ameaçado de espancamento enquanto se exercitava no Aterro do Flamengo.
Segundo ele, em torno de 25 adolescentes se aproximaram armados com
pedaços de pau, mas Eliseu conseguiu escapar. No dia 4 de fevereiro, um
grupo de 14 jovens de classe média foi levado ao 9º DP carioca. O grupo,
formado por 13 maiores e um menor, foi acusado de agredir homossexuais
que frequentavam o Flamengo.
A polícia investiga se os jovens detidos estão envolvidos no
linchamento de um morador de rua negro, que aconteceu no dia 31 de
janeiro. O adolescente de 15 anos foi acorrentado nu pelo pescoço a um
poste, na mesma região dos ataques homossexuais, por um grupo que
pretendia fazer “justiça” com as próprias mãos. Ele foi encontrado com
ferimentos pelo corpo, a maioria na cabeça, e não conseguia se
comunicar. O rapaz já foi acusado de furto três vezes, e desapareceu
após ser atendido em um hospital.
Os crimes de ódio são incentivados por discursos neonazistas e
nacionalistas. Apesar dos casos extremos serem registrados nas ruas e em
lugares de grande visibilidade, a prática desses grupos encontra bases
no Facebook, em páginas da internet e até na televisão. Após o
linchamento do adolescente negro, a jornalista Rachel Sheherazade
divulgou no Jornal do SBT uma mensagem de apoio à violência praticada.
“O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa
coletiva”, declarou ela.
Intolerância em memes
Um
estudo
feito por Adriana Dias, pesquisadora da Unicamp, apontou as regiões
mais neonazistas do Brasil entre 2002 e 2009. Através de monitoramento
da internet, a antropóloga verificou que o interesse pelo assunto
cresceu 170% e os comentários de ódio em fóruns aumentaram 42.585%
durante o período estudado. Segundo Adriana, os grupos eram
predominantes do Sul do país, mas têm crescido no Distrito Federal, em
Minas Gerais e em São Paulo.
Apesar dos casos televisionados ganharem mais destaque, a internet é o grande palco da intolerância. A página
Orgulho de ser Hétero,
por exemplo, possui mais de um milhão de seguidores no Facebook e
compartilha conteúdo machista e homofóbico através de memes. Já um site
denominado Homens de Bem foi excluído após diversas denúncias sobre seu
conteúdo criminoso. Entretanto, grupos como
Carecas do ABC e a banda
Confronto 72
ainda conseguem passar mensagens de intolerância nas redes sociais sob a
justificativa de argumentos nacionalistas, a favor da família e da
moral.
Margarette Barreto, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos
de Intolerância (Decradi) de São Paulo, realizou um mapeamento dos
grupos de ódio que atuam na cidade. “Podemos destacar dentro das tribos
urbanas atuais os neonazistas, punks, skinheads, entre outros que
perseguem algumas minorias”, relatou a delegada. Segundo Margarette, os
alvos dos ataques são negros, homossexuais, judeus e grupos rivais. Ela
ainda descreveu a estrutura desse tipo de grupo: “Geralmente são
organizados e possuem hierarquia, havendo também rituais para entrada,
chamados de ‘batismo’, no qual o iniciante é agredido pelo grupo e
posteriormente deve mostrar sua coragem e posicionamento ideológico
agredindo um alvo do grupo intolerante”.

Página Carecas do ABC prega o “anticomunismo”
A delegada
explicou que o crime de ódio é caracterizado por ter um alvo definido,
pertencente a um grupo excluído. Nesse caso, a vítima pode ser desde
moradores de ruas e profissionais do sexo até integrantes de agremiações
futebolísticas. Além disso, esse ataque deve passar uma mensagem de
intolerância ao grupo da vítima. “Não podemos dizer que todo ato
criminoso praticado contra homossexual é homofobia. O crime deve ser
praticado em razão à aversão a este grupo de pessoas”, detalhou.
Julian Rodrigues, coordenador de Políticas para LGBT da Prefeitura de
São Paulo, acredita que o cenário atual é desfavorável no combate aos
crimes de ódio. “Você tem nas televisões uma pregação supostamente
religiosa, mas que é feita atacando gays, homossexuais, lésbicas e
travestis o tempo todo. É um contexto não muito favorável, com
crescimento da bancada evangélica fundamentalista nas câmaras. Há um
discurso de ódio, há uma banalização das piadas homofóbicas”, analisa.
Para ele, o preconceito destilado na internet é um sinal da falta de
conscientização de jovens: “Tem muito machismo e homofobia
principalmente nos setores da juventude. Também temos que fazer uma luta
cultural”.
A violência aumentou
Julian acredita que
o cenário atual resultou no aumento da violência contra homossexuais,
por exemplo. “Aparentemente, temos um clímax de ataques homofóbicos por
conta do crescente fundamentalismo religioso e de uma onda
conservadora”, opina. Já Gustavo Bernardes, coordenador geral de
Promoção dos Direitos LGBT da Presidência da República, acredita que o
preconceito é uma reação à visibilidade de causas sociais. “O discurso
de ódio vem de diversos setores da sociedade que têm medo de, com o
reconhecimento de direitos de minorias, perderem privilégios que
mantiveram durante 500 anos de história do Brasil. Acredito que o
discurso de ódio é uma reação ao avanço dos direitos de LGBT, negros,
mulheres, indígenas, setores que sempre foram alijados do processo de
crescimento do Brasil”, disse.
A delegada Margarette, no entanto, não confirma se esse tipo de crime
aumentou. “Anteriormente não tínhamos como quantificar os crimes de
intolerância, pois eles sofriam de uma subnotificação muito grande. Mas
hoje podemos dizer que, com a criação da delegacia e outras políticas
públicas no sentido de proteger os direitos civis das minorias, existem
mais notificações e denúncias”, justificou.
“O último relatório de violência homofóbica no Brasil produzido e
divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da
República (SDH) mostrou um aumento de 166% no número de denúncias de
violência homofóbica no Brasil no período compreendido entre 2011 e
2012. Isso se deve em parte ao aumento da violência, mas também ao maior
conhecimento e reconhecimento dos canais de denúncia do governo
federal”, ressaltou Gustavo. Já o número de homicídios aumentou de 278
para 310 no mesmo intervalo. O Disque 100 registra denúncias de todos os
crimes de violação de direitos humanos. Em 2012, os registros
aumentaram 77%, passando de 87.764 em 2011 para 155.336.

Estudo feito por Adriana Dias revela o crescimento de sites neonazistas
Gustavo
também revelou quais os estados que mais registram casos de violência
motivada por intolerância. “Proporcionalmente, a população da Região
Nordeste é mais violenta, em especial os Estados de Alagoas e Paraíba.
Ambos os Estados estão recebendo investimentos do governo federal para o
enfrentamento da violência e para a promoção dos direitos de LGBT.”
Para Julian, o trabalho de combate ao preconceito deve ser feito pelo
governo federal, estadual e municipal, mas conta que a Prefeitura de
São Paulo já desenvolve uma campanha contra a homofobia. “Vamos
trabalhar nas escolas com os professores, em capacitação em questões de
gênero, de homofobia”. Porém, para evitar a agressão física nas ruas, o
governo estadual deve estar alerta. “A parte de segurança pública, de
prevenção, é do governo do Estado. Já pedimos um reforço do policiamento
e um trabalho de investigação preventiva, que é trabalho da Polícia
Civil”, relata o coordenador de São Paulo.
Gustavo concorda que os ataques são de responsabilidade dos Estados,
por isso a SDH firmou uma parceria. “Em 2011, a SDH e o Ministério da
Justiça e as secretarias de Segurança Pública dos Estados construíram um
Termo de Cooperação Técnica para o enfrentamento das homofobias. Esse
termo prevê entre outras coisas a capacitação das forças de segurança
para o enfrentamento dos crimes de ódio, inclusive com a criação de
unidades de polícia especializadas. Hoje já temos 17 Estados com esse
termo em vigor e muitos já implementando as ações previstas”, divulgou.
O coordenador da Presidência defendeu a aprovação de uma lei que
criminalize a violência homofóbica. “Outra medida que entendo
fundamental é a aprovação de uma lei, pelo Congresso Nacional, que
explicitamente criminalize a prática de ódio e discriminação contra a
população LGBT. O Congresso Nacional não pode se eximir desse debate
fundamental para a democracia brasileira. Não há democracia sem respeito
às minorias.” Ademais, ele contou que o Sistema de Promoção e Defesa
dos Direitos de LGBT possui espaços de acolhimento das vítimas, amigos e
familiares que oferecem assistência jurídica e psicossocial, e já
existem quatro desses centros instalados.
A delegada Margarette descreveu as ações da Polícia Civil do Estado
de São Paulo. “Inicialmente propagaram a existência da Unidade
Especializada para que a população soubesse que há locais para o
registro de crimes deste tipo. Posteriormente, fizeram um levantamento
dos principais grupos que atacam em São Paulo e procuraram identificar
seus membros e liderança, colocando no banco dos réus os autores de
crimes de ódio. Também foi feito o mapeamento da cidade dos locais de
maior incidência criminal e compartilharam tais informações com a
Polícia Militar para que realizasse o patrulhamento preventivo de forma
profícua, com vista a evitar que os crimes ocorressem”.
Quem fala em nome dos estudos de gênero e educação no mundo?
http://ensaiosdegenero.wordpress.com/2014/04/10/quem-fala-em-nome-dos-estudos-de-genero-e-educacao-no-mundo/
Quem pesquisa gênero e educação sabe que, no Brasil, os artigos
produzidos dentro desse campo circulam entre variados periódicos, pois
não existe uma única revista científica em português que os congregue.
Em língua estrangeira, a diversidade também é alta, mas existe o
periódico Gender and Education (G&E), de destaque, que reúne artigos sobre relações de gênero na educação advindos do mundo todo.
Quer dizer, o G&E não é tão global quanto pretende e é exatamente esse viés que discutiremos neste texto.
Em
artigo recentemente publicado,
Marília Carvalho
(2014) discute essa problemática a partir de uma perspectiva do Sul
global ou, para ser mais específico, latino-americana. Tomando as
publicações dos últimos três anos da G&E, a autora denuncia que
a produção dos EUA e do Reino Unido está super-representada no periódico,
englobando respectivamente 20% e 30% do que se publicou na revista.
Entre 2011 e 2013, a quantidade total de artigos publicados nesse
periódico foi de 141,
sendo que apenas quatro vieram da América Latina – e nenhum deles do Brasil.

Marília Carvalho, professora da Faculdade de Educação da USP, denuncia o quanto o periódico
Gender and Education sofre certos vieses da produção euro-americana.
Isto
quer dizer que em mais de 20 anos de pesquisas sobre gênero e educação
no Brasil, pouquíssimos pesquisadores/as do nosso país emplacaram
artigos na
Gender and Education (e, nos últimos três anos, nenhum).
É
como se o mundo, fora do eixo lusófono, não tivesse a mais remota ideia
do que o Brasil pensa, produz e diz a respeito – configura-se, assim,
um blecaute científico. Mais do que uma implicação numérica,
essa constatação levanta uma profunda reflexão sobre a divisão
internacional do trabalho intelectual, ou seja, quem produz o
conhecimento no mundo e garante que este circule e seja lido e citado?
Afinal, quem fala em nome dos estudos de gênero e educação no mundo?
Para responder essa pergunta, devemos atentar para alguns vieses da
produção acadêmica em âmbito global. Carvalho (2014), ao ler os títulos e
resumos de todos os 141 artigos publicados, constatou que praticamente
todas as produções originárias do Sul global deixavam bem claro de onde
eles estavam falando. Exemplos:
“Teaching Christine de Pizan in Turkey” e
“Boys’ educational ‘underachievement’ in the Caribbean”.
Nota-se que o local de origem de tais estudos consta em seus próprios
títulos. Ao baixarmos o artigo, sabemos de que se trata da Turquia ou do
Caribe.
Já com artigos produzidos dentro do eixo euro-americano, não ocorre tal simetria.
Aliás, em países como Suécia, Grécia ou Canadá – que, apesar de se
localizarem na Europa ou na América do Norte, são menos centrais tanto
no meio científico quanto na geopolítica – a menção ao país pode não
acontecer no título, mas muito provavelmente estará no resumo (o tal do
abstract).
De forma ousada, Carvalho (2014) sugere que esses países ocupam uma
posição “sulista” dentro do Norte, não se encontrando no mesmo patamar
de privilégios das duas principais metrópoles de língua inglesa.

Capa do periódico internacional
Gender and Education,
referência no assunto. Infelizmente, a revista não representa fielmente a
produção científica que é realizada por todo o mundo.
Agora,
se esbarramos em um artigo na G&E que não explicita suas origens
nem no título e nem no resumo, muito provavelmente essa publicação é dos
EUA ou do Reino Unido. Nesses casos, vemos pesquisas que
parecem não terem sido realizadas em nenhum local em particular: suas
descrições são genéricas e não remetem a uma cidade, país ou sequer a
uma região. É evidente que tais dados serão fornecidos na seção de
metodologia, quando deveriam estar presentes já em seu cartão de visitas
(o título e/ou resumo), para que saibamos de onde eles/as estão
falando. Trocando em miúdos, isto significa exigir que pesquisadores
estadunidenses e britânicos tenham a cautela que nós, do Sul, temos
quando publicamos internacionalmente.
Ainda, Carvalho (2014) avança sua discussão para outro
aspecto: os artigos produzidos pelo eixo euro-americano raramente
explicam seu próprio contexto. Eles pressupõem que nós, que não conhecemos de perto suas realidades, saibamos o significado de expressões como
“inner-city schools”,
“preservice teachers”,
“A level students”,
“Social purity movement” e
“Westminter governments”. Em vez disso, esperam que nós tenhamos que pesquisar tais conceitos para entender o artigo.
Por outro lado, para que nossos manuscritos sejam aceitos em tal periódico,
precisamos
fornecer um contexto geográfico e socioeconômico, informações sobre o
sistema educacional e político, raízes históricas etc. Somos
obrigados a nos situar, pois se escrevermos um texto dizendo que fizemos
uma pesquisa com crianças do ensino fundamental de uma escola da
periferia de Recife, os editores vão nos questionar: o que é ensino
fundamental? O que é a periferia? O que é Recife?

Ao submeter suas pesquisas para publicação em revistas internacionais,
os/as autores/as devem estar para explicar (ou mesmo “traduzir”, no
sentido amplo) seus contextos.
A partir dessas
constatações, fica aquela velha impressão de que a ciência tende a
privilegiar determinados contextos, origens e locais. Afinal,
se é preciso que um brasileiro dê nome e endereço para justificar sua
pesquisa, ao passo que um estadunidense discorre naturalmente sobre seus
resultados, tem-se um sinal de que certas desigualdades estão sendo
naturalizadas
na dinâmica das ciências humanas. Nesse sentido, cabe a nós repensar
qual é o papel do Brasil, da América Latina, do Sul global, em
participar, disputar e se apropriar desses espaços de produção e
circulação do conhecimento.
É primordial, assim, que periódicos de caráter internacional tal como a
Gender and Education atentem para que uma real internacionalização se efetive dentro daquilo que lhes compete.
Aos
autores e autoras, não basta se situar geograficamente. É preciso, nos
termos de Carvalho (2014) em diálogo com a literatura, traduzir suas realidades.
E quando nos referimos à tradução, estamos pensando além de seu sentido
literal, do ato de transferir de um idioma a outro. Pensamos, pois, em
tradução no sentido amplo: tomar o cuidado para que outros leitores e
leitoras possam compreender de que
lugar se fala. Em uma curta frase: esclarecer seus contextos.

A divisão entre Norte e Sul global, esboçada no mapa acima, reflete-se
não só pelo desenvolvimento das nações, como também nos diferentes
papeis desempenhados pelos países na divisão internacional do trabalho
intelectual.
Por fim, Carvalho (2014) ressalta que as ideias geradas pelos
estudos de gênero e educação circulam internacionalmente por meio de
textos.
Os textos, por sua vez, precisam de uma espécie de
“visto” para trafegarem por aí. É fato que alguns textos, como aqueles
produzidos nos EUA e Reino Unido, circulam com mais facilidade.
Além de termos de enfrentar as barreiras linguísticas, carregamos o
fardo de ter que se virar perante uma produção internacional que tende a
relegar ao Sul global o papel de menor importância, menor impacto,
menor alcance, enfim, o papel de uma ciência secundária (leia
aqui).
Cabe ressaltar que os/as editores/as do periódico
Gender and Education
têm feito valorosos esforços para reverter essa situação, dando
abertura para que a produção fora do eixo euro-americano também apareça.
Recentemente, por exemplo, foi lançado um número apenas com artigos da
África do Sul. Além disso, a primeira conferência da G&E no Sul
global acontecerá na Austrália neste ano.
Esforços para que o
Sul ocupe uma posição menos colonizada e mais protagonista, tanto na
produção de conhecimento, quanto na geopolítica, é uma bandeira que tem
se tornado cada vez mais presente e deve dar o tom das próximas décadas. Na G&E esse embate tem acontecido, mas não só lá. Em suma, o processo de mudança é amplo e queremos fazer parte dele.
Justiça exclui aids da certidão de óbito de homem, informa portal Terra - Agência de Notícias da Aids
http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=22219 |
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02/05/2014 - 12h40
O juiz Frederico dos Santos Messias, da 4ª Vara Cível da Comarca de
Santos, de São Paulo, determinou a exclusão da aids como causa da morte
na certidão de óbito de um homem. A justificativa teve como base no
sigilo da relação médico-paciente e a estigmatização da doença. O pedido
partiu da mãe do paciente. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira
pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
O magistrado utilizou-se da legislação brasileira e normas
estrangeiras, entre eles a Declaração de Genebra (1948) e o Código
Internacional de Ética Médica (1949). A argumentação do juiz foi de que o
segredo médico permanece após a morte do paciente, em especial quando
trata de doenças hereditárias ou cuja revelação possa causar
constrangimento ou prejuízo.
“Os dados clínicos, por representarem a intimidade da pessoa
falecida, somente podem ser revelados judicialmente, mediante
justificável ponderação dos valores constitucionais em jogo, ou a pedido
da família”, argumentou o juiz. Ele também levou em consideração o fato
de a aids ser uma doença "estigmatizada" na sociedade. O magistrado
justificou ainda que a aids não foi a causa direta da morte, que neste
caso foi a falência múltipla dos órgãos. Mesmo com a retirada do termo
na certidão de óbito, a informação deverá ser anotada no livro
registrário, que também só pode ser acessado com prévia decisão
judicial. Ainda é possível recorrer da decisão. |
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