Notícias e comentários sobre combate,HIV AIDS TB. Novidades sobre temas referentes ao ativismo social e político, política, políticas públicas e ações de prevenção.Incrementando o Ativismo,e despertando solidariedade. Minha intenção é promover o debate em torno da prevenção. Criando formas de combate e troca de experiências entre familiares e pessoas vivendo ou convivendo com este tema.
Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"
Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.
Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.
QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.
Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.
Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.
Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.
Obrigado, desculpe o transtorno!
#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S
ESTE BLOG ESTA COMEMORANDO!!!
3 anos de existência com vocês...
Ativismo Contra Aids/TB
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Pílula de farinha (Mônica Bergamo)
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Bem Fam CLIPPING - 21/fev./2011
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O futuro dos anticoncepcionais CRESCER 28/10/2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
PT ataca tucanos com pílula do dia seguinte 06 de outubro de 2010 O Estado de S.Paulo
Clipping Bem Fam
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Anvisa suspende importação de pílula do dia seguinte Postinor 17 de setembro de 2010 Estadão
Anvisa suspende importação de pílula do dia seguinte Postinor
17 de setembro de 2010
Estadão
Fabricante húngaro não atende a exigências sanitárias; anticoncepcional Femina também é incluído
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu na última quarta-feira a importação do contraceptivo Postinor, um dos tipos de pílula do dia seguinte mais vendidos no Brasil.
Segundo a agência, a empresa fabricante Gedeon Richter, da Hungria, não atende às exigências sanitárias brasileiras para a produção de medicamentos. A inspeção foi feita em março deste ano. Além do Postinor uno e do Portinor-2, a Anvisa suspendeu a importação do anticoncepcional Femina, da mesma companhia de Budapeste.
Em nota à imprensa, o laboratório Aché, responsável pela venda dos três produtos no País, esclareceu que, apesar da importação suspensa, a comercialização segue normalmente. Segundo a nota, os medicamentos, presentes no mercado brasileiro há mais de dez anos, continuam disponíveis para comercialização e prescrição médica em todo o território nacional, devidamente autorizados pela Anvisa, não havendo nenhum comprometimento em relação a sua segurança, eficácia e qualidade.
Clipping Bem Fam
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Pílula anticoncepcional completa 50 anos desde que saiu à venda nos EUA 19 de agosto de 2010 Efe
Pílula anticoncepcional completa 50 anos desde que saiu à venda nos EUA
19 de agosto de 2010
Efe
Método já foi usado por mais de 215 milhões de mulheres no mundo, mas 200 milhões ainda não têm acesso fácil
WASHINGTON - A pílula anticoncepcional completou nesta quarta-feira, 18, 50 anos desde que saiu à venda nos Estados Unidos, o primeiro país que autorizou esse método anticoncepcional que transformou a vida de mais de 215 milhões de mulheres em todo o mundo.
Apesar disso, outros 200 milhões de mulheres - a maioria em países em desenvolvimento - ainda não têm acesso fácil à pílula, segundo dados da organização Women Deliver.
Em 1960, as americanas foram as primeiras mulheres do mundo que puderam comprar, com autorização legal, o "Enovid", uma dose concentrada de hormônios que evitava a ovulação e, assim, possíveis casos de gravidez.
O anticoncepcional foi uma conquista de duas mulheres que impulsionaram a pesquisa desse remédio, Margaret Sanger e Katharine McCormick, feministas que já estavam perto dos 70 anos e se propuseram a encontrar a "pílula mágica".
Com a persuasão dessas mulheres e o financiamento de Katharine, o médico Gregory Pincus pôde avançar em suas pesquisas para desenvolver a pílula, o que foi possível em 1955.
No entanto, o fármaco só foi aprovado pelas autoridades dos Estados Unidos como método anticoncepcional cinco anos depois, no dia 9 de maio de 1960, em meio a críticas que a consideravam uma porta de entrada para o caos sexual.
Meio século depois, a pílula é o segundo método anticoncepcional mais usado no mundo - seguido da camisinha -, segundo relatório das Nações Unidas de 2009.
Cortesia: Clipping Bem Fam
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Nem as jovens querem mais VEJA 10/05/2010
Depois das trintonas e quarentonas, agora são as de 20 e até menos que resolvem parar de menstruar. Nos consultórios, elas pedem o uso contínuo da PÍLULA - e os médicos dizem sim
Daniela Macedo
Se lhes fosse dada a opção, uma em cada três mulheres gostaria de eliminar definitivamente a menstruação de sua vida. O dado consta de uma pesquisa inédita do laboratório Bayer Schering Pharma, com 3 400 adolescentes e adultas, entre 16 e 49 anos, de cinco países - entre eles, o Brasil. A opção por não menstruar, via PÍLULA anticoncepcional, já é corriqueiramente recomendada por médicos. Nos últimos anos, porém, o uso contínuo do medicamento, antes mais comum em mulheres acima de 30 anos, tem atraído as mais jovens. Para elas, não menstruar significa passar a temporada de praia sem contratempos ou poder usar aquela minissaia branca totalmente despreocupada. Mas o mais relevante é que, assim como para as mais velhas, representa o fim das cólicas e dos indefectíveis sintomas da TPM - inchaço, mau humor, dor de cabeça, choro fácil, irritação e aumento de apetite. "As adolescentes atuais formam uma geração que começou a menstruar muito mais cedo e sofre com os sintomas da tensão pré-menstrual desde os 10, 12 anos de idade", diz o psiquiatra Joel Rennó Júnior, diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Natural, portanto, que elas queiram se livrar do pesadelo mensal. Apesar de ainda influenciadas por certos mitos do passado, como o que atribui à menstruação um atestado de saúde e fertilidade, essas jovens tendem a aceitar melhor a sua ausência do que as mulheres que têm hoje mais de 40 anos. Amparadas pela medicina, que tende a não ver mal nenhum na supressão da ovulação e da menstruação, o caminho está ainda mais livre para elas. A Bayer estuda, inclusive, a criação de uma agenda eletrônica, no formato de um iPod, na qual elas poderão programar o tempo que gostariam de ficar sem menstruar.
A estudante Karina Paletta, de 20 anos, emenda cartelas de PÍLULA há seis meses. Ela era vítima de cólicas fortes e de sintomas da tensão pré-menstrual difíceis de suportar desde os 10 anos, quando menstruou pela primeira vez. "O uso contínuo da PÍLULA melhorou muito minha qualidade de vida e, por isso, não pretendo menstruar por um bom tempo", diz. Boa parte das meninas que aderem ao fim da menstruação relata melhora no desempenho intelectual, inclusive. Para a estudante de medicina Débora Tonetti e Souza, de 21 anos, a supressão da menstruação permitiu uma dedicação maior aos estudos. "Meu foco é a minha carreira, não tenho tempo para sofrer com cólicas, inchaços e alterações de humor", afirma. Quanto ao receio de ter a fertilidade comprometida lá na frente, diz Afonso Nazário, chefe do departamento de ginecologia da Universidade Federal de São Paulo: "Não há nenhuma evidência científica de que a supressão da menstruação reduza a taxa de fecundidade da mulher". Ao contrário: certos estudos, embora de curto prazo, mostram que a taxa de retorno à fertilidade, uma vez suspenso o uso contínuo, é comparável à do regime convencional. Mas é bom que se diga: nenhum dos medicamentos utilizados para cessar a menstruação é 100% eficaz. Perdas sanguíneas irregulares e imprevisíveis, a cada dois ou três meses, são comuns em cerca de 35% dos casos. Quando isso ocorre, a publicitária Patrícia Luz, de 25 anos, suspende a PÍLULA. Ela, então, menstrua e volta ao uso ininterrupto. "Faço isso desde os 20 anos e ainda menstruo seis vezes ao ano", diz ela.
Até a década de 90, os médicos só recomendavam a suspensão do ciclo menstrual para mulheres com problemas específicos, como anemia ou endometriose, doença em que parte do sangue que deveria ser expelido fica acumulada na cavidade abdominal. Embora não existam pesquisas sobre o uso contínuo da PÍLULA por muitos anos, por se tratar de uma prática relativamente recente, a maior parte dos especialistas acredita que os CONTRACEPTIVOS de última geração, principalmente, não trazem risco algum à saúde. Inclusive porque têm um quinto da quantidade de hormônios presentes nas primeiras pílulas. Seja para a indicação tradicional ou para interromper a menstruação, o fato é que a PÍLULA, cuja primeira versão foi lançada em 1960, é uma cinquentona para lá de sacudida: já está provado que seu uso diminui a incidência de cânceres de ovários, endométrio e também de doenças que provocam infertilidade.
Quando chegou às farmácias, o CONTRACEPTIVO inventado pelo endocrinologista americano Gregory Pincus era o primeiro remédio a ser tomado regularmente por pessoas saudáveis. Mas comercializar um medicamento que poderia impedir para sempre a ovulação seria um rompimento ainda maior de barreiras culturais e religiosas. A solução foi incluir um intervalo de uma semana na cartela, para imitar o ciclo menstrual feminino de 28 dias. "A pausa para menstruar foi uma forma que a indústria farmacêutica encontrou para introduzir o produto no mercado com menos traumas", diz a antropóloga Daniela Tonelli Manica. Ou seja, a prescrição da interrupção regular da PÍLULA não tem nem nunca teve a função de eliminar impurezas por meio da menstruação ou de aliviar o organismo dos hormônios sintéticos. Em condições normais, a glândula hipófise comanda a liberação de dois hormônios, o folículo-estimulante (FSH) e o luteinizante (LH). Eles induzem a secreção de estrogênio e progesterona pelos ovários, responsáveis por preparar o corpo para a reprodução. Apesar da dose baixíssima, a combinação dos dois hormônios sintéticos leva a hipófise a entender que já há estrogênio e progesterona suficientes em circulação. Enganada, ela interrompe o processo de ovulação - que, entre as mais jovens, é motivo de aversão, mas, depois da menopausa, é causa de nostalgia. Vá entender as mulheres...
Thais Antunes
Seis vezes ao ano
É a quantidade de períodos menstruais da publicitária Patrícia Luz, de 25 anos: "Odeio menstruar"
Cinco mitos sobre o fluxo menstrual
1. O sangramento mensal elimina toxinas e limpa o organismo
A menstruação é a expulsão do endométrio, revestimento interno do útero, que descama quando há uma queda dos níveis de estrogênio e progesterona no organismo. Durante esse processo, pequenas veias e artérias são rompidas. A menstruação não depura o corpo, apenas elimina o tecido endometrial e o sangue decorrente dessa descamação
2. A pausa mensal na cartela de pílulas serve para eliminar o acúmulo de hormônios no organismo
Entre trinta e 48 horas após a ingestão de cada comprimido, os hormônios já foram completamente metabolizados e eliminados do organismo. Além disso, os ginecologistas argumentam que, apesar de sintéticos, os hormônios das pílulas contraceptivas são extremamente parecidos com os hormônios naturais - e, portanto, não requerem um período para desintoxicação
3. O ciclo estendido compromete a fertilidade da mulher
Estudos que acompanharam mulheres durante dois anos de uso contínuo da PÍLULA mostraram que a taxa de retorno à fertilidade, uma vez suspenso o método, é comparável à da utilização convencional do medicamento. Em ambos os casos, assim que o uso é interrompido, os óvulos voltam a amadurecer nos folículos ovarianos e o endométrio retoma o processo de formação, descamando no próximo ciclo se a mulher não engravidar
4. Após alguns meses sem menstruar, os sintomas da TPM, as cólicas e o fluxo voltam com mais intensidade
Não há nenhuma razão para que isso aconteça. Tensão pré-menstrual, cólicas e intensidade do fluxo dependem do organismo de cada mulher. Sem a PÍLULA, o corpo apenas volta a funcionar normalmente, produzindo os mesmos sintomas de antes do tratamento
5. Menstruar todo mês é um processo natural
Para uma corrente de ginecologistas, natural mesmo seria a mulher engravidar seguidamente, já que o organismo feminino se prepara para uma gestação a cada ciclo menstrual. O sangramento mensal da mulher que utiliza a PÍLULA com a parada regular, a cada 21 dias, é menos abundante porque o endométrio expelido não é espesso, como ocorreria se ela estivesse ovulando
Clipping Bem Fam(10/05/010)
terça-feira, 27 de abril de 2010
O derrame das mulheres jovens
ÉPOCA
26/04/2010
Elas tiveram um AVC antes dos 30 anos, e sobreviveram. O que é preciso saber para se proteger da doença que mais mata no Brasil
A engenheira Fernanda Tescarollo, de 33 anos, a moça de vestido preto na foto ao lado, é um exemplo da atual geração de mulheres superpoderosas. Perfeccionista, independente, duas vezes divorciada, progrediu rápido na profissão graças à combinação de trabalho duro e ambição. Ainda hoje, tem várias ambições. Quer voltar a lavar o rosto com as duas mãos. Quer ser capaz de imitar o Cristo Redentor, com os braços bem abertos, para corresponder a um abraço. Paulistana, mas apaixonada pelo Rio de Janeiro, quer se equilibrar sobre o salto alto e voltar a sambar na quadra da Mangueira. Exatamente como fazia até 2008, quando um acidente vascular cerebral (AVC) a obrigou a parar tudo e a rever tudo. "Se você não aprende a parar, a vida te para", diz.
Fernanda tomava PÍLULA anticoncepcional desde os 16 anos. Além disso, tinha crises frequentes de enxaqueca. Três vezes mais comum em mulheres, a enxaqueca aumenta o risco de derrame. Assim como a PÍLULA. Na véspera do AVC, estava com dor de cabeça. Fernanda é funcionária de uma multinacional que fabrica lanternas e faróis para a indústria automobilística nacional e vivia um período de forte pressão. Tomou um analgésico e foi dormir. De manhã, continuava com dor. Enquanto se trocava para ir trabalhar, despencou no quarto. Sofreu um AVC extenso na região do lobo temporal direito. Os médicos precisaram submetê-la a uma cirurgia delicada. Uma parte da calota craniana foi retirada para que o cérebro tivesse espaço para inchar. Se isso não fosse feito, o edema cerebral aumentaria a pressão intracraniana e Fernanda morreria. Só depois de dois meses, a calota craniana foi recolocada. "Diante da gravidade do caso, a recuperação de Fernanda foi maravilhosa", diz o neurologista Marcelo Annes, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Em 2008, o AVC provocou 97 mil óbitos no Brasil.
Ele mata mais que infarto, violência e acidentes
Fernanda faz parte de um grupo pouco conhecido de vítimas do AVC: o das mulheres jovens. Nos últimos cinco anos, 32 mil mulheres de 20 a 44 anos foram internadas nos hospitais do SUS por causa de AVC. Entre os homens da mesma faixa etária, houve 28 mil internações por AVC. A diferença é de 14%. Em todos os outros grupos etários (até os 19 e depois dos 50 anos), mais homens receberam tratamento. A partir dos 80 anos a situação voltou a se inverter. Como as mulheres são mais longevas, houve mais tratamento em pacientes do sexo feminino.
Na verdade, o total de jovens vitimadas pela doença pode ser ainda maior. Não se sabe quantas foram atendidas na rede privada e quantas simplesmente não receberam tratamento. Parte dos casos de AVC na juventude e na meia-idade é explicada pela exposição, cada vez mais precoce, a fatores de risco como hipertensão, colesterol alto, obesidade, diabetes. Isso ocorre em ambos os sexos. Mas existem situações capazes de aumentar o risco de AVC pelas quais só as mulheres passam. Eis as principais.
Uso de PÍLULA anticoncepcional
Na maioria das mulheres, a PÍLULA é segura. Se não fosse assim, todos nós conheceríamos alguma moça que teve um AVC depois de tomar anticoncepcional. Mas as que usam esse tipo de contracepção precisam saber que os hormônios aumentam a capacidade de coagulação do sangue. O mesmo pode ocorrer quando a mulher faz reposição hormonal na menopausa. Quem toma PÍLULA ou faz reposição hormonal está mais sujeita a sofrer de trombose (formação de coágulos no interior de um vaso sanguíneo). E a trombose pode levar ao AVC. Algumas condições genéticas favorecem a ocorrência desse problema. Muitas vezes, porém, o AVC sofrido por uma mulher jovem é o primeiro da família. Foi o caso da engenheira Fernanda. "Em 99% dos casos, as moças não sabem que têm predisposição genética", diz a neurologista Gisele Sampaio Silva, do Hospital Albert Einstein.
A combinação de PÍLULA e cigarro eleva em oito vezes o risco de AVC. O sangue dos fumantes torna-se mais propenso à formação de coágulos e a nicotina também enrijece as artérias que irrigam o cérebro. Logo, mulheres que fumam não devem tomar PÍLULA. Quantas sabem disso? "Muitas fumam e não contam ao ginecologista", diz a neurofisiologista Maristela Costa, do Hospital do Coração (Hcor), em São Paulo. O inverso também é verdadeiro. Muitos médicos receitam PÍLULA e não perguntam se a mulher fuma.
A gerente de produto Amanda De Tommaso Oliveira, de 31 anos, fumava desde os 15. Aos 27 anos, consumia um maço por dia e não tomava PÍLULA. Para tentar reduzir um cisto no ovário, o ginecologista receitou-lhe um anticoncepcional. Após dez dias de uso, Amanda teve um AVC. Estava em casa, assistindo à TV, quando o braço esquerdo começou a ficar pesado. O desespero aumentou quando Amanda tentou pedir ajuda à irmã Isabela. Os pensamentos fluíam, mas ela era incapaz de pronunciar qualquer palavra.
Amanda sofreu um AVC pequeno na região frontal do cérebro, no lado direito. Passou três dias no hospital. Logo nas primeiras horas, a fala e os movimentos foram voltando. Desde o derrame, nunca mais colocou um cigarro na boca. Hoje leva vida absolutamente normal. Mas a experiência deixou marcas profundas. "O AVC não estava no meu script, mas me ensinou a valorizar cada instante", diz Amanda. Em vez de pensar naquilo que quer ter, pensa no que já tem. "Tenho casa, família, amigos e pernas que me levam aonde eu quero. Já tenho tudo."
Gordura abdominal
Novas evidências sugerem a existência de outro fator que torna as mulheres mais suscetíveis ao AVC: o acúmulo de gordura na região da cintura. Em fevereiro, um estudo apresentado na reunião anual da American Stroke Association chamou a atenção para esse fato. Na faixa etária dos 45 aos 54 anos, o AVC já é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens nos Estados Unidos. A conclusão foi baseada nos dados de mais de 2 mil participantes da pesquisa nacional sobre saúde e nutrição realizada em 2005 e 2006. "Nossa hipótese é que a gordura abdominal (mais comum nas mulheres) esteja aumentando o risco de AVC entre elas", disse a ÉPOCA a neurologista Amytis Towfighi, da University of Southern California, em Los Angeles. A barriga eleva o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto. Três fatores que contribuem para a ocorrência dos derrames. A pesquisa de Amytis revelou que 62% das mulheres nessa faixa etária tinham obesidade abdominal. Nos homens, o índice foi de 50%. A pesquisadora suspeita que a incidência de AVC tenha aumentado também nas mulheres com menos de 35 anos. "Pretendemos começar esse estudo em breve", diz.
A enxaqueca é três vezes mais comum nas mulheres. Ela é um fator de risco para o AVC, principalmente quando ocorrem dormência e sintomas visuais (auras). Quando a mesma paciente apresenta vários fatores de risco, a situação é ainda mais preocupante. Nas mulheres que têm enxaqueca, fumam e tomam PÍLULA, o risco de AVC é 22 vezes mais elevado. Os neurologistas estão cada vez mais vigilantes quando encontram pacientes com esse perfil. "Antigamente eu dizia para a moça parar de fumar ou parar de tomar PÍLULA", diz Antonio Cezar Galvão, do Hospital Nove de Julho. "Hoje, mando parar de fazer as duas coisas."
Há 24 anos, a funcionária pública Célia Regina Dalseno cuida de suas emoções para ser capaz de conviver com as limitações impostas pelo AVC. Quando o derrame transformou sua vida, Célia era uma menina de 23 anos. Fumava, tinha três empregos (era professora) e cursava duas faculdades. Tinha acabado de terminar um noivado. "Queria mostrar que era poderosa, mas o que estava fazendo era um suicídio silencioso", diz. Um dia, despencou sobre a carteira de um aluno da 5ª série. Foi levada ao hospital, mas o atendimento demorou. Era a Copa do Mundo de 1986. Os funcionários estavam em outra sintonia.
Enquanto aguardava na maca, Célia percebia as consequências do derrame. O braço esquerdo dobrou para nunca mais voltar ao normal. A face ficou paralisada. A fala ficou comprometida. Célia achou que nunca mais fosse conseguir ser compreendida pelos alunos. Estava enganada. Voltou à mesma sala de aula. Em alguns momentos, ela ensinava. Em outros, os alunos eram seus professores. Soletravam as palavras e guiavam Célia na pronúncia. "A fala é o elo de comunicação com o mundo. Meus alunos me deram a oportunidade de não perdê-la", diz. Aos 47 anos, Célia é assistente social do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Gravidez
A maternidade torna a mulher mais suscetível ao AVC. Durante a gestação, a quantidade de sangue no organismo aumenta alguns litros. Nos primeiros meses depois do parto, o sangue torna-se mais coagulável. Podem surgir trombos nas pernas ou no cérebro. Uma doença hipertensiva que acomete 5% das grávidas (chamada de pré-eclâmpsia) também contribui para a ocorrência de AVC nessa fase da vida. "A mulher pode ter um pico de hipertensão, e ele pode provocar o AVC", diz a neurologista Gisele Sampaio Silva, do Hospital Albert Einstein.
Hipertensão
É a principal causa de AVC em homens e mulheres de qualquer idade. Uma das melhores formas de preveni-la é reduzir o sal na alimentação. Um estudo publicado recentemente no New England Journal of Medicine revelou o impacto que essa mudança simples tem sobre a saúde. Pesquisadores da Universidade da Califórnia concluíram que um esforço nacional que resultasse na redução diária de apenas 3 gramas de sal seria capaz de evitar no mínimo 60 mil derrames por ano.
A bancária Gislaine Gonçalves Babler, de 31 anos, já é hipertensa. Sofreu um AVC na região frontal esquerda do cérebro, há dois anos. Tomava PÍLULA anticoncepcional, hábito que abandonou naquele mesmo dia. Estava no trabalho quando sentiu uma pontada forte no lado esquerdo da cabeça. Em segundos, começou a sentir formigamento no lado direito do corpo. Tentou caminhar e já estava sem coordenação motora. Compreendia o que as pessoas diziam, mas tinha dificuldades para articular as palavras. Gislaine foi levada rapidamente ao hospital. No dia seguinte, não conseguia sair da cama sem ajuda. "O pior do AVC é a imprevisibilidade", diz. Passado o susto inicial, Gislaine decidiu se dedicar com afinco à fisioterapia. Dez dias depois do AVC, voltou a trabalhar. Para superar as consequências do AVC, são necessários grandes investimentos - emocionais e materiais.
Em 1986, foi lançada a droga injetável alteplase, a única capaz de dissolver trombos e reduzir os danos do AVC. Quando os doentes a recebem em até quatro horas e meia depois do AVC, o número de pessoas sem sequelas aumenta 30%. Para esse tratamento, chamado de trombólise, o paciente pode precisar de um a dois frascos do remédio. O custo varia de R$ 1.700 a R$ 3.500. Vinte e quatro anos depois do lançamento do medicamento, poucos doentes têm acesso a ele no Brasil. A maioria dos planos de saúde paga o remédio porque já percebeu que o custo-benefício é favorável. Um conveniado com menos sequelas dá menos despesas. No SUS, poucos serviços oferecem o tratamento. O valor pago pelo Ministério da Saúde pela internação do paciente com AVC (R$ 463) não é suficiente para cobrir a trombólise.
"No tratamento do AVC, o Brasil está muito atrasado em relação ao que se faz no mundo. É estranho que a principal causa de morte não seja prioridade", diz Sheila Cristina Martins, neurologista do Hospital das Clínicas da UFRGS, em Porto Alegre, e coordenadora da Rede Brasil AVC, uma ONG que reúne os principais especialistas no assunto. Procurado, o Ministério da Saúde respondeu que não está convencido do benefício da trombólise. "Ela reduz o risco de sequela, mas aumenta o risco de sangramento. Se aumenta o sangramento, pode aumentar a mortalidade", diz Maria Inez Gadelha, diretora de atenção especializada do Ministério da Saúde. O risco de sangramento cerebral existe. Segundo Sheila, é de 5%, mas os estudos não demonstraram aumento da mortalidade. "Se os profissionais forem bem treinados para aplicar esse tratamento, não há a menor dúvida sobre o benefício dele", diz Sheila.
A trombólise não é tudo o que o Brasil poderia fazer para melhorar a condição das vítimas do AVC. Mesmo sem essa medicação, existem cuidados básicos que, sozinhos, já são capazes de diminuir a mortalidade em 18% e a dependência de outras pessoas em 25%. Quando o paciente chega ao hospital, é preciso evitar que a pressão arterial fique muito alta ou baixa. É preciso evitar que tenha febre e que os níveis de glicose subam ou caiam demais. Isso não costuma ser feito. "Em 80% dos hospitais do Brasil, esses cuidados mínimos não existem", diz Sheila. "Sem a trombólise, o médico acha que não tem nada a fazer. Dá um AAS infantil (anticoagulante) e deixa o paciente no corredor." Se quiser evitar que isso continue a acontecer, o Ministério da Saúde terá de organizar um mutirão de treinamento e enfrentamento do AVC.
Diante de tudo de ruim que poderia ter acontecido, as mulheres retratadas nesta reportagem são privilegiadas. Amanda diz ter descoberto que ir à padaria tem algo de mágico. Gislaine expressa sua fé em Deus, trabalha com prazer e vive o presente. Célia deseja encontrar um companheiro. "Ainda sou mulher. Queria poder encostar a cabeça no peito de um homem, namorar, comer pipoca." Fernanda progride na fisioterapia e está pronta para estrear o carro novo, adaptado para pessoas que dirigem apenas com a mão direita. Para se proteger da impaciência alheia, colou um adesivo de deficiente físico no vidro traseiro, mas pretende retirá-lo em breve: "Vai ser só por um tempo. Por pouco tempo".
Cortesia: Clipping Bem Fam 26/04/010)
sexta-feira, 12 de março de 2010
Pesquisa com 46 mil mulheres durante 40 anos mostra que pílula anticoncepcional diminui risco de câncer e doenças do coração
Pesquisa com 46 mil mulheres durante 40 anos mostra que pílula anticoncepcional diminui risco de câncer e doenças do coração
12/03/2010
O Globo
RIO - Não pare de tomar a pílula! Um dos maiores estudos já feitos sobre o método contraceptivo, divulgado nesta sexta-feira, mostrou que as mulheres que usam regularmente pílula anticoncepcional têm menos risco de morrer de qualquer doença, incluindo todos os tipos de câncer e ataques do coração. A pesquisa, do Royal College of General Practitioners, foi feita com 46 mil mulheres durante 40 anos.
As mulheres mais jovens, com menos de 45 anos, apresentaram um risco ligeiramente maior para estas doenças, mas este dado foi compensado pelo menor risco entre as mais velhas. Além disso, o risco maior entre as mais novas desapareceu à medida que elas envelheceram: 10 anos depois de pararem a pílula, por não precisarem mais do método contraceptivo, a diferença não existia mais.