PT ataca tucanos com pílula do dia seguinte
06 de outubro de 2010
O Estado de S.Paulo
Movimento na internet divulga que Serra legalizou o contraceptivo e normatizou o aborto na rede pública
Lígia Formenti
Diante do desgaste da candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, provocado pelo seu posicionamento em relação ao aborto, aliados da petista decidiram contra-atacar ações tomadas pelo tucano José Serra que, no passado, foram aprovadas por setores ligados ao próprio PT.
Desde ontem, formou-se um movimento na internet para mostrar que o candidato adversário, o tucano José Serra, foi quem mais contribuiu para o avanço da interrupção da gravidez no País. Tanto por normatizar a prática do aborto em serviços públicos como por incluir o uso da pílula do dia seguinte, considerada por religiosos como abortiva, na política de planejamento familiar.
No blog "Amigos do Presidente Lula", Serra é definido como "o único candidato que já assinou medidas para fazer abortos" no Brasil. A referência é feita à medida publicada em novembro de 1998. No documento, batizado de Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes, foram dadas as condições para que, em casos de gravidez resultante de estupro, as vítimas recebessem tratamento em hospitais públicos.
Embora previsto em lei desde 1940, o aborto para vítimas de violência sexual e nos casos em que a mãe corre risco de vida praticamente não havia saído do papel até a publicação do documento.
Antes disso, os atendimentos eram realizados em apenas oito cidades: Belém, Brasília, Campinas, João Pessoa, Recife, Porto Alegre, Rio e São Paulo. Na época, o documento foi elogiado por movimentos ligados a grupos feministas e profissionais de saúde pública, próximos também do PT. Mas provocou a ira de religiosos.
Pílula. O blog também afirma que foi na gestão Serra que a pílula do dia seguinte foi liberada. A previsão do uso deste recurso - uma combinação de hormônios que pode ser usada logo depois da relação sexual desprotegida -, no entanto, foi feita dois anos antes de Serra ter assumido a pasta da Saúde.
Num documento de 1996, sobre Planejamento Familiar, a pílula já era mencionada. Mas foi durante a gestão do candidato que o Ministério da Saúde passou a comprar o produto, para complementar aquisições feitas por Estados e municípios.
Embora usada depois da relação sexual, médicos especialistas em reprodução humana garantem que ela não é abortiva. A pílula do dia seguinte atua impedindo a fecundação, o encontro entre óvulo e espermatozoide.
Num documento publicado pelo Ministério da Saúde, o médico Jefferson Drezett atribui a resistência ao método ao desconhecimento ou a informações distorcidas. Mesmo com tais garantias, setores religiosos continuam sendo contrários ao uso do método.Clipping Bem Fam
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Inclua algum cometário: