Explicação sobre o blog "Ativismocontraaidstb"


Aproveito para afirmar que este blog NÃO ESTÁ CONTRA OS ATIVISTAS, PELO CONTRÁRIO.

Sou uma pessoa vivendo com HIV AIDS e HOMOSSEXUAL. Logo não posso ser contra o ativismo seja ele de qualquer forma.

QUERO SIM AGREGAR(ME JUNTAR A TODOS OS ATIVISTAS)PARA JUNTOS FORMARMOS UMA força de pessoas conscientes que reivindicam seus direitos e não se escondam e muito menos se deixem reprimir.

Se por aí dizem isso, foi porque eles não se deram ao trabalho de ler o enunciado no cabeçalho(Em cima do blog em Rosa)do blog.

Espero com isso aclarar os ânimos e entendimentos de todos.

Conto com sua atenção e se quiser, sua divulgação.

Obrigado, desculpe o transtorno!

NADA A COMEMORAR

NADA A COMEMORAR
NADA A COMEMORAR dN@dILM@!

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

#CONVITE #ATOpUBLICO DE #DESAGRAVO AO FECHAMENTO DAS #EAT´S

SEGUNDA-FEIRA 10:00hS
EAT Luis Carlos Ripper - Rua Visconde de Niterói, 1364 - Bairro Mangueira.
Caro Companheiro (a), Venha participar, com sua presença, dia 18 de fevereiro, às 10hrs da manhã de um "abraço" ao prédio da nossa querida EAT - Escola das Artes Técnicas Luis Carlos Ripper que, junto com a EAT Paulo Falcão ( Nova Iguaçu) foi fechada por uma arbitraria decisão governamental. Participe deste ato de desagravo ao fechamento de duas escolas públicas, reconhecidas e premiadas internacionalmente que, há dez anos, levam educação de excelência ao povo. ... Compartilhe este convite com todos aqueles que, como você esta comprometidos com a educação verdadeiramente de qualidade. >> Assine a petição para não deixar o governo do estado acabar com duas escolas de excelência!! << http://www.avaaz.org/po/petition/Pelo_manutencao_das_EATS_e_de_sua_Metodologia/?cqMRZdb Saiba mais: http://sujeitopolitico.blogspot.com.br/

ESTE BLOG ESTA COMEMORANDO!!!

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3 anos de existência com vocês...

Ativismo Contra Aids/TB

Mostrando postagens com marcador ONGS. Mostrar todas as postagens
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sábado, 11 de janeiro de 2014

NOTA DA ANAIDS EM RELAÇÃO A TESTAGEM PARA HIV

NOTA DA ANAIDS EM RELAÇÃO A TESTAGEM PARA HIV


A ANAIDS – Articulação Nacional de Luta Contra a AIDS– colegiado que reúne os Fóruns e Articulações de ONG AIDS dos 27 estados brasileiros, redes e demais representantes do Movimento Nacional de Luta Contra a AIDS, que por sua vez representam mais de 500 organizações, vem através desta nota se manifestar sobre a ampliação da estratégia de testagem em ONG promovida atualmente pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde:
 Entendemos que o acesso ao exame de HIV é um direito do cidadão e como tal deve ser respeitado e ofertado dentro dos limites éticos e de responsabilidade estabelecidos pelo SUS e pelos conselhos profissionais de classe.
 Considerando que o momento da revelação sorológica é de extrema importância para a adesão ao tratamento, bem como para minimizar os possíveis efeitos psicológicos que tal resultado poderá trazer, todo o processo de testagem deve ser efetuado com garantia de acompanhamento profissional de qualidade e, sobretudo, garantia de rápido ingresso no sistema de saúde e de retaguarda para efetivo tratamento/acompanhamento posterior.
 Portanto, a atual estratégia do Ministério de Saúde de realização da testagem por ONGs, utilizando profissionais nesta prestação de serviços, configura flagrante desvio de função e precarização das relações de trabalho pois, utiliza mão de obra voluntária ou remunerada abaixo dos pisos das categorias, para um serviço que deve ser exercido por profissionais habilitados e garantido pelo Estado.
 Este entendimento da ANAIDS está alinhado com as deliberações do XVII Encontro Nacional de ONG Aids – ENONG, realizado em Salvador em novembro de 2013, onde se decidiu pela não adesão das ONGs a esta estratégia e pela defesa do SUS integral com valorização profissional e qualidade nos atendimentos:
A1-3 e A2-5: Ofertar e garantir o teste rápido exclusivamente pelos serviços de saúde, garantindo o pré e pós-aconselhamento qualificados (para Gestão Municipal, Distrital, Estadual e Federal), com abordagem sobre gestão de riscos, uso de novas tecnologias e autonomia responsável das pessoas, incluindo os casais sorodiscordantes, para além do modelo impositivo do uso do preservativo, bem como não vender o teste rápido para HIV em farmácias. (grifo nosso)
A5-5: - Defender a saúde pública com gestão pública e como direitos de todos. (grifo nosso)

Estamos acompanhando as iniciativas governamentais de atração de organizações para esta prestação de serviços, inclusive a contratação direta sem qualquer tipo de licitação e a qualificação rasa que esta sendo oferecida aos que aderiram a proposta, banalizando a revelação de um resultado que pode influenciar numa mudança de vida radical da pessoa testada.

Brasília, 06 de janeiro de 2014


ANAIDS – Articulação Nacional de Luta Contra a AIDS



Rodrigo Pinheiro e Alessandra Nilo                                                           
Secretaria Política da ANAIDS                                          
(16) 996030020     

Márcia Ribas e Márcia Leão
Secretaria Executiva da ANAIDS
(61) 92932202

Tathiane Araújo e Francisco (Kiko) Rodrigues
Secretaria de Comunicação da ANAIDS

 
 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Registro de organizações juvenis UNAIDS VIA # George Gouvea

Bom dia a todos,
 
O UNAIDS criou uma base de dados para registrar os dados de organizações e redes juvenis da América Latina e Caribe com a finalidade de realizar um mapeamento para o grupo inter-agencial de juventude das Nações Unidas.Esse mapeamento vai ajudar a ter um melhor panorama de quem e onde estão as organizações juvenis além de identificar possíveis interlocutores e aliados para tratar os diversos temas relacionados a juventude.
 
Nesse sentido,gostaria de pedir a vocês que por favor compartilhem o link de registro com suas listas e fóruns na perspectiva de mapearmos o maior número possível de organizações juvenis e assim podermos estruturas agendas para tratar temas essências a juventude.

Link para preencher o formulário é: http://onusida-latina.org/directoriojuventud/

Podem se registrar todas as organizações juvenis e não somente as que trabalham HIV/AIDS o único item fundamental é que sejam organizações juvenis e que tenham trabalho regional ou nacional.

Um abraço e qualquer dúvida não hesitem em me perguntar.
 
Um abraço,

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

COMUNICADO GIAMA #FECHAMENTOdeONGS

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COMUNICADO GIAMA

Aproveitamos este canal para informar que, a partir do dia 1º de dezembro, fecharemos a Sede da nossa instituição e suspenderemos os trabalhos da ONG.

Entendemos a relevância do nosso trabalho e que ele é referência para muitos pesquisadores, por isso até o final deste ano, divulgaremos um balanço com dados e análise da homofobia no Estado do Tocantins, que será disponibilizado nas nossas mídias sociais.

Nossas contas não param de vencer (aluguel, água, energia, combustível, tempo) e todas as despesas têm sido arcadas pelo bolso do presidente
Renilson e também com doações eventuais de associados, o que mesmo assim não tem sido suficiente. Recentemente, fizemos duas feijoadas (de muita qualidade) com cunho beneficente, mas a comunidade LGBT parece não entender ou não gostar de eventos dessa natureza ou não sentem a importância do nosso trabalho. O Estado não nos ajuda sequer fazendo seu papel, que é amparar os LGBT e promover políticas de combate à homofobia, quiçá efetuando o repasse dos recursos que nos deve por dois projetos de um edital que vencemos há 1 ano e meio.

Assim mesmo, continuamos com nosso espírito de luta, apesar dos problemas, e reafirmamos nosso compromisso estatutário de lutar pela promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, além de promover ações de combate à homofobia e ações de prevenção às DST/Aids e Hepatites Virais neste Estado.

Estaremos à postos para situações emergenciais e principalmente para fatores de reestruturação imediata da nossa Associação.

Atenciosamente,

Renilson Cruz
Presidente
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NOTA PESSOAL>   MEUS SICEROS SENTIMENTOS DE PESAR>>>
   CONFORME MEU DEPOIMENTO NO VÌDE ENTREVISTA QUE DEI NA RAW
   
WWW.REVISTAAMIGOSWB.COM
    É desestimulante ver instituições com a sua e outras terem que
reduzir suas atividades ou mesmo fecharem as portas, em resposta ao
PESSIMO CUIDADO DOS PODERES DAS 3 ESFERAs.
  ESSE DESCUIDADO TRADUZIDO EM RETENçÂO DE VERBAS, PARA GERAR CAIXA E
PAGAR OBRAS SEM NOçÂO OU SENSO DE URGENCIA.
  SEGUINDO EM FRENTE COM VANDRÈ
  CAMINHANDO E CANTANDO E SEGUINDO A CANÇÂO.....
-->
Renilson,
O fechamento de uma importante instituição sempre causa lamentação.
Entendemos e respeitamos a decisão de vocês e conhecemos a difícil conjuntura que enfrentamos.
Esperamos que vocês não deixem a luta, pois podemos fazer ativismo de diversas maneira.

Solidariamente,

Kiko
GAPA/PA
Renilson e demais guerreiros da GIAMA GLBT de Tocantis: o que dizer: L A M E N T Á V E L!!!  Como bem colocado pelo Kiko, abaixo, a conjuntura que enfrentamos institucionalmente é mesmo muito delicada. Acordamos tarde e ficamos inativos com as tendências do mercado do terceiro setor em HIV/AIDS por um bom tempo (principalmente quanto a reivindicar a utilização adequada das verbas do fundo a fundo e da luta pelo marco legal das ONGs) em nossos “guetos institucionais” quando tínhamos que ser ativos, criativos, ousados,  parceiros e inovadores de atitudes de sustentabilidades.

Mais uma vez reitero a sábia fala final do companheiro Kiko: JAMAIS DEIXEM A LUTA...HÁ MUITAS FORMAS DE EXERCER O ATIVISMO E A MILITÂNCIA. Há muito a ser feito e vcs, e nós, somos imprescindíveis ao exercício da participação social tão batalhada e incluída na Constituição Federal para construção de um novo Brasil.

Minha solidariedade. Regina Bueno.

Renilson,
Espero que o fechamento da ong não feche o militante que você é. A realidade local é semelhante a muitas ongs no Brasil inteiro!
O movimento de Aids não morreu, embora agonizante, graças à militância das pessoas e colaboração de simpatizantes.
Abraços, 
Rubens
RNP/POA
Fórum de Ong Aids do RS.

Renilson,

Triste noticia.
Acompanho de longe, via facebook, o seu empenho. Espero que a situação possa mudar em 2013.
Grande Abraço

Cláudio Pereira
 
 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Coletiva de Imprensa Dia Mundial de Luta Contra Aids do Ministério da Saúde


Prezado(a)s
 
Abaixo, o informe que acabei de receber sobre a Coletiva de Imprensa Dia Mundial de Luta Contra Aids do Ministério da Saúde, onde serão divulgados os dados epidemiológicos da Aids no Brasil.
 
Atenção, a coletiva é amanhã de manhã!  Mais uma vez a sociedade civil é leva uma volta do Ministério da Saúde!
 
Alguém sabe informar se alguém da sociedade civil foi convidado para esta coletiva de imprensa?  CNAIDS e CAMS?
 
Abraços!

Willian Amaral

Coletiva de Imprensa Dia Mundial de Luta Contra Aids


Coletiva de Imprensa Dia Mundial de Luta Contra Aids


DATA:                   20 de novembro de 2012
HORÁRIO:          10h30
LOCAL:           Auditório Emílio Ribas
END.:              Ministério da Saúde – Esplanada dos Ministérios Ed. Sede - Térreo
TRAJE:            Passeio Completo

Obs: A Coletiva será transmitida em tempo real pela internet pelo endereço: http://www.aids.gov.br/mediacenter

² Composição da Mesa
1.     Ministro de Estado da Saúde e Presidente do CNS – Alexandre Padilha
2.     Secretário de Vigilância em Saúde – Jarbas Barbosa
3.     Representante da UNAIDS no Brasil – Pedro Chequer
4.       Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais- Dirceu Bartolomeu Greco
5.     Representante de Movimento Social

² Apresentação dos Dados Globais da Aids
Representante da UNAIDS no Brasil – Pedro Chequer

² Apresentação da Mobilização e da Campanha do Dia Mundial de Luta Contra Aids
     Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais- Dirceu Bartolomeu Greco

² Apresentação do Vídeo da Campanha de 2012 (30’’)

² Apresentação dos Dados Epidemiológicos de HIV/Aids no Brasil
    Secretário de Vigilância em Saúde – Jarbas Barbosa

² Pronunciamento
     Ministro de Estado da Saúde – Alexandre Padilha

² Atendimento à imprensa

² Encerramento

CONTATOS:
·          EUNICE DE LIMA – Assessora Chefe do Núcleo de Eventos e Cerimonial: (61) 9221-7949
·          CAROLINA GONTIJO – Núcleo de Eventos e Cerimonial SVS: (61) 9236-7760
·          LUCIANA TORRES – Núcleo de Eventos e Cerimonial SVS: (61) 8182-4883



Pessoal,
E a Sociedade Civil fará o quê?
Quais pontos abordaremos junto à imprensa para dar visibilidade à nossa agenda política?
Teremos um manifesto unificado no dia 1º?
No Pará, o Fórum fará um Ato Público, na manhã do sábado dia 1º.

Vamos conversando...

Kiko

quem esta nos representando pois ate agora nao vi e ainda a nete ta ruim muito ruim,


Simoni Bitencourt
GAPP-HIV/AIDS
Casa de passagem-Ponta Porã-MS
Quem está representando a sociedade civil?

Foi alinhado algumas estratégias sobre a ações para o dia 01 em relação a essa coletiva?

Precisamos saber sobre essa questão.Principalmente em relação as ações que iremos fazer em nossas bases voltadas para P doa 01,explanar isso lá dentro,dando visibilidade ao movimento social seria importante.

Att.Diego Callisto via IPhone 

Simoni,
Esta é uma ação do governo e não acho que deveríamos estar lá posando de papagaio de pirata.
Nós temos é criar ações nossas. Por isso perguntei se o MOVAIDS fará algum ato nacionalmente.
Vamos conversando...

Kiko

Diegão e Simoni... isso foi proposto há muuuito tempo, no início de novembro. Mas o email do PT, por exemplo, fez mais sucesso.
Att.
Beto Volpe


Desculpe, Kiko.. deveríamos sim, pra fazer uma bela manifestação, ainda que de poucas pessoas. Toda a imprensa tava lá, deu pra perceber.
Att.
Beto Volpe

concordo com vc sim mais na programação tinha sociedade civil por este fato pergunto


Simoni Bitencourt
GAPP-HIV/AIDS
Casa de passagem-Ponta Porã-MS
O nosso companheiro RENATO DA MATTA estava la, por acaso,  e fez o papel que todos esperavam. Rebateu todas as falas e colocou em xeque a postura do Governo quanto ao Programa de Aids. Vamos aguardar os informes para podermos nos posicionar.

Josimar Pereira da Costa


Ok, Beto.
Mas..me pergunto porque não fazermos uma ação nossa?
Não temos camacidade de mobilizar a imprensa para expor nossa perspectiva sobre a epidemia?
Precisamos sempre ser coadjuvantes das agendas governamentais e suas pirotecnias?
Vamos conversando...

Kiko


Josimar,
Eu não assisti a entrevista, mas parabéns ao Renato.
Mas podemos acompanhar as matérias na imprensa e verificar se alguma delas descreverá a fala do ativista. Duvido.
Por isso precisamos provocar um fato nosso. Assim nossa fala será publicada.
Vamos conversando...
Kiko
Mas nós vamos fazer. De forma um tanto desarticulada, mas vamos. Em SP, por exemplo, Fórum de ONGs, RNP+, MNCP e RNAJVHA farão ato conjunto (viva!) em frente à secretaria de  estado da saúde. E a idéia da cruz que não sai de minha cabeça, rsrs....
Com relação à capacidade de mobilizar a imprensa, vamos lembrar que não somos mídia há muito tempo, só nesses factóides. Aí entra um de meus inspiradores Torquato Neto, mentor do tropicalismo e sua máxima: o primeiro passo é ocupar o espaço.
Era só ter tido um mínimo de boa vontade e poderíamos ter envergado nosso traje passeio e feito uma senhora intervenção, com faixas, nariz de palhaço e tudo o mais que convém a um movimento social comprometido.
Mãããããsss, como diria Golias, somos parceiros, né?
Beto Volpe

Vai ser às dez horas do dia 30, pelo fato do dia mundial cair num sábado e no dia primeiro serão as ações locais. A RNP+SP está sugerindo a realização de candlelights, uma vez que a origem desse ato foi dar visibilidade à epidemia. Hoje, como antes e sempre....
Beto Volpe

Companheir@s o Pará está torcendo que realmente nós possamos realizar um ato politico ao mesmo tempo em vários Estados.No Pará vamos distribuir documento aberto para a população,vamos está vestidos de preto,usaremos apitos e nariz de palhaço,não vamos fazer uma ação de prevenção e sim de amadurecimento politico com a presença da mídia.

Cledson Sampaio


Companheir@s: Boa tarde!

salvo melhor juízo, de todos os e-mails que recebi até este momento sobre o assunto acima, não vi outro nome citado que estaria no evento que não fosse o Renato da Matta e, mesmo assim,  por acaso estava lá (obrigado Renato, compartilhe suas impressões, por favor).

Pergunta que não quer calar: quem estava representando a Sociedade Civil “Organizada?!” nesta coletiva?

Abs. Regina Bueno.





quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Verba para combate à aids fica parada nas contas de estados e municípios

Segue abaixo matéria da Veja sobre os recursos da PAM parados...
Marcio Villard
 
XVI VIVENDO - Estamos Vivos!?!
Rio de Janeiro - 22 a 24 de novembro de 2012
Encerrado período de Solicitação de Bolsas e inscrições prévias.
Informações: 21 25183993 ou 1997 www.pelavidda.org.br
 
 
 

HIV

Verba para combate à aids fica parada nas contas de estados e municípios

Secretarias estaduais e municipais mantêm, sem uso, 160 milhões de reais repassados pelo Ministério da Saúde. Rio de Janeiro, que tem segundo maior índice de mortalidade pela doença no país, é o campeão de desperdício

Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro

Quando confrontados com um problema grave em suas gestões, administradores públicos têm, invariavelmente, uma justificativa no repertório: a falta de verbas, a escassez de recursos, as limitações de orçamento. Em grande parte dos casos, é certo que falta dinheiro e sobram problemas, como nas casas em que o salário acaba e o mês prossegue. Mas nem sempre a inação se explica pelo dinheiro – ou a falta dele. Neste momento, quando pacientes portadores do vírus da aids se acotovelam em busca de atendimento em hospitais e postos de saúde do país, estão parados nas contas de estados e município 160 milhões de reais repassados pelo Ministério da Saúde para melhorar o atendimento de soropositivos e criar programas de prevenção.
O levantamento da situação desse dinheiro é do próprio ministério, com base nas informações repassadas por estados e municípios. O desperdício pode ser ainda maior: cerca de 200 municípios não informaram o que fizeram – e se fizeram – com a verba destinada ao combate à aids.
Em alguns locais, a verba repassada regularmente pelo Ministério da Saúde desde 2003 ‘apodrece’ na conta há 91 meses, como em Vila Velha, no Espírito Santo. No Sudeste, são 68,4 milhões de reais sem uso nas contas bancárias dos gestores municipais e estudais. A região é a que tem maior número de mortes causadas pela doença: em 2010, dos 11.965 óbitos notificados no país, 5.687 ocorreram nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
LEIA TAMBÉM:
O estado do Rio, que tem a segunda maior mortalidade pela doença do país, é o que acumula mais recursos sem uso: 30,2 milhões de reais em caixa entre verbas destinadas à Secretaria Estadual de Saúde e às secretarias municipais. Segundo levantamento ao qual o site de VEJA teve acesso, a Secretaria Estadual de Saúde fluminense gastou apenas 36,8% dos 24,9 milhões de reais que recebeu desde 2003. Ou seja, acumula 15,7 milhões de reais sem uso. Já o município deixou de aplicar na rede 8,1 milhões dos 17 milhões que recebeu desde 2003.
O estado tem 9,1 mortes por aids para cada grupo de 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional, de 5,6 óbitos. A cada dois dias, nove moradores do estado morrem em decorrência de problemas com o HIV.
Oferecer tratamento com rapidez é a diferença entre a vida e a morte quando o assunto é o HIV. A aids, que já representou uma sentença de morte, hoje é considerada uma doença crônica por especialistas, mas o diagnóstico tardio e o atendimento precário são entraves ao tratamento. Os destinos possíveis para o dinheiro são muitos. De acordo com o Ministério da Saúde, os recursos poderiam ser usados na contratação de ações de prevenção realizadas por organizações não-governamentais e em melhorias estruturais de unidades de saúde que atendem soropositivos. Poderia ainda ser destinado a casas de apoio que cuidam de pacientes sem recursos ou na compra de leite para bebês, filhos de mulheres soropositivas, pois o leite materno de uma mãe soropositiva leva risco de contágio ao recém-nascido.
Deixar de empregar o dinheiro destinado ao combate à aids dificulta o trabalho de entidades que tiveram destaque no combate à epidemia, cujo ponto crítico se deu na década de 1980. O grupo Pela Vidda Rio, fundado em 1989, é um dos que passa por dificuldades atualmente. Sem receber dinheiro público e com o corte dos financiamentos internacionais, o Pela Vidda foi obrigado a reduzir seu horário de funcionamento ao período da tarde. O atendimento já não está disponível às segundas-feiras e foi fechado o Disque-Aids, destinado a dar orientações a soropositivos e famílias de pacientes com a doença.
O trabalho do Pela Vidda consiste em dar assistência psicológica e jurídica aos portadores do vírus. O grupo também se especializou em ações de prevenção ao HIV e na luta contra o preconceito e pelos direitos dos soropositivos. “Hoje, a situação financeira do Pela Vidda é muito delicada. Fazemos um esforço enorme para manter as portas abertas, mas se nada mudar não sei até quando conseguiremos. O mais grave é que as pessoas continuam chegando, buscando ajuda sem conseguir acesso à rede pública. Muitas acabaram de ter o diagnóstico e chegam perdidas, com medo de morrer, sem ter a quem revelar o diagnóstico. Em seguida, ainda precisam peregrinar em vários postos para conseguir uma consulta”, afirma o psicanalista George Gouvêa, coordenador do Pela Vidda, que mantém atendimento psicológico e jurídico com 12 voluntários.
O superintendente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, alega dificuldades no repasse de recursos para projetos de organizações não-governamentais devido ao excesso de documentos exigidos. Chieppe argumenta ainda que a secretaria aumentou o gasto nos últimos anos e afirmou que, até 2013, investirá no Plano de Metas a verba que hoje esta parada na conta do estado.

“Não sobra dinheiro. Não há excesso. O que há é dificuldade de utilizar esses recursos, que se acumularam em anos anteriores. Os juros também geram mais recursos”, afirma. “Há uma discussão em relação ao repasse para ONGs. Não há instrumentos jurídicos adequados. O estado tem que fazer o repasse como se o fizesse para uma empresa qualquer. Ou seja, há uma carga muito grande de documentos exigidos para organizações não-governamentais que não têm o mesmo porte de uma empresa que vende para o governo. Tem que se pensar numa adaptação para que esses recursos sejam repassados. Hoje, temos muita dificuldade”, disse.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde Rio, que segundo o levantamento do Ministério da Saúde tem 8,1 milhões de reais na conta, alega que não há valores parados. O município argumenta que “todos os valores estão empenhados no orçamento, vinculando os recursos financeiros em conta com os recursos orçamentários e compromissos assumidos”. “A verba é utilizada em despesas fixas e variáveis, como campanhas, e o recebimento e uso dos valores são dinâmicos, com prestação de conta feita ao final do exercício. Portanto, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC) não tem hoje em sua conta os R$ 8 milhões citados. Dentre as despesas fixas estão a compra de leite substituto para crianças nascidas de mães com HIV, cerca de 28 mil latas ao ano, aquisição de gel lubrificante (500 mil saches/ano)”, diz a nota. O município não informa quanto tem em caixa no momento dos recursos repassados pelo ministério.
A resposta escorrega nos detalhes. A orientação do Ministério da Saúde para uso da verba não inclui a compra de gel lubrificante. A Secretaria Estadual de Saúde comete o mesmo erro: de acordo com o superintendente Alexandre Chieppe, o órgão também compra gel lubrificante com o valor de incentivo. Ou seja: do pouco dinheiro que é usado, há ainda gastos que desrespeitam o que foi acordado com o ministério.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dilma desrespeitou o Programa de Aids.

O sonho acabou, ou vai acabar: Dilma desrespeitou o Programa de Aids. José Araújo Lima é coordenador do Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada

José Araújo Lima Filho

A presidenta Dilma conseguiu passar para história por estar exterminando o programa de aids brasileiro e transformando o Departamento de Aids em uma masmorra a ser visitado, em breve, como um museu que guarda-fatos históricos da luta contra a epidemia.

Sempre votei na esquerda, ou quase, mas não podemos permitir que as bandeiras partidárias tapem nossas bocas.

Sinto-me muito a vontade por não ter votado no Serra, que foi um ministro que teve a ousadia de colocar a primeira campanha direcionada ao público-gay na televisão e principais órgãos da imprensa escrita no Brasil.

Como uma mulher que foi eleita com grande respaldo dos movimentos organizados agora se joelha diante dos conservadores religiosos e começa a destruir uma história cheia de lutas e mortes? Como caminhar com uma presidenta que usa seu discurso de Direitos Humanos como lhe convém esquecendo a essência do que rege uma conquista universal?

As ONGs/aids sempre cometeram seus erros, mas nenhuma esteve envolvida nos escândalos que assola o Planalto Central. ONGs, até mesmo de cunho religioso, transformam os sonhos de mudanças em lavanderias. O Movimento de Luta Contra Aids nunca pecou pela omissão e sempre teve a coragem de gritar ao mundo que a vida deveria estar acima de quaisquer conceitos e pré-conceitos.

Nessa luta, dividimos o tempo do luto com a luta e construímos algo parecido com o verdadeiro SUS que sempre lutamos. Enquanto políticos assumiam a autoria do “Melhor programa de aids do mundo”, o movimento continuava a caminhar, e avançando em suas conquistas.

Quantos amigos perdemos? Quantas famílias ficaram e ficam órfãos de uma doença que mata o sistema imunológico e alimenta o preconceito? Qual a diferença entre uma ditadura com suas torturas horrorosas e a aids? As ditaduras não são passíveis de derrubar o preconceito.

Nesse momento, Dilma se esquece de pessoas como Herbert Daniel, Betinho, Peruzzo, Bonfim e milhares de anônimos não menos importantes, preferindo voltar seu pragmatismo a movimentos religiosos conservadores que trazem o Planalto preso às rédeas da chantagem.

Dilma não conhece a história da aids.

Por onde anda a Frente Parlamentar de Gays e de Luta contra Aids que usam os movimentos em seus panfletos em época de eleições nesse momento?

DORMINDO NOS BRAÇOS DO PODER.

O momento que estamos vivendo é dramático e não podemos chorar, porque as lágrimas podem aliviar o espírito, mas não trazem solução. Precisamos partir para indignação: gritar para o mundo que o Brasil não é mais o mesmo; gritar para o mundo que não podemos aceitar uma presidenta que se curve diante das pressões de movimentos religiosos conservadores, ao invés de ouvir o clamor da sociedade em seus extratos mais vulneráveis.

Para que servem os nossos ativistas que hoje estão próximos do governo? Hoje eles não servem para quase nada e que causam certa comoção pelos sapos de saias que estão engolindo. O Departamento de Aids – do Ministério da Saúde - não tem mais autonomia, vive sobre a intervenção do gabinete ministerial.

Dilma nos envergonha e não podemos nos dobrar diante de tal atitude. Vamos nos rebelar. Nesse momento a Frente Parlamentar deve dizer a que veio ou estará fadada a ser enterrada pelo descrédito. A nossa cidadania corre risco e em memória dos que foram e dos que têm direito a vida chegou a hora de dizer BASTA.

Jose Araujo Lima Filho é ativista do movimento social de luta contra a aids e coordenador do Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (EPAH) em São Paulo.

Os artigos publicados pela Agência de Notícias da Aids são de inteira responsabilidade dos colaboradores e não expressam obrigatoriamente as opiniões desta agência.

segunda-feira, 26 de março de 2012

“Combate à aids não pode retroceder”


“Combate à aids não pode retroceder”  

Thelma de Oliveira


Artigo da presidente nacional do PSDB-Mulher, Thelma de Oliveira
Documento de mais de duas dezenas de entidades da sociedade civil brasileira voltadas para o trabalho de combate ao HIV-aids, intitulado “SOS: Governo Dilma coloca controle social da Aids em risco de extinção”, divulgado pela ABIA ( Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids), é um grave alerta para todos nós, comprometidos com a luta das mulheres e do povo em geral.

De maneira lúcida e pontual, o documento revela a enorme crise que as ONGs brasileiras enfrentam, inclusive com a suspensão das atividades de algumas delas que se tornaram símbolos nacionais, como os grupos SOMOS, do Rio Grande do Sul, e os GAPA de Minas Gerais e São Paulo.

O documento aponta as razões: a falta de apoio de recursos financeiros, especialmente de governos e entidades internacionais; do próprio governo brasileiro; o clima “anti-ONGs” na sociedade e, principalmente, a ausência de um diálogo com o Ministério da Saúde. “Não recuperamos em nossa memória recente um período de tamanho distanciamento entre o Ministério da Saúde e a sociedade civil brasileira”, diz o documento.

Esse quadro é gravíssimo e não podemos nos calar. Não podemos aceitar a atual política do Ministério da Saúde que pretende definir suas próprias políticas de saúde, sem a presença e, o mais importante, a parceria, o acompanhamento e a fiscalização das entidades da sociedade civil. “A quem interessa essa debilidade da sociedade civil organizada?”, questiona apropriadamente o texto das entidades.

É um quadro absolutamente distinto do que conhecemos, o Brasil e o mundo, quando da gestão do tucano José Serra no Ministério da Saúde!

Naquela ocasião, o Programa de Combate à Aids do Brasil foi reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) como um modelo a ser seguido por todo o mundo, literalmente.

Revolucionário e inovador, o programa de Serra universalizou o tratamento anti-aids no Brasil, baixou o preço e distribuiu remédios gratuitamente, além de quebrar patentes de medicamentos, com a coragem de um homem de visão, em que os interesses da coletividade estão acima daqueles das corporações.

Nós, mulheres, não podemos aceitar qualquer retrocesso nessa política que ajudou milhares de pessoas, até porque levantamentos oficiais indicam que cerca de 35% dos soropositivos brasileiros são mulheres.

Mas quando se fala de jovens entre 13 e 19 anos no Brasil, a maior parte dos registros oficiais aponta como majoritários os casos das mulheres. Um absurdo!

E, mesmo nessa doença grave, as mulheres são as maiores vítimas e não escapam sequer de atos brutais por parte dos seus companheiros. Nada menos do que 97,5% das mulheres portadoras de aids sofreram algum tipo de violência, dos quais 72% ocorreram antes do diagnóstico da doença. Outro absurdo!

Portanto, continuaremos a cobrar uma ação mais transparente do Ministério da Saúde e uma mobilização em defesa das ONGs para que toda a política implementada na gestão José Serra não se perca por incompetência ou interesses políticos menores deste ou daquele governo.

A saúde da mulher – o pré-natal, a gravidez precoce, o exame da mama – a adoção de políticas públicas voltadas para o combate e à discriminação e à violência contra a mulher sempre foram bandeiras do nosso partido, do PSDB-Mulher.
E vamos continuar defendendo-as. O combate à aids não pode retroceder.

Thelma de Oliveira

Presidente Nacional do PSDB-Mulhe
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SOS: Governo Dilma coloca controle social da Aids em risco de extinção
 
Estamos  vivendo  uma  situação  sem  precedentes  de  desmantelamento  do  controle  social da  resposta  à  epidemia  de  HIV-Aids  no  Brasil.  O  sucesso  da  política  brasileira  sempre esteve pautado num trabalho conjunto entre Estado e sociedade civil organizada, que não apenas  cobrava  ações  efetivas  das  autoridades  –  como  foco  nos  direitos  humanos  -  mas também era protagonista no desenho e implementação das políticas. Que não se enganem os  céticos  em  relação  ao  papel  e  importância  desses  grupos:  certamente  a  crise  das associações  que  trabalham  com  o  HIV  e  mesmo  os  grupos  de  pessoas  vivendo  com  o HIV é a crise da resposta brasileira à epidemia.

Recentemente, importantes organizações dedicadas ao tema do HIV-Aids fecharam suas portas  depois  de  anos  de  serviço  público  relevante.  A  ameaça  do  fechamento  também paira sobre outras organizações históricas que enfrentam crises severas de recursos, mas que  não  nomearemos  aqui  em  respeito  às  próprias  organizações,  que  devem  decidir  o momento  e  a  forma  de  tornar  pública  suas  situações.  Algumas,  tais  como  o  Grupo SOMOS  (Rio  Grande  do  Sul),  O  GAPA  de  Minas  Gerais  e  o  GAPA  de  São  Paulo  já comunicaram publicamente a suspensão de atividades. 

Embora a atual crise não seja a primeira enfrentada por organizações desse tipo, certo é que essa é diferente, na medida em que é mais severa e mais invisível. Podemos dizer que parte da origem desta  crise reflete um recuo  financeiro da  cooperação internacional que tem sido o modelo base do financiamento das ONGs neste campo no país. A origem deste recuo tem por base dois fatores fundamentais - a crise financeira internacional dos paises desenvolvidos e a nova projeção do Brasil no cenário internacional, que coloca o país no papel de doador de recursos e não mais receptor – causando uma falsa percepção de que os problemas internos estão resolvidos. 
 
Vale dizer que esse recuo não afeta apenas as ONGs que atuam no campo do HIV-Aids, e sim  boa  parte  das  ONGs  brasileiras  que  dependiam  desse  modelo  de  cooperação internacional  para  prestar  um  valioso  papel  na  defesa  do  interesse  público  e  na  luta  por políticas  públicas  que  universalizem  direitos  e  cidadania  no  país.  Apesar  de  terem  sido fundamentais para a realização de eventos históricos como a Cúpula dos Povos durante a ECO 92 e o Fórum Social Mundial, além de terem conquistado o direito de participar de diversas  negociações  internacionais,  entre  outros  feitos,  as  ONGs  brasileiras  estão  cada vez mais reduzindo suas equipes e frentes de atuação por falta de recursos. Isso significa que  as  muitas  contribuições  e  conquistas  realizadas  em  anos  de  luta  estão  sendo retribuídas  com  silêncio  e  abandono,  ao  invés  de  um  debate  público  que  proponha alternativas reais para a sobrevivência dessas organizações.
 
Recentemente, dados evidenciam o aumento da ajuda internacional do governo brasileiro, incluindo  ações  humanitárias  e  contribuições  ao  sistema  ONU1,  equivalentes  a  US$  1,4 bilhões  nos  últimos  cinco  anos.  Não  obstante  a  importância  das  doações  brasileiras  a países  e  populações  mais  vulneráveis,  é  inaceitável  que  organizações  locais  fechem  as portas  e  deixem  de  atender  aos  brasileiros  e  brasileiras  e,  sobretudo,  estejam  impedidas de  monitorar,  cobrar,  construir  em  colaboração  e  fiscalizar  a  execução  de  políticas  em saúde  com  recursos  públicos.  A  quem  interessa  essa  debilidade  da  sociedade  civil organizada? 

O aumento do PIB brasileiro, que passa até mesmo o do Reino Unido, como sinônimo de desenvolvimento  é  uma  premissa  simplista  e  conveniente.  Excluem-se  da  equação  a renda  per  cápita,  as  fortes  desigualdades  internas,  as  situações  de  extrema  exclusão  de parte  da  população  e  a  manutenção  de  vulnerabilidades  sociais  –  terreno  fértil  para  a concentração  da  epidemia  de  AIDS  em  seu  seio.  O  Brasil,  que  brilha  nos  salões  de Genebra  e  Nova  Iorque  certamente  não  é  o  mesmo  com  o  qual  lutamos  todos  os  dias, com suas incoerências, injustiças e inadequações. Por isso ocupa o 81º lugar no índice de desenvolvimento humano.

Além da crise financeira, a outra face da moeda é a notória crise política. No campo do HIV-Aids  podemos  dizer  que  o  diálogo  da  sociedade  civil  com  o  Estado  vem  se deteriorando  e  chega  agora  a  um  momento  crítico.  O  agravamento  teve  seu  ápice  nos últimos meses, no que a imprensa tem chamado de “clima anti-ONGs”. Não recuperamos em nossa memória recente um período de tamanho distanciamento entre o Ministério da Saúde e a sociedade civil brasileira.

Concretamente podemos citar o recente episodio de censura da campanha de prevenção para o carnaval de 2012 - orientada a homossexuais - cujo  veto  partiu  unilateralmente  do  Poder  Executivo;  a  negociação  e  assinatura  de contratos  de  transferência  de  tecnologia  de  medicamentos  para  HIV  com  empresas transnacionais farmacêuticas sem transparência e na contra-corrente da histórica posição brasileira  de  uso  das  flexibilidades  de  proteção  da  saúde  pública  da  Lei  e  Patentes;  os episódios  seqüenciais  de  desabastecimentos  de  medicamentos  antirretrovirais  cujas causas não foram adequadamente esclarecidas e a perceptível (e inexplicável) ausência e clara  exclusão  de  organizações  da  sociedade  civil  brasileira  na  Conferencia  Mundial  de Determinantes Sociais de Saúde, organizada pelo Brasil em 2011.

Ademais  do  esgarçamento  das  relações  da  sociedade  com  o  Ministério  da  Saúde, assistimos perplexos ao  visível  desmonte do  Departamento de  DST  AIDS. Embora  haja uma  clara  preocupação  em  desfazer  essa  impressão,  notamos  o  desligamento  do Departamento  de  um  número  expressivo  de  pessoas  classicamente  envolvidas  na  luta contra a AIDS no país. As causas são obscuras, e também merecem esclarecimento.

A invisibilidade da crise das ONGs anti-AIDS e a supressão de sua importância encontra lastro na suposta incorporação nas políticas públicas de todas as demandas da sociedade; no argumento de que as ONGs se desvirtuaram e servem hoje apenas de instrumento de desvio de dinheiro público e na aceitação pacífica da crença de que o Brasil está em pleno desenvolvimento. Nesse contexto, a participação da sociedade civil organizada não seria um elemento supérfluo, anacrônico? 

Para  responder  a  essa  pergunta  faz-se  necessário  recuperar  um  pouco  dos  ensinamentos de  precursores  da  inteligência  brasileira  sobre  HIV-Aids  e  Direitos  Humanos.    Há  mais de vinte anos, a solidariedade foi o elemento que orientou a resposta brasileira à epidemia no  país  e  ela  não  era  apenas  vista  como  um  elemento  de  luta  contra  preconceitos  e estigmas, mas também como um princípio fundamental para a mobilização. Como dizia o sociólogo  Herbert  de  Souza,  o  Betinho,  a  Aids  não  é  um  problema  apenas  de  saúde, restrito àqueles que vivem com HIV e aos profissionais de saúde, mas sim um problema social  que  deveria  ser  enfrentado  por  diferentes  segmentos  da  sociedade  e  não  somente com ações diretas de saúde, mas também com políticas sociais.

Àquela época, o Brasil se encontrava no processo de redemocratização. Na aprovação da Constituição Cidadã,  o direito  a saúde  foi incorporado e definiu as bases para o sistema público  de  saúde  regido  pelos  princípios  da  universalidade,  equidade,  integralidade  e controle  social.  Tal  contexto  possibilitou  sinergias  na  luta  travada  no  campo  do  HIV contra o que Herbert Daniel, outro ícone da luta contra a Aids, chamava de ‘morte civil’. 

Nos vinte anos da morte de Herbert Daniel, poderíamos dizer que emerge hoje um novo conceito  de  “morte  civil”.  Àquela  época  significava  uma  restrição  de  direitos  civis durante  a  própria  vida  em  função  da  infecção  pelo  HIV.  Hoje,  podemos  considerar  a ‘morte  civil’  como  este  sufocamento  do  principio  basilar  do  SUS:  o  controle  social.  Se antes a ‘morte civil’ acontecia em decorrência da Aids, hoje ela é causadora da Aids, pois sem controle social efetivo, menores são as possibilidades de garantia de direitos para os excluídos, justamente os mais vulneráveis à infecção e para os quais a Aids se torna cada vez mais uma conseqüência da própria condição de exclusão social. Sabemos  do  papel  histórico  dos  movimentos  sociais  na  construção  da  cidadania  no Brasil.  A  preservação  dos  princípios  do  SUS  é  uma  luta  constante  e  em  permanente construção.  A  restrição  de  um  de  seus  princípios,  como  o  controle  social,  certamente afeta os demais e, por que não dizer, afeta todo o processo democrático. 

Como dizia Betinho, não cabe às ONGs brasileiras acabar com ou pretender substituir o Estado, mas colaborar para a sua democratização. Muitas ONGs que trabalham com HIV-Aids  têm  feito  isso  com  dedicação  há  pelo  menos  trinta  anos  e  não  é  por  outro  motivo que o programa de Aids do Brasil é considerado um dos melhores do mundo. Enquanto essas  organizações  ajudavam  a  construir  as  bases  desse  programa,  eram  chamadas  de parceiras. Agora, quando tentam colaborar de  forma ativa para seu bom funcionamento, são sumariamente ignoradas. Além disso, no momento em que o enfraquecimento dessas organizações  é  mais  latente,  o  silêncio  impera.  No  entanto,  as  ONGs-Aids  ainda  têm muito  que  dizer,  fiscalizar,  propor  e  defender.  Nem  que  seja  em  mensagens  coladas  em portas fechadas. Não queremos sentir nostalgia dos dias em que o controle social existia de fato, queremos que as autoridades que agem com descaso frente ao desmantelamento desse principio sintam vergonha proporcional à ofensa que isso representa à democracia brasileira e à todos que lutaram por ela.

 
Rio de Janeiro, março de 2012

ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids)
GIV (Grupo de Incentivo à Vida)
GRAB (Grupo de Resistência Asa Branca)
GAPA (Grupo de Apoio à Prevenção à Aids) - RS
GAPA (Grupo de Apoio à Prevenção à Aids ) – PA
GAPA (Grupo de Apoio à Prevenção à Aids ) - SP
GESTOS – Soropositividade, Comunicação e Gênero
Grupo Pela Vidda – RJ
GTP + (Grupo de Trabalho em Prevenção Posithivo) 
Fórum de ONGs Aids – SP
Fórum de ONGs Aids – RJ
Fórum Paranaense de ONGs-Aids
RNP+ (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids) - RS
RNP+ (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids) - RJ
MNCP+ (Movimento Nacional das Cidadãs Positivas) - RS
MNCP+ (Movimento Nacional das Cidadãs Positivas) - MG
MNCP+ (Movimento Nacional das Cidadãs Positivas) - PR
+ Criança
Grupo de Apoio à Criança Soropositiva
Libertos Comunicação
Aviver
Aneps
CEDUS (Centro de Educação Sexual) - Rio de Janeiro
Articulação Aids da Bahia
Grupo Água Viva - Centro de Referência e Prevenção das DST/AIDS
Grupo Assistencial SOS VIDA
REDE LATINO AMERICANA E CARIBENHA DE AÇÕES VOLUNTARIAS DE
COMBATE AO HIV/AIDS - REDLACV0+
Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite
Fórum de ONGs Aids – MG
CEDAPS (Centro de Promoção da Saúde)